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(Continuação – Parte 5)
Plano Real: bom para o país e ruim para a Cassi?
O que fiz, então, quando o Plano Real promoveu uma radical mudança na situação da Cassi? Primeiro, não escondi dos associados quais seriam as conseqüências dessas mudanças na Cassi e passei a adotar paralelamente medidas visando, aí sim, a revisão da contribuição.
Em 29.11.1994 o BIPEL publicou entrevista comigo. O assunto foi assim tratado:
“CASSI PROCURA ALTERNATIVAS PARA SUA SAÚDE FINANCEIRA”
“No ano em que comemora o qüinqüaségimo aniversário de suas atividades, a Cassi enfrenta o desafio de modernizar seus procedimentos para sobreviver mais cinqüenta anos.”
“O BIPEL foi ouvir o presidente, Romildo Gouveia Pinto, que fala sobre a situação financeira da entidade. Ele revela que os estudos preliminares realizados por uma empresa de consultoria, contratada para rever o modelo atuarial da Cassi e propor alternativas, indicam a necessidade de haver maior participação financeira dos associados nas contribuições. Atualmente, cada associado participa mensalmente com uma média de US$ 20.”
Bipel – “Desde o ano passado, a Cassi está sob um processo de saneamento de suas contas. Qual é a atual situação financeira da Entidade?”
Romildo – “Uma série de ações administrativas foi tomada, a partir do ano passado. Entre elas a informatização dos nossos serviços. De novembro/1993 a junho/1994 as despesas foram, a cada mês, inferiores às do mesmo mês do ano anterior. Isso significa que, no primeiro semestre, a Cassi obteve superávit global. Apesar de termos déficit operacional, a receita financeira das reservas permitia cobrir esse déficit.”
“Com o real, e o fim da ‘ciranda’, as receitas financeiras caíram bastante e as despesas cresceram substancialmente, devido também a um aumento real concedido aos médicos na transição do cruzeiro real para o real e a perda do ganho inflacionário entre o prazo da realização do serviço e o do pagamento”
“Para resolver esse problema definitivamente, contratamos uma empresa que está realizando uma revisão atuarial do nosso plano. Até março/1995, com base nesses estudos, a empresa nos trará alternativas de contribuição financeira, que serão submetidas ao Banco e, posteriormente, aos associados. Caso aprovado, o conjunto de sugestões irá compor um novo plano, estável e definitivo.”
Bipel – “Qual a receita auferida pela Cassi com as contribuições dos associados?”
Romildo – “A média dos últimos doze meses, que em junho/1994 era US$ 8,692 milhões, alcançou em outubro, US$ 9,134 milhões. Em contrapartida, a média das despesas evoluiu de US$ 10,699, em junho, para US$ 12,461 em outubro.”
“Se dividirmos esse déficit operacional de US$ 3,326 milhões pela soma dos beneficiários – 503.503 pessoas – temos um déficit operacional médio per capita de US$ 12,87, considerando os números de outubro.”
Bipel – “Não há grandes perspectivas para os funcionários em termos de ganhos salariais. Isso não irá prejudicar a Caixa de Assistência?”
Romildo – “O atual sistema de contribuição – 1% do associado sobre seu salário e 2% do BB – foi montado na década de 70. Esse sistema foi bom até o final da década de 80. A partir de 1990, a relação contribuição/despesa tornou-se deficitária e, há quatro anos, persiste o déficit operacional, o que mostra o esgotamento do modelo.”
“Uma das razões foi o encarecimento da medicina, com as novas técnicas de intervenção médica, novos medicamentos, equipamentos computadorizados para exames, etc. Idem, o surgimento de doenças de tratamento caro, como a Aids. Outra razão foi o fim do compartilhamento do atendimento entre a Cassi e o sistema público de saúde, acontecido no fim da década de 80, pela deterioração daquela forma de atendimento.”
“A forma atual de contribuição inviabiliza a Cassi. O estudo atuarial, como já dissemos, vai propor uma forma alternativa. É provável que adotemos um sistema misto, ou seja, parte da contribuição viria descontada do salário e parte seria participação sobre a despesa, de maneira a garantir a sobrevivência da Caixa por mais 50 anos.”
Bipel – “Há, então, a possibilidade de o associado aumentar sua contribuição?”
Romildo – “Provavelmente chegaremos a isso. Aliás, temos recebido milhares de sugestões nesse sentido, inclusive sob forma de abaixo-assinado. Alguns podem questionar por que a Cassi não realizou esse estudo atuarial antes. O fato é que precisávamos assumir o controle da Caixa. Medidas como a informatização, o cartão de identificação, Auditoria Médica – há um projeto piloto em andamento no Rio de Janeiro – foram tomadas antes de aumentar as receitas, como forma de controle das despesas.”
“Veja, na edição de amanhã, a segunda e última parte da entrevista com o presidente da Cassi, abordando o novo cartão, a criação de um Plano Saúde Família e a co-participação dos associados no combate às fraudes” (Informe BB – BIPEL – 443 – Terça-feira – 29.11.1994)
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O BIPEL, boletim eletrônico do BB, publica entrevista comigo. Naquele momento, cinco meses após o Plano Real, eu já alertava os associados, de forma responsável e corajosa, de que o aumento da contribuição seria necessário. |
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Antes de apresentar a continuação da entrevista, uma outra breve parada para reflexão. Gostaria de enfatizar na entrevista alguns aspectos: a) até o advento do Plano Real, todos os meses as despesas estavam sendo menores, em valores reais, do que as despesas do mesmo mês do ano anterior; ou seja, as medidas administrativas até então adotadas estavam efetivamente reduzindo a fraude e evasão de recursos; b) imediatamente após o Plano Real contratei uma empresa para realizar a avaliação atuarial, com vistas ao aumento da contribuição. Ressalte-se que não foi sem dificuldade que obtive o consenso entre os diretores da Cassi, porque o entendimento do PT, partido de um dos dirigentes eleitos, era que o Plano Real era transitório e não sobreviveria após as eleições presidenciais. Ao contrário, fiz questão de adotar rápida e imediatamente as providências; e) naquele momento, cinco meses após a mudança na economia, já alertava os associados de que o aumento da contribuição viria. Minha ótica era que o que fosse bom para o País tinha que ser, também, bom para a Cassi. Para isso tínhamos que adaptar nossos modelos e instrumentos de gestão à nova realidade do Brasil. |
Os problemas financeiros não pararam a Cassi
Vamos agora à segunda parte da entrevista:
“VALORIZAÇÃO DA CLASSE MÉDICA BENEFICIA ASSOCIADO”
“A Cassi quer reduzir as fraudes na utilização dos seus serviços e conta com a conscientização dos associados e com o novo Cartão de Identificação para alcançar esse objetivo.”
“Na segunda e última parte da entrevista que concedeu ao BIPEL, o presidente da Entidade, Romildo Gouveia, fala sobre o que a atual administração tem desenvolvido para que a Caixa de Assistência tenha efetivamente o pleno controle de suas despesas e sobre o papel dos associados na garantia de mais 50 anos de serviços. A Cassi quer também estreitar o relacionamento com a comunidade médica para garantir melhor atendimento aos usuários de seus serviços.”
Bipel – “Qual a importância do Cartão Cassi, que está sendo entregue aos associados?”
Romildo – “O cartão é parte de um projeto amplo iniciado com a informatização dos serviços da Caixa – o sistema CSC. É um instrumento que vai auxiliar muito a Cassi no efetivo controle do uso de seus serviços e de suas despesas.”
Bipel – “Podemos considerar o cartão imune a fraudes?”
Romildo – “Todos os documentos atualmente utilizados na identificação são facilmente adulteráveis. (…) O cartão de identificação é uma forma segura, praticamente à prova de adulteração.”
“Numa próxima etapa, será possível utilizar a banda magnética que há no verso do cartão nos P.O.S. – máquinas ‘ponto de venda’ – instalados em hospitais e clínicas de grande movimento. A vantagem de ser um projeto aberto é podermos, no futuro, agregar novos procedimentos de segurança.”
Bipel – “Que há de concreto sobre a criação de novos planos de saúde pela Cassi, como Plano Saúde Família, Odontológico, etc.?”
Romildo – “O estudo atuarial contempla a revisão do atual plano e sua forma de financiamento e, também, o estudo da absorção ao plano dos chamados agregados familiares. Há uma decisão política da Cassi, no sentido de abrir o plano a outros familiares que não sejam os dependentes econômicos.”
Bipel – “Como está a questão da volta dos convênios que foram suspensos e o estabelecimento de novos credenciamentos?”
Romildo – “Esse é um problema crítico que está sendo equacionado pela Cassi, na busca de melhoria da qualidade de vida dos associados. Para que realizemos essa missão, precisamos ter um relacionamento harmonioso com os prestadores de serviços, transformando-os em parceiros.”
“Pelo lado financeiro, desde outubro/1993 houve um aumento real de 14% sobre as tabelas da Cassi e, na passagem para a nova moeda, outro aumento real foi concedido. Não está descartado outro aumento, mesmo com déficit. Nós entendemos como prioritário o bom relacionamento com a área médica. Ao valorizarmos os profissionais da saúde estamos gerando benefícios diretos para os associados. O assunto está sendo tratado em caráter de urgência dentro da Cassi.”
Bipel – “Qual deve ser a atitude dos associados para que a Caixa de Assistência preste mais 50 anos de serviços?”
Romildo – “O associado deve ter uma postura crítica e cobrar mais informações da administração. Em segundo lugar, zelo pela Cassi. Infelizmente, existem inúmeros casos de fraude com a conivência e pela própria iniciativa dos associados. São coisas sobre as quais se deve fazer uma reflexão ética. Como exemplo, há associados que levam parentes e outras pessoas para se beneficiarem dos serviços da Cassi, usando o nome de um dependente. Há os que assinam mais de uma guia e/ou compram remédios para não associados, em seu próprio nome.”
“A Caixa tem investido na melhoria do controle – o cartão é um importante aliado – e vai iniciar um mutirão contra o uso fraudulento dos seus serviços. É preciso que o associado ajude a administração da Cassi nessa empreitada. Não pretendemos assumir uma atitude policialesca, mas conscientizadora.”
“Somos 160 mil associados. Quem melhor do que nós para sermos fiscais do nosso próprio patrimônio?” (BIPEL, 30.11.1994)
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Agora alguns comentários sobre assuntos abordados na entrevista: a) enquanto tomava providências relativas à situação econômico-financeira da Cassi não descurava das ações de saneamento da Caixa e outros projetos importantes; b) o cartão de identificação foi lançado à prova de fraude, com holograma, prática posteriormente abandonada pela Cassi; e já vinha com tarja magnética para automatizar o atendimento; infelizmente, as gestões seguintes da Caixa promoveram um retrocesso em termos do uso da tecnologia na prevenção da fraude; c) nesta entrevista, pela primeira vez, eu dava notícia aos associados sobre ações concretas para o lançamento do Plano Saúde Família; em agosto/1995, quando fui afastado da presidência da Cassi, este Plano estava pronto, aguardando somente a mudança estatutária obrigatória para ser implementado; d) a propósito, para refrescar a memória, lembro que importantes parcelas do movimento sindical eram contra a idéia do Plano Saúde Família, que segundo eles significava a transformação da Cassi numa entidade mercenária, que de forma jocosa chamavam de CassiCross; e) na entrevista tratei também da melhoria das relações com os profissionais de saúde; ainda em minha gestão a Cassi aumentaria o valor da consulta de 75 para 100 US (Unidades de Serviço); é importante esclarecer que este foi o último aumento real (em US) concedido pela Cassi no valor da consulta, embora nossa contribuição de associados desde então tenha sido triplicada; f) também antecipei um grande projeto global de combate à fraude e à evasão de recursos, que implementaria a seguir.
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Ainda no mesmo mês de novembro, o jornal AÇÃO, da Anabb, trouxe uma longa entrevista comigo, ocupando as páginas centrais (6 e 7) da publicação, sob o título “O mercado é só uma referência”, cujas indagações giraram em torno dos problemas trazidos pelo Plano Real, pela sucessão de quatro anos de déficits, sobre o cartão de identificação do associado e seus familiares, sobre a questão das fraudes, sobre a comparação da Cassi com outros planos de mercado e, finalmente, sobre o Plano Saúde Família.
O subtítulo da entrevista trazia a seguinte frase: “Presidente da Cassi diz que a concorrência não incomoda, mas adverte que o Plano Real derrubou os ganhos com receitas financeiras” (AÇÃO 70 Ano VIII, 30/Novembro/1994).
Quero ressaltar dessa matéria do jornal da Anabb o aspecto da clareza com que coloquei a questão da perda das receitas financeiras com o advento do Plano Real e sobre as providências adotadas prontamente para enfrentar o problema.
Em dezembro/1994, quando lancei o jornal CASSI, falei sobre “A nova Cassi: desafios e perspectivas”. Em entrevista concedida ao informativo, assim respondi à pergunta “Que mensagem o Senhor gostaria de dirigir aos associados?”:
“Quero expressar meu orgulho pela oportunidade histórica de liderar a reconstrução da Cassi, o que somente vem sendo possível graças ao esforço e à participação dos colegas da Sede, das agências, Cesec, Cedip e órgãos regionais do Deasp que, sensibilizados pelo ideal comum estão envolvidos nessa missão. Esse agradecimento se estende às demais entidades do funcionalismo, pelo apoio oferecido e aos dirigentes do Banco, que têm tratado a Cassi como importante parceira do conglomerado. Juntos, vamos modernizar nossa Caixa, legando-a forte e atuante para as próximas gerações.” (Jornal CASSI, Ano I, N° 1 – Dezembro/1994, página 8)
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Capa do jornal CASSI, em seu primeiro número (dezembro/1994). É importante destacar, além do fato de o primeiro jornal da Caixa ter sido editado durante minha gestão: 1) no meu mandato as promessas eram cumpridas: o Plano Família tornou-se realidade; 2) os embriões das atuais gerências da Cassi foram as centrais de atendimento, criadas nas principais capitais do País, como parte do processo de reestruturação organizacional e administrativa da Caixa; 3) embora a Cassi não fosse ainda uma entidade gestora de saúde, apostávamos firmemente nesse aspecto da missão da Caixa: veja as manchetes sobre Programas de Saúde implementados em minha gestão. |
Combate sistemático ao déficit e transparência na gestão
O déficit crônico da Cassi e as soluções a serem adotadas voltariam a ser tratados por mim em diversas outras oportunidades e por veículos diferentes.
Além de debates de que participei em diversas ocasiões e cidades diferentes – inclusive no Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, realizado em 1995 no Hotel Glória, no Rio, quando me tornei o primeiro presidente da Cassi a participar desse evento – o assunto foi abordado em outras entrevistas. Cito algumas delas:
– Jornal Cebolão, do Seeb-DF, Ano XII, 179, junho/julho/1995 – “Entrevista com Romildo Gouveia Pinto” (páginas centrais – 4 e 5);
– Jornal CASSI – Boletim da Caixa de Assistência dos Funcionários do BB – Ano II – N. 03 – agosto de 1995 – “Aumento da contribuição: discussão necessária” (matéria de capa, ilustrada com gráficos da situação financeira);
– Jornal AÇÃO, da Anabb. N. 79 Ano IX 12/Julho/1995 – “Plano Saúde Família: O sinal verde da Cassi” (página 4).
Além do mais, todos os órgãos internos da Cassi, bem como os patrocinadores – Banco do Brasil e Previ – sempre tiveram conhecimento da situação e das providências adotadas. Cito, como exemplo, trechos da correspondência CASSI/PRESI-43, de 21.03.1995, dirigida ao Conselho Fiscal:
“2. Assim, diante da possibilidade de um novo quadro estrutural, consideramos o momento oportuno para debatermos e avaliarmos a gestão dos recursos da Cassi. Pretendemos também esclarecer e mapear questões emergentes que vêm sendo focalizadas por esse Conselho Fiscal, cuja preocupação com os rumos da Entidade entendemos ser uma constante.”
“3. Como impressão preliminar, observamos que os seguidos déficits operacionais acumulados ao longo de quatro anos, retratados em todas as atas de reuniões desse Conselho, têm ofuscado ações desenvolvidas pela atual diretoria da Cassi. Registramos, porém, que em hipótese nenhuma deixamos de considerar a conjuntura adversa e, por sua causa, estamos empreendendo todo o esforço possível para buscarmos o equilíbrio econômico-financeiro da Entidade.”
“5. Vale ressaltar que tivemos o cuidado de dar ampla divulgação das novas medidas estruturais, como as de profissionalização da gestão, de moderniz`ção administrativa e de melhoria dos controles, necessárias para o início do processo de mudanças. Nesse contexto, reverter a situação desfavorável e alcançar o equilíbrio econômico-financeiro foram objetivos priorizados, porém, somente exeqüíveis se precedidos da prévia reorganização da Cassi.”
“6. Procuramos ser transparentes, informando os nossos propósitos claramente aos associados, através dos meios de comunicação disponíveis: Folder CASSISED, Boletim CASSI, BIPEL, Jornal da Anabb, etc. As entidades representativas do funcionalismo (CONTEC, Executiva Nacional, etc) também participaram, propiciando condições para enriquecimento das ações empreendidas. Consideramos que as diversas visões sobre um mesmo tema enriqueceriam e trariam as melhores soluções.”
“7. A título de exemplo, cabe ressaltar algumas das medidas já implantadas ou em andamento, sem as quais qualquer ação emergencial seria inócua:
- reestruturação administrativa da Sede;
- implantação do cartão de identificação;
- contratação de auditoria médica, em caráter experimental, no Rio de Janeiro;
- profissionalização da administração dos recursos financeiros, a cargo da BB-DTVM;
- contratação de empresa para avaliação atuarial do atual Plano de Custeio e desenho do Plano Saúde Família;
- criação das Centrais de Atendimento nas principais capitais do País;
- implementação do projeto de combate à evasão de recursos financeiros;
- implementação da nova sistemática de pagamento de cirurgias plásticas e de ressarcimento de medicamentos e materiais descartáveis.”
“9. Como vemos, o déficit financeiro da Cassi remonta a 1990. Vários diagnósticos foram efetuados, cenários construídos, soluções apontadas, sem que o problema, herdado pela atual Diretoria, fosse sanado. Somente agora a questão foi encarada de forma profissional e efetiva.”
“10. Felizmente, para continuidade das ações planejadas, estamos às vésperas de receber o relatório final do estudo de avaliação atuarial, a cargo da consultoria contratada. Estamos na iminência de termos em mãos o novo desenho do Plano de Custeio da Cassi para apontarmos, com firmeza, os novos rumos da Entidade.”
“11. Com o diagnóstico mais preciso dos males que afligem a Caixa, poderemos administrar os remédios para a solução das causas, e não dos efeitos, de forma a dar tratamento efetivo aos problemas. A família Cassi poderá, então, ter o produto que merece e que justifica a razão de ser da Entidade.”
Conclusão: “Não quebrei a Cassi”
Concluo, portanto, reafirmando tudo aquilo que eu disse de início. Eu claramente não quebrei a Cassi, ao contrário, fui muito feliz nos resultados obtidos.
Porque contando tão somente com uma arrecadação per capita que equivalia, proporcionalmente, a 25% da receita da Cassi de hoje, se considerarmos só o Plano de Associados, ou de 20% se considerado também o Plano Saúde Família, foi possível atender bem a um contingente de 505 mil pessoas e, ao mesmo tempo, promover uma ampla reforma modernizadora da Caixa, com sua informatização, reestruturação, dotando-a de modernos instrumentos de gestão profissional.
E, ainda, investir muito em programas de saúde – que embora muito necessários – indicavam uma visão de futuro, pois que somente em 1996 o estatuto acolheu a missão, que definimos em 1994, de que a Cassi é uma entidade gestora de saúde, antes de ser pagadora de auxílios.
Além do mais, investimos no combate à fraude e ao desperdício de recursos, renegociando contratos, revendo rotinas, implementando instrumentos de controle – como cartão de identificação e extrato de uso dos serviços- , bem como reorganizando todos os serviços Cassi, nas agências, nos Cesec e nos Ceasp, principalmente, até mesmo agrupando-os, nas principais capitais do País, nas centrais de atendimento que se tornaram o embrião das gerências de hoje.
Tudo isso feito, ainda promovemos a reavaliação atuarial do Plano de Associados, pela primeira vez na história, proporcionando um real conhecimento de suas necessidades de custeio.
Sem esquecer que atendemos a uma das mais antigas reivindicações dos associados, criando o Plano Saúde Família, que somente não foi implementado em minha gestão porque dependia obrigatoriamente de alteração estatutária, o que ocorreu em 1996, logo após meu afastamento da presidência por ato da gestão Ximenes/Camargo.
E por fim, ao ser afastado do cargo passei ao meu sucessor reservas, em valores reais, maiores do que aquelas que encontrei.
Em oposição, como vimos, havia recebido uma Caixa de Assistência tida como pré-falimentar por estudo técnico do Departamento de Análise Financeira do Banco do Brasil e por extenso e bem fundamentado relatório do Conselho Fiscal.
Também em oposição à situação atual da Cassi, que, embora contando com receitas per capita quadruplicadas, vem apresentando sucessivos déficits operacionais. E isso apesar de toda esta fabulosa arrecadação atual, que em 2001 atingiu cerca de 750 milhões de reais e que corresponde, em valores reais, a quase cinco vezes a arrecadação que eu dispunha anualmente em minha gestão para atender a 505 mil vidas, em oposição às 635 mil atendidas atualmente.
Não dá para comparar. Minha gestão sem dúvida, foi muito bem sucedida. Não caberia jamais afirmar, a não ser de forma mentirosa e irresponsável, que eu quebrei a Cassi. Além do mais, quando se faz uma afirmação dessas, tentando lançar a suspeita sobre mim, também se tenta levantar suspeita contra os profissionais que trabalhavam na época, na Cassi, nas áreas de contabilidade, controle, administração financeira, normatização etc. É também em nome desses colegas e sua honorabilidade que eu desminto de forma categórica as insinuações.
Que fiquemos todos atentos, porém, para que não venhamos em breve, aí sim, de verdade e com apoio em dados reais, a falar em quebra da Caixa.
Portanto, mostrar dados isolados, como feito na campanha eleitoral da Cassi e lançar a suspeita contra mim junto a uma comunidade que atinge centenas de milhares de pessoas – suspeição essa que pode proporcionar um amplo espectro de entendimento – caracteriza dolo e má-fé, principalmente porque essas supostas “denúncias” foram formuladas por pessoas que conhecem a história da Cassi e conhecem a história de minha gestão. Alguns, lamentavelmente, até participaram dessa gestão, em alguns momentos.
E sobretudo são pessoas que me conhecem, sabem que não sou desonesto, que sempre fui um ardoroso defensor dos interesses dos associados e que não quebrei a Cassi nem desviei recursos de nossa Caixa de Assistência.


