A greve relâmpago deflagrada
ontem pelos bancários do Distrito Federal mobilizou especialmente
funcionários do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica. Marcado para
durar 24 horas, o ato foi um protesto aos 4% de reajuste e ao abono de
R$ 1 mil oferecidos pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) esta
semana. Cerca de 12 mil funcionários em um universo total de 18 mil
teriam aderido ao movimento, de acordo com o sindicato da categoria. Os
bancos oficiais negaram que a adesão tenha sido maciça. O BB não
divulgou balanço, mas na Caixa 40% das agências - de um total de 59 -
fecharam.
Uma nova greve de 24 horas
deverá se repetir na próxima quarta-feira, dia 28. De acordo com Jacy
Afonso, os bancários avaliam a possibilidade de parar por tempo
indeterminado a partir do dia 6 de outubro. "As instituições financeiras
não acreditam na mobilização. Vamos surpreender a todos", reforçou o
sindicalista.
Sem saber do protesto, a
agente de exportações, Ana Luiza Freire, não conseguiu dar entrada no
pedido de CPF para que a colega estrangeira começasse a trabalhar no
Brasil. A agência central do BB, no Setor Bancário Sul, estava fechada.
"Acho justa a greve, mas não é bom passar por isso. Eu tenho contas para
pagar e coisas que não dá para fazer pela internet ou no
auto-atendimento", lamentou.
No dia 28, a Confederação Nacional
dos Bancários (CNB) promete mobilizar todo o país. Caso a Fenaban não
amplie as negociações, a entidade acredita em greve por tempo
indeterminado a partir de outubro.
Já os servidores do Banco Central,
em greve desde o dia 19, tiveram, ontem, a primeira reunião com técnicos
do Ministério do Planejamento. Eles querem 57% de aumento, mas o governo
sinalizou com um reajuste médio de 5,5% e a elevação em 70% para quem
tem cargo de confiança. O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco
Central (Sinal) recusou a proposta. Um novo encontro deve acontecer na
próxima terça-feira.
(© Correio Braziliense,
23.09.2005)
Bancários param agências de
Rio e DF por 24 horas por reajuste salarial
Geralda Doca, Max Leone* e Ronaldo D'Ercole
RIO, BRASÍLIA e SÃO PAULO. Os
funcionários do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal deram
ontem a largada na pressão por reajuste salarial e fizeram uma
paralisação de 24 horas em Brasília e no Rio. O movimento também teve a
participação dos empregados de bancos privados. No Rio, a paralisação
foi marcada por um impasse entre o sindicato da categoria e o Bradesco,
que conseguiu na Justiça um mandado judicial para abrir as agências.
No Centro, houve tumulto, quando
uma oficial de Justiça, acompanhada de um advogado do banco, chegou com
o documento. A PM foi acionada para acalmar os ânimos.
- Não entendemos por que o advogado do banco chegou junto com a oficial
de Justiça - disse o presidente do Sindicato dos Bancários do Rio,
Vinícius Assumpção.
Metalúrgicos da Volksfazem paralisação hoje
Segundo o sindicato, 70% das
agências do Centro do Rio fecharam. Nos bairros, a paralisação foi
parcial. A categoria fará outra paralisação, dessa vez de 48 horas, nos
dias 28 e 29. Os bancários ameaçam entrar em greve por tempo
indeterminado, a partir de 6 de outubro.
Os bancários reivindicam 11,77% de
reajuste, mais 5% sobre o lucro líquido dos bancos. Os bancos ofereceram
aumento de 4%, rejeitado quarta-feira pela categoria. O superintendente
de relações do Trabalho da Febraban, Magnus Apostólico, se disse
surpreso com a decisão dos bancários de iniciar paralisações. Segundo
ele, as negociações estão abertas e não havia razão para a greve.
Os metalúrgicos da Volkswagen
marcaram uma paralisação para hoje, a partir das 6h, na fábrica de São
Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. De acordo com o sindicato, o
protesto ocorre porque não houve avanço na negociação por participação
nos lucros. A produção só deve voltar ao normal na segunda-feira.
(*) Do Extra
(© O Globo, 23.09.2005)
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