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Tribunal suspende ações sobre poupança

terça-feira, 24 de novembro de 2009

STJ decide que julgamento de contestações individuais para reaver perdas nas cadernetas deve aguardar desfecho das coletivas

Há 721 ações coletivas no tribunal; quando o STJ decidir qual índice deveria ter sido aplicado, as individuais também serão beneficiadas

LEANDRA PERES
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

As 694 mil ações judiciais individuais que discutem a reposição de perdas causadas a poupadores pelos planos Bresser, Verão, Collor 1 e Collor 2 estão com sua análise suspensa.

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou esse procedimento sempre que houver uma ação coletiva tratando do assunto. Apenas quando o tribunal apreciar o mérito e decidir qual o índice de correção que deveria ter sido aplicado pelos bancos à época, entre outras questões, é que os correntistas com ações individuais serão beneficiados.

Não há prazo para que o STJ decida de quanto será a correção, embora haja dois processos esperando julgamento que tratam exatamente da legalidade dos planos e se houve ou não perda para os poupadores.

Há hoje 721 ações coletivas em tramitação, segundo levantamento da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Esses processos são impetrados pelos Ministérios Públicos e defensorias públicas e têm o objetivo de garantir a reposição das perdas a todos os correntistas, mesmo àqueles que não recorreram à Justiça.

O ministro Sidinei Beneti, que relatou o processo no STJ, manteve uma decisão tomada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Os juízes gaúchos haviam determinado a paralisação das ações individuais no Estado por haver ações coletivas em tramitação.

Além de reafirmar a sentença, o ministro também defendeu que a Lei de Recursos Repetitivos fosse aplicada ao assunto. Essa lei permite que o tribunal escolha um recurso como modelo, entre os milhares que tramitam, cujo resultado serve como orientação para as decisões em casos idênticos que correm em todo o Judiciário do país.

Na prática, ele ampliou para todo o país a suspensão na tramitação das ações individuais até que o STJ decida sobre o mérito dessas ações.

“A faculdade de suspensão (…) abre-se ao Juízo em atenção ao interesse público de preservação da efetividade da Justiça, que se frustra se estrangulada por processos individuais multitudinários, contendo a mesma e única lide”, disse o ministro em seu voto. Ele foi acompanhado por outros cinco ministros, com apenas um voto contrário.

O entendimento do STJ não obriga que os tribunais de primeira ou segunda instância parem de julgar as ações individuais. Mas uma decisão favorável ao correntista de um desses tribunais poderá ser levada ao STJ, onde o assunto ficará paralisado. Ou seja, apesar de não haver uma vinculação, isso deve ocorrer na prática.

A Justiça tem dado ganho de causa aos poupadores que pedem a reposição das perdas. Levantamento feito pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) mostra que o STF (Supremo Tribunal Federal) já decidiu 303 ações sobre os planos econômicos. No caso do Verão, por exemplo, todas as 152 decisões foram favoráveis aos contribuintes.

As ações mais comuns envolvem os planos Bresser (1987) e Verão (1989). Nos dois casos, as mudanças na política econômica foram feitas no meio do mês e as cadernetas de poupança com aniversário na primeira quinzena foram corrigidas de acordo com as novas regras.

O argumento dos correntistas é que o cálculo deveria ter sido feito segundo as regras anteriores.

Fonte: Folha de S. Paulo

BNDES resiste a auditoria da CGU

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Banco defende sigilo, mas Controladoria pode recorrer ao STF por se tratar de verba pública

Renata Veríssimo e Adriana Fernandes, BRASÍLIA

Responsável pelo desembolso de mais de R$ 100 bilhões em financiamentos neste ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento, Econômico e Social (BNDES) resiste à fiscalização dessas operações pelos órgãos públicos de controle. Uma disputa entre o banco e a Controladoria Geral da União (CGU) já está sendo arbitrada pela Advocacia Geral da União (AGU) e ameaça chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O BNDES se recusa a fornecer os dados pedidos pela CGU e argumenta que, por ser uma instituição financeira, isso representa quebra dos sigilos fiscal e bancário. A Controladoria rebate afirmando não se tratar de quebra de sigilo, mas de transferência de informações, que são reservadas para uma divulgação pública, mas devem ser abertas para os órgãos de controle.

A briga jurídica “governo versus governo” coloca em xeque a capacidade de fiscalização de uma instituição que recebe recursos públicos e que já é hoje maior do que o Banco Mundial (Bird). O banco brasileiro de fomento já emprestou mais de R$ 100 bilhões, só neste ano, contra os R$ 90 bilhões que o Bird emprestou no ano fiscal 2008/2009, encerrado em junho passado.

O BNDES tem como principal fonte de recursos o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). E, em 2009, para ajudar no combate à crise financeira internacional, recebeu um empréstimo de R$ 100 bilhões com juros subsidiados pelo Tesouro Nacional. O empréstimo foi criticado pela oposição, que enxergou na operação uma forma de o governo criar uma espécie de “orçamento paralelo de investimento”, fugindo aos controles a que estão sujeitas as despesas públicas. Novo empréstimo ao BNDES já está sendo negociado pelo Tesouro.

SIGILO

O caso foi parar na Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal, segundo a AGU. Enquanto não se chegar a um acordo, diz a advocacia, o processo deve ser tratado de forma sigilosa. “Nossa luta permanente é para avançar a linha do limite do sigilo bancário e fiscal, resume Jorge Hage, o chefe da Controladoria Geral da União.

Na visão de Hage, os sigilos bancário e fiscal “são dois temas exacerbados, que se transformaram em verdadeiros dogmas e que acabam servindo como biombo para muitas irregularidades”. A ordem, apesar da resistência, é não desistir: “Vamos continuar insistindo nisso e avançado”, disse Hage.

BNDES E AGU

O BNDES não quis comentar a polêmica. Informou apenas que espera uma decisão da AGU e que é uma instituição financeira sujeita à Lei Complementar 105, que trata do sigilo nas operações financeiras realizadas pela instituição.

Hage admitiu que esteve recentemente com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, a quem o BNDES é subordinado oficialmente. Hage tratou do assunto com o ministro e disse esperar um acordo, mas não descarta a possibilidade de ter de brigar em instâncias superiores. Segundo ele, a AGU pode ser ouvida inicialmente, mas, em última instância, o caso pode acabar no Judiciário.

O STF já teve de arbitrar uma polêmica semelhante entre o Banco do Brasil e o Tribunal de Contas da União (TCU). “Se as regras sobre sigilo têm raízes constitucionais, as competências dos órgãos de controle também têm raízes constitucionais. O desempate disso, no nosso entendimento, deve se dar em favor do princípio da supremacia do interesse público sobre o privado”, defendeu Hage.

No caso BB-TCU, o Supremo decidiu que o dinheiro público emprestado pelo banco para investimento público está sujeito a auditoria do Tribunal de Contas. O BB teve de transferir ao TCU dados bancários e fiscais sigilosos.

Segundo a CGU, o BNDES alega sigilo bancário para não divulgar as informações sobre operações com entidades privadas. Não são fornecidas informações sobre o projeto da empresa e sua análise pelo banco, as garantias oferecidas, as liberações de recursos já realizadas e a situação de adimplência do tomador do financiamento junto à instituição. O BNDES também se recusa a informar a análise de risco do setor privado, tanto dos tomadores diretos quanto dos agentes financeiros intermediadores dos empréstimos.

PROBLEMA ANTIGO

A CGU alega que essas restrições limitam a avaliação sobre a legalidade e efetividade das operações realizadas pelo banco. O órgão de controle afirma que sem essas informações essenciais, que não dizem respeito à conta particular do cliente, pode-se estar permitindo que pessoas físicas ou jurídicas se beneficiem indevidamente de recursos que são públicos.

A disputa entre órgãos de controle e bancos públicos é antiga e se arrasta desde governos anteriores ao do presidente Lula.

A CGU já teve problemas com o BB, a Caixa, o Banco do Nordeste e o Banco da Amazônia. Na avaliação de Hage, “se um projeto mescla recursos públicos e privados, mas a gestão é feita por um ente público, como o BNDES, isso está sujeito ao controle público”.

Fonte: Estadão

Aposentados de empresas públicas ou de sociedades de economia mista não têm direito a permanecer no emprego, decide ministra

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Nota publicada no Blog da Cecília, desta data:

“APOSENTADO pelo Regime Geral de Previdência Social – INSS

Quem continua trabalhando após ter se aposentado pelo INSS terá que se afastar. STF ratifica entendimento da Procuradoria Geral da República”

A ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu, esta semana, que servidores aposentados de empresas públicas ou de sociedades de economia mista não têm direito a permanecer no emprego após a concessão do benefício pelo Regime Geral de Previdência Social (INSS).

A determinação divulgada no dia 15 foi proferida na Reclamação Nº 8168, apresentada pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola do Estado de Santa Catarina (Cidasc), sob a orientação da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Entre as empresas que mantém o maior número de aposentados trabalhando estão: a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, com 7.236 funcionários aposentados em atividade, a Caixa Econômica Federal, com 3.514, o Banco do Brasil, com 2.458, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), com 1.887, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo com 1.538, o Banco Itaú, com 1.366 e a Petrobrás, com 1.334.”

Saiba+

Clique aqui para ler, no site do STF, a notícia Ministra suspende decisão que permitiu a servidores aposentados de SC acumular salário e aposentadoria

STF pode suspender processos de poupadores

sábado, 25 de julho de 2009

Lobby do governo contra pedidos de indenização por perdas com planos econômicos dos anos 80 e 90 “sensibiliza” corte

Fazenda e Banco Central se aliam a bancos, que veem perdas bilionárias e perigo de risco sistêmico se ações na Justiça prosperarem

LEANDRA PERES
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Depois de um intenso lobby do Ministério da Fazenda e do Banco Central, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) já admitem nos bastidores que estão “sensibilizados” com o argumento do governo contrário ao pagamento de indenizações a poupadores da caderneta de poupança que foram prejudicados por regras de planos econômicos da década de 80 e do início dos anos 90.

Ministros ouvidos pela Folha já não descartam a possibilidade de o plenário do STF conceder uma liminar que paralise todas as ações judiciais em tramitação no país até que o tribunal decida como deve ser calculada a correção das cadernetas existentes no lançamento dos planos Bresser (1987), Verão (1989), Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991).

O governo escalou um time de primeira grandeza para tentar fazer valer seu argumento. O ministro Guido Mantega (Fazenda) esteve pessoalmente com os ministros do STF. O mesmo fizeram o presidente do BC, Henrique Meirelles, e o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli.

Foi depois de toda essa movimentação que o ministro Ricardo Lewandowski decidiu levar a discussão para o plenário do STF. Em março, o ministro negou liminar à Consif (Confederação Nacional do Sistema Financeiro), que pedia a paralisação das ações.

Pelas regras do STF, só haveria necessidade de os outros dez ministros confirmarem essa decisão se Lewandowski houvesse concedido a liminar. A Justiça tem dado ganho de causa aos poupadores. As ações mais comuns estão ligadas aos planos Bresser e Verão.

Nos dois casos, as mudanças na política econômica foram feitas no meio do mês, mas as cadernetas com aniversário na primeira quinzena tiveram o rendimento calculado de acordo com as novas regras.

Os correntistas defendem que a remuneração deveria ser calculada de acordo com os índices vigentes antes dos planos. As diferenças chegam a 44,8%, como no caso do Plano Collor 1. No Plano Verão, a perda é estimada em 16,65%.

O prazo para questionar essas perdas na Justiça já expirou no caso dos planos Bresser e Verão. Só é possível entrar com ações referentes aos planos Collor 1 e 2.

A única chance de quem não entrou na Justiça se beneficiar é pegar carona em ações civis públicas, que estendem o direito à indenização a grupos maiores, como uma categoria profissional ou a população de um Estado.

Nesse caso, no entanto, o correntista tem que provar que tinha saldo em cadernetas nas datas dos planos econômicos e fazer uma adesão formal à ação que normalmente é impetrada pelas defensorias públicas ou pelos institutos ligados à defesa do consumidor

“A discussão não é com o governo, mas com os bancos, que aplicaram retroativamente a regra dos planos econômicos. Isso fere o direito adquirido pelos clientes”, diz a gerente jurídica do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Karina Grou.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos), no entanto, argumenta que os bancos apenas cumpriram as determinações do governo e, portanto, não há dívida com os clientes.

O governo, em documento enviado ao STF, afirma que não há motivos para pagar os expurgos porque não houve perdas. Para isso, compara o rendimento das cadernetas depois de aplicados os novos índices com o que foi pago pelos bancos nos CDBs (Certificados de Depósito Bancário).

A conclusão é que só houve perda no plano Collor 1. A outra grande preocupação do BC é com o risco sistêmico, pois considera que o impacto dessas ações pode levar à quebra de grandes bancos, entre eles a Caixa Econômica Federal.

As estimativas das perdas dos poupadores variam de R$ 29 bilhões a R$ 120 bilhões.

Estimativas de custo para bancos divergem

Instituto de defesa do consumidor prevê indenizações de R$ 29 bi para poupadores; bancos falam em até R$ 120 bi

Bancos usam pior cenário possível nos seus cálculos e veem risco para a Caixa, que tinha mais cadernetas e poderia perder até R$ 35 bi

Não há estimativa confiável sobre o impacto real das ações judiciais que questionam os critérios de correção da caderneta de poupança adotados nos planos econômicos pré-Real.

Os números variam de R$ 29 bilhões, citado pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), passam por R$ 105,9 bilhões, calculados pelo Banco Central e Ministério da Fazenda, e podem chegar a até mesmo R$ 120 bilhões, segundo a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos).

O governo e os bancos explicam que suas projeções levam em conta um “cenário de risco potencial”. Ou seja, adotam a pior premissa possível. Por esses cálculos, as instituições financeiras terão que pagar os expurgos feitos na caderneta de poupança referentes a todos os planos econômicos e para os que tinham depósitos naquele período.

Essa análise conclui que a Caixa Econômica Federal, que concentrava o maior número de contas de poupança à época, poderia perder R$ 35 bilhões. É como se o banco quebrasse três vezes.
“Todos os bancos, públicos e privados, suportariam graves e elevados prejuízos. A Caixa foi citada [no documento enviado pelo BC ao STF] apenas como exemplo”, explica a assessoria de imprensa do banco estatal.

É com base nesse cenário que o BC prevê quebras de bancos e comprometimento da economia, caso as ações sejam levadas adiante. “Não é exagerado afirmar que o desarranjo econômico resultante das perdas da Caixa e das demais instituições financeiras pode gerar forte turbulência e comprometer, por alguns anos, a sustentação do crescimento econômico do país”, afirma o BC. A nota também diz que, se o STF der ganho de causa aos poupadores, “provavelmente levaria algumas dessas instituições à insolvência, principalmente no ambiente de crise financeira”.

Para o Idec, essas estimativas são exageradas. A gerente jurídica, Karina Grou, cita ação civil pública que a entidade executa desde 2001 contra a Nossa Caixa, em São Paulo, para mostrar que o impacto será bem menor. Segundo ela, em oito anos só 1.500 correntistas aderiram à ação do Plano Verão.
“Tanto governo quanto os bancos estão fazendo uso alarmista dos números”, diz Grou.

O Idec também questiona o impacto potencial com base nas provisões feitas pelos bancos em seus balanços. De acordo com levantamento do próprio governo, já foram gastos R$ 1,8 bilhão em ações transitadas em julgado e há outros R$ 3,5 bilhões provisionados.

O economista-chefe da Febraban, Rubens Sardemberg, diz que as provisões são feitas à medida que as ações são impetradas e não levam em conta o impacto total, já que a disputa judicial ainda está em curso.

Poupador deve analisar relação custo-benefício

Compensa ir à Justiça para tentar receber as diferenças que deixaram de ser pagas nos planos Collor 1 e 2? A resposta à pergunta depende de quanto cada poupador tinha depositado em caderneta no início de março de 1990 e em janeiro de 1991.

Em primeiro lugar, a Justiça já reconheceu o direito dos poupadores, embora isso possa ser modificado pelo Supremo Tribunal Federal nos próximos meses. Assim, exigir do banco a diferença que deixou de ser paga é um direito de todo poupador.

Mas é fundamental atentar para um detalhe: antes de tomar essa decisão, a pessoa deve ter ao menos uma noção do que terá para receber.

Na dúvida, é importante que o poupador seja assessorado por um contador ou por um advogado de sua confiança. Motivo: há casos em que a relação custo-benefício não compensa, ou seja, não vale a pena perder tempo se o valor a receber na ação for muito pequeno.

Para o poupador ter uma noção do valor que poderá receber, quem tinha NCz$ 50 mil em março de 1990 teria direito de receber entre R$ 5.200 e R$ 5.300, hoje, segundo cálculos do advogado Alexandre Berthe. Isso quer dizer que, para cada NCz$ 10 mil aplicados em poupança na época, o valor a receber corresponderia hoje a pouco mais de R$ 1.000.

Fonte: Folha de S. Paulo

Idec, MP e sindicato notificam BC e Fazenda em ação contra bancos

terça-feira, 21 de julho de 2009

Instituto de Defesa do Consumidor, Sindicato dos Bancários e Defensoria Pública questionam cálculos do governo em ação de planos econômicos

Renée Pereira

Uma ação articulada entre o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Sindicato dos Bancários de São Paulo e Defensoria Pública do Rio de Janeiro questiona dados divulgados pelo Banco Central (BC) e Ministério da Fazenda sobre ações judiciais relacionadas aos planos econômicos Bresser, Verão e Collor 1 e 2.

Os órgãos enviaram, na semana passada, uma carta conjunta para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do BC, Henrique Meirelles, cobrando explicações em 15 dias. Com base nas respostas, o Idec vai decidir que medidas tomar para preservar o consumidor. Há possibilidade, até mesmo, de o órgão entrar na Justiça caso as respostas não sejam satisfatórias.

A carta foi motivada por uma nota técnica do BC, veiculada em abril, onde a autoridade monetária afirma que o impacto das ações relacionadas aos planos econômicos aponta para algo em torno de R$ 105,9 bilhões (3,6% do PIB), afirma a gerente jurídica do Idec, Karina Grou.

Ela destaca que, na nota técnica, o BC diz que o impacto das ações pode ser considerado preocupante, dadas as repercussões possíveis sobre o sistema financeiro, finanças públicas e, consequentemente, sobre o crescimento e o emprego. “A preocupação é que essa postura possa atrapalhar futuras decisões sobre o caso. Eles não podem sair assustando as pessoas e o judiciário dessa forma.”

Na carta, que o Estado teve acesso, os representantes dos três órgãos (Idec, sindicato e defensoria pública) afirmam que meses antes o Ministério da Fazenda já havia seguido a mesma linha de crítica e declarado que, “em alguns casos, a descapitalização poderia levar à insolvência de instituições de porte”, reproduz a carta.

Diante das graves insinuações, que podem trazer prejuízos aos consumidores, Karina afirma que várias questões foram feitas ao ministério e ao BC. A principal delas é saber se o governo fez algum estudo detalhado sobre as ações judiciais em curso no País, ou se é apenas futurologia das autoridades.

“Queremos saber o que está por trás dos R$ 105,9 bilhões. Porque a informação do mercado é que há cerca de 550 mil ações na Justiça. E sabemos que na época dos planos havia 70 milhões de poupanças. Isso significa que há menos de 1% na Justiça.”

Outra justificativa de Karina é que as ações nunca são executadas de uma só vez. “Há ações que estão sendo movidas há 15 anos. Outras começaram há pouco tempo. Ou seja, os desembolsos ocorrerão em épocas diferentes.”

Karina destaca ainda que, em 2008, os balanços dos bancos apontavam para uma provisão de R$ 9 bilhões para cobrir as perdas dos planos econômicos. “Se de fato a conta das ações é R$ 105,9 bilhões, então há algum problema com os cálculos dos bancos. O governo está jogando os dados de uma forma muito séria no mercado.”

Procurado, o BC disse que recebeu a carta dia 17, mas que responderá apenas aos órgãos. A Fazenda afirmou que ainda não recebeu o documento.

Fonte: Estadão

Ações por revisão da poupança são mantidas

sábado, 11 de julho de 2009

Supremo Tribunal Federal não aceitou o pedido dos bancos para suspender o julgamento dos processos

DO “AGORA”

Os 500 mil poupadores que têm ações na Justiça para a revisão da poupança com base nas diferenças dos planos econômicos venceram ontem mais uma etapa. O STF (Supremo Tribunal Federal) não autorizou o pedido dos bancos para suspender o julgamento dos processos.

Assim, por enquanto, as ações que pedem as diferenças dos planos Bresser (revisão de 8,04% sobre o saldo da época), Verão (20,36%) e Collor 1 (44,8%) continuam sendo julgadas normalmente de forma favorável aos poupadores.

De acordo com o pedido da Consif (Confederação Nacional do Sistema Financeiro), as revisões representam um risco para o sistema bancário de mais de R$ 100 bilhões. Para a Caixa Econômica Federal, o risco seria de R$ 35 bilhões, o triplo de seu patrimônio.

Agora, o processo dos bancos contra as revisões volta à Procuradoria Geral da República e terá o parecer de um procurador. Na sequência, será avaliado pelos 11 ministros do Supremo. Para que as ações sejam suspensas, será preciso que pelo menos seis ministros votem a favor das instituições financeiras.

Para o especialista Alexandre Berthe, a decisão de ontem é um avanço. “De acordo com o histórico do Supremo, acho difícil ter essa maioria absoluta a favor dos bancos.”

Para a advogada do Idec Karina Grou, havia o receio de que a Justiça autorizasse a suspensão. “Mas os poupadores podem ficar mais tranquilos pois o processo correrá normalmente.” O Idec estima que o procurador se manifeste até o final de agosto.

Os planos econômicos foram uma tentativa do governo de controlar a inflação no país. Há três planos em que o poupador, devido à troca de índices de correção, tem direito à revisão: Bresser, Verão e Collor 1. Para o Plano Collor 2, ainda não há uma conclusão definitiva sobre o direito dos poupadores.

Para a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), o STF só verificou que não havia fatos novos no pedido feito pelos bancos, e a questão está sendo encaminhada de acordo com a rotina processual.

A Caixa não comentou a informação sobre o impacto das ações para o seu orçamento.

Os bancos argumentam que não foram culpados pelas mudanças durante os planos econômicos.

Ação até 2010

Para entrar com uma ação de revisão da poupança referente ao Plano Collor 1, o poupador deverá procurar a Justiça até março de 2010.

É preciso ter em mãos um documento de identidade com foto, o CPF e um comprovante de residência. Além disso, o poupador precisará dos extratos do mês em que teria ocorrido o erro (abril de 1990). Esse documento é fundamental para entrar com a ação.

Se o poupador não tiver mais os extratos, deve pedi-los ao banco. Se não tiver mais conta no banco, é recomendável ter algum outro documento que prove que a conta existia. O documento pode ser, por exemplo, um exemplar das antigas cadernetas de papel que eram usadas para registrar os ganhos do poupador.

Para entrar com um ação contra a Caixa Econômica Federal, é preciso procurar a Justiça Federal. Contra outros bancos, o poupador deve procurar a Justiça estadual.

Fonte: Folha de S. Paulo

Balanços contrariam o discurso dos bancos

domingo, 28 de junho de 2009

Eles temem perder R$ 105 bilhões, mas só provisionam R$ 9 bilhões

David Friedlander

O discurso apocalíptico dos bancos, de que podem quebrar se forem condenados a pagar as perdas das cadernetas de poupança com planos econômicos do passado, não aparece em seus balanços. No ano passado, os sete maiores bancos do País, responsáveis por quase 80% das cadernetas, provisionaram menos de R$ 9 bilhões para honrar eventuais derrotas em processos cíveis – como as ações dos poupadores. É uma quantia muito distante dos R$ 105 bilhões que, segundo a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), custaria uma derrota para os poupadores na Justiça.

O balanço é um documento usado pelas empresas para mostrar seu desempenho e registrar tudo aquilo que pode afetá-lo. Nas demonstrações financeiras do ano passado, as instituições pesquisadas discorreram largamente sobre temas como sustentabilidade e responsabilidade social. Mas fizeram uma abordagem mínima sobre prejuízos potenciais com as ações da poupança – embora venham perdendo na Justiça, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF).

Essa aparente incoerência entre o discurso e os balanços começará a ser usada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) na sua campanha para desqualificar os argumentos dos bancos e do governo. O Idec é a face mais visível do movimento de cerca de 550 mil poupadores que entupiram os tribunais com ações contra os bancos. A pesquisa nos balanços foi feita pelo instituto, em parceria com o Sindicato dos Bancários de São Paulo e com economistas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“Se realmente correm tanto risco, os bancos deveriam informar isso nos balanços”, afirma Marilena Lazzarini, fundadora do Idec. “Alguém eles estão enganando: o acionista do banco ou os poupadores.”

Para especialistas, a contradição entre a eloquência da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e a contabilidade de seus associados dá margem a dúvidas. “Eles podem estar sendo alarmistas ou podem ter subestimado o risco nos balanços. Ou as duas coisas. Se o passivo existe e é tão grande, precisa ser divulgado de forma transparente no balanço”, afirma Antônio Carlos Palacios, vice-presidente técnico do Conselho Federal de Contabilidade. “Com base nos números que eles próprios divulgaram (os R$ 105 bilhões), os valores provisionados parecem muito baixos.”

Procurada, a Febraban diz que não existe contradição. Afirma que as instituições têm feito provisões à medida que as ações vão sendo julgadas. O Banco Central (BC) também alega que não é hora de fazer o provisionamento.

O BC, aliás, é uma espécie de testemunha de defesa dos bancos no STF. “O BC está defendendo os interesses da União e da economia pública. Como se trata de ação cuja decisão vincula a sociedade, o BC ingressou no processo para oferecer os argumentos necessários ao julgamento da causa”, afirma o procurador-geral do BC, Francisco José de Siqueira.

A disputa é um processo delicado. Envolve uma confusão de índices, regras, leis, responsabilidades e conceitos conflitantes. É uma herança deixada nas cadernetas pelos planos econômicos editados entre 1987 e 1991 (Bresser, Verão, Collor I e Collor II).

Com a promessa de acabar com a inflação, os ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor mexeram mais de uma vez no cálculo da poupança.

A história era sempre igual: os depósitos deviam ser corrigidos com base num critério, mas o governo mandava trocar o índice, por outro menor. Décadas depois, mais de 550 mil poupadores pedem na Justiça que os bancos reponham essas perdas. Em relação ao Plano Verão, eles acusam as instituições financeiras de terem aplicado indevidamente os índices determinados pelo governo, prejudicando o rendimento.

Os bancos afirmam que cumpriam ordens de Brasília e não podem ser responsabilizados pelos efeitos. Em relação ao Plano Verão, dizem que o índice de correção da caderneta foi igual ao que reajustou os empréstimos, portanto, não ganharam nada com isso. Não existe um balanço disponível sobre as decisões dos tribunais. Em relação ao Plano Collor I, a Justiça já decidiu que a responsabilidade não é dos bancos. Quando a discussão é sobre os planos Verão e Bresser, no entanto, os magistrados estão dando ganho de causa aos poupadores.

Fonte: Estadão

Ação pode quebrar bancos, diz BC

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Documento entregue no STF trata de processos sobre planos econômicos

Felipe Recondo

Documento elaborado pelo Banco Central afirma que alguns bancos podem se tornar insolventes se o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar os argumentos de poupadores que brigam na Justiça contra as perdas geradas pelos planos econômicos Cruzado, Bresser, Verão, Collor 1 e Collor 2.

O memorial foi protocolado no STF e, depois, entregue pessoalmente pela cúpula da equipe econômica aos ministros da Corte. Os dados do BC mostram que as perdas para os bancos somariam R$ 105,9 bilhões, o equivalente a 65% do patrimônio líquido dessas instituições ou 3,6% do PIB.

“Tal fato, por si só, provavelmente levaria algumas dessas instituições à insolvência, colocando em xeque a solidez do sistema financeiro nacional”, afirma nota do Ministério da Fazenda anexada ao documento do BC. “Uma eventual decisão contrária às instituições financeiras teria um impacto de até R$ 105 bilhões, implicando uma brusca descapitalização do setor, com possíveis insolvências e enfraquecimento da solidez do sistema financeiro nacional, e, consequentemente, impactos severos na economia real”, prossegue o texto.

Somente para a Caixa Econômica Federal a perda chegaria a R$ 35,2 bilhões – o que corresponde a 301% de seu patrimônio líquido -, rombo que precisaria ser coberto pelo Tesouro Nacional. “Os impactos na Caixa teriam repercussão fiscal, uma vez que a União teria de aportar capital, reduzindo seu potencial de investir em obras de infraestrutura”, diz a nota.

O prejuízo para a Caixa não inclui as despesas que o banco eventualmente teria com outros ativos, como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o que tornaria o efeito sobre a instituição ainda maior. “O impacto potencial dessas ações pode ser considerado preocupante, dadas as repercussões possíveis sobre o sistema financeiro, sobre as finanças públicas e, consequentemente, sobre o crescimento e o emprego no País”, relata o BC em nota assinada pelo diretor de Política Econômica, Mário Magalhães, e anexada ao memorial entregue ao STF.

Em momento de crise financeira mundial, argumenta o BC, seria “no mínimo temerário, seria como andar na contramão” dos demais países obrigar os bancos a desembolsar esses R$ 105,9 bilhões.

PODER DE COMPRA

Além dos impactos econômicos, o BC pondera que os poupadores não tiveram prejuízo em razão dos planos econômicos. O combate à hiperinflação acabou por elevar o poder de compra das cadernetas de poupança sem que isso levasse uma das partes do contrato – poupador de um lado e banco de outro – a ter ganhos excessivos.

As diversas tabelas incluídas no documento indicam ainda que os rendimentos das cadernetas de poupança superaram os porcentuais do CDB após os planos, com exceção do Plano Collor 1.

Todos esses argumentos foram repetidos nas reuniões entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente do BC, Henrique Meirelles, o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, e o procurador-geral da Fazenda, Luís Inácio Adams, com ministros do Supremo (STF). Nesses encontros, segundo alguns ministros, o cenário traçado pela equipe econômica no caso de derrota dos bancos é “desastroso”.

Os argumentos serão levados em consideração no julgamento da ação – uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) – protocolada pela Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif) para suspender todos os processos e decisões judiciais em favor dos correntistas.

Nessa disputa judicial, que coloca de um lado os bancos e de outro os poupadores, o mais importante é o julgamento da liminar pedida pela Consif para sobrestar todos os processos em andamento e as decisões já proferidas. Tanto bancos quanto poupadores sabem que a liminar praticamente define o caso.

Inicialmente, o ministro Ricardo Lewandowski negou o pedido, mas a decisão será submetida à avaliação dos demais ministros nos próximos meses. Se a liminar for deferida, os processos em curso deverão ter a tramitação suspensa e o julgamento final da ação pode demorar anos. Se negada, as ações continuarão a tramitar normalmente.

A disputa judicial envolve as mudanças econômicas impostas pelo governo a partir do dia 15 de janeiro de 1989. As regras determinavam que a poupança seria corrigida por um índice distinto do que era aplicado anteriormente – pelo rendimento acumulado das Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), e não mais pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC).

O problema é que os bancos usaram o novo porcentual para corrigir o saldo também no período de 1º a 14 de janeiro, quando o plano ainda não existia. Com isso, os correntistas perderam 20,36% em rentabilidade e os bancos passaram a ser condenados pela Justiça a pagar essa diferença, conforme argumentação do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

De acordo com o BC, que se envolveu na disputa judicial para defender os bancos e o sistema financeiro, as instituições apenas “cumpriram o que a legislação determinava à época”.

Fonte: Estadão

Idec questiona defesa de bancos pelo governo

sábado, 2 de maio de 2009

Em carta ao BC, Idec diz que correntistas não questionam planos econômicos, mas a correção das cadernetas

Felipe Recondo, BRASÍLIA

A disputa judicial entre correntistas e bancos pelo ressarcimento das perdas sofridas pela poupança nos planos econômicos dos anos 80 e 90 entrou em um novo estágio. Orientados pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), os poupadores estão pressionando o governo para que não vire aliado dos bancos na ação impetrada no Supremo Tribunal Federal (STF) e mostrando que os processos não contestam a constitucionalidade dos planos. O foco agora são as perdas com o Plano Verão.

Em carta encaminhada na quinta-feira ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o Idec critica a posição do governo, em favor dos bancos e contra os correntistas que cobram os expurgos das cadernetas de poupança no Plano Verão, instituído em janeiro de 1989 (Lei 7.730). O Idec afirma que essa defesa não é da competência do BC e diz que o governo deveria prestar mais atenção aos correntistas.

“O Banco Central deveria ainda se preocupar em conhecer melhor o poupador que há dez, quinze anos, briga na Justiça contra grandes bancos para reaver seu dinheiro. Ouvirá histórias de pessoas que aguardam esperançosamente para pagar tratamentos de saúde, a casa própria ou mesmo outra dívida”, sugere. Para o Idec, a origem da disputa não está no plano econômico – lançado para conter os preços e derrubar a inflação – , mas na decisão dos bancos de retroceder uma quinzena na aplicação dos novos índices de correção da poupança.

As regras, que passaram a valer no dia 15 de janeiro de 1989, determinavam que a poupança seria corrigida por um índice distinto do que era aplicado anteriormente – pelo rendimento acumulado das Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), e não mais pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC). O problema é que os bancos usaram o novo porcentual para corrigir o saldo também no período de 1º a 14 de janeiro, quando o plano sequer existia. Com isso, os correntistas perderam 20,36% em rentabilidade e os bancos passaram a ser condenados pela Justiça a pagar essa diferença.

No início de março, a Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif) pediu ao STF, por meio de uma ação de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 165), que suspenda as ações ajuizadas pelos correntistas contra os bancos, alegando que os correntistas questionam a legalidade dos planos econômicos. O presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Fábio Barbosa, tem dito que “naquela época (1989), os bancos não podiam escolher quais índices aplicar” e que o sistema financeiro não lucrou com as decisões tomadas. Os índices expurgados de correção, dizem os bancos, foram aplicados na poupança e nas operações de financiamento imobiliário feitas pelo sistema financeiro.

O BC decidiu, diante dos argumentos da Febraban e da Consif, fazer parte do julgamento no STF para defender os bancos. O entendimento é de que a vitória dos poupadores prejudicaria o sistema financeiro no momento de crise internacional e de que cabe ao governo defender a legalidade dos planos.

Na carta a Meirelles, o Idec mostra que os poupadores não foram à Justiça discutir a constitucionalidade dos planos econômicos, mas questionar o cálculo feito à época pelos bancos. “O verdadeiro fator que levou à lesão dos direitos dos poupadores foi o uso que os bancos fizeram dos planos econômicos. O responsável aqui não é o governo ou os planos econômicos que ele instituiu. Aplicando retroativamente os planos econômicos, os bancos são responsáveis pelas consequências de seu comportamento”, afirma o Idec.

No primeiro embate no STF,em que a Consif pedia uma liminar suspendendo as ação até a conclusão do julgamento, os bancos foram derrotados. Os bancos ainda tentarão, no plenário, reverter essa decisão. A jurisprudência no STF e no STJ em favor dos correntistas é farta. Por isso, a estratégia dos bancos é protelar ao máximo o julgamento final das causas.

Fonte: Estadão

Governo apoia bancos em ações sobre planos econômicos

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Assim como o Banco Central, o Ministério da Fazenda está a favor dos bancos no processo dos clientes que pedem o pagamento de correção monetária da poupança em cinco planos econômicos: Cruzado, Bresser, Verão, Collor 1 e Plano Collor 2.

Ontem, o ministro Guido Mantega (Fazenda) saiu em defesa dos bancos, contra os poupadores, e disse que o governo vai se empenhar em ajudá-los nesta questão.

“As ações que reivindicam correções sobre planos econômicos não têm razão de ser. Os bancos não se apropriaram de nada. Isso cria esqueletos que são pagos até hoje”, disse Mantega, em audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir a crise econômica.

A estimativa do setor bancário é que vão desembolsar R$ 170 bilhões se tiverem que pagar as correções, caso percam as 550 mil ações que hoje correm na Justiça. Para evitar o rombo, os bancos entraram no STF (Supremo Tribunal Federal) com uma ação pedindo a suspensão do pagamento.

Na semana passada, o Banco Central aderiu a essa ação em defesa dos bancos, como antecipou a Folha. Como não faz parte do processo, a autoridade monetária participa apenas como parte interessada ou, no jargão jurídico, “amicus curiae”.

O BC justificou que entrou no processo a favor dos bancos para defender os interesses do governo federal. Muitas das ações dos poupadores pedindo a correção monetária são contra o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. “O Banco Central vai agir em defesa dos interesses da União e dos bancos públicos”, informou a assessoria do Banco Central.

Fonte: Folha de S. Paulo