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Governo quer fundos de pensão estatais nos consórcios que disputarão Belo Monte

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Governo também usará subsidiárias da Eletrobrás para leilão da usina ter concorrência. Funcef negocia com Odebrecht

Geralda Doca e Vivian Oswald

Garantida a licitação da usina de Belo Monte, o grande obstáculo agora é a formação de pelo menos dois consórcios para garantir a disputa, que é ancorada na menor oferta de tarifa de energia. Tudo indica que as subsidiárias da Eletrobrás – especialmente Furnas e Eletronorte – e os fundos de pensão – ao menos Previ e Funcef – serão divididos pelo governo para garantir essas duas frentes no leilão.

Até porque a liderança das empreiteiras no processo causa desconfiança e desistência entre os demais agentes privados.

Os fundos de pensão abriram ontem seus planos. O presidente da Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica Federal), Guilherme Lacerda, informou que já está negociando parceria com a Odebrecht. Ele afirmou que a entidade assinou um termo de compromisso com a construtora para decidir as condições em que vai participar do leilão. A Funcef tem uma disponibilidade de R$ 600 milhões, dos R$ 2 bilhões que vai aplicar no setor de infraestrutura em 2010.

- Temos disposição em entrar (em Belo Monte). A hidrelétrica é um investimento importante – disse Lacerda.

- É saudável a concorrência e não vamos entrar com Petros e Previ neste projeto.

A diretoria da Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) se reuniu ontem e informou que já começou a discutir as oportunidades abertas por Belo Monte.

O fundo estuda parceria com uma construtora. A Petros anunciou que também já vinha estudando entrar em Belo Monte e, agora que saiu o licenciamento ambiental, vai correr para entrar no empreendimento – individualmente ou em parceria com fundos.

Funcef avalia entrar no consórcio de Jirau

A legislação permite que os fundos de pensão apliquem em infraestrutura até 20% de seu patrimônio líquido. As principais entidades estão se movimentando para o governo permitir a elas oferecerem títulos do governo como garantia até o valor da participação nesse empreendimento. Hoje, isso não é permitido.

De olho em Belo Monte, representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) procuraram os responsáveis pela fiscalização dos fundos de pensão no governo no fim de 2009, preocupados em estimular a concorrência. O órgão regulador queria detalhes sobre como as entidades investem e os limites.

No edital de Belo Monte não poderão concorrer fundos deficitários ou com dívidas.

Lacerda afirmou ainda que a Funcef não participou do leilão da usina de Jirau, no rio Madeira, em 2009, mas mudou de ideia e está negociando a compra de metade da participação da Camargo Corrêa na usina.

Vale e Neoenergia podem disputar Belo Monte juntas

No setor privado, as construtoras Camargo Corrêa e Odebrecht já avisaram que entrarão juntas no leilão de Belo Monte.

Agentes de mercado esperam que a rival Andrade Gutierrez lidere outro grupo. Segundo fontes do setor, o processo está muito concentrado nas mãos das empreiteiras – até porque elas comandaram os estudos de viabilidade técnica e econômica – e há desconfiança dos grandes operadores do mercado.

Os atores se queixam da falta de informações, que, em última instância, consideram falta de transparência. A questão atrapalha conversas entre empresas que poderiam formar consórcio. Seria o caso do grupo Vale Energia, que estava nascendo da união de Vale e Neoenergia.

Do ponto de vista econômico, o principal desafio é o alto risco do empreendimento, pois Belo Monte é um gigante encravado na Amazônia. O investimento é estimado pela iniciativa privada em ao menos R$ 30 bilhões – o governo estima o projeto entre R$ 17 bilhões e R$ 20 bilhões.

Além disso, foram impostas condicionantes socioambientais pelo órgão licenciador.

- Este pode ser um empecilho – diz o presidente da consultoria Andrade & Canellas, João Carlos Mello, ressaltando que o orçamento será o determinante da demanda no leilão.

Fonte: O Globo

Investimentos da Previ: “Superelétrica” terá mais de um terço do mercado brasileiro

domingo, 31 de janeiro de 2010

Com apoio do Planalto, Camargo Corrêa pretende comprar o controle da Eletropaulo, da AES Sul e da Neoenergia

Governo atua para formar grandes empresas de capital nacional, tendo o BNDES como o principal financiador dessas operações no país

LEONARDO SOUZA
LEILA COIMBRA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A empreiteira Camargo Corrêa recebeu o aval do Palácio do Planalto para constituir uma superelétrica na área de distribuição de energia.

A construtora assumiu no ano passado o comando da CPFL e conta agora com o apoio do governo para comprar o controle da Eletropaulo e da AES Sul, além de adquirir da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) e do BB a sua participação no grupo Neoenergia.

Se concretizadas as duas operações, a empreiteira terá nas mãos uma gigante que abastecerá mais de um terço do mercado nacional, incluindo praticamente todo o Estado de São Paulo -o mais rico do país- e três Estados do Nordeste, região atualmente com o maior potencial de crescimento.

Segundo pessoas próximas às transações ouvidas pela Folha, o presidente da Previ, Sérgio Rosa, abriu negociação com a Camargo Corrêa por interferência direta do Planalto.

Como a Previ possui participação relevante tanto na CPFL (31% das ações ordinárias, sendo 23% delas ligadas ao bloco de controle) quanto na Neoenergia (49% do capital total), há conflito de interesses.

Hoje os representantes da Previ precisam sair das salas de decisões da CPFL quando são discutidos detalhes sobre as negociações em curso para aquisições de outras distribuidoras de energia.

A fusão com a CPFL resolveria o conflito, porém a Previ passaria a ser minoritária na nova empresa, perdendo a gestão da Neoenergia. Marcelo Corrêa, atual presidente do grupo, é indicação do fundo de pensão do BB.

Grupos nacionais

Não é a primeira vez que o governo atua para formar grandes empresas de capital nacional, tendo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como o principal financiador dessas operações.

Entre 2008 e 2009, o banco estatal injetou quase R$ 7 bilhões para viabilizar a incorporação da Brasil Telecom pela Oi. Em 2007, o BNDES comprou cerca de R$ 4 bilhões em ações (a valores de 2009) dos frigoríficos JBS e Bertin, o que possibilitou a fusão dos dois grupos no ano passado.

No caso da BrT-Oi, o presidente Lula ainda teve que editar um decreto sob medida para permitir a união das duas empresas.

O setor elétrico está na esfera de influência direta da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), candidata à sucessão presidencial. Ela comandou a pasta de Minas e Energia no primeiro mandato do presidente Lula. Todos os grandes temas da área passam por sua mesa.

Concentração

A formação da superelétrica não enfrentará impedimento legal. Em 2008, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) derrubou a última barreira regulatória contra concentrações no setor. A operação, contudo, teria de passar também pelos órgãos brasileiros de defesa da concorrência.

Até então, a legislação limitava a participação dos investidores nas concessionárias da seguinte forma: até 20% no mercado nacional e até 25% nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No Norte e no Nordeste a limitação era de 35%.

Segundo Jerson Kelmann, ex-diretor-geral da Aneel, a resolução 299, de 8 de janeiro daquele ano, extinguiu os tetos existentes.

As negociações para a fusão com a Neoenergia estão bem avançadas. O outro sócio da empresa, a espanhola Iberdrola, sofreu bastante com a crise financeira internacional e está bastante descapitalizado. Assim, dificilmente teria condições e interesse em comprar as participações da Previ e do Banco do Brasil.

No caso da Eletropaulo e da AES Sul, entretanto, a Camargo Corrêa ainda precisa superar alguns obstáculos.

As duas distribuidoras estão sob o guarda-chuva da empresa AES Brasiliana, que existe só no papel. O BNDES tem 53,85% dessa empresa, mas a operação das duas concessionárias (e também da geradora AES Tietê) é da americana AES.

Para vender sua participação na Brasiliana, o BNDES contratou o Citibank para elaborar a modelagem da operação. Pela legislação atual, o BNDES não pode negociar diretamente com nenhuma companhia interessada. A oferta das ações tem que ser feita em leilão.

Além disso, a AES tem direito de preferência na parte do banco e, neste momento, está capitalizada -a matriz recebeu uma injeção de US$ 2 bilhões do fundo soberano chinês, que adquiriu 15% da AES Corp.

Com o apoio do governo, contudo, a Camargo Corrêa espera entrar num acordo com os norte-americanos para que eles aceitem ceder o controle das duas distribuidoras. No passado, a AES chegou a anunciar que tinha a intenção de sair do país. Mas agora o discurso da empresa é o de permanecer ou mesmo de aumentar a sua presença no Brasil.

O interesse da Camargo se concentra na distribuição. No caso de uma união entre CPFL, Eletropaulo e Neoenergia, a maior sinergia estaria na ligação entre as duas primeiras, principalmente devido à proximidade geográfica, o que facilitaria o deslocamento de equipes para a manutenção das redes, por exemplo.

A CPFL está presente na grande maioria dos municípios do interior paulista. Já a Eletropaulo congrega a região metropolitana.

Fonte: Folha de S. Paulo

Previ e Funcef vão disputar Belo Monte

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fundos de pensão devem participar de grupos rivais no leilão da usina

Mônica Ciarelli e Natália Gomez, RIO

Em lados opostos, dois dos principais fundos de pensão do País, a Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) e a Funcef (Caixa Econômica Federal), vão participar da disputa pela Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Ontem, o presidente da Previ, Sérgio Rosa, revelou que vem articulando a formação de um consórcio que deverá reunir a mineradora Vale, a CPFL Energia e o Grupo Neoenergia, três empresas nas quais o fundo participa do bloco de controle.

“As empresas estão interessadas e têm conversado entre si”, afirmou. Já a Funcef deve entrar na disputa ao lado da Construtora Odebrecht. Segundo o presidente do fundo, Guilherme Lacerda, a parceria deve ser assinada em breve. “Queremos entrar no empreendimento desde o início”, disse.

Segundo ele, o negócio despertou o interesse da fundação por causa das boas taxas de retorno. “A previsão é que o Brasil crescerá sem grandes solavancos, o que vai estimular a demanda por energia.”

Investimentos no setor de infraestrutura são bastante comuns entre os fundos de previdência em razão do caráter do negócio, com retorno de longo prazo. Isso facilita o planejamento atuarial dessas entidades, que buscam garantir o pagamento de benefícios futuros aos seus participantes.

O presidente da Previ não descartou a entrada de outros parceiros no consórcio, mas negou a participação do grupo franco-belga Suez Energy, como chegou a ser noticiado. “Neste momento, não tem mais gente, mas pode ser que mais à frente entrem outros”, disse.

Para o diretor de Participações da Previ, Joilson Ferreira, a associação de companhias controladas pela fundação em um só consórcio eliminaria possíveis conflitos de interesse no processo de licitação de Belo Monte. “Para a Previ, é bem mais confortável elas estarem juntas”, disse.

A razão, explica ele, é que no dia do leilão os consórcios ficam isolados em salas tomando decisões sobre os lances a serem feitos. “Seria complicado se cada uma ficasse num consórcio. Íamos ter que sair da sala ou escolher uma sala para ficar”, disse.

O governo ainda não definiu o investimento do setor privado na Hidrelétrica de Belo Monte, que contará com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que pode chegar a 80% dos itens financiáveis do projeto.

Ferreira acredita que o governo, representado pelo Grupo Eletrobrás, deve ficar com 49% do projeto e o restante, com o consórcio vencedor. “Não está fechado, mas para a Previ seria melhor elas irem juntas”, afirmou.

OUTROS INTERESSES

Além do interesse em Belo Monte, os dois fundos de pensão olham com atenção para o setor imobiliário. Durante o lançamento, ontem, de um Manual de Governança Corporativa para o setor imobiliário, a Previ informou que pretende dobrar seus investimentos em imóveis nos próximos cincos anos.

A expectativa é que a conquista, pelo Brasil, das sedes da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 deve ajudar nesse desafio.

Hoje, o fundo de pensão tem R$ 3,4 bilhões aplicados nesse segmento, que representa cerca de 3% do patrimônio total da Previ (R$ 130 bilhões). Pelas novas regras para o setor anunciadas no mês passado, as fundações podem alocar até 8% de seus ativos em imóveis.

Segundo ele, a intenção é ampliar investimentos em prédios comerciais, shopping centers e galpões industriais. Já hotéis estão fora do foco do fundo, que recentemente vendeu o Hotel Meridien no Rio de Janeiro, mas, ainda tem em sua carteira o complexo turístico Costa do Sauipe, na Bahia.

Atualmente, contou o executivo, existe uma demanda por imóveis comerciais no Brasil. A procura deve crescer ainda mais com os dois eventos e também com expectativa em torno da exploração de petróleo na camada pré-sal.

Já Lacerda, da Funcef, revela que o fundo tem R$ 400 milhões disponíveis para investimentos em fundos imobiliários. Atualmente, a fundação está investindo em edifícios comerciais, shoppings e galpões para logística.

Fonte: Estadão

Fundos de pensão se voltam à infraestrutura

sábado, 3 de outubro de 2009

Queda de juros obriga instituições a buscar alternativas de rendimento, como energia elétrica, trem-bala e pré-sal

Natalia Gómez

Atentos à necessidade de diversificar seus investimentos em um cenário de juros baixos, que reduzem o retorno dos títulos públicos, os fundos de pensão brasileiros estão analisando investimentos no setor de infraestrutura, em especial na área de energia e transportes. Projetos como a Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), e o trem-bala entre São Paulo e Rio estão entre os focos de atenção dos fundos, que também avaliam a entrada em investimentos em novos negócios via Fundos de Investimentos em Participações (FIP). A capitalização da Petrobrás, prevista para ocorrer no ano que vem, deve ser outra destinação dos recursos das fundações que já participam da empresa.

A Petros, segundo maior fundo de pensão do Brasil, poderá destinar de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão para o setor de energia elétrica, caso concretize sua intenção de participar dos projetos de hidrelétricas em Belo Monte e Jirau. Segundo o presidente da entidade, Wagner Pinheiro, o fundo estuda participar de algum consórcio no leilão da Belo Monte, previsto para ocorrer ainda este ano. Essa participação deve ocorrer em parceria com a CPFL, empresa de energia em que a Petros participa do bloco de controle.

A Previ, maior fundo de pensão do País, deve participar do projeto apenas de forma indireta, por suas controladas no setor (CPFL e Neoenergia), segundo o diretor de participações da Previ, Joilson Rodrigues. A participação da Petros em Jirau, no Rio Madeira (RO), se daria por meio da compra da participação da Camargo Corrêa no projeto, em parceria com o Funcef. Na opinião de Pinheiro, o setor de energia tem muita sinergia com os fundos de pensão porque são investimentos de longo prazo, com baixos riscos, além de ter um marco regulatório consolidado.

Outro foco da Petros no setor de infraestrutura é o trem-bala. No mês que vem, o fundo terá uma reunião com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre o assunto.

Já a fundação dos funcionários do Banco do Brasil também está atenta ao segmento de shoppings centers e escritórios comerciais por causa da boa rentabilidade desse tipo de investimento. Segundo Rodrigues, há a possibilidade de avançar em galpões industriais. Atualmente, o fundo tem R$ 3 bilhões em carteira no setor imobiliário, mas tem espaço para crescer porque aplica menos de 3% do seu patrimônio nesses ativos, enquanto o limite é de 8%.

Além da capitalização da Petrobrás, que interessa tanto á Previ como à Petros, o pré-sal também desperta o interesse dos fundos de pensão. As duas entidades poderão investir nessa área por meio de Fundos de Investimento em Participações (FIPs). No caso da Petros, os investimentos no pré-sal podem chegar a R$ 1,5 bilhão. “Há um universo grande de oportunidades relacionadas ao pré-sal”, disse Luis Carlos Afonso, diretor financeiro e de investimentos da Petros.

Apesar das novas normas para o setor anunciadas no último dia 24 pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que permitem uma exposição maior a investimentos no exterior (de 3% para 10%), nenhum dos fundos manifestou interesse em partir para o mercado externo no curto prazo. Segundo o secretário da Secretaria de Previdência Complementar (SPC), Ricardo Pena Pinheiro, poucos fundos de previdência estão habilitados para fazer este tipo de movimento no curto prazo.

Fonte: Estadão