A história de uma grande mentira

BASTA!

- “É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade. Por isso é preciso tomar muito cuidado com a informação do jornal que você recebe.” (Folha S. Paulo)

Caras e caros associados da Cassi.

Em abril de 2002 realizaram-se as eleições da Cassi. Muitas afirmações mentirosas foram feitas contra a Chapa 2 – Compromisso com a Cassi – e contra mim, particularmente. Uma das mais contundentes foi a afirmação de que eu, Romildo Gouveia Pinto, havia quebrado a Cassi. Para supostamente comprovar a afirmativa, apresentava-se cópia do balancete de dezembro de 1994, assinado por mim, mostrando déficit consolidado no ano num total de R$ 17,7 milhões de reais.

Examinando-se com atenção o referido balancete, verifica-se que em 1994 a arrecadação total da Cassi foi de R$ 143,3 milhões de reais; na época a Cassi atendia a 505 mil vidas (associados e dependentes econômicos).

Quem leu o Relatório de Atividades 2001, da Cassi, enviado na mesma época à residência dos associados, sabe que em 2001 a Cassi arrecadou R$ 740,5 milhões de reais para atender 635 mil pessoas, incluindo o Plano Saúde Família ou, se considerado somente o Plano de Associados, R$ 433,9 milhões de reais para atender 400 mil. O que dá R$ 283,92 per capita/ano, em 1994 (sob minha gestão), contra R$ 1.166,20 ou R$ 1.085,60 (se considerado somente o Plano de Associados em 2001).

Arrecadando R$ 283,92 per capita/ano o Plano de Associados teve déficit de 17,7 milhões de reais, em 1994; arrecadando R$ 1.085,60 per capita/ano, o Plano teve déficit de 24,2 milhões de reais, em 2001.

Ou seja, comparando-se 1994 com 2001 vê-se que a arrecadação quadruplicou em 2001 e apesar disso o déficit foi 36% maior agora, em valores reais e efetivos. E considere-se ainda que o último aumento real concedido pela Cassi aos médicos ocorreu ainda em minha gestão, quando a consulta passou de 75 para 100 US Unidades de Serviço e isso antes do aumento na arrecadação.

Qual a gestão melhor sucedida em termos econômico-financeiros? A de 1994 ou a de 2001? Em outras palavras, a minha gestão ou a do diretor Lessivan? Ninguém pode ter a menor dúvida de que o resultado de 1994 foi muito melhor do que o de 2001, inclusive porque este último faz parte de uma preocupante série anual de prejuízos, como comprovamos neste site.

Pois bem, diante desses números, estranhamente, eu é que passei a ser considerado o bandido da história e milhares e milhares de associados passaram a me temer e a mudar seus votos, dando a vitória à chapa do sr. Lessivan, estendendo-lhe o mandato para 8 longos anos. Por causa dos números? Não, certamente, pois os números lhe são amplamente desfavoráveis na comparação.


Não por causa dos números. Se com a arrecadação quadruplicada, em termos per capita, em relação à da minha gestão, o Plano de Associados acumulou mais de 72 milhões de reais de prejuízo nos últimos três anos da gestão do meu acusador, como teria se saído ele se estivesse dirigindo a Cassi com o mesmo nível de arrecadação com que eu trabalhei no período de 1993 a 1995?

Fácil de calcular. Como demonstro no texto “Eu Não Quebrei a Cassi”, em condições financeiras equivalentes àquelas que eu enfrentei, a gestão do sr. Lessivan teria acumulado, em quatro anos, o gigantesco, astronômico, inimaginável, dantesco e assustador déficit de R$ 1.165.211.362,00 (isso mesmo, um BILHÃO, CENTO E SESSENTA E CINCO MILHÕES de reais!!); e mais: como o déficit vem crescendo sistematicamente, somente considerados os anos de 2000 e 2001 o prejuízo do Plano de Associados teria sido de R$ 655.674.995,28!!

Se o que me transformou em vilão nestas eleições não foram os números, muito pelo contrário, por que a manchete “Ele quebrou a Cassi” mudou a história das eleições da Caixa e, por que não dizer, a própria história da Cassi?

Por causa da manchete em si. Só posso acreditar que as pessoas leram a manchete, viram minha foto (esta mesma que aparece neste site) e não olharam os números. É assim que se manipulam pessoas e informações.

Certamente aqueles associados que encontraram tempo e motivação para analisar os dados à sua disposição não caíram na armadilha. Até porque se tem uma coisa que os funcionários do BB sabem fazer bem é lidar com os números e com a contabilidade.

A mentira como estratégia

Muitos haverão de se recordar de um premiado anúncio do jornal Folha de São Paulo, em 1987, no qual o narrador ia fazendo uma série de afirmações sobre um governante, cuja imagem na tela da TV ia-se formando aos poucos. Só no final percebia-se que o rosto era o de Adolf Hitler, que todas as frases isoladamente eram verdadeiras, mas que formavam em seu conjunto uma monstruosa mentira.

As afirmativas pareciam indicar que se tratava de um grande estadista, mas estava se falando de um criminoso de guerra. E a propaganda concluía com a frase que serve de epígrafe a este artigo (“É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade. Por isso é preciso tomar muito cuidado com a informação do jornal que você recebe.”).

Neste caso da suposta quebra da Cassi apenas temos um exemplo vivo de como esse tipo de esquema nazi-fascista funciona. A Chapa 2 – Compromisso com a Cassi – foi vítima de muitas falsas acusações, recheadas de mentiras e de meias-verdades, que terminaram por reverter milhares de votos e transformar uma campanha vitoriosa em derrotada, em função dessas supostas “denúncias”.

O processo não foi inédito, nem na história do Brasil – quem não lembra do caso Lurian inventado por Collor e que o levou à Presidência da República? – nem na história recente das eleições de nossas entidades – muitos naturalmente recordam da campanha da Previ na qual Pizzolato era chamado de “o candidato que bate em mulher”. É verdade que ele não perdeu as eleições, talvez porque muitos não considerem grave bater em mulher… (E como o mundo dá curiosas voltas, naquela eleição eu apoiei o Pizzolato, que agora apoiou aqueles que disseram que ele batia em mulher e que eu quebrei a Cassi).

A maior parte das denúncias foi dirigida contra mim, e podem ser resumidas nas frases:

a) “candidato chapa branca“;
b) “candidato que quebrou a Cassi”
c) “candidato que cortou os benefícios dos associados na Cassi”.

Este esquema de falsificação da verdade, transformando-a numa grande mentira, veio acompanhado de um requinte eleitoreiro estratégico: as “denúncias” foram apresentadas em cima da hora, impedindo que pudessem ser desmentidas tempestivamente. Venceu a mentira!

Mas, será que mentir vale a pena? Para meus detratores, que agiram pensando apenas nas próximas eleições, a resposta é sim: valeu a pena mentir. Afinal, devem pensar que os fins justificam os meios, quaisquer que estes sejam. Eles não costumam dizer que a única coisa feia numa eleição é não vencer?

Para nós da Chapa 2, que entramos na campanha pensando nas próximas gerações – preocupados com a sobrevivência da Caixa, portanto pensando na saúde de nossos filhos e nossos netos, muito além de nossa própria qualidade de vida – valeu apostar numa campanha limpa, feita de propostas e contribuições para a Cassi. Afinal, a Caixa caminha para 60 anos e o importante é que continue existindo por muitas décadas. Por isso entendemos que valeu optar por uma campanha fundamentada na verdade.

A luta continua

Acredito firmemente que é preciso continuar a luta. E parte desta luta passa pela necessidade de restabelecer a verdade, que só surge do confronto de informações e idéias. Não sou o dono da verdade, mas tenho o direito de apresentar minha versão para os fatos. Aliás, não existe direito mais fundamental, numa democracia, do que o direito à defesa.

Como mulato, nordestino do sertão e nascido de família pobre, embora absolutamente digna, comecei a trabalhar aos 12 anos e aprendi desde cedo a não calar diante de preconceitos, injustiças ou mentiras. Existe a crença popular de que quem cala, consente. Por isso eu nunca consenti, porque nunca calei, nem em plena ditadura militar, quando fiquei impedido de freqüentar colégios em Caruaru; nem quando fui vítima de atentado a bala, aos 18 anos, cujo mandante era um chefe político incomodado pelas denúncias que eu fazia no rádio; e nem quando, por discordar de práticas adotadas na implantação do chamado “novo rosto”, aqui mesmo no Banco do Brasil, entreguei o cargo de Chefe de Divisão, na tecnologia, e fui ser posto efetivo na agência Central Brasília, em 1991.

Se não pude apresentar os desmentidos às denúncias antes das eleições da Cassi, por falta de recursos e de tempo e se, portanto, não foi possível garantir a vitória da verdade, ainda assim não me calo.

Por isso, agora retorno através deste site para afirmar com clareza que NÃO SOU CHAPA BRANCA e NÃO QUEBREI A CASSI e que a regulamentação dos medicamentos, adotada na forma e nas condições que relato neste site, foi uma medida indispensável para a Cassi, no contexto em que foi tomada.

O que você vai ler a partir daqui não muda o resultado das eleições, mas provavelmente vai restabelecer as coisas a seus devidos lugares. Convido-o, portanto, a ler os artigos “Eu Não Quebrei a Cassi”, “Questão dos Medicamentos”, “Não Sou Chapa Branca” e “Realizações”. Após lê-los, tire suas próprias conclusões.

Os artigos citados estão fundamentados em documentos, trazem comparações com a situação anterior à minha gestão na Caixa e situam todos os atos no contexto histórico, social e econômico-financeiro em que ocorreram. E mostram, por exemplo, que durante a minha gestão foi possível retirar a Cassi de uma fase pré-falimentar, preparando-a para o futuro.

E na comparação com a atual situação da Caixa de Assistência encontro muitos motivos para nos deixar, a todos, muito preocupados. Por exemplo, durante 23 anos a Cassi sobreviveu com contribuições de 1% dos associados e 2% do Banco do Brasil, apesar de planos econômicos, trocas de moedas, confiscos, bloqueios de recursos, tablitas e toda espécie de golpe contra seus recursos.

Em 1996 esses valores foram multiplicados por três, no caso dos associados e mais que dobraram no caso do Banco, a partir da reforma estatutária que eu apoiei. Depois, a Cassi passou também a arrecadar mensalidades sobre os chamados dependentes indiretos e a usufruir de receita proveniente da administração dos chamados convênios de reciprocidade.

Por tudo isso, atualmente a arrecadação per capita da Cassi equivale a quatro vezes à arrecadação de 1994. E mesmo assim o Plano de Associados apresenta prejuízos sistemáticos desde 1999.

Ou seja, os novos patamares de contribuição (3% do associado e 4,5% do Banco) e mais as receitas adicionais acima indicadas, não conseguiram resistir sequer por três anos, embora tenham representado um aumento real de 150%. Eu não quebrei a Cassi do 1% (contribuição do associado), mas a Cassi da receita quadruplicada caminha para uma grave crise financeira, não tenho a menor dúvida.

E isso certamente assusta aqueles que, como você e eu, não estão preocupados com as próximas eleições, mas com as próximas gerações.

Leia os textos indicados e tire suas próprias conclusões. E se você votou na Chapa 2, cara amiga ou caro amigo associado, pode se orgulhar. Você votou acertadamente, não há nada de que possa se envergonhar, pois gerimos a Cassi de forma eficiente, digna e reta. E novamente o faríamos se a Chapa 2 tivesse sido eleita.

Pois a chapa Compromisso com a Cassi era composta por pessoas decentes, gente simples mas digna, trabalhadores como você, com uma vida dedicada à luta em defesa de nossas mais caras entidades, inclusive as sindicais. Muitas delas filiadas a partidos políticos, mas não submetidas a facções ou tendências, com autonomia para decidir em favor dos interesses da Cassi mesmo quando esses não coincidissem com os interesses de suas corporações políticas.

Por isso, acredito firmemente que os regulamentos eleitorais de todas as nossas entidades – embora aqui esteja me referindo unicamente à questão da Cassi – precisam ser alterados por suas instâncias adequadas, de modo a impedir nas próximas eleições o uso da mentira, da calúnia, da injúria e da difamação como estratégia eleitoral.

Basta de mentiras e baixarias! Códigos de conduta rigorosos devem ser elaborados, afinal, os associados da Cassi, assim como os das demais entidades, merecem respeito e não podem votar equivocadamente induzidos por candidatos sem ética, mas com recursos abundantes para multiplicar suas mentiras.

Continuo à disposição para discutir a Cassi e para sepultar de vez as mentiras atiradas contra a Chapa 2 e contra mim. Permaneço extremamente agradecido a todos os que votaram motivados pelo Compromisso com a Cassi.

Nem sempre o mais importante é vencer uma eleição, principalmente quando se faz uma campanha ética e respeitosa. Com certeza existem coisas piores do que perder eleição. Collor venceu em 1989 e Hitler, como lembrava o anúncio da Folha de São Paulo, venceu várias. Nem o povo brasileiro, no caso do primeiro, nem a humanidade, no caso do Hitler, ganharam com isso.

Atenciosamente, com um abraço fraterno.

Romildo Gouveia Pinto

Observação: neste site refiro-me várias vezes ao período de minha gestão na Cassi. É necessário esclarecer que fui Diretor Administrativo-Financeiro no período de fevereiro a outubro de 1993, quando o presidente da Cassi era Fernando Alberto de Lacerda. O restante do período, encerrado em 15 de agosto de 1995, eu atuei como presidente e contei com o Diretor Administrativo-Financeiro Mathias de Aguiar Mesquita, até dezembro de 1994. Além disso, certamente a competência e a dedicação de toda a equipe de funcionários da Cassi no período foi importante para os sucessos obtidos.

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