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Klinger Portella, iG São Paulo
A decisão do governo brasileiro de cobrar Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 1,5% sobre as novas emissões de ações no exterior (DRs) não deve prejudicar os planos do Banco do Brasil de lançar ADRs nos próximos meses, de acordo com analistas ouvidos pelo iG. O Banco do Brasil teve autorização da Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos) em 12 de novembro para negociar papéis na bolsa de Nova York e deve ser o primeiro lançamento brasileiro a enfrentar a nova tributação.
Segundo o Banco do Brasil, a nova tributação não altera o cronograma do lançamento das ADRs. No entanto, o BB diz que ainda não há previsão para a oferta, embora, no mercado, cogitava-se antes do IOF que o processo poderia acontecer ainda em 2009.
“Acho que a medida não deve impedir o BB de colocar os ADRs no mercado”, afirma Raffi Dokuzian, superintendente da Banif Corretora. Para ele, entretanto, o banco deveria dividir o lançamento com o mercado interno. “Talvez, com o IOF, com Banco do Brasil tenha essa sensibilidade. O nosso mercado está maduro. Prova disso foi a emissão do Santander, que foi a maior do mundo”, diz.
Para Paulo Esteves, analistas da Gradual Corretora, a taxa de 1,5% não deve diminuir o apetite dos investidores pelos papéis do Banco do Brasil. “No médio e longo prazos, as avaliações para os papéis do Brasil estão muito boas”, diz. “O IOF seria facilmente diluído com os ganhos acumulados ao longo do tempo.”
Dokuzian concorda. “O investidor está pensando em médio e longo prazos, e uma empresa sólida como o Banco do Brasil é uma boa garantia para ele”, afirma. “O IOF não deve ser empecilho para investimentos.”
A cobrança do imposto, anunciada na quarta-feira pelo governo, é um meio de “equilibrar” o mercado, já que há um mês foi o capital estrangeiro que investe no país foi taxado em 2%. Assim, muitos investidores passaram a comprar ações no exterior.
Fonte: Último Segundo