Alex Ribeiro, de Brasília
O novo presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, promoveu mudanças em seis das nove vice-presidências da instituição, nomeando um conselho diretor de sua confiança. Pelo menos quatro dos novos nomeados, com perfil predominantemente técnico, trabalharam antes diretamente sob as ordens de Bendine.
As trocas causaram mal-estar porque vice-presidentes que deixam a diretoria colegiada souberam da demissão por meio de reportagem publicada ontem no jornal “Folha de S. Paulo”. “Soube que estava fora do BB ao ler os jornais, e o presidente me chamou para dizer que queria formar sua própria equipe”, afirma um dos vice-presidentes.
As mudanças na diretoria colegiada já vinham sendo costuradas há duas semanas, quando Bendine foi escolhido para suceder o atual presidente, Antonio Francisco Lima Neto, que deixa hoje o cargo, após cumprir um período de transição. Anteontem, os membros do conselho de administração do BB foram consultados informalmente para darem aval aos novos nomes. Hoje, o conselho deverá oficialmente confirmar as trocas no banco.
Ao ser indicado ao cargo, Bendine assumiu com o governo o compromisso de cortar os “spreads” bancários e fazer uma expansão mais forte do crédito, tornando-se mais agressivo na competição com os bancos privados. Bendine, em teleconferência com investidores, comprometeu-se também a manter os resultados do BB. Dentro do governo, ele argumentou que, para entregar os resultados, teria que montar a sua própria equipe.
Uma das mudanças centrais foi o deslocamento do vice-presidente de governo, Ricardo Flores, para o comando da área de crédito, controladoria e risco global. Ela é considerada estratégica porque é quem determina os limites de crédito e calcula os riscos de inadimplência das operações, um dos fatores mais importantes na formação do “spread”.
Flores é funcionário de carreira do BB há 31 anos e começou como menor aprendiz. Seu perfil é técnico, com experiência na área, já que foi diretor de recuperação de crédito. Embora não tenha filiação partidária, sua nomeação para a diretoria de governo, antes ocupada pelo ex-governador de Goiás Maguito Vilela, é atribuída ao seu bom transito com o PT e o PMDB.
A missão de Flores é acelerar a análise de crédito, sobretudo para os segmentos de grandes e médias empresas. “Não é para mudar os critérios técnicos, até porque a governança do BB não permite isso”, diz uma fonte. “É para dizer sim ou não para os pedidos de empréstimo, mas com mais rapidez e menos burocracia.”
Antes, essa vice-presidência era ocupada por Adezio Lima, vinculado ao PT de Minas Gerais. Ele ficou desgastado dentro do governo porque, em meio à crise, negou a aprovação de crédito a empresas que procuraram socorro do BB. “O PT não se sente desprestigiado com a saída do Adézio porque nomeamos o presidente”, diz uma fonte política ligada ao banco.
Bendine deslocou o atual diretor de seguros, Alexandre Abreu, com 22 anos de BB, para a vice-presidência de varejo e distribuição, substituindo Milton Luciano dos Santos. É também uma área estratégica para expandir o crédito, já que cuida da força tarefa das agências e demais canais de distribuição. Abreu era, até duas semanas atrás, diretamente subordinado a Bendine, quando esse comandava a vice-presidência de cartões e novos negócios. Milton Luciano é um funcionário aposentado do BB.
Outro diretor diretamente subordinado a Bendine foi alçado à vice-presidência. O diretor de novos negócios de varejo, Paulo Rogério Caffarelli, com 28 anos de BB, será o vice de cartões e novos negócios, cargo vago depois que Bendine foi alçado para a presidência.
Ricardo Antônio de Oliveira, com 27 anos de banco, vai para a vice-presidência de governo, substituindo Flores. Oliveira é diretor de relações institucionais da Febraban e assessor do presidente do BB. Trabalhou próximo de Bendine, que era o representante do BB na Febraban.
O diretor de negócios internacionais, Allan Simões, foi promovido para a vice-presidência de assuntos internacionais e atacado. Ele substitui José Maria Rabelo, que era identificado com Lima Neto. A pessoas próximas, Rabelo disse que deixa a diretoria em razão de sua aposentadoria.
O único novo vice-presidente filiado a partido político é Robson Rocha, atual diretor de menor renda. Com 28 anos de banco, também tem perfil técnico. Ele foi um dos responsáveis pela reorganização do Banco Popular do Brasil, que vinha de uma sequência de resultados negativos. Rocha assume a vice-presidência de gestão de pessoas e responsabilidade sócio ambiental, comandada por Luiz Osvaldo Sant’iago Moreira de Souza, também ligado ao PT.
Nas mudanças, uma surpresa foi a manutenção do vice-presidente de finanças, Aldo Mendes, também próximo a Lima Neto. “Ele tem o perfil técnico necessário ao cargo”, diz uma fonte.
Fonte: Valor Econômico