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Juros sobem pelo 4º mês seguido, diz Procon-SP; veja taxas por bancos

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

As taxas médias de juros do empréstimo pessoal e do cheque especial voltaram a subir em agosto, registrando a quarta alta consecutiva, segundo pesquisa do Procon-SP divulgada nesta quinta-feira.

Dois bancos (Itaú Unibanco e Bradesco) elevaram as taxas no empréstimo pessoal. Na média, os juros passaram de 5,42% ao mês para 5,44%. Já no cheque especial, foram quatro: HSBC, Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Bradesco. A taxa média foi de 9,06% para 9,10%.

Pressionado pela divulgação de indicadores que apontam a desaceleração da economia brasileira, o Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir o ritmo de aumento da taxa básica de juros na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), no mês passado, elevando os juros de 10,25% para 10,75% ao ano.

A pesquisa foi feita por técnicos do Procon-SP no dia 3 deste mês nas seguintes instituições financeiras: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú Unibanco, Real Santander e Safra.

Para a taxa do empréstimo pessoal, foi estipulado o período de 12 meses, já que todos os bancos pesquisados trabalham com esse prazo. Os dados coletados se referem a taxas máximas pré-fixadas para clientes não preferenciais. Para o cheque especial, foi considerado o período de 30 dias.

TAXAS DE JUROS AO MÊS EM AGOSTO

CHEQUE ESPECIAL
Banco do Brasil – 7,79%
Bradesco – 8,40%
Caixa Econômica Federal – 7,15%
HSBC – 9,51%
Itaú Unibanco – 8,71%
Real Santander – 9,66%
Safra – 12,30%

EMPRÉSTIMO PESSOAL
Banco do Brasil – 5,28%
Bradesco – 5,50%
Caixa Econômica Federal – 4,78%
HSBC – 4,81%
Itaú Unibanco – 5,98%
Real Santander – 5,63%
Safra – 5,40%

Fonte: Folha.com

Quer pagar menos juros? Vá a um banco público

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dados do BC mostram que os empréstimos tomados por pessoas físicas no BB e na Caixa costumam ser mais baratos que no Santander, Itaú e Bradesco

Marcela Ayres, de EXAME.com

São Paulo – Boom no setor imobiliário, frota histórica de veículos circulantes e procura desenfreada por televisões de plasma. Outrora impensáveis, esses movimentos refletem o aumento do poder de compra dos brasileiros e provam que os sonhos de quem imaginava voar alto jamais estiveram tão perto do chão. Sustentáculo da forte demanda doméstica, a oferta de crédito teve um rápido momento de aperto após a quebra do Lehman Brothers em 2008, mas medidas anticíclicas para incentivar o consumo abreviaram a recessão. Naquela época, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil ampliaram as linhas de crédito destinadas à pessoa física e conseguiram compensar a decisão das instituições privadas de brecar os empréstimos com receio do que poderia acontecer dali para frente.

Enquanto as operações dos bancos públicos registraram uma expansão de 61% entre setembro de 2008 e maio de 2010, os recursos concedidos pelo sistema privado cresceram a um terço desse ritmo. Os resultados atingidos pelo BB mostram que os juros mais baixos ajudaram a engordar a base de clientes e, consequentemente, o retorno da instituição. Enquanto a carteira de crédito à pessoa física cresceu 88,1% em 2009, o lucro líquido alcançou a marca de 10,1 bilhões de reais, um recorde histórico na indústria bancária. “Para os bancos, a queda dos juros foi compensada pelo aumento do volume do crédito”, afirma Andrew Frank Storfer, presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). De fato, a taxa média para crédito pessoal fechou 2009 em 44,4%. Em 2008, esse percentual era de 60,4%.

Para o professor de economia Evaldo Alves, da FGV/SP, é justamente a função de agente público que abre margem para fomentos desta natureza. Apregoado como um dos grandes responsáveis por fazer o Brasil sair da crise, o consumo interno foi embalado tanto pelo acesso ao crédito facilitado quanto pela política fiscal que reduziu temporariamente o IPI de itens como carros e eletrodomésticos da linha branca. Na prática, cumpriu-se a movimentação da economia por duas frentes, promovendo o encontro entre consumidores com dinheiro na mão e produtos potencialmente mais baratos.”

Não por acaso, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil possuem até hoje a liderança no ranking das menores taxas ofertadas para a pessoa física entre os grandes bancos de varejo. Para se ter uma ideia, a diferença entre Caixa e Bradesco, respectivamente primeiro e o último colocado na modalidade de crédito pessoal, chega a quase 100%. As instituições públicas também cobram menos juros no cheque especial e financiamento de veículos. Confira os dados divulgados pelo Banco Central para o período que vai de 25 de junho a 1º de julho:

Crédito pessoal

Instituição Juros mensais (%)
Caixa Econômica Federal 2,16
Banco do Brasil 2,55
Santander 3,21
Itaú Unibanco 4,02
Bradesco 4,23

Cheque especial

Instituição Juros mensais (%)
Caixa Econômica Federal 6,62
Banco do Brasil 7,88
Itaú Unibanco 8,33
Bradesco 8,41
Santander 9,08

Aquisição de veículos

Instituição Juros mensais (%)
Caixa Econômica Federal 1,59
Banco do Brasil 1,62
Itaú Unibanco 1,68
Santander 1,69
Bradesco 1,82

Aquisição de bens

Instituição Juros mensais (%)
Santander 1,64
Banco do Brasil 2,21
Itaú Unibanco 2,63
Bradesco 3,24
Caixa Econômica Federal 5,34

Fonte: Banco Central

Como se vê, os bancos privados só saem na frente na categoria aquisição de bens, com o primeiro lugar assumido pelo Santander. “O sistema privado prioriza a aquisição de produtos de menor valor, como televisão e aparelhos domésticos. Por sua vez, o direcionamento da instituição pública é para um item mais caro e durável, como o automóvel”, explica Alves. Segundo o professor, quem opta pelos bancos públicos pode poupar com as taxas, mas deve arcar com um serviço menos ágil. “Em geral, eles exigem uma documentação mais farta para se resguardar de qualquer problema. O foco é a segurança, principalmente para a concessão de grandes quantias. Se por um lado isso acarreta uma cobrança mais modesta, por outro, o processo fica mais burocrático.”

Roberto Luis Troster, sócio da Delta Consultoria e ex-economista chefe da Febraban, defende que apesar de as taxas terem de fato diminuído, o impacto na concorrência não surte efeitos tão imediatos no bolso do consumidor. Além do crédito liberado pelos bancos públicos representar pouco mais de 20% do total direcionado à pessoa física, a escassa mobilidade bancária faz com que os brasileiros permaneçam fiéis à instituição da qual são clientes. A regra vale sobretudo para os assalariados, que tecem um vínculo duradouro com o banco onde têm o salário depositado. “No Brasil, a possibilidade de um cliente mudar de um banco para outro é de 0,5% em um ano. Dificilmente alguém troca de instituição porque a outra é mais barata, e isso vale para praticamente todos os serviços”, finaliza.

Inadimplência e riscos

Alheios ou não às taxas cobradas pelas instituições, os consumidores seguem fazendo empréstimos em ritmo galopante. Em uma década, o volume de operações cresceu 987%, alcançando um volume de 467 bilhões de reais em janeiro de 2010. Segundo o Banco Central, o endividamento não chega a preocupar. A relação entre o crédito e o PIB atingiu 45% em 2009 e ainda se distancia com folga do percentual cravado por países em situação econômica semelhante à do Brasil. Dados do Banco Mundial revelam que essa proporção é de 97,7% no Chile e 145,20% na África do Sul.

Mas considerando que a maioria das crises financeiras foi precedida da rápida expansão das operações de crédito, analistas relativizam a margem disponível para o incremento do empréstimo à pessoa física. Andrew Frank Storfer, da Anefac, alerta para um possível descompasso entre a adequação financeira do brasileiro e as possibilidades de compra artificialmente abraçadas. “A oferta de crédito foi de encontro a um forte anseio das classes C e D, que passaram a ter acesso aos bens que sempre quiseram e não podiam comprar”, sustenta. “Mas quem nunca comeu mel, quando come se lambuza. Tomar de forma indiscriminada pode levar à inadimplência.”

A Serasa Experian já projeta que a capacidade dos devedores de honrar os compromissos financeiros deve diminuir ao longo do segundo semestre de 2010. Para a empresa de análise de crédito, os rendimentos não acompanharam o ritmo das dívidas contraídas. Diante do ciclo de aperto monetário para conter a inflação e das perspectivas de aumento da Selic até o fim do ano, o comprometimento da renda deve ser ainda maior nos próximos meses. “A redução das taxas para as operações de crédito saiu do radar e não figura entre as grandes preocupações dos bancos públicos”, sentencia Storfer. Por isso, quem espera nova diminuição dos juros por meio da atuação incisiva do governo, vai se deparar com pouca ou nenhuma alteração daqui para frente.

Fonte: Portal Exame

O Brasil no topo do mundo

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Foto: Blog Mochileiro das Maravilhas

A manchete surgiu na imprensa online e rapidamente se espalhou. O presidente Lula fora escolhido o líder mais influente do mundo. Aos poucos o ajuste foi sendo feito na informação: na realidade o presidente Lula aparecia – como já ocorrera uma vez antes – entre as cem pessoas mais influentes, na avaliação da revista Time. O que, evidentemente, não é pouco. Da América do Sul talvez somente Hugo Chavez tenha aparecido duas vezes na lista; Evo Morales e Raul Castro também já a frequentaram, mas apenas uma vez (não fiz pesquisa, estou me apoiando na memória).

Poucos destacaram, mas há outro brasileiro no rol, ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner. Considerando que o também ex-governador do Paraná não ocupa cargo público há cerca de uma década, não deixa de ser um feito extraordinário estar sendo lembrado ainda em 2010.

A lista dos cem é dividida em quatro segmentos de 25 nomes: Líderes, Heróis, Artistas e Pensadores. Lula está listado, naturalmente, entre os líderes; e Lerner, entre os pensadores. A existência dessas quatro categorias é que faz aparecerem nomes como Lady Gaga, Didier Drogba, Serena Williams, Prince, Elton John, Sandra Bullock, Steve Jobs, Barack Obama, Sarah Palin e Bill Clinton, além de uma legião de pessoas que eu – do alto de minha ignorância, como se dizia antigamente- não tenho a menor idéia de quem sejam.

A única personalidade a aparecer em todas as listas, desde a primeira em 2004, é a apresentadora de TV Oprah Winfrey.

Clique aqui e conheça a lista completa.

Ah, sim. Eu ia até esquecendo a razão do título deste post. É que com a recente decisão do Copom o Brasil voltou a liderar a lista dos países que têm os juros reais mais altos do mundo. Para saber mais use seu cheque especial ou leia no UOL, clicando aqui.

Juro ao consumidor recua para menor nível desde 1995, aponta Anefac

quarta-feira, 14 de abril de 2010

da Reportagem Local

As taxas de juros oferecidas por bancos e demais instituições financeiras em suas linhas de crédito tiveram a primeira redução neste ano, aponta levantamento divulgado nesta quarta-feira pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

A Associação aponta duas explicações: primeiro, o aumento da competição no sistema financeiro, já que as instituições privadas perderam espaço para as instituições públicas na oferta de crédito, durante a crise mundial; segundo, a queda nas taxas de inadimplência.

Nos empréstimos para pessoa física, a taxa de juros média caiu de 6,92% ao mês, em fevereiro, para 6,77% em março. Segundo a Anefac, trata-se da menor taxa de juros na série histórica iniciada em janeiro de 1995.

A maior redução foi verificada nas linhas oferecidas pelas financeiras (especializadas no crédito para consumo), justamente entre as mais altas do sistema financeiro: o juro médio caiu de 10,20% ao mês para 9,78% ao mês entre fevereiro e março.

A segunda maior baixa foi vista nas linhas de empréstimo pessoal oferecidas pelos bancos: o juro médio oferecido por essas instituições passou de 4,92% para 4,74% entre fevereiro e março.

A Anefac também registrou os juros de cartão de crédito continuam os mais altos do praça: 10,69% ao mês, em média, sem variação entre os meses de fevereiro e março.

Empresas

Já no caso das empresas, a taxa de juros média passou de 3,69% ao mês em fevereiro para 3,59% em março. Ainda conforme a Associação, é a menor taxa de juros desde janeiro de 1999.

A Anefac registrou que a linha de desconto de duplicatas teve a maior a redução nos juros: de 3,24% ao mês para 3,10% entre fevereiro e março. Outra linha que teve redução significativa foi “conta garantida” (espécie de cheque especial para empresas), em que o juro médio caiu de 5,10% ao mês para 5% entre fevereiro e março.

Fonte: Folha Online

Mantega cobra explicação de BB e Caixa sobre juros

quinta-feira, 25 de março de 2010

Presidentes dos bancos criticam metodologia de pesquisa do BC que aponta instituições como líderes na alta dos juros em 2010

Adriana Fernandes, Fernando Nakagawa
BRASÍLIA

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, cobrou ontem explicações dos presidentes do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, e da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho, sobre reportagem do “Estado” publicada no último domingo que mostra aumento na taxa de juros média praticada pelos dois bancos públicos, de acordo com dados do Banco Central.

A reportagem mostrou que os bancos públicos lideram a alta dos juros em comparação aos bancos privados. Após encontro com o ministro, os dois dirigentes convocaram uma entrevista coletiva para declarar que as duas instituições financeiras não aumentaram as taxas mínimas e máximas de juros para os seus clientes.

Demonstrando desconforto, criticaram a metodologia usada pelo BC para fazer o ranking, o qual, segundo eles, acabou produzindo um dado “enviesado”.

Os dois executivos argumentam que a elevação da taxa média se deve ao fato de BB e Caixa terem aumentado sua carteira de crédito com clientes novos que têm avaliação de risco maior.

“Não houve mudança alguma nas taxas de juros por parte dos dois bancos”, afirmou Bendine. Segundo ele, é natural que, nesses casos, acabe ocorrendo, na média, uma elevação dos juros. Os dois executivos disseram que já pediram ao BC que mude a metodologia, que segundo eles é criticada também pelos bancos privados.

Segundo uma fonte do BC, não foi feito nenhum questionamento ou pedido recente para mudança da metodologia da pesquisa. No ano passado o Banco Central foi questionado e chegou a mudar a metodologia. Quando os bancos públicos apareciam na frente, eles cobraram alteração na metodologia. Depois, quando os bancos privados apareceram em situação pior, a Febraban reclamou.

A presidente da Caixa sugeriu que o ranking inclua as taxas mínimas e máximas cobradas pelos bancos, e não a média. Bendine enfatizou que não há mudança na estratégia do governo de manter baixas as taxas de juros dos bancos públicos.

Apesar da afirmação, Bendine admitiu que o Banco do Brasil poderá ter de ajustar os juros se houver eventual subida da taxa básica de juros, a Selic. Para a quase totalidade do mercado, a taxa sobe em abril.

Consignado

O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, disse que ficou surpreso com a decisão dos bancos privados de entrar com ações na Justiça questionando a exclusividade que o BB tem obtido na concessão de crédito consignado em segmentos do mercado (folha de pagamento de funcionários de Estados e Prefeituras).

Na defesa do Banco do Brasil, Bendine afirmou que o mercado é livre, tem concorrência, e o banco está tendo sucesso por ser mais eficiente, “Todas as instituições que operam crédito consignado têm exclusividade. Se o BB está conseguindo angariar mais contratos de exclusividade, é porque está com melhor estratégia”, avaliou.

Segundo ele, o banco estatal tem custo de operação mais atraente, por isso consegue ganhar participação no mercado.

O dirigente do BB ressaltou que o banco não está ferindo a lei ao manter contratos de exclusividade. “Não há nenhum comportamento irregular da instituição em operar contratos de exclusividade. Isso não é uma prerrogativa do BB”, disse. Segundo ele, o mercado de crédito consignado trabalha sob as regras da livre negociação entre as partes.

Bendine informou que o BB não planeja nenhum tipo de reação na Justiça em relação às ações que questionam o tema. “A defesa do banco é o cumprimento da lei. Não estamos ferindo a lei em nada. É concorrencial. É praticado pelos bancos há tempos”, disse. As ações têm sido abertas principalmente pela Associação Brasileira de Bancos, que representa as instituições de pequeno e médio portes.

Reportagem publicada ontem pelo Estado informou que existem 11 ações na Justiça questionando a exclusividade que o BB conseguiu para operar o crédito consignado em lugares como a cidade de São Paulo e o Estado da Paraíba. Os bancos concorrentes reclamam que o BB acaba com a competição. Dos 11 processos, 8 foram abertos por instituições financeiras privadas ou por entidades do setor.

Fonte: O Estado de S.Paulo

Saiba+

Banco do Brasil e Caixa lideram alta dos juros em 2010

Banco do Brasil e Caixa lideram alta dos juros em 2010

domingo, 21 de março de 2010

Levantamento feito com dados do BC mostram que taxas médias do BB e da Caixa subiram mais que as do Itaú, Bradesco e Santander

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA

Os bancos públicos lideram a alta dos juros nos empréstimos ao consumidor em 2010. Levantamento feito pelo “Estado” com dados do Banco Central mostra que a taxa do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal subiu este ano mais do que no Itaú, Bradesco e Santander. Os bancos federais lideram a alta nas quatro operações para pessoas físicas acompanhadas pelo BC: crédito pessoal, financiamento de veículos, aquisição de bens e cheque especial.

Analistas dizem que a alta pode ser fruto da recomposição da margem de lucro ou de mudança no perfil dos clientes.

Após meses de atuação agressiva, com corte dos juros entre 2008 e 2009, o comportamento dos bancos públicos parece mudar. Números do BC mostram que o juro médio praticado pelo BB e pela Caixa sobe gradualmente desde o fim de 2009.

Na modalidade mais tradicional de empréstimo, o crédito pessoal, a Caixa lidera o aumento. Entre o fim de 2009 e 18 de março, a taxa subiu 2,9 pontos porcentuais e atingiu 30,9% ao ano.

Proporcionalmente, essa foi a maior alta de juros – cerca de 10% no período – entre os cinco maiores bancos. O BB foi o segundo que mais elevou a taxa. No Itaú, oscilou ligeiramente e o Bradesco reduziu em 4 pontos.

Carros

No financiamento de veículos, operação apoiada pelo governo, foi a vez de o BB liderar. No ano, a taxa média do banco subiu 3 pontos e está em 22,9%.

Na média, o BB empresta hoje com um juro 15% maior que o do fim de 2009. Em segundo na lista, a Caixa teve aumento de 1,7 ponto. A taxa do Bradesco subiu 1,2 ponto e o Itaú reduziu os juros em quase 2 pontos.

Ainda que esses bancos não tenham anunciado a alta do custo dessas operações, a taxa cobrada pode subir. Isso acontece porque as instituições estabelecem juros mínimos e máximos e a taxa praticada oscila dentro desse intervalo, conforme o perfil do cliente. Se o banco avaliar que o tomador do empréstimo tem mais risco, cobra mais juro. Desde o início do ano, é esse movimento que tem acontecido.

Queda da inadimplência. “Os bancos públicos podem estar aproveitando o aumento da demanda para recompor margens. Essa é a explicação mais razoável, até porque o risco de crédito não aumentou nos últimos meses. Pelo contrário, a inadimplência caiu e diminuiu a chance de calote, o que deveria gerar um alívio nos juros”, diz o diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad), Alberto Borges Matias.

O economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, fez uma avaliação parecida. “Podemos ter milhares de explicações, mas há alguns motivos mais comuns. No caso dos públicos, eles fizeram um movimento muito forte de corte da taxa na crise e, agora, podem estar recompondo margem. É possível também que, para manter o ritmo de crescimento, estejam operando com novos clientes, o que eleva a taxa final.”

Vale lembrar que, mesmo com a alta recente, os bancos públicos ainda praticam taxas competitivas. No cheque especial e no crédito pessoal, Caixa e BB emprestam com as taxas mais baixas entre os cinco grandes. No financiamento de veículos, estão na média do mercado. A exceção fica com a aquisição de bens, segmento em que a Caixa empresta com o maior juro dos cinco maiores bancos: 71,9% ao ano.

Fonte: O Estado de S. Paulo

MP entra com ação contra bancos

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Para promotores, juros acima da média de mercado são abusivos; eles pedem a devolução do excedente cobrado

Paula Pacheco

O Ministério Público do Estado de São Paulo entrou com três ações contra dez bancos privados. As instituições financeiras são acusadas de cobrar juros abusivos dos clientes em modalidades como crédito direto ao consumidor, cheque especial e cartão de crédito. Os bancos são Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, HSBC, Panamericano, BRB, Cacique, GE Capital, Citibank e BV Financeira.

Os promotores do caso, João Lopes Guimarães Júnior e Paulo Sérgio Cornacchioni, ligados à Promotoria da Justiça do Consumidor, pedem na ação que os contratos dos clientes sejam considerados nulos, que os juros cobrados acima da média de mercado em contratos nos últimos cinco anos sejam restituídos e novos contratos sejam feitos. O MP quer que a abrangência da decisão seja nacional, mas cada cliente que se sentir prejudicado teria de entrar com uma ação.

O Banco Central divulga desde 1999 as taxas de juros praticadas pelos bancos nas operações de crédito para pessoas física e jurídica. Segundo o BC, as taxas de juros divulgadas correspondem a média das taxas cobradas no período.

Segundo o promotor Lopes Guimarães, no Brasil as taxas cobradas por bancos não deveriam ultrapassar a 30% da média apurada entre todas as instituições. Na França, cita, a taxa não pode exceder a um terço da média dos juros dos bancos para operações de crédito. Em alguns Estados americanos também é fixado um teto para os juros bancários.

Para entrar com a ação agora, Lopes Guimarães tomou por base decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que entendem que a taxa de juro pode ser considerada abusiva se destoar da média do BC para o mesmo período. “Até então não havia encontrado fundamentos legais. Com os precedentes do STJ, estudei a viabilidade da ação civil pública”, explica.

Em razão da gravidade do assunto, que poderia significar bilhões de reais de desembolso por parte dos bancos, no caso de perderem a ação, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) tem acompanhado a história bem de perto. “Aqui não há uma lei que defina um teto para os juros. É tão absurda a ação que acredito que não deva prosperar. No Brasil há 160 bancos, portanto há competição nesse mercado”, avalia Antonio Carlos de Toledo Negrão, diretor de Assuntos Jurídicos da Febraban.

Os bancos dizem não comentar assuntos sub judice. Alguns, como o Itaú Unibanco, ainda não foram citados.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Bancos elevam juros cobrados ao consumidor após 10 meses de queda

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Possibilidade de alta da taxa Selic no próximo ano já encarece taxa de empréstimos bancários neste mês

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA

A possibilidade de o Banco Central (BC) elevar a taxa básica de juros (Selic) em 2010 já começa a se refletir no bolso do consumidor. Divulgado ontem pelo BC, um levantamento preliminar referente aos primeiros dias de outubro revela que os bancos estão pagando mais para obter dinheiro no mercado e passaram a cobrar mais dos clientes. É a primeira vez em dez meses que a taxa sobe.

Ao mesmo tempo, os bancos aumentaram a margem nos financiamentos – spread bancário – e os clientes estão tomando mais crédito em linhas caras, como o cartão de crédito e o cheque especial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que é “quase” um assalto a taxa para o cheque especial e o cartão de crédito.

Na média dos empréstimos para as pessoas físicas, o juro subiu de 43,6% ao ano em setembro para 46% em 13 de outubro. Antes dessa alta, o governo comemorava porque, no mês passado, a taxa ao consumidor estava no menor nível da série iniciada em julho de 1994. Nos empréstimos a empresas, a elevação foi menor: de 26,3% para 26,4% no mesmo período.

Parte do aumento é consequência da expectativa do mercado financeiro de que a Selic poderá subir em 2010, em reação à economia aquecida. A aposta ganhou força entre analistas em setembro, quando o mercado de juros futuros indicava que boa parte dos bancos já trabalhava com tal cenário.

Diante do quadro, os bancos começaram a pagar mais para captar dinheiro de investidores, principalmente nas operações com vencimento a partir de 2010. Por isso, o chamado custo geral de captação subiu em setembro pela primeira vez desde outubro de 2008. Na média, a taxa paga pelos bancos para conseguir dinheiro para emprestar às pessoas físicas passou de 9,8% ao ano em agosto para 10,2%, no mês passado. Em outubro, já está em 10,7%.

Para o chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, outro fator que explica o aumento do juro em outubro é a mudança na composição do crédito tomado pelos clientes, sobretudo pessoas físicas.

Segundo ele, empréstimos caros como cartão de crédito e cheque especial estão sendo mais usados. O movimento influencia os números globais do mercado, já que a média dos juros, por exemplo, é ponderada conforme as taxas e o volume de operações realizadas.

SPREAD

Além de o dinheiro disponível estar mais caro, os bancos aumentaram o spread. Segundo o BC, a diferença entre a taxa de captação e o juro cobrado das pessoas físicas subiu 1,9 ponto porcentual entre setembro e 13 de outubro, para 35,3 pontos.

“Parte do mercado começou a especular sobre a possibilidade de a Selic subir em 2010 e quem concede crédito pode estar usando essa questão para ganhar, seja na captação como na margem”, diz o economista Roberto Macedo, professor da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) e vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo.

Ao apresentar os números, Maciel, do BC, afirmou que a alta das taxas ainda não representa a criação de uma tendência. “A alta do custo de captação reflete a expectativa de alguns agentes financeiros de que o juro pode subir em 2010. É um movimento ainda incipiente.”

Fonte: O Estado de S. Paulo

Juro ao consumidor cai para menor nível desde 1995, aponta Anefac

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

As taxas de juros ao consumidor caíram em setembro para o menor nível já registrado (7,01% ao mês, em média) pela Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), que iniciou sua pesquisa em 1995.

A entidade verificou que nos últimos oito meses os juros praticados no mercado caíram de forma consecutiva, mesmo com o fato de que o Banco Central não mexeu na taxa Selic (8,75% ao ano), que serve de referência para bancos e financeiras em suas operações.

“Estas reduções podem ser atribuídas à melhora no cenário econômico e maior competição no sistema financeiro”, avalia Miguel José Ribeiro de Oliveira, coordenador da pesquisa da Anefac.

O levantamento da associação aponta uma taxa de juros média de 7,01% para a pessoa física em setembro, ante 7,08% em agosto e 7,46% em setembro de 2008. Apesar das quedas recentes, tomar empréstimos a essa taxa ainda significa ver a dívida mais que dobrar (125,47%) ao final de um ano.

Os juros praticados no cartão de crédito (10,68% ao mês) continuam no topo da lista das taxas mais caras e não se alteraram desde fevereiro de 2009. Nas financeiras, que oferecem o segundo juro mais alto (pelo levantamento da Anefac), a taxa média recuou de 10,62% ao mês para 10,48%.

E nas linhas de cheque especial, a taxa de juros cedeu de 7,38% para 7,34% enquanto os juros do empréstimo pessoal nos bancos passou de 5,15% para 5,02%.

Pessoa jurídica

A Anefac também detectou um decréscimo nas taxas de juros oferecidas para as empresas. O juro médio dos empréstimos para pessoa jurídica caiu para 3,89% ao mês em setembro, ante 3,98% em agosto e 4,36% em setembro de 2008. Anualizada, essa taxa representa um juro de 58,08%.

No topo da lista de taxas mais caras, o juro médio da conta garantida (o “cheque especial” da pessoa jurídica) passou de 5,38% ao mês para 5,24%. Já o custo do capital de giro passou de 3,56% ao mês para 3,49%, enquanto o juro praticado nas linhas para desconto de duplicatas passou de 3,45% ao mês para 3,39%.

Perspectiva

“A pesquisa deste mês demonstra o retorno das condições de crédito anteriores à crise em setembro de 2008, tanto no alongamento dos prazos dos financiamentos bem como na redução dos juros das operações de crédito”, afirma a entidade.

Para o futuro, a perspectiva é de que a queda continue –a Anefac lista três motivos: o pior da crise já passou, a Selic continuará a cair, menor risco de inadimplência.

“Deveremos inclusive ter períodos em que a Selic vai ficar inalterada e as taxas de juros das operações de crédito vão ser reduzidas”, indica a entidade.

Fonte: Folha Online

Governo desiste de projeto de taxar poupança

sábado, 10 de outubro de 2009

Presidente diz que medida “perdeu seu tempo político”; governo teme desgaste perto de ano eleitoral e atraso nos projetos do pré-sal

Avaliação é que tendência de alta nos juros reduz atratividade da caderneta ante os fundos e diminui urgência de mudança

VALDO CRUZ
FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a assessores que o projeto que tributa a caderneta de poupança com a cobrança de Imposto de Renda “perdeu seu tempo político” e que não quer mais enviá-lo ao Congresso.

O governo teme dois possíveis efeitos negativos do projeto: repercussão negativa na véspera do ano eleitoral em criar um imposto de 22,5% sobre poupanças com saldo acima de R$ 50 mil e atrasos na tramitação das propostas sobre o marco regulatório do pré-sal.

Lula admite repensar sua posição apenas se o ministro Guido Mantega (Fazenda) considerar a medida essencial. A própria equipe do ministro, contudo, considera que politicamente a proposta ficou inviável, apesar de tecnicamente ainda ser defendida. A última versão do projeto, por sinal, foi devolvida pela Casa Civil para o Ministério da Fazenda

Mesmo que a Fazenda avalie a medida como essencial, antes Lula ouvirá novamente os líderes dos partidos da base aliada sobre o assunto. Até aqui, segundo levantamento informal feito pelo governo, nenhum partido quer votar agora uma medida tão impopular -a menos de um ano da eleição.

Entre assessores diretos de Lula, vigora a impressão de que o motivo para o lançamento da ideia praticamente deixou de existir no momento. Segundo a Folha apurou, o argumento geral é que os juros devem subir no médio prazo em vez de cair, transferindo o problema para o próximo governo.

A ideia de taxar a poupança surgiu quando o Banco Central reduziu os juros abaixo de dois dígitos. A novidade tornou a caderneta mais atrativa do que boa parte dos fundos de investimentos. Para evitar uma migração forte de recursos dos fundos para a poupança, o governo decidiu reduzir a remuneração da caderneta.

O receio era que uma fuga de recursos dos fundos de investimento prejudicasse o financiamento da dívida pública. Afinal, os fundos aplicam boa parte dos recursos captados de clientes em títulos públicos federais.

Articuladores políticos do governo já avisaram Lula que são contra a medida. Mesmo sabendo que o projeto não atinge 99% dos donos de caderneta de poupança, eles alertam para o fato de que a oposição irá usá-lo para desgastar a imagem do governo na campanha eleitoral.

Além disso, só teria sentido enviar o tema por regime de urgência ou medida provisória, já que ele precisa entrar em vigor neste ano para ser aplicado no próximo. Isso levaria a um trancamento da pauta da Câmara, impedindo a aprovação do marco regulatório do pré-sal, considerado vital pela base aliada para ser usado na eleição presidencial de 2010.

Segundo recuo

Esse será o segundo recuo do governo no caso. A primeira proposta, divulgada em maio, foi abandonada por ser considerada muito complexa. A segunda, fechada em meados de setembro, previa taxar em 22,5% os rendimentos de cadernetas de poupança com saldo superior a R$ 50 mil.

Até mesmo as propostas de aliados no Congresso, de subir a taxação para poupanças com saldo superior a R$ 100 mil, estão sendo consideradas inviáveis politicamente neste momento e não receberão apoio da base do governo.

Diante da desistência de enviar o projeto, a equipe econômica analisa a hipótese de encaminhar, no próximo ano, um projeto que represente a solução definitiva para o problema, que seria acabar com a remuneração fixa da poupança -6% ao ano mais a variação da TR (Taxa Referencial).

Essa proposta seria discutida pelo Congresso no próximo ano e ficaria pronta para votação após a eleição presidencial. Assim, o novo presidente da República assumiria com a questão resolvida. Nesse caso, uma das ideias é atrelar o rendimento da poupança à taxa de juros do Banco Central. Ou seja, a caderneta renderia um determinado percentual da taxa do BC.

Fonte: Folha de S. Paulo