Posts com a Tag ‘Investimentos da Previ’

Vale fracassa em tentativa de comprar a Paranapanema

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Vale chegou a elevar em 6% a oferta inicial, mas adesão ficou aquém do esperado

Márcio Juliboni, de EXAME.com

São Paulo – Fracassou a tentativa da Vale de comprar a Paranapanema, empresa líder na produção de cobre refinado no Brasil. Em comunicado à imprensa, a Vale informou que não houve adesão suficiente de acionistas da Paranapanema ao leilão de oferta pública de compra dos papéis, realizado nesta quarta-feira (1º/9).

A mineradora não informou quantos acionistas apoiaram a oferta. De acordo com comunicado da BM&F Bovespa, os investidores que aderiram à proposta detinham papéis equivalentes a 38,28% do total.

Ao lançá-la, em 29 de julho, a Vale condicionou a conclusão do negócio à adesão de acionistas que detivessem, pelo menos, 50% mais uma ação ordinária. A intenção era comprar até 100% dos papéis.

Sem a adesão necessária, a Vale informou que “não adquiriu no leilão quaisquer ações da Paranapanema na oferta.” A mineradora chegou a elevar sua oferta durante o leilão. O preço inicialmente proposto era de 6,30 reais por ação ordinária, que representava um prêmio de 22,4% sobre a média ponderada de fechamento dos pregões dos 90 dias anteriores à apresentação da proposta.

Durante o leilão, porém, a Vale chegou a oferecer 6,75 reais por ação – o que representa 6,34% mais que a oferta inicial. Pela primeira proposta, o valor total poderia alcançar 2,011 bilhões de reais, caso 100% dos investidores aderissem. Com o aumento da oferta, a Vale mostrou que poderia pagar até 2,137 bilhões de reais.

Com a Paranapanema, a Vale aceleraria seus planos de se tornar também um importante competidor no mercado mundial de cobre.

Fonte: Portal Exame

SuperClubs faz acordo com Previ para deixar Sauípe em 2011

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Téo Takar | Valor

SÃO PAULO – A rede de hotéis SuperClubs Breezes chegou a um acordo com a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) e vai deixar a administração do hotel Breezes Bahia, na Costa do Sauípe, a partir de 1º de janeiro de 2011.

Há alguns meses a Previ tentava encerrar o contrato de arrendamento do resort com a rede jamaicana. O Bahia Breezes era o único hotel do complexo que ainda não estava sob direção da Sauípe SA, empresa criada pela Previ para tentar reerguer o empreendimento.

Depois de algumas tentativas frustradas de vender a Costa do Sauípe – um dos interessados foi a própria SuperClubs -, a Previ decidiu investir mais R$ 30 milhões para reformar o empreendimento, que foi relançado em maio deste ano.

Cinco hotéis ganharam a bandeira Sauípe, com diferentes sufixos que identificam perfis de serviços e público: Premium, Class, Park, Fun e Pousadas. Assim como o Bahia Breezes, no passado esses hotéis foram operados por redes diversas, como Sofitel e Marriot, mas que também deixaram o complexo.

O complexo consumiu cerca de R$ 1 bilhão desde a sua inauguração, há cerca de 10 anos, mas nunca deu o retorno esperado. Ele chegou a ser negociado por R$ 200 milhões, em setembro de 2008, para a SuperClubs, que estava associada ao bilionário espanhol Enrique Bañuelos, mas a crise impediu o fechamento do negócio.

Fonte: Valor Online

Brasil Foods é eleita a empresa do ano pela Revista ISTO É Dinheiro

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A empresa Brasil Foods (BRF) foi eleita a Empresa do Ano pela edição “As Melhores da ISTO É Dinheiro 2010” com o prêmio Destaque na Gestão 2010. A publicação deteve a sua atenção nos dados do PIB do primeiro trimestre de 2010. O ranking contempla 500 entre as maiores empresas brasileiras que atuam em 25 setores e, juntas, somam receita líquida de R$ 2,2 trilhões. A BRF também conquistou o primeiro lugar no setor de alimentos.

A Brasil Foods surgiu em 2009, com a fusão das empresas Perdigão e Sadia. Hoje, a empresa está entre as maiores multinacionais brasileiras, com 105 mil funcionários, distribuídos em 64 unidades industriais. Apesar de estar em seu primeiro ano de vida, a Brasil Foods já detém a 10ª posição no mercado mundial de alimentos. A PREVI tem 13,21% de participação na Brasil Foods.

Concedido pela Revista Istoé Dinheiro, uma das mais importantes publicações econômicas do Brasil, o prêmio, em sua sétima edição, avalia as empresas sob os critérios de gestão financeira, responsabilidade social, gestão de recursos humanos, gestão de inovação/qualidade e governança corporativa. Entre os principais fatores que levaram a Brasil Foods à conquista do prêmio, estão a forte atuação global e o reconhecimento em áreas como governança corporativa e sustentabilidade.

Fointe: Previ

Mais problemas em Sauípe

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

por Marcelo Onaga

A rede hoteleira jamaicana SuperClubs entrou com um processo de arbitragem contra a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e dona do complexo hoteleiro Costa do Sauípe, maior empreendimento turístico no Brasil. Segundo fontes do mercado, o contrato de arrendamento do hotel administrado pela SuperClubs em Sauípe terminou no fim de julho e a Previ não estaria disposta a renová-lo. O fundo de pensão, que acumula prejuízos superiores a 300 milhões de reais com o negócio desde sua inauguração, em 2000, tenta vender o complexo há anos e já negociou inclusive com a própria rede jamaicana.

Executivos da SuperClubs alegam que, por contrato, a rede tem direito a renovar o arrendamento e não abrirá mão disso. Executivos da gestora de recursos Angra Partners, que intermediou as conversas entre a Previ e a SuperClubs em 2008, foram chamados para prestar depoimentos sobre o acordo entre as duas partes. Procuradas, a Previ e a SuperClubs não comentam o assunto. (T.B.)

Fonte: Primeiro Lugar Online/Exame

Previ quer investir R$ 3 bilhões em imóveis até 2016

sábado, 7 de agosto de 2010

A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, quer investir R$ 3 bilhões no setor imobiliário nos próximos seis anos para elevar de 3% para 5% o peso desses ativos em sua carteira, disse ontem o diretor de participações do fundo, Marco Geovanne Tobias da Silva.

Os investimentos devem ser feitos no eixo Rio-São Paulo-Brasília, porque serão concentrados em imóveis comerciais. Ele citou ainda possíveis projetos de shoppings em cidades revitalizadas para a Copa do Mundo em 2014 ou para a Olimpíada em 2016, assim como expansão de aeroportos.

“Queremos investir em shoppings que serão construídos ao redor de cidades para a Copa”, afirmou o executivo.

Fonte: Folha de S. Paulo

Petrobras cede à Vale topo do Ibovespa

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Em meio a incertezas sobre capitalização, petroleira perde posto de empresa com maior peso no índice da Bolsa

Petrobras era líder desde janeiro de 2006, quando superou Telemar; recibo de ações do Santander ingressa no índice

TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO

Maior empresa latino-americana, a Petrobras perderá para a Vale o posto de companhia com as ações mais importantes do Ibovespa, termômetro dos negócios na Bolsa brasileira.

O motivo é a diminuição no volume de negócios das ações da estatal nos últimos meses devido às incertezas quanto à capitalização.

Desde o anúncio da capitalização, a Petrobras vem perdendo volume de negócios na Bolsa. Em julho, as ações PN da estatal giraram R$ 6,789 bilhões, segundo a consultoria Economática.

Em maio de 2008, quando o Brasil obteve o selo de grau de investimento das agências de risco, as ações PN da Petrobras chegaram a movimentar R$ 22 bilhões.

No novo Ibovespa, que entra em vigor em setembro, as ações PN (sem voto) da Petrobras deverão ter peso de 9,951% da composição do índice, e os papéis PNA (sem voto, série A) da Vale responderão por 10,804%.

É a primeira vez que as ações da Petrobras perderão o topo do Ibovespa desde janeiro de 2006, quando ocuparam o lugar da Telemar.

Hoje, os papéis PN da Petrobras têm 11,02%, e os PNA da Vale, 10,8% do índice. A Petrobras tem um valor de mercado estimado em R$ 271,05 bilhões, e a Vale, R$ 253,9 bilhões.

O novo Ibovespa também terá, pela primeira vez, os recibos de ações (“Units”) do banco Santander Brasil, que terão 0,96% do índice. Com a entrada do Santander, o Ibovespa passa a ter 66 ações.

O Ibovespa é uma carteira teórica de ações que procura refletir, proporcionalmente, os negócios mais representativos da Bolsa. A revisão do índice acontece a cada quatro meses.

A nova carteira vai vigorar de setembro a dezembro.

Fonte: Folha de S. Paulo

Vale faz oferta de R$ 2 bilhões pela Paranapanema, produtora de cobre

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Denise Luna, com reportagem adicional de Alberto Alerigi Jr.

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Vale anunciou nesta quinta-feira que fará uma oferta pública para aquisição da produtora de cobre Paranapanema, por um valor total de cerca de R$ 2 bilhões.

A Vale quer adquirir 100% das ações da Paranapanema, líder em cobre refinado no Brasil, com 36% na produção.

A oferta será considerada válida desde que consiga no mínimo 50% mais uma ação da empresa, listada e registrada no nível 1 de governança corporativa da BM&FBovespa.

A Previ, maior acionista da Paranapanema, com 24% do capital total, já havia manifestado intenção de vender o ativo, que tem como subsidiárias a Eluma, que recebe o cobre beneficiado na Paranapanema; e a Cibrafértil, uma pequena unidade de fertilizantes.

Ao todo, o pacote inclui cinco plantas industriais, sendo uma da Caraíba Metais (incorporada à Paranapanema em 2009); três da Eluma; e uma da Cibrafértil. A empresa não possui minas.

Além da Previ, integram o capital da companhia a BNDESPar, empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com 17%; o fundo de pensão da Petrobras, Petros, com 12%; e o restante diluído entre outros acionistas.

Por se tratar de uma oferta pública pelo controle da empresa, a Vale informou que não é necessário o registro da operação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A oferta será destinada a todos os acionistas da Paranapanema.

Caso antigo

Em junho deste ano a Previ voltou a estudar a venda da sua participação na empresa, depois de em 2008 ter contratado o UBS para fazer a venda e a Vale ter analisado a compra. O negócio não teve sucesso porque a mineradora queria comprar apenas a Caraíba, segundo se falou mercado.

O preço por ação ordinária a ser pago será de R$ 6,30 reais, correspondendo a um prêmio de 22,4% sobre a média ponderada pelo volume dos preços de fechamento dos pregões dos últimos 90 dias.

“Este preço é superior ao preço por ação apontado no laudo de avaliação da Paranapanema… e apresenta um prêmio de 8,6% sobre o fechamento de ontem (quarta-feira)”, informou a companhia.

Já na abertura, a ação ordinária da Paranapanema disparou cerca de 8%, chegando perto do preço de oferta. Às 11h15m (horário de Brasília), os papéis operavam em alta de 7%, cotados a R$ 6,21.

As ações da Vale não registraram maiores impactos com a notícia, principalmente pelas ações já terem subido expressivamente em função do balanço que será divulgado nesta quinta-feira, depois do fechamento do mercado, no qual se espera um lucro cinco vezes maior do que há um ano por conta da alta de quase 100%o do preço do minério no segundo trimestre.

“Neutro para a Vale mas bom para o acionista da Paranapanema, não tem muito o que agregar para a Vale porque é muito pequena… se for para agregar valor ao cobre que ela (Vale) tem no norte, tinha que ter umas 10 Paranapanemas”, avaliou o analista da SLW Corretora Pedro Galdi.

Galdi observou que, além da escala pequena, a Paranapanema tem uma empresa de fertilizantes que representa apenas 2% do seu faturamento, e que também pouco vai contribuir para esse novo segmento perseguido pela Vale.

“A operação é muito pequena, foge um pouco do negócio da Vale”, completou.

A companhia justificou a aquisição citando seus planos de crescer no segmento de cobre, e que a intenção é utilizar a refinaria da Paranapanema para tratamento do cobre produzido pela mineradora em seus vários projetos.

A Vale tem capacidade de produção de 300.000 toneladas anuais de cobre a partir da mina do Sossego, em Carajás (PA), além do cobre que é subproduto do níquel em Sudbury e Voisey Bay, no Canadá.

A companhia quer se tornar um dos principais produtores de cobre do mundo – hoje é lider na produção de minério de ferro e segunda em níquel – e desenvolve projetos de cobre no Brasil, Salobo, em Carajás, com capacidade de 100.000 toneladas anuais, e outros no Chile (Três Valles), para 18.000 toneladas anuais, previstos para entrar em operação em 2011 e 2010, respectivamente.

A empresa tem ainda o projeto na Zâmbia Konkola North, com capacidade de 40.000 toneladas anuais, que atravessa no momento resistência do sindicato dos trabalhadores locais.

A Vale não informou quando vai publicar o edital com detalhes da oferta programada para o dia 1o de setembro, às 15h.

“Caso a OPA seja bem sucedida, a Vale pretende conduzir estudos que poderão resultar na elaboração de projeto de reorganização corporativa e/ou de ativos”, afirmou em nota.

Fonte: O Globo/Reuters/Brasil Online

Lucro da Vale sobe 344% no segundo trimestre

No primeiro semestre, ganhos da empresa cresceram 105%

O aumento no preço do minério de ferro impulsionou os resultados financeiros da Vale. No segundo trimestre de 2010, a companhia registrou alta de 344,2% no lucro em comparação com igual período do ano anterior, somando R$ 6,635 bilhões.

O desempenho reflete a recuperação de preços e volumes vendidos após a crise financeira mundial, que levou a Vale a fechar minas e a demitir funcionários na virada de 2008 para 2009.

O principal impulso aos números no segundo trimestre deste ano – quando sazonalmente as vendas já crescem – veio do aumento dos preços do minério de ferro. Os valores subiram em torno de 60% ante o primeiro trimestre deste ano.

No primeiro semestre, o lucro da Vale cresceu 105%, para R$ 9,514 bilhões, ante R$ 4,644 bilhões de igual período de 2009, quando a turbulência derrubou as vendas da mineradora e as cotações de seus principais produtos (ferro e níquel).

Em 2010, a companhia mudou o sistema de preço, passando a corrigi-los trimestralmente com base nas cotações do mercado spot (para vendas à vista, de entrega imediata e sem contratos de longo prazo). Mais volátil, o spot subiu em resposta ao consumo maior da China.

Em comunicado, a Vale informou que os investimentos deste ano levam em consideração a necessidade de redução da dependência que a companhia tem do mercado asiático, responsável por 47% de sua receita no segundo trimestre. Descontadas as aquisições, a empresa investiu US$ 2,375 bilhões no trimestre.

Fonte: Canal Rural

Fundos de pensão recebem R$ 1,1 bilhão da PT

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Para receber o cheque de € 7,5 bilhões da Telefónica pela venda de sua participação na Vivo, a Portugal Telecom deixou R$ 3,2 bilhões para os controladores da Oi, Andrade Gutierrez (AG) e La Fonte (LF Tel), e mais R$ 1,1 bilhão para os fundos de pensão das estatais Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Esses desembolsos garantiram que a operação saísse num prazo muito curto.

A Portugal Telecom, que deixa a Vivo e entra na Oi, onde terá cerca de 23% tanto no bloco de controle como de participação econômica, colocará até R$ 8,4 bilhões na nova sociedade, sendo que cerca de 65% desse total será dinheiro novo para fortalecer a empresa. Como parte do negócio, a Oi deverá ter 10% da Portugal Telecom, no lugar hoje ocupado pela Telefónica.

A entrada na Oi é de grande complexidade societária. A transação envolve um aumento de capital de R$ 4,2 bilhões na holding não listada do grupo, a Telemar Participações, onde estão os controladores e o acordo de acionistas, e mais outro, de R$ 12 bilhões, em cada uma das empresas listadas na BM&FBovespa – Tele Norte Leste Participações (TNLP) e Telemar Norte Leste (TMAR).

O ingresso na Telemar Participações envolve R$ 4,7 bilhões. Cada controlador, AG e LF Tel, receberá R$ 1,6 bilhões para que a PT tenha 35% em cada um. Desse valor, só R$ 820 milhões serão repassados por eles à Telemar Participações no aumento de capital. O restante será embolsado. Além disso, a PT pagará R$ 1,1 bilhão para comprar participação direta de 10% nessa holding em mãos dos fundos de pensão e desembolsará R$ 424 milhões no momento do aumento de capital. Terá assim, direta e indiretamente, 23,5% da holding.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e representantes dos fundos de pensão acompanharam de perto, desde o início, as negociações.

Um segundo jornal diz que a entrada da PT (Portugal Telecom) na empresa controladora da Oi deverá ocorrer por meio da venda da participação dos fundos de pensão. A Folha apurou que, na semana passada, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) fechara acordo com Previ (fundo dos funcionários do BB), Funcef (da Caixa) e Petros (Petrobras) o qual previa que teriam de vender sua participação.

Consultados, os fundos negaram a venda. Mas pessoas próximas a essas negociações disseram que a Funcef deverá abrir mão de seus 10%, retirando-se da Oi. Os detalhes dessa negociação serão definidos na próxima semana. Previ e Petros devem continuar no negócio.

Um terceiro jornal nota que a entrada da PT se dará diretamente, com a compra de 10% da fatia da BNDESPar e dos fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa), que hoje detêm 49,9%, e indiretamente.

Fonte: Suporte Educacional/Fontes primárias: Valor + O Estado de S. Paulo + O Globo + Folha de S. Paulo

Trem-bala pagaria 300 quilômetros de metrô

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Custo de R$ 33 bilhões ainda é incógnita,assim como a demanda de passageiros

Renée Pereira

Tão complexo e polêmico quanto a Hidrelétrica de Belo Monte, o trem-bala, entre São Paulo e Rio de Janeiro, ainda é um grande enigma. Embora o edital com as condições do empreendimento já esteja na praça, ninguém consegue dizer ao certo quanto vai custar a obra, qual será o traçado da ferrovia e qual a demanda existente.

Junta-se a essa lista a dúvida dos críticos em relação aos benefícios que a obra trará para a sociedade, já que boa parte dos R$ 33,1 bilhões previstos para o projeto será financiado pelo Tesouro Nacional e terá participação societária do Estado.

Cálculos feitos pelo Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) mostram que o investimento do trem-bala daria para construir 300 km de metrôs em São Paulo (cinco vezes a malha da cidade hoje, de 62,3 km), o suficiente para transportar 15 milhões de pessoas por dia. O valor também daria para construir 11 mil km de ferrovias comuns, para carga ou passageiros.

“Até agora não conseguimos responder se vale a pena ou não construir um Trem de Alta Velocidade (TAV)”, afirma o presidente do Ilos, Paulo Fleury. Na avaliação dele, a principal justificativa do governo para construir o trem-bala já caiu por terra: o projeto não ficará pronto para a Copa do Mundo de 2014 nem para os Jogos Olímpicos, de 2016. O cronograma oficial estipula 2017 para que a obra seja concluída. Portanto, não seria alternativa para desafogar a ponte aérea Rio-São Paulo.

Demora

Alguns exemplos no mundo mostram que até mesmo esse cronograma pode não ser viável para tirar a obra do papel. O TAV coreano, um dos principais interessados no projeto brasileiro, demorou 11 anos para ser concluído. Por aqui, um dos maiores embates deve ficar por conta do licenciamento ambiental. O trem-bala passa pela Serra das Araras e poderá enfrentar resistência por parte dos órgãos ambientalistas, como tem ocorrido nas últimas obras de infraestrutura.

“Mas não fizeram a nova Imigrantes, na Serra do Mar, por meio de túneis? Então não teremos problemas”, afirma o presidente da EDLP – Estação da Luz Participações, Guilherme Quintella, que está formando um fundo para disputar o leilão, marcado para dezembro.

O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, completa que o traçado referencial (constante no edital) foi feito em conjunto com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), que já definiu áreas que não podem ser usadas.

Ele completa que os estudos de impacto ambiental começarão a ser contratados em agosto. “Algumas coisas já podem ser adiantadas sem saber o traçado definido pelo vencedor do leilão”. A expectativa é de que a licença prévia saia no começo do ano que vem. Mas, pela experiência das últimas obras de infraestrutura, não é difícil o processo se complicar.

Outro ponto de interrogação é o valor da obra. Começou com algo em torno de R$ 24 bilhões, subiu para R$ 34,6 bilhões e foi fixado em R$ 33,1 bilhões pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Agora já há investidores que calculam que a obra fique, pelo menos, 30% mais cara que a prevista no edital. Outros, mais radicais, apostam em R$ 50 bilhões ou até R$ 60 bilhões.

Custos

Essa mudança pode ocorrer especialmente porque o governo não fez todas as sondagens geológicas necessárias, conforme o relatório do TCU. No mundo, a situação não é muito diferente. Um exemplo de como os custos podem estourar é o famoso trem-bala que liga a França à Inglaterra, atravessando o Canal da Mancha por um túnel. A obra foi orçada em US$ 9 bilhões, mas custou US$ 19 bilhões. A empresa que administra a ferrovia até hoje luta para não ir à bancarrota.

Figueiredo, da ANTT, diz que as sondagens feitas na área onde será construído o trem-bala são obrigação das empresas que vão construir a obra. Além disso, o valor do investimento é um risco do empreendedor e não terá impacto para o governo. No mercado, as empresas concordam que esse é um risco do investidor. Por isso, todas correm contra o tempo para concluir seus estudos antes da apresentação das propostas, em novembro.

Demanda

A demanda tem sido tão forte que têm faltado empresas de sondagens de solo no mercado para serem contratadas. O resultado, se o valor da obra ficar muito acima do previsto, é que a iniciativa privada não vai dar seus lances. Mas, como essa é uma obra prioritária para o governo, é possível que haja algum arranjo, a exemplo de Belo Monte, para viabilizar o projeto.

Hoje há cinco consórcios sendo formados para disputar o empreendimento: o sul-coreano, o japonês, o chinês, o espanhol e o francês. Nas últimas semanas, além de intensificarem os estudos sobre o trajeto, eles também reforçaram a busca por parceiros. Por enquanto, as empreiteiras brasileiras estão tímidas nesse processo, apesar de a construção civil representar perto 50% dos investimentos do TAV. Elas temem que as previsões de demanda não se concretizem.

Fonte: O Estado de S.Paulo

Previ mira investimentos em redes de varejo no País

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Setor é um dos poucos em que o maior fundo de pensão do Brasil, com patrimônio de R$ 140 bilhões, ainda não investe

Mônica Ciarelli – O Estado de S.Paulo

A Previ, maior fundo de pensão do País, com um patrimônio de aproximadamente R$ 140 bilhões, decidiu mirar as grandes empresas de varejo, setor que cresceu nos últimos anos na esteira do aumento da renda da população brasileira. Segundo o presidente da fundação, Ricardo Flores (foto), a Previ vem mapeando o setor com intenção de comprar uma participação acionária em empresas de varejo, um dos poucos setores onde a fundação ainda não tem investimentos.

“Esse é um mercado interessante, pujante e que enxergamos boas oportunidades de ganho”, afirmou. No ano passado, a entidade ganhou mais fôlego para investimento com a mudança nas regras para os fundos de pensão, que elevou de 50% para 70% o limite das aplicações em renda variável. Antes, a Previ estava desenquadrada e precisava anualmente vender participações acionárias para tentar cumprir um acordo fechado com a Secretaria de Previdência Complementar (SPC), que previa a redução da fatia em renda variável para 50% até 2014.

Alvos. Flores não quis revelar se a entidade já está em negociações com alguma rede, mas adiantou que o alvo não precisa ser uma companhia de capital aberto. Segundo o executivo, o recente aumento do poder aquisitivo da população, especialmente das classes C e D, vem ampliando a lucratividade das companhias de varejo, que dependem basicamente do comportamento do mercado interno.

O presidente da Previ destacou ainda que o crescimento do mercado foi um dos fatores que garantiu ao Brasil uma passagem mais tranquila pelo epicentro da crise financeira internacional deflagrada em setembro de 2008

Fonte: O Estado de S. Paulo