Clientes da Nossa Caixa reclamam do BB

Silvia Zamboni/Folhapress

A servidora Edna Cecília do Nascimento, que teve limite cortado

Correntistas de instituição paulista, recém-incorporada pelo banco federal, queixam-se de problemas no atendimento

Reclamações são sobre perda de limites no cheque especial, débito não autorizado e atraso em transações

TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO

Clientes da antiga Nossa Caixa, banco paulista vendido e recém-incorporado pelo Banco do Brasil, estão descontentes com o atendimento da nova casa.

As queixas dizem respeito a perda de limites no cheque especial, problemas no atendimento e até atrasos nas transações envolvendo depósitos judiciais.

O BB liderou em maio, pelo quarto mês seguido, o ranking de reclamações dos clientes no site do Banco Central, seguido por HSBC e Bradesco empatados em segundo lugar (veja quadro).

A maioria das queixas no BB é sobre débitos não autorizados, divergências de valores em saques e depósitos e problemas no atendimento.

As reclamações coletadas pelo BC não retratam apenas a situação de São Paulo e dos clientes que vieram da Nossa Caixa, mas de todo o país.

Nos demais bancos, predominam queixas sobre cobrança de tarifas e divergência na hora de quitar dívidas.

Edna Cecília do Nascimento, servidora da Prodesp, afirma que teve seu limite no cheque especial de R$ 1.000 cortado depois que sua agência foi para a rede do BB.

O motivo alegado era que a servidora tinha o nome sujo, fato tolerado pela Nossa Caixa, mas não pelo BB.

Após cortar o limite, o banco ficou com quase todo o primeiro salário que caiu na conta dela para cobrir o buraco no cheque especial.

Ela conta que não conseguiu negociar e acabou atrasando outros pagamentos considerados prioritários, como água, luz e alimentação. “Fiquei de um dia para o outro sem dinheiro. O BB disse que seguia regras e não quis discutir nada.”

O banco afirma que estuda a situação cadastral da cliente para avaliar se é possível rever a situação.

ATRASO

O perito judicial Thales do Valle Dutra, que faz laudos técnicos sobre disputas envolvendo construção civil, relata que passou a receber o pagamento de guias expedidas pela Justiça com mais de duas semanas de atraso.

Antes da migração, isso ocorria em dois dias.

“Tenho custos por esse trabalho e também tive de atrasar pagamentos. Virou uma bagunça o atendimento depois que minha agência migrou. A situação é tão caótica que alguns juízes pressionam para os depósitos judiciais irem para outro banco.”

O BB atribui os atrasos a novos procedimentos decorrentes da unificação dos serviços de compensação que atendem o Judiciário, mas diz que trabalha para melhorar isso (leia nesta pág.).

JUDICIÁRIO

Com a Nossa Caixa, o BB obteve o monopólio das contas do Judiciário, que somam R$ 15 bilhões em depósitos com remuneração de 6% ao ano, um dos custos de captação mais baixos hoje.

Na migração das agências, os clientes tiveram de mudar números de conta e senha. Por outro lado, ganharam acesso a um portfólio maior de produtos e serviços, como fundos de investimento, cartões, seguros e previdência.

O banco equiparou tarifas, taxas de juros e benefícios, para que nenhum cliente saísse perdendo com a migração.

Maior banco do país, o BB se lançou tardiamente à corrida da consolidação no setor. Mesmo assim mexeu com o equilíbrio de forças entre Itaú Unibanco, Bradesco e Santander e virou o nº 1 em agências em São Paulo.

OUTRO LADO

Momento mais crítico já passou, afirma o banco

O Banco do Brasil afirma que já passou o momento mais crítico da conversão da antiga rede de agências da Nossa Caixa no Estado de São Paulo, o que deve reduzir nos próximos dias os transtornos para a clientela.

A migração envolve cerca de 5,3 milhões de clientes, a maioria servidores do Estado. “A expectativa é que a fase mais aguda de transição tenha passado e que agora o número de problemas e reclamações caia”, afirmou o BB, em nota.

Na transição, o BB afirma que trocou 1.700 caixas eletrônicos e que ampliou de 1.395 para 2.398 o número de caixas na rede de agências da Nossa Caixa.

O banco diz que colocou em atividade 1.991 profissionais com função de gerente de conta -antes da incorporação, o banco tinha um total de 1.153 gerentes no Estado.

O banco deslocou ainda 750 funcionários que atuavam em setores administrativos para o atendimento nas agências. Também contratou 2.000 funcionários por concurso, sendo que 715 deverão ir para a capital paulista.

Sobre a liderança no ranking de queixas do Banco Central, o BB lembra que o número de queixas costuma subir no meio do primeiro semestre por fatores sazonais.

Lembra que, em outubro do ano passado, por exemplo, tinha mais reclamações e não figurava como líder em queixas no Banco Central.

OPINIÃO

Fusões não visam melhorar serviços aos consumidores

MARIA INÊS DOLCI
COLUNISTA DA FOLHA

Em 2008, o Banco do Brasil anunciou a aquisição da Nossa Caixa, banco estatal paulista que atuava fortemente vinculado ao governo estadual e ao funcionalismo.

Pois bem, os clientes da antiga Nossa Caixa continuam enfrentando dificuldades em razão da migração de suas contas para o BB.

Elas vão de limite de crédito à declaração de Imposto de Renda deste ano, quando correntistas da Nossa Caixa tiveram de informar o código do Banco do Brasil. Mas não foram avisados antes.

Os correntistas da antiga Nossa Caixa não podem simplesmente aceitar as condições impostas pelo BB.

Devem ir aos gerentes e negociar condições mais favoráveis. E têm o direito de receber informações corretas, amplas e no tempo exato. A comunicação, aliás, não é o forte dessas fusões.

Por quê? Porque fusões não são feitas para melhorar a vida do consumidor. Não visam a um atendimento mais qualificado nem à ampliação de serviços.

O objetivo de reunir empresas como Nossa Caixa ao BB é cortar custos, otimizar o uso de agências e de empregados, enfim, melhorar o desempenho financeiro.

Quem perde, obviamente, é o cliente. Afinal, um correntista que já tem conta há anos em um banco acostumou-se a uma rotina. E as coisas mudam quando sua conta é vinculada a outro banco.

Brasil e mundo vivem uma onda de fusões, dentro da lógica de menos custo, mais lucro, menos serviço.

Mas o que devem fazer os correntistas que foram migrados para o BB se não conseguirem se fazer ouvir pelas gerências? Fazer um relatório das dificuldades e procurar, primeiramente, a ouvidoria do Banco do Brasil.

Se a situação persistir, ou surgirem novas reclamações, recorrer aos Procons ou à Justiça. É desgastante.

E, lamentavelmente, como na antiga propaganda do carro a álcool: fusões e aquisições, você ainda terá uma pela frente, goste ou não.

Fonte (Texto, Foto, Infográfico): Folha de S. Paulo

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12 respostas a Clientes da Nossa Caixa reclamam do BB

  1. Júlio Cesar Cesar Araujo lima disse:

    Achei um absurto , a mudança sem nem comunicar os clientes, soube sim da mudança , as nem mesmo explicarem o funcionamento, tem muitas pessoas com dificuldade até mesmo da manipular o cartão novo….

  2. ANTONIO CARLOS disse:

    PARABENS AO JULIO CEZAR PELO COMENTÁRIO, POREM EU VOU MAIS LONGE, O QUE ESTA ACONTECENDO NADA MAIS É DO QUE POUCA VERGONHA DESTE BANCO DADO A BURGUESIAS, O QUE ACONTECEU A UM CLIENTE A 5 ANOS ATRZ, NÃO PODE DE UMA HORA PARA OUTRA VER ESTES SENHORES DONO DO MUNDO, ACHAR QUE SÃO OS DONOS DA VERDADE. PASMEM 2O ANOS DE NOSSA CAIXA COMO CORRENTISTA, EXELENTE PERFIL BANCÁRIO E DERREPENTE, ALEM DE COMPROVAR COM PAPÉIS DE QUITAÇÕAO DAS RESTRIÇÕES, NEM SEQUER CONSIGO FALAR DIRETAMENTE COM UM GERENTE QUE RESOLVA REALMENTE A SITUAÇÃO E NÃO A COMPLIQUE AINDA MAIS, REALMENTE O CAMINHO É A JUSTIÇA, NÃO SE FAZEM MAIS GERENTES BANCÁRIOS COMO ANTIGAMENTE, VAMOS PROCURAR NOSSOS DIREITOS, COM ALGUEM QUE REALMENTE ENTENDE DSO ASSUNTO.

  3. Anna disse:

    Bom, eu acho que os clientes devem se acostumar aos novos procedimentos, se não gostarem, tem varios outros bancos a disposição. O banco do Brasil, é um excelente banco, só que não tolera cliente folgado, como a Nossa Caixa fazia por ser um banco pequeno. Como decrito na reportagem, a cliente que tinha restrições, é ridiculo ela achar ruim que o BB se negue a dar credito pra ela. Se ela é má pagadora. Quem emprestaria dinheiro pra um amigo que fosse, se soubesse que ele tem grande probabilidade de não devolver? Estou cansada de pessoas reclamando sobre a incorporação, se está ruim que vão pagar taxas e juros absurdos em bancos privados.

  4. Pajeú disse:

    Anna, você tá cansada do povo reclamando e os correntistas da Nossa Caixa cansados dessa baderna provocada com a incorporação.

    Acho que seu cansaço é menor.

  5. Deco disse:

    Segundo um menbro do conselho de administração do BB esta incorporação foi a maior trapalhada que o BB já fez em toda a sua História, tanto é que estão perdendo tantas contas e clientes (isto é que foi comprado da nossa caixa, seus ativos, ou seja contas) que só não foi demitido o presidente e toda a diretoria do BB, porque o Lula achou que isto prejudicaria a campanha de Dilma quando fosse publicado na imprensa.

  6. jhony disse:

    o ana, vc com certeza deve ser mais umas dessas que nasceram em berço de ouro e não precisam realmente de um banco, a não ser para depositar os milhoes oriundos da exploração da mão de obra escrava brasileira no atual cenario do mundo capitalista. Saiba que, milhares de funcionarios publicos, que foram obrigados a migrar para o bb, tiveram seus direitos adquiridos anteriormente com o banco nossa caixa, simplesmesnte cerceados, e com isso ocasionando muitos prejuizos ao consumidor servidor publico. Então antes de defender a instituição bancaria, vc deveria se informar atraves dos meios de comunicação sobre a atual situação dos servidores publicos. Voce acha correto o banco do brasil ( um gigante capitalista) cortar o limite de credito de um professor q era de apenas 800 reais, obrigando-o a deixar de pagar conta de agua e luz e alimentação para os filhos menores, por conta de uma politica do banco q se quer tem respaldo juridico?
    ahhh minha filha vai se informar!

  7. Miguel Tadeo disse:

    Ana você deve ser uma “iluminati” da rosa cruz. Na atual conjuntura econômica dever não é defeito. Ter restrições é comum entre a maioria dos trabalhadores. Os bancos escravisam seus clientes para se manterem, além de possuirem o governo e o judiciário nas mãos. O Banco do Brasil tem um “SPC” próprio que considera restrições de dívidas já prescritas. O que esse banco faz é abominável. O fim social, a idéia de melhorar a vida do trabalhador, o perdão legal da dívida, não é considerado e nem passa na cabeça do gestor desse banco mesquinho. Do Brasil, com certeza é só o nome. Esse banco é do demo.

  8. Antonio carlos Lopers vargas disse:

    Isso mais parace um momento feudal, e não uma república, pois somos obrigados a fazer tudo e do jeito que os governantes acham por bem, ou desejam fazer, sabendo até que tais situações são até manobras de negociatas ou resquicios eleitorais, mas fora isso, somos mesmo tratados como gado, o BB não é um banco para funcionarios públicos, que recebem baixos salarios. Pena não termos ninguem que nos auxilie numa hora dessas, quem sabe em uma proxima eleição!

  9. joão cardozo dos santos disse:

    tive que sair do banespa, em 2006, com o saldo do cheque
    especial,de 7.000,00 , transferido para nossa caixa, tive o limite
    rebaixado para 3.500 .agora novamente transferido para o banco do
    brasil ,recebi o suculento valor do cheque. de 1.800,00, viva o
    brasil, “quer dizer, o banco do brasil..

  10. SOU CLIENTE DA NOSSA CAIXA NOSSO BANCO DESDE O ANO DE 1991.

    SEMPRE TIVE MUITO ORGULHO POR SER CLIENTE , FUI SEMPRE BEM ATENDIDA.
    HOJE JA NÃO POSSO DIZER A MESMA COISA COM O BB , POIS TAMBEM TIVE MEU LIMITE DE CHEQUE ESPECIAL CORTADO. QUE PENA !!! ACHO MUITO TRISTE ESSA FALTA DE CONSIDERAÇAO COM OS CLIENTES.

  11. Arthur disse:

    Sou funcionário público sp.. Tinha cc no Banco NCB. Recebo nesse Bco do capeta. Cortou meu limite. Crédito então? É mais fácil vc arrumar crédito no inferno do que nesse banco.

  12. sueli disse:

    PESSIMO O BB SÓ MESMO A ANNA DAS COUVES PRA FALAR ASNEIRAS DE PESSOAS QUE SÃO OBRIGADAS A RECEBEREM SEUS SALÁRIOS ATRAVEZ DESSE BANCO HORROROSO .

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