Denise Luna, com reportagem adicional de Alberto Alerigi Jr.
RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Vale anunciou nesta quinta-feira que fará uma oferta pública para aquisição da produtora de cobre Paranapanema, por um valor total de cerca de R$ 2 bilhões.
A Vale quer adquirir 100% das ações da Paranapanema, líder em cobre refinado no Brasil, com 36% na produção.
A oferta será considerada válida desde que consiga no mínimo 50% mais uma ação da empresa, listada e registrada no nível 1 de governança corporativa da BM&FBovespa.
A Previ, maior acionista da Paranapanema, com 24% do capital total, já havia manifestado intenção de vender o ativo, que tem como subsidiárias a Eluma, que recebe o cobre beneficiado na Paranapanema; e a Cibrafértil, uma pequena unidade de fertilizantes.
Ao todo, o pacote inclui cinco plantas industriais, sendo uma da Caraíba Metais (incorporada à Paranapanema em 2009); três da Eluma; e uma da Cibrafértil. A empresa não possui minas.
Além da Previ, integram o capital da companhia a BNDESPar, empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com 17%; o fundo de pensão da Petrobras, Petros, com 12%; e o restante diluído entre outros acionistas.
Por se tratar de uma oferta pública pelo controle da empresa, a Vale informou que não é necessário o registro da operação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A oferta será destinada a todos os acionistas da Paranapanema.
Caso antigo
Em junho deste ano a Previ voltou a estudar a venda da sua participação na empresa, depois de em 2008 ter contratado o UBS para fazer a venda e a Vale ter analisado a compra. O negócio não teve sucesso porque a mineradora queria comprar apenas a Caraíba, segundo se falou mercado.
O preço por ação ordinária a ser pago será de R$ 6,30 reais, correspondendo a um prêmio de 22,4% sobre a média ponderada pelo volume dos preços de fechamento dos pregões dos últimos 90 dias.
“Este preço é superior ao preço por ação apontado no laudo de avaliação da Paranapanema… e apresenta um prêmio de 8,6% sobre o fechamento de ontem (quarta-feira)”, informou a companhia.
Já na abertura, a ação ordinária da Paranapanema disparou cerca de 8%, chegando perto do preço de oferta. Às 11h15m (horário de Brasília), os papéis operavam em alta de 7%, cotados a R$ 6,21.
As ações da Vale não registraram maiores impactos com a notícia, principalmente pelas ações já terem subido expressivamente em função do balanço que será divulgado nesta quinta-feira, depois do fechamento do mercado, no qual se espera um lucro cinco vezes maior do que há um ano por conta da alta de quase 100%o do preço do minério no segundo trimestre.
“Neutro para a Vale mas bom para o acionista da Paranapanema, não tem muito o que agregar para a Vale porque é muito pequena… se for para agregar valor ao cobre que ela (Vale) tem no norte, tinha que ter umas 10 Paranapanemas”, avaliou o analista da SLW Corretora Pedro Galdi.
Galdi observou que, além da escala pequena, a Paranapanema tem uma empresa de fertilizantes que representa apenas 2% do seu faturamento, e que também pouco vai contribuir para esse novo segmento perseguido pela Vale.
“A operação é muito pequena, foge um pouco do negócio da Vale”, completou.
A companhia justificou a aquisição citando seus planos de crescer no segmento de cobre, e que a intenção é utilizar a refinaria da Paranapanema para tratamento do cobre produzido pela mineradora em seus vários projetos.
A Vale tem capacidade de produção de 300.000 toneladas anuais de cobre a partir da mina do Sossego, em Carajás (PA), além do cobre que é subproduto do níquel em Sudbury e Voisey Bay, no Canadá.
A companhia quer se tornar um dos principais produtores de cobre do mundo – hoje é lider na produção de minério de ferro e segunda em níquel – e desenvolve projetos de cobre no Brasil, Salobo, em Carajás, com capacidade de 100.000 toneladas anuais, e outros no Chile (Três Valles), para 18.000 toneladas anuais, previstos para entrar em operação em 2011 e 2010, respectivamente.
A empresa tem ainda o projeto na Zâmbia Konkola North, com capacidade de 40.000 toneladas anuais, que atravessa no momento resistência do sindicato dos trabalhadores locais.
A Vale não informou quando vai publicar o edital com detalhes da oferta programada para o dia 1o de setembro, às 15h.
“Caso a OPA seja bem sucedida, a Vale pretende conduzir estudos que poderão resultar na elaboração de projeto de reorganização corporativa e/ou de ativos”, afirmou em nota.
Fonte: O Globo/Reuters/Brasil Online
Lucro da Vale sobe 344% no segundo trimestre
No primeiro semestre, ganhos da empresa cresceram 105%
O aumento no preço do minério de ferro impulsionou os resultados financeiros da Vale. No segundo trimestre de 2010, a companhia registrou alta de 344,2% no lucro em comparação com igual período do ano anterior, somando R$ 6,635 bilhões.
O desempenho reflete a recuperação de preços e volumes vendidos após a crise financeira mundial, que levou a Vale a fechar minas e a demitir funcionários na virada de 2008 para 2009.
O principal impulso aos números no segundo trimestre deste ano – quando sazonalmente as vendas já crescem – veio do aumento dos preços do minério de ferro. Os valores subiram em torno de 60% ante o primeiro trimestre deste ano.
No primeiro semestre, o lucro da Vale cresceu 105%, para R$ 9,514 bilhões, ante R$ 4,644 bilhões de igual período de 2009, quando a turbulência derrubou as vendas da mineradora e as cotações de seus principais produtos (ferro e níquel).
Em 2010, a companhia mudou o sistema de preço, passando a corrigi-los trimestralmente com base nas cotações do mercado spot (para vendas à vista, de entrega imediata e sem contratos de longo prazo). Mais volátil, o spot subiu em resposta ao consumo maior da China.
Em comunicado, a Vale informou que os investimentos deste ano levam em consideração a necessidade de redução da dependência que a companhia tem do mercado asiático, responsável por 47% de sua receita no segundo trimestre. Descontadas as aquisições, a empresa investiu US$ 2,375 bilhões no trimestre.
Fonte: Canal Rural