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Vale fracassa em tentativa de comprar a Paranapanema

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Vale chegou a elevar em 6% a oferta inicial, mas adesão ficou aquém do esperado

Márcio Juliboni, de EXAME.com

São Paulo – Fracassou a tentativa da Vale de comprar a Paranapanema, empresa líder na produção de cobre refinado no Brasil. Em comunicado à imprensa, a Vale informou que não houve adesão suficiente de acionistas da Paranapanema ao leilão de oferta pública de compra dos papéis, realizado nesta quarta-feira (1º/9).

A mineradora não informou quantos acionistas apoiaram a oferta. De acordo com comunicado da BM&F Bovespa, os investidores que aderiram à proposta detinham papéis equivalentes a 38,28% do total.

Ao lançá-la, em 29 de julho, a Vale condicionou a conclusão do negócio à adesão de acionistas que detivessem, pelo menos, 50% mais uma ação ordinária. A intenção era comprar até 100% dos papéis.

Sem a adesão necessária, a Vale informou que “não adquiriu no leilão quaisquer ações da Paranapanema na oferta.” A mineradora chegou a elevar sua oferta durante o leilão. O preço inicialmente proposto era de 6,30 reais por ação ordinária, que representava um prêmio de 22,4% sobre a média ponderada de fechamento dos pregões dos 90 dias anteriores à apresentação da proposta.

Durante o leilão, porém, a Vale chegou a oferecer 6,75 reais por ação – o que representa 6,34% mais que a oferta inicial. Pela primeira proposta, o valor total poderia alcançar 2,011 bilhões de reais, caso 100% dos investidores aderissem. Com o aumento da oferta, a Vale mostrou que poderia pagar até 2,137 bilhões de reais.

Com a Paranapanema, a Vale aceleraria seus planos de se tornar também um importante competidor no mercado mundial de cobre.

Fonte: Portal Exame

Previ: Petistas disputam 274 cargos em conselhos

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Enfraquecimento da ala “bancária” do partido abriu guerra por postos em empresas em que a Previ tem participação

Acusação de que fundo de pensão do BB seria “central de produção de dossiês” aumentou a temperatura do conflito

LEONARDO SOUZA
DIMMI AMORA
DE BRASÍLIA

O enfraquecimento dos “petistas bancários” no governo ensejou uma luta por 274 cargos nos conselhos de 74 empresas nas quais a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) tem participação.

Os mais cobiçados são na estrutura societária da Vale, onde Sérgio Rosa, que deixou o comando do fundo de pensão em maio, ainda ocupa a presidência do conselho de administração.

Segundo a Folha apurou, até o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, se candidatou para assumir uma cadeira do conselho da mineradora.

O Planalto, contudo, não vê com bons olhos a pretensão de Bendine.
Como a Vale é cliente do Banco do Brasil, instituição na qual a companhia tem várias linhas de crédito, analistas do mercado financeiro entendem que a presença do presidente do banco no conselho da mineradora poderia suscitar conflito de interesse.

Além disso, é o presidente da Previ quem historicamente preenche a vaga a que o fundo de pensão dos trabalhadores do banco tem direito. A Vale é a empresa na qual a Previ concentra seu maior investimento individual -cerca de R$ 35 bilhões.

MUDANÇA NA PREVI

A Previ é comandada hoje pelo ex-vice-presidente do BB Ricardo Flores, considerado de perfil “independente” e com bom trânsito no Palácio do Planalto.

Assim, a vaga deveria ser dele. Esse acerto valia até o final da semana passada. Sérgio Rosa tem mandato no conselho da Vale até abril do ano que vem.

Ele havia aceitado assumir a presidência da Brasilprev (coligada do BB) e abrir mão da cadeira na mineradora. No último final de semana, porém, houve uma reviravolta no acerto.

A revista “Veja” trouxe a denúncias de que, sob o comando de Rosa, funcionava na Previ uma “fábrica de dossiês” contra adversários políticos do PT. Assim, os sócios do BB na Brasilprev, o grupo americano Principal, levantaram dificuldades para aceitar o nome do ex-presidente do fundo de pensão.

Rosa pode não aceitar mais deixar o conselho da Vale se seu nome for vetado para a Brasilprev, uma vez que ficaria sem espaço.

A briga em torno do assento na mineradora não é isolada. Os bancários podem perder vagas em várias outras empresas nas quais a Previ tem participação.

SINDICALISTAS

Pelo menos 12 ex-dirigentes sindicais têm assento em conselhos de 11 empresas em que Previ tem sociedade. Entre as empresas estão o grupo Neoenergia, que controla várias distribuidoras de energia do país, e a Invepar, que tem empresas na área de transportes e logística.

Esse grupo, do qual Sérgio Rosa e o ex-presidente do PT Ricardo Berzoini são os maiores expoentes atualmente, perdeu espaço na administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos últimos meses.

Conforme a Folha revelou, um dos motivos recentes de mais desgaste foi o episódio de um dossiê contra o ministro Guido Mantega (Fazenda). O próprio governo atribui aos bancários a autoria do material.

Segundo a Folha apurou, Planalto, BB e Previ estudam promover uma grande troca nos conselhos dessas empresas caso a candidata petista Dilma Rousseff vença a eleição presidencial.

Fonte: Folha de S. Paulo

Petrobras cede à Vale topo do Ibovespa

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Em meio a incertezas sobre capitalização, petroleira perde posto de empresa com maior peso no índice da Bolsa

Petrobras era líder desde janeiro de 2006, quando superou Telemar; recibo de ações do Santander ingressa no índice

TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO

Maior empresa latino-americana, a Petrobras perderá para a Vale o posto de companhia com as ações mais importantes do Ibovespa, termômetro dos negócios na Bolsa brasileira.

O motivo é a diminuição no volume de negócios das ações da estatal nos últimos meses devido às incertezas quanto à capitalização.

Desde o anúncio da capitalização, a Petrobras vem perdendo volume de negócios na Bolsa. Em julho, as ações PN da estatal giraram R$ 6,789 bilhões, segundo a consultoria Economática.

Em maio de 2008, quando o Brasil obteve o selo de grau de investimento das agências de risco, as ações PN da Petrobras chegaram a movimentar R$ 22 bilhões.

No novo Ibovespa, que entra em vigor em setembro, as ações PN (sem voto) da Petrobras deverão ter peso de 9,951% da composição do índice, e os papéis PNA (sem voto, série A) da Vale responderão por 10,804%.

É a primeira vez que as ações da Petrobras perderão o topo do Ibovespa desde janeiro de 2006, quando ocuparam o lugar da Telemar.

Hoje, os papéis PN da Petrobras têm 11,02%, e os PNA da Vale, 10,8% do índice. A Petrobras tem um valor de mercado estimado em R$ 271,05 bilhões, e a Vale, R$ 253,9 bilhões.

O novo Ibovespa também terá, pela primeira vez, os recibos de ações (“Units”) do banco Santander Brasil, que terão 0,96% do índice. Com a entrada do Santander, o Ibovespa passa a ter 66 ações.

O Ibovespa é uma carteira teórica de ações que procura refletir, proporcionalmente, os negócios mais representativos da Bolsa. A revisão do índice acontece a cada quatro meses.

A nova carteira vai vigorar de setembro a dezembro.

Fonte: Folha de S. Paulo

Vale faz oferta de R$ 2 bilhões pela Paranapanema, produtora de cobre

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Denise Luna, com reportagem adicional de Alberto Alerigi Jr.

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Vale anunciou nesta quinta-feira que fará uma oferta pública para aquisição da produtora de cobre Paranapanema, por um valor total de cerca de R$ 2 bilhões.

A Vale quer adquirir 100% das ações da Paranapanema, líder em cobre refinado no Brasil, com 36% na produção.

A oferta será considerada válida desde que consiga no mínimo 50% mais uma ação da empresa, listada e registrada no nível 1 de governança corporativa da BM&FBovespa.

A Previ, maior acionista da Paranapanema, com 24% do capital total, já havia manifestado intenção de vender o ativo, que tem como subsidiárias a Eluma, que recebe o cobre beneficiado na Paranapanema; e a Cibrafértil, uma pequena unidade de fertilizantes.

Ao todo, o pacote inclui cinco plantas industriais, sendo uma da Caraíba Metais (incorporada à Paranapanema em 2009); três da Eluma; e uma da Cibrafértil. A empresa não possui minas.

Além da Previ, integram o capital da companhia a BNDESPar, empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com 17%; o fundo de pensão da Petrobras, Petros, com 12%; e o restante diluído entre outros acionistas.

Por se tratar de uma oferta pública pelo controle da empresa, a Vale informou que não é necessário o registro da operação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A oferta será destinada a todos os acionistas da Paranapanema.

Caso antigo

Em junho deste ano a Previ voltou a estudar a venda da sua participação na empresa, depois de em 2008 ter contratado o UBS para fazer a venda e a Vale ter analisado a compra. O negócio não teve sucesso porque a mineradora queria comprar apenas a Caraíba, segundo se falou mercado.

O preço por ação ordinária a ser pago será de R$ 6,30 reais, correspondendo a um prêmio de 22,4% sobre a média ponderada pelo volume dos preços de fechamento dos pregões dos últimos 90 dias.

“Este preço é superior ao preço por ação apontado no laudo de avaliação da Paranapanema… e apresenta um prêmio de 8,6% sobre o fechamento de ontem (quarta-feira)”, informou a companhia.

Já na abertura, a ação ordinária da Paranapanema disparou cerca de 8%, chegando perto do preço de oferta. Às 11h15m (horário de Brasília), os papéis operavam em alta de 7%, cotados a R$ 6,21.

As ações da Vale não registraram maiores impactos com a notícia, principalmente pelas ações já terem subido expressivamente em função do balanço que será divulgado nesta quinta-feira, depois do fechamento do mercado, no qual se espera um lucro cinco vezes maior do que há um ano por conta da alta de quase 100%o do preço do minério no segundo trimestre.

“Neutro para a Vale mas bom para o acionista da Paranapanema, não tem muito o que agregar para a Vale porque é muito pequena… se for para agregar valor ao cobre que ela (Vale) tem no norte, tinha que ter umas 10 Paranapanemas”, avaliou o analista da SLW Corretora Pedro Galdi.

Galdi observou que, além da escala pequena, a Paranapanema tem uma empresa de fertilizantes que representa apenas 2% do seu faturamento, e que também pouco vai contribuir para esse novo segmento perseguido pela Vale.

“A operação é muito pequena, foge um pouco do negócio da Vale”, completou.

A companhia justificou a aquisição citando seus planos de crescer no segmento de cobre, e que a intenção é utilizar a refinaria da Paranapanema para tratamento do cobre produzido pela mineradora em seus vários projetos.

A Vale tem capacidade de produção de 300.000 toneladas anuais de cobre a partir da mina do Sossego, em Carajás (PA), além do cobre que é subproduto do níquel em Sudbury e Voisey Bay, no Canadá.

A companhia quer se tornar um dos principais produtores de cobre do mundo – hoje é lider na produção de minério de ferro e segunda em níquel – e desenvolve projetos de cobre no Brasil, Salobo, em Carajás, com capacidade de 100.000 toneladas anuais, e outros no Chile (Três Valles), para 18.000 toneladas anuais, previstos para entrar em operação em 2011 e 2010, respectivamente.

A empresa tem ainda o projeto na Zâmbia Konkola North, com capacidade de 40.000 toneladas anuais, que atravessa no momento resistência do sindicato dos trabalhadores locais.

A Vale não informou quando vai publicar o edital com detalhes da oferta programada para o dia 1o de setembro, às 15h.

“Caso a OPA seja bem sucedida, a Vale pretende conduzir estudos que poderão resultar na elaboração de projeto de reorganização corporativa e/ou de ativos”, afirmou em nota.

Fonte: O Globo/Reuters/Brasil Online

Lucro da Vale sobe 344% no segundo trimestre

No primeiro semestre, ganhos da empresa cresceram 105%

O aumento no preço do minério de ferro impulsionou os resultados financeiros da Vale. No segundo trimestre de 2010, a companhia registrou alta de 344,2% no lucro em comparação com igual período do ano anterior, somando R$ 6,635 bilhões.

O desempenho reflete a recuperação de preços e volumes vendidos após a crise financeira mundial, que levou a Vale a fechar minas e a demitir funcionários na virada de 2008 para 2009.

O principal impulso aos números no segundo trimestre deste ano – quando sazonalmente as vendas já crescem – veio do aumento dos preços do minério de ferro. Os valores subiram em torno de 60% ante o primeiro trimestre deste ano.

No primeiro semestre, o lucro da Vale cresceu 105%, para R$ 9,514 bilhões, ante R$ 4,644 bilhões de igual período de 2009, quando a turbulência derrubou as vendas da mineradora e as cotações de seus principais produtos (ferro e níquel).

Em 2010, a companhia mudou o sistema de preço, passando a corrigi-los trimestralmente com base nas cotações do mercado spot (para vendas à vista, de entrega imediata e sem contratos de longo prazo). Mais volátil, o spot subiu em resposta ao consumo maior da China.

Em comunicado, a Vale informou que os investimentos deste ano levam em consideração a necessidade de redução da dependência que a companhia tem do mercado asiático, responsável por 47% de sua receita no segundo trimestre. Descontadas as aquisições, a empresa investiu US$ 2,375 bilhões no trimestre.

Fonte: Canal Rural

Fundos e Bradesco contestam avanço de Dantas na Vale

sexta-feira, 19 de março de 2010

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

Fundos de pensão liderados pela Previ e a Bradespar, controlada pelo Bradesco, recorreram à Justiça para anular a decisão de um tribunal arbitral que determinou que um pacote de 37 milhões de ações da Valepar, empresa controladora da Vale, sejam vendidas à Eletron, do grupo Opportunity, por preço considerado abaixo do mercado.

O prejuízo contábil para Bradespar e fundos pode passar de R$ 2 bilhões se a sentença dos árbitros for mantida. As partes alegam que ela deve ser anulada porque um dos três árbitros que apreciaram o caso, Francisco Rezek (ex-ministro do Supremo), já atuou como advogado em favor do Opportunity e, por isso, estaria impedido de julgar.

Rezek afirma que, ao ser indicado como árbitro, informou aos contendores que já tinha feito um parecer para o banco. “Dei conhecimento dos fatos a ambas as partes nessa arbitragem quando cogitaram eleger-me para a presidência do tribunal arbitral”, afirmou ele em carta enviada a advogados da Bradespar e à Folha.

Pelas regras da arbitragem, quando os escolhidos para analisar as causas informam os trabalhos feitos anteriormente e não sofrem vetos, estão aptos para julgar.

O advogado Mário Sergio Duarte Garcia, outro árbitro, confirma o que diz Rezek. “Ele fez o “discloser” [a divulgação].” O terceiro árbitro, Gustavo Tepedino, afirma que a escolha dos membros do tribunal foi transparente.

Bradespar e fundos, no entanto, dizem o contrário nas ações apresentadas ontem à Justiça. Alegam também que houve violação do contraditório, pois os árbitros não teriam dado a eles o direito de impugnar provas pedidas pelo grupo Opportunity, do empresário Daniel Dantas.

Fonte: Folha de S. Paulo

Previ na mídia

segunda-feira, 15 de março de 2010

Na ponta do lápis

A decisão de um tribunal arbitral que obriga sócios da Valepar, que controla a Vale, a entregarem ao grupo Opportunity, de Daniel Dantas, ações da empresa que podem chegar a até R$ 3 bilhões está tendo o efeito de uma bomba na Previ, o maior fundo de previdência do país, derrotado na disputa.

Ainda que tentem anular a sentença dos árbitros na Justiça, os fundos podem ser obrigados a provisionar, ou seja, a reservar, em seu balanço, a quantia bilionária até o dia do veredicto final. O valor exato da bolada ainda será definido.

HOMENS DE PRETO

“O clima na Previ é de luto”, diz um profissional envolvido na discussão. Os três árbitros -inclusive Gustavo Tepedino, indicado pelos fundos e pela Bradespar (leia-se Bradesco), também derrotada- votaram unanimemente em favor do Opportunity.

Uma eventual briga na Justiça para anular a decisão promete ser longa. A ideia prosperou com a divulgação de que um dos árbitros, Francisco Rezek, já atuou para o Opportunity. Ele diz que as partes sabiam do fato antes da sentença e que nunca se opuseram à sua atuação.

NA LATA

Rezek deve se reunir nesta semana com Teophilo de Azeredo Santos, presidente do Centro Brasileiro de Arbitragem, já que polêmicas como essa podem afetar a credibilidade da arbitragem no país. “Tudo o que eu queria é que as pessoas que estão por trás disso [a ameaça de pedir a anulação da sentença arguindo a sua suspeição] mostrassem a cara”, diz. Fundos e Bradespar não se manifestam.

Fonte: Mônica Bergamo (Folha de S. Paulo)

Casamento forçado

A Previ, como se sabe, não gosta da ideia de casar a Neoenergia, controlada pelo fundo, com a CPFL, controlada pela Camargo Corrêa.

O casório, que tem adeptos no Olimpo lulista, visa a criar uma superelétrica privada sob o comando da empreiteira.

É que…

Na visão do pessoal da Previ, não é justo a CPFL engolir a Neoenergia. Alegam que a saúde financeira da sua empresa, que tem em caixa uns R$ 4 bi, é melhor que a da Camargo.
É. Pode ser.

Fonte: Ancelmo.com

Fundos de pensão: governo defende sigilo

O jornal abre a sua coluna política com a informação de que “o governo se move para impedir a reabertura de arquivos da CPI dos Correios relativos aos fundos de pensão Petros, Previ e Funcef. O objeto de desejo da oposição são os sigilos das corretoras que compraram para o trio cerca de R$ 25 milhões através de um fundo de direitos creditórios da Bancoop, cooperativa suspeita de desviar recursos para campanhas do PT”.

Fonte: Suporte Educacional Online (Fonte primária da informação Folha de S. Paulo)

Vale é condenada pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 300 milhões

quinta-feira, 11 de março de 2010

Mineradora teria dificultado pagamento de horas devidas a terceirizados. Cabe recurso à decisão da 1ª Vara do Trabalho de Parauapebas (PA)

A mineradora Vale foi condenada nesta quarta-feira (10) pela 1ª Vara do Trabalho de Parauapebas (PA) a pagar R$ 100 milhões em danos morais e R$ 200 milhões por “dumping social”.

A Vale teria impedido empresas terceirizadas de registrar em planilhas de custo o pagamento das horas que os trabalhadores gastavam em trânsito aos locais de trabalho; as terceirizadas, por sua vez, teriam deixado de pagar essas horas aos trabalhadores, de acordo com a decisão.

O G1 tentou entrar em contato com a Vale na noite desta quarta-feira, por meio de sua assessoria de imprensa, mas não obteve resposta. Cabe recurso à decisão, que é de primeira instância.

Mais de 30 empresas que prestavam serviços à Vale foram condenadas a calcular e pagar as horas devidas aos trabalhadores, que chegavam a gastar até 99 horas por mês para chegar a um dos locais de trabalho, segundo a decisão do juiz Jônatas Andrade, que falou por email ao G1. Segundo o juiz, o “dumping social” é a prática da “redução de custos da produção a partir da eliminação de direitos trabalhistas”.

Os R$ 100 milhões que a Vale foi condenada a pagar a título de danos morais serão revertidos às comunidades lesadas, “por via de projetos derivados de políticas públicas, de defesa e promoção dos direitos humanos do trabalhador”, de acordo com a sentença. Já os R$ 200 milhões por “dumping social” devem ser pagos ao Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), segundo o juiz.

As empresas estão sujeitas a multa diária de R$ 100 mil por trabalhador, para a Vale, e R$ 10 mil por trabalhador, no caso das outras rés, em caso de descumprimento das decisões.

Fonte: Do G1, em São Paulo

Fundos podem contestar avanço de Dantas na Vale

quarta-feira, 10 de março de 2010

Tribunal arbitral permite compra de ações da mineradora a preço abaixo do mercado

Perda contábil com operação para fundos e Bradespar chega a R$ 2 bilhões; para especialistas, mudar decisão na Justiça comum é difícil

SAMANTHA LIMA
DA SUCURSAL DO RIO

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

Bradespar, controlada pelo Bradesco, e fundos de pensão liderados pela Previ estudam pedir à Justiça suspensão de decisão de tribunal arbitral que deu ao Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, a possibilidade de aumentar sua fatia no controle da Vale comprando ações a preço abaixo da atual cotação de mercado.

Conforme noticiado pela Folha ontem, o prejuízo contábil conjunto, com a operação, para a Bradespar e os fundos -em outras palavras, para acionistas da Bradespar e beneficiários dos fundos- chega a quase R$ 2 bilhões, se considerado o valor de mercado da Vale.

Isso porque, caso a decisão arbitral seja cumprida, Bradespar e fundos teriam de vender ao grupo de Dantas um pacote de 37 milhões de ações da Valepar, empresa controladora da Vale, por R$ 100 milhões, acrescidos de juros e correção monetária.

Trata-se de mais um episódio de uma disputa iniciada em 2007, pelo grupo de Dantas, por entender que tinha direito a comprar ações da Valepar em poder dos outros sócios. Esse direito teria sido adquirido na ocasião de um aumento de capital na Valepar, em 2002.

A sentença arbitral foi proferida no fim do ano passado. Em 21 de dezembro, o grupo Opportunity enviou comunicado (fato relevante) à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no qual informou que o tribunal “reconhece o direito” e “é competente para suprir a vontade das partes e determinar a transferência das ações”.

No comunicado, o Opportunity reforça ainda que a arbitragem também tem poder “para resolver sobre indenização correspondente às perdas e aos danos decorrentes do não exercício da opção de compra”. Diz também que o preço a ser pago pelas ações e cobrado pelo “ressarcimento de danos” será decidido posteriormente.

O deslocamento da disputa para o tribunal arbitral ocorreu em 2009. Ironicamente, a mudança era defendida pela Bradespar e pelos fundos, porque acordo entre acionistas da Valepar, assinado na época da privatização da Vale, em 1997, determinava que questões que não pudessem ser resolvidas amigavelmente fossem levadas a arbitragem.

A arbitragem é uma instância alternativa à Justiça e pode ser acionada desde que as partes em disputa assim concordem.

A Valepar detém 52,3% do controle da Vale e 32,3% de seu capital (hoje, de R$ 258 bilhões, em valor de mercado). São acionistas da Valepar os fundos de pensão, com 58% (Previ à frente, e mais Funcef, Petros e Funcesp), Bradespar, com 17,4%, o grupo japonês Mitsui, com 15%, e o BNDES, com 9,5%. A Elétron, empresa do Opportunity, detém 0,02%.

Na ação, o Opportunity reclama ter direito de elevar seu capital na Valepar para 2%.

A Folha apurou que a decisão arbitral contrariou a Bradespar e os fundos, os maiores acionistas na Vale. Reverter a decisão arbitral na Justiça comum é visto como possível, mas difícil, dizem especialistas.

Procurados, os fundos de pensão Previ e Funcef, a Bradespar, o banco Opportunity e respectivos advogados não responderam ou não quiseram comentar, já que o processo em arbitragem exige sigilo das partes envolvidas. Até o fechamento da edição, a CVM também não havia comentado se pediu esclarecimentos aos controladores da Vale.

Fonte: Folha de S. Paulo

Governo quer fundos de pensão estatais nos consórcios que disputarão Belo Monte

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Governo também usará subsidiárias da Eletrobrás para leilão da usina ter concorrência. Funcef negocia com Odebrecht

Geralda Doca e Vivian Oswald

Garantida a licitação da usina de Belo Monte, o grande obstáculo agora é a formação de pelo menos dois consórcios para garantir a disputa, que é ancorada na menor oferta de tarifa de energia. Tudo indica que as subsidiárias da Eletrobrás – especialmente Furnas e Eletronorte – e os fundos de pensão – ao menos Previ e Funcef – serão divididos pelo governo para garantir essas duas frentes no leilão.

Até porque a liderança das empreiteiras no processo causa desconfiança e desistência entre os demais agentes privados.

Os fundos de pensão abriram ontem seus planos. O presidente da Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica Federal), Guilherme Lacerda, informou que já está negociando parceria com a Odebrecht. Ele afirmou que a entidade assinou um termo de compromisso com a construtora para decidir as condições em que vai participar do leilão. A Funcef tem uma disponibilidade de R$ 600 milhões, dos R$ 2 bilhões que vai aplicar no setor de infraestrutura em 2010.

- Temos disposição em entrar (em Belo Monte). A hidrelétrica é um investimento importante – disse Lacerda.

- É saudável a concorrência e não vamos entrar com Petros e Previ neste projeto.

A diretoria da Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) se reuniu ontem e informou que já começou a discutir as oportunidades abertas por Belo Monte.

O fundo estuda parceria com uma construtora. A Petros anunciou que também já vinha estudando entrar em Belo Monte e, agora que saiu o licenciamento ambiental, vai correr para entrar no empreendimento – individualmente ou em parceria com fundos.

Funcef avalia entrar no consórcio de Jirau

A legislação permite que os fundos de pensão apliquem em infraestrutura até 20% de seu patrimônio líquido. As principais entidades estão se movimentando para o governo permitir a elas oferecerem títulos do governo como garantia até o valor da participação nesse empreendimento. Hoje, isso não é permitido.

De olho em Belo Monte, representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) procuraram os responsáveis pela fiscalização dos fundos de pensão no governo no fim de 2009, preocupados em estimular a concorrência. O órgão regulador queria detalhes sobre como as entidades investem e os limites.

No edital de Belo Monte não poderão concorrer fundos deficitários ou com dívidas.

Lacerda afirmou ainda que a Funcef não participou do leilão da usina de Jirau, no rio Madeira, em 2009, mas mudou de ideia e está negociando a compra de metade da participação da Camargo Corrêa na usina.

Vale e Neoenergia podem disputar Belo Monte juntas

No setor privado, as construtoras Camargo Corrêa e Odebrecht já avisaram que entrarão juntas no leilão de Belo Monte.

Agentes de mercado esperam que a rival Andrade Gutierrez lidere outro grupo. Segundo fontes do setor, o processo está muito concentrado nas mãos das empreiteiras – até porque elas comandaram os estudos de viabilidade técnica e econômica – e há desconfiança dos grandes operadores do mercado.

Os atores se queixam da falta de informações, que, em última instância, consideram falta de transparência. A questão atrapalha conversas entre empresas que poderiam formar consórcio. Seria o caso do grupo Vale Energia, que estava nascendo da união de Vale e Neoenergia.

Do ponto de vista econômico, o principal desafio é o alto risco do empreendimento, pois Belo Monte é um gigante encravado na Amazônia. O investimento é estimado pela iniciativa privada em ao menos R$ 30 bilhões – o governo estima o projeto entre R$ 17 bilhões e R$ 20 bilhões.

Além disso, foram impostas condicionantes socioambientais pelo órgão licenciador.

- Este pode ser um empecilho – diz o presidente da consultoria Andrade & Canellas, João Carlos Mello, ressaltando que o orçamento será o determinante da demanda no leilão.

Fonte: O Globo

Com demanda e preços menores, Vale tem queda de 61,3% no lucro

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Empresa fechou o terceiro trimestre com um lucro de R$ 3 bilhões. No balanço em dólares, recuo foi de 65,2%

Irany Tereza

O lucro da Vale no terceiro trimestre caiu mais de 60% em relação ao mesmo período do ano passado, tanto no balanço em reais (R$ 3 bilhões, com queda de 61,3%), quanto em dólares (US$ 1,7 bilhão, queda de 65,2%). A queda já era esperada pelo mercado financeiro e deve-se principalmente aos efeitos negativos do recuo da demanda internacional e do preço do níquel e do minério de ferro – este negociado, pela primeira vez, com desconto de 30% em relação ao ano anterior. Grande exportadora, com cerca de 84% de sua receita no exterior, a mineradora brasileiro sentiu pesadamente as consequências da crise internacional.

Torpedeada pelo governo nos últimos meses, com críticas à gestão da empresa durante a crise – como a demissão de 2 mil funcionários e corte de US$ 5 bilhões em investimentos este ano -, a direção da Vale foi bastante cautelosa nos comentários do documento de divulgação do balanço, ao qual deu o título “Retomando o crescimento”. O texto prende-se à análise de economias externas e faz referência a investimentos passados – “a Vale investiu US$ 60 bilhões entre 2003 e 2009, criando valor significativo para seus acionistas” – e futuros, destacando o plano de US$ 12,9 bilhões aprovado pelo conselho de administração durante a fase mais crítica das pressões governamentais.

As cobranças, feitas diretamente pelo presidente Lula, referiam-se principalmente à necessidade de maiores investimentos no País, em especial no Pará, onde está localizado o principal complexo minerador da empresa. Nas perspectivas descritas no documento, não houve citação a um incremento dos investimentos em siderurgia, como quer o governo. Mas, horas antes da divulgação do resultado financeiro, a mineradora anunciou que estava entregando ao governo do Pará o estudo de impacto ambiental da siderúrgica de Marabá (ver ao lado).

Embora tenham registrado forte queda em relação ao terceiro trimestre de 2008, os resultados da Vale cresceram consideravelmente em relação ao segundo trimestre deste ano. A começar pelo lucro líquido, mais do que o dobro do resultado no trimestre anterior. A receita operacional, de R$ 13,582 bilhões, ficou 23,4% acima dos R$ 11 bilhões no segundo trimestre, embora tenha caído 36,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A margem de geração de caixa também cresceu 74,1% em relação ao segundo trimestre, para R$ 6 bilhões. O valor porém, é pouco mais da metade dos R$ 11,3 bilhões do terceiro trimestre de 2008.

A empresa também elevou sua concentração de vendas no exterior. No terceiro trimestre de 2008 – que marcou o recorde trimestral de lucro no resultado em reais -, as vendas para clientes no Brasil representavam 18,9% do total da receita. Caíram agora para 16,2%. Em compensação, a Vale aumentou substancialmente as exportações para seu principais mercado: a China, para R$ 4,929 bilhões no período. A recuperação de outros mercados, como o europeu, porém, reduziu um pouco a dependência da Vale nas vendas de minério de ferro e pelotas, seu principal produto. No segundo trimestre, 66,2% de todo o produto vendido embarcou para clientes chineses; agora, foram 54,6%.

RETOMADA

“A recessão global está chegando ao fim, com a recuperação ocorrendo mais cedo e em ritmo mais acelerado do que inicialmente esperado”, atesta o documento do balanço, que prevê que a retomada econômica mundial tende a continuar, de forma gradual. “À medida que a economia global inicia uma recuperação de forma sincronizada, as economias emergentes estão num processo que tem sido liderado pela China, Índia, Indonésia, outras economias emergentes asiáticas e Brasil”, diz o relatório.

A Vale destaca que os preços dos metais estão em recuperação, o que deve favorecer resultados futuros da companhia. De março a julho, diz a empresa, os preços registraram “o mais rápido e mais intenso aumento, comparado às recuperações de recessões globais registradas nos últimos 40 anos”. Cita o exemplo do níquel, que atingiu o seu valor mínimo no auge da crise, em outubro de 2008 e, até setembro deste ano, já acumula de 80%.

Fonte: O Estado de S. Paulo