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Bancos dizem que tarifas caíram, mas Idec contesta dados

sábado, 1 de maio de 2010

Anne Dias

Dois levantamentos diferentes sobre tarifas bancárias mostram resultados contraditórios: um diz que houve redução, outro afirma que aconteceram aumentos.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) divulgou que a maior parte das taxas apresentou queda nos dois últimos anos, desde abril de 2008, quando foram regulamentadas as tarifas bancárias pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) e pelo Banco Central.

Mas o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) refuta a informação. Segundo a entidade, em 21 bancos (entre 30), o reajuste superou o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, índice “oficial” de inflação) acumulado no período (9,88%).

O consumidor também tem de saber que os bancos não podem cobrar por todos os serviços (veja no quadro ao lado quais são os serviços grátis). É o que diz a regulamentação do CMN.

De acordo com a pesquisa da Febraban, de um total de 30 serviços bancários cuja cobrança foi regulamentada, 23 registraram redução e apenas seis apresentaram aumento de valores.

A diminuição mais expressiva, de 72%, foi para os serviços de cheque de transferência bancária, utilizado para transferências de recursos de salários de uma instituição para outra.
33 vezes acima da inflação

O Idec acompanhou de perto dez dos maiores bancos no Brasil –aqueles que têm mais de um milhão de clientes.

Na lista, estavam: Banco do Brasil, Banco Real, Banrisul, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Nossa Caixa, Santander e Unibanco. O estudo foi feito entre abril de 2008 e fevereiro deste ano. Os reajustes acontecem a cada seis meses.

No levantamento, o Idec observou que em muitos casos o reajuste de algumas tarifas superou a inflação pelo IPCA.

Houve banco que reajustou a folha de cheque em até 33 vezes o IPCA. Outra constatação foi a tarifa para cheques de transferência bancária, que subiu 21,2 vezes em relação à inflação.

Segundo o Idec, o único banco que não reajustou nenhuma das tarifas avulsas foi a Caixa Econômica Federal. E o que mais promoveu reajustes foi o Banrisul, que aumentou dez tarifas em percentuais bem acima da inflação.

“Mas isso acabou acontecendo porque as tarifas do Banrisul estavam bem abaixo da média do mercado”, diz a economista do Idec Ione Amorim.

“O objetivo da resolução do CMN era promover a concorrência entre os bancos, mas isso não está acontecendo”, afirma Amorim.

Segundo a economista, os reajustes foram maiores nos pacotes menores. “Neste caso, os aumentos foram de 30% a 70%.”

Diferenças entre pesquisas

O Idec diz que a diferença de resultados entre os dois levantamentos ocorre porque a Febraban analisou a média de tarifas de 20 instituições, e a maioria delas não teria representatividade nacional.

O órgão de defesa do consumidor afirma que, em sua pesquisa, acompanhou a evolução das tarifas dos maiores bancos do país, de acordo com o ranking do Banco Central (BC).

Além disso, segundo o Idec, a análise da Febraban não leva em conta os pacotes de serviço, apenas as tarifas avulsas, embora a própria entidade admita que 60% das pessoas físicas aderiram às cestas.

O outro lado

A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) sustenta os resultados de seu levantamento. “Dos 30 serviços bancários acompanhados, 23 tiveram redução na tarifa”, diz Ademiro Vian, diretor adjunto de produtos e financiamentos da Febraban.

Vian afirma que, nesse levantamento, o preço da folha de cheque não subiu e que as tarifas para transferência de dinheiro entre contas caíram 42%. “E os bancos que fizeram reajustes aumentaram os preços abaixo da inflação”, diz Vian.

Segundo ele, a competividade entre os bancos depende do apetite de cada instituição para conquistar novos clientes. “E hoje em dia é possível comparar as tarfias porque elas têm os mesmos nomes em todos os bancos.”

O que fazer?

O raciocínio óbvio para contornar esta situação é trocar de banco. Mas isso nem sempre é fácil.

E tem outra: seu banco pode cobrar algumas tarifas maiores e outras menores, o que, no final das contas, pode significar que mudar de instituição não adiante nada.

“O Idec orienta o consumidor a analisar o pacote que ele está usando. Às vezes trocar esse pacote já pode ser uma boa saída”, afirma Amorim.

Você também pode comparar as tarifas pela Febraban, que divulga os preços praticados pelo mercado financeiro. Veja aqui.

Para Vian, porém, só deve trocar de banco quem mudou de enderço ou de emprego e tem uma nova conta-salário. “Cada vez que o consumidor troca de banco precisa começar um novo relacionamento com a instituição”, afirma.

Fonte (Texto e Infográfico): UOL Economuia

Governo quer cobrar mais de banco por benefício do INSS

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Em nova disputa com setor, governo propõe pagamento de R$ 1,68 por benefício, o que pode render mais de R$ 500 mi/ano

Bancos já pagarão para repassar novos benefícios, mas proposta do governo quer incluir pagamento por benefícios já concedidos

SHEILA D’AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governo e os bancos travam nova batalha nos bastidores. Após disputa por conta do leilão que definiu quanto o INSS cobrará das instituições para que elas administrem os pagamento das aposentadorias, pensões e auxílios que serão concedidos a partir de 2010, agora o governo quer que os bancos paguem, também, pelos benefícios do INSS que já estão em vigor.

Segundo a Folha apurou, a proposta apresentada aos bancos em carta entregue à Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) nos últimos dias pela área técnica do INSS é a de usar como base o valor médio oferecido pelos bancos vencedores do leilão de agosto: R$ 1,68.

Considerando que a ideia é aplicar esse valor médio ao estoque de 26,871 milhões de benefícios já concedidos, isso pode significar uma arrecadação mensal de cerca de R$ 45 milhões para os cofres públicos. O montante pode variar, já que alguns benefícios são temporários, como auxílio-doença.

Somando a esse total a expectativa de arrecadação com os novos benefícios concedidos a partir de 2010, a receita global para o governo pode chegar a R$ 548 milhões por ano, reforçando as contas públicas num momento de queda na arrecadação de tributos.

A proposta gerou irritação entre os bancos que, até 2007, recebiam cerca de R$ 265 milhões por ano do INSS para prestar o serviço. Os dirigentes dos principais bancos discutem a pendência e ameaçam suspender os pagamentos ou levar o tema à Justiça.

A Febraban (associação dos bancos) disse, por meio de sua assessoria, que a negociação será feita diretamente com os bancos envolvidos.

O imbróglio tem que ser resolvido até o final deste mês, quando termina o acordo entre o INSS e o sistema financeiro que suspende a cobrança de qualquer pagamento. O acerto foi fechado em 2007, no auge da onda de venda de folhas de pagamento.

Na época, governos estaduais e prefeituras abriram uma fonte de receita leiloando a administração de suas folhas de pagamento. Cobravam dos bancos, que garantiam do dia para noite a exclusividade de operar com uma clientela com renda estável e que podia consumir diversos produtos e serviços bancários.

Diante desse quadro, a área técnica do Ministério da Fazenda viu que o INSS tinha em mãos um ativo valioso e decidiu reverter a situação: em vez de receber, os bancos deveriam pagar para ter acesso aos beneficiários do instituto. Até definir como isso seria feito, os pagamentos aos bancos foram suspensos. A data para a solução foi marcada para dezembro deste ano.

Os bancos ameaçaram boicotar o leilão, em agosto. Mas cederam na última hora, depois de o governo ameaçar usar os bancos públicos para garantir o leilão. Dez instituições financeiras disputaram os 26 lotes em que o país foi dividido e sete arremataram (Bradesco, Mercantil, Itaú, Banco do Estado do Rio Grande do Sul, Santander, Caixa e Banco do Brasil).

Bancos públicos

A decisão de cobrar também pelo estoque afetará diretamente os bancos públicos, que estão entre os maiores pagadores dos benefícios.

O Banco do Brasil é o primeiro da lista, sendo responsável pelo pagamento de 24,58% do total de benefícios, seguido por Bradesco, com 17,71%, Caixa, com 17,46%, e Itaú, com 10,81%.

Banco do Brasil e Caixa estão numa posição delicada. Apesar de serem contra a cobrança porque terão que arcar com a maior parte da conta, não podem se rebelar contra o governo. Muito menos têm condições de aderir a um boicote para forçar o governo a fazer uma nova proposta.

Segundo a Folha apurou, a ideia dos bancos era deixar o estoque sem cobrança. O setor alega que não é possível extrapolar o preço oferecido no leilão para o estoque porque se trata de outra realidade.

Fonte: Folha de S. Paulo

Bancos iniciam pagamento eletrônico de boletos nesta segunda-feira

domingo, 18 de outubro de 2009

Na segunda-feira, começa a funcionar o sistema eletrônico de pagamento de boletos, o Débito Direto Autorizado

Andrea Vialli

Na segunda-feira, os bancos começam a oferecer o Débito Direto Autorizado (DDA), novo serviço de apresentação eletrônica de boletos que pretende pôr fim à papelada. Pessoas e empresas passarão a ver os boletos de contas a pagar pela internet e caixa eletrônicos de bancos e podem autorizar ou não o pagamento automaticamente.

No início, estarão disponíveis boletos de condomínio, cartão de crédito, plano de saúde, escola e assinaturas de publicações, entre outras. Contas de água, luz, gás e telefone ficarão fora no primeiro momento – dependem de ajustes.

O sistema é facultativo e, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), traz vantagens, como segurança, rapidez e economia de papel. “No sistema convencional, o tempo entre a emissão do boleto e a chegada do documento às mãos do cliente é de cerca de oito dias; com o DDA, passa a ser de 48 horas”, explica Walter Tadeu Pinto de Faria, assessor técnico da Febraban.

Os interessados no novo sistema devem se cadastrar nos bancos – nas agências, nos sites dos bancos, por telefone e caixas eletrônicos. Mas é preciso ficar atento aos e-mails falsos, que já circulam na internet. “Os bancos não enviarão e-mails aos clientes solicitando o cadastramento. É preciso ficar atento, pois já há fraudes relacionadas ao sistema.”

Se tanto o cliente pagador quanto o recebedor estiverem cadastrados, será possível visualizar o boleto pelo DDA. Todos os dados ficam armazenados na Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP).Uma vez emitidos os boletos pelo sistema, o banco no qual o pagador se cadastrou realizará a busca, no DDA, de todos os boletos de cobrança de seu cliente e os colocará para consulta.

O pagamento, no entanto, continua ficando a cargo do cliente, o que diferencia o DDA do débito automático. “A diferença entre o DDA e o débito automático é que no primeiro não há pré autorização do cliente para o débito. Pelo DDA, é possível visualizar os boletos, mas a autorização para pagamento cabe ao cliente”, diz Ângelo Fernandes, superintendente de Produtos do Itaú.

Ele explica que os clientes têm a opção de escolher ser avisados, por e-mail ou mensagem SMS no celular, quando tiverem boletos a pagar. “Mas o e-mail será só para avisar que chegou boleto. Jamais enviaremos um boleto anexado ao e-mail, por questões de segurança”, frisa Fernandes. Com o sistema, será possível verificar também a existência de boletos por meio dos caixas eletrônicos dos bancos.

No caso de atraso de pagamento, o cliente deve pedir ao seu banco informações atualizadas sobre o boleto vencido e se dirigir ao banco emissor para fazer o pagamento. Não será possível, explica Faria, da Febraban, imprimir um boleto exibido pelo DDA para fazer o pagamento em qualquer banco.

O desenvolvimento do DDA levou um ano e meio. A Febraban investiu R$ 20 milhões apenas na etapa inicial do projeto, que deve consumir mais R$ 77 milhões nos próximos nove anos. A adesão foi grande: 70 instituições.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

O que é o DDA?
O Débito Direto Autorizado (DDA) é um novo serviço de apresentação eletrônica de boletos, que os bancos oferecerão aos seus clientes a partir da próxima segunda-feira, dia 19

Como participar do DDA?
O cliente se cadastra como “sacado eletrônico” em um ou mais bancos nos quais tem conta. A empresa que receberá o pagamento (cedente) se cadastra no banco de seu relacionamento, para que suas cobranças sejam registradas e emitidas pelos bancos. Se o pagador e o recebedor estiverem cadastrados, será possível visualizar o boleto eletrônico pelo DDA

Quais boletos serão apresentados no DDA?
Poderão ser visualizados os boletos de cobrança, também conhecidos como ficha de compensação ou bloqueto de cobrança. Contas de condomínio, planos de saúde, mensalidades escolares, assinaturas de publicações etc. Por ora, tributos e serviços públicos não farão parte do sistema

Como funciona a emissão do boleto pelo DDA?
1.O cobrador solicita ao seu banco a emissão do boleto de cobrança da conta a ser paga.

2.O banco do cobrador verifica se o pagador está cadastrado no DDA. Se estiver, as informações do boleto de cobrança serão enviadas ao DDA;

3. O banco no qual o pagador se cadastrou buscará no DDA todos os boletos de cobrança de seu cliente e os colocará à disposição para visualização;

4. Os boletos ficarão disponíveis para consulta, mas o pagamento é uma opção do cliente.

O que acontece se uma conta que está no DDA não for paga? O nome do pagador irá para os serviços de proteção ao crédito?
Sim. As regras de pagamento e obrigações dos boletos eletrônicos são as mesmas que existem hoje para os boletos impressos. O DDA é uma nova forma de visualizar o boleto e não uma regra nova para o pagamento.

Quanto custará o novo serviço?
Cada banco está analisando seus custos. A exemplo de outros serviços, pelas normas do Banco Central as instituições são livres para cobrar tarifas segundo suas estratégias de negócios e atuação.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Bancários da Caixa novamente decidem manter greve

sábado, 17 de outubro de 2009

Em assembleia realizada na tarde desta sexta-feira (16), bancários da Caixa Econômica Federal (CEF) decidiram continuar paralisados, mas se colocaram à disposição para negociar com o banco, segundo informações do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Hoje, o ministro João Oreste Dalazen, do TST (Tribunal Superior do Trabalho), indeferiu a liminar da CEF que solicitava a declaração de abusividade da greve. Uma audiência de conciliação entre as partes ocorrerá na próxima quarta-feira.

Com a continuidade da paralisação, a greve completará 26 dias na próxima segunda, quando os trabalhadores de São Paulo realizarão nova assembleia. O Comando Nacional dos Bancários está em Brasília há dois dias negociando com a direção do banco.

Além de São Paulo, votaram pela continuidade da paralisação os trabalhadores dos sindicatos de Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, e dos Estados do Ceará, Pernambuco, Bahia, Piauí, Sergipe, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Mato Grosso, Rondônia, Pará e Amapá. As informações são da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro).

Os bancários decidiram recusar a proposta salarial do banco, apresentada na terça-feira (13). Entretanto, em algumas cidades no interior de São Paulo e do Paraná, como Bragança Paulista, Guarulhos, Jundiaí, Guarapuava, Toledo e Umuarama, a proposta da Caixa foi aceita e a greve, encerrada.

Os funcionários dos demais bancos já voltaram ao trabalho após aprovar o fim da greve no último dia 8, acatando proposta salarial apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

Segundo a confederação, a proposta geral não atende reivindicações consideradas fundamentais pelos trabalhadores da Caixa, como a isonomia de direitos, evolução no Plano de Cargos Comissionados (PCC) e aumento no número de novas contratações. (Com informações da Agência Brasil)

Fonte: UOL Notícias

Funcionários da Caixa Econômica Federal decidem continuar em greve

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Após assembleias realizadas na noite desta quarta-feira (14), os funcionários da Caixa Econômica Federal decidiram manter a greve nacional da categoria. Além de São Paulo, votaram pela continuação da paralisação os sindicatos de Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, e dos Estados do Ceará, Pernambuco, Bahia, Piauí, Sergipe, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Mato Grosso, Rondônia, Pará e Amapá. As informações são da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro). A paralisação, iniciada no último dia 24, entra nesta quinta-feira em seu 22º dia.

Os bancários decidiram recusar a proposta salarial do banco, apresentada na terça-feira (13). De acordo com a Contraf , a manutenção da greve foi orientada pelo Comando Nacional dos Bancários após apresentação de proposta da Caixa.

Entretanto, em algumas cidades no interior de São Paulo e do Paraná, como Bragança Paulista, Guarulhos, Jundiaí, Guarapuava, Toledo e Umuarama, a proposta da Caixa foi aceita e a greve encerrada.

Os funcionários dos demais bancos já voltaram ao trabalho após aprovar o fim da greve no último dia 8, acatando proposta salarial apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

Segundo a confederação, a proposta não atende reivindicações consideradas fundamentais como a isonomia de direitos, evolução no Plano de Cargos Comissionados (PCC) e aumento no número de novas contratações. (Com informações da Agência Brasil)

Fonte: UOL Notícias

Bancários da Caixa avaliam nova proposta nesta quarta

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ABr Foto: Antonio Cruz/ABr

Agência da Caixa em Taguatinga, perto de Brasília

Banco propõe nova regra para cálculo de participação nos lucros. Trabalhadores da instituição estão em greve há 20 dias.

A Caixa Econômica Federal fez nesta terça-feira (13) uma nova proposta aos bancários da instituição, que ainda estão em greve. A proposta prevê nova fórmula para cálculo da Participação sobre Lucros e Resultados (PLR).

Os trabalhadores farão assembleia nesta quarta-feira (14) para avaliar a proposta, mas o comando da greve orientou pela rejeição da proposta e manutenção da paralisação.

Os bancários da Caixa Econômica Federal fizeram nesta terça o 20º dia de paralisação.

A proposta da Caixa prevê PLR que varia de R$ 4 mil a R$ 10 mil, dependendo do cargo e função. Cada funcionário receberia a PLR por essa regra ou pela regra proposta pela Fenaban, que representa os bancos, para os trabalhadores da categoria em geral, o que for maior.

Segundo a confederação nacional dos bancários, o comando de greve acredita que a proposta deveria contemplar melhor os funcionários com menores salários. Além disso, os trabalhadores querem a garantia de contratação de mais do que os 3 mil novos funcionários prometidos pela Caixa.

Os bancários de outras instituições bancárias voltaram ao trabalho entre sexta-feira (9) e terça, após aceitar proposta da Fenaban que prevê aumento real de 1,5%, PLR de 90% do salário mais R$ 1.024, com teto de R$ 6.680, e licença-maternidade de seis meses, entre outros pontos.

Fonte: Do G1, em São Paulo

“Spread” no Brasil só perde para Zimbábue, diz estudo

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Diferença entre os juros captados e os cobrados pelos bancos é maior que a de 127 países

Para analista, tendência é que, com a estabilização da economia, “spread” fique menor no curto prazo, mas superior à média global

ÁLVARO FAGUNDES
DA REDAÇÃO

O “spread” (a diferença entre o que as instituições pagam para captar recursos e o que cobram dos clientes) aplicado pelos bancos no Brasil é o segundo maior do mundo, ficando apenas atrás do Zimbábue, apesar de a taxa de inadimplência no país não estar nem entre as dez maiores do planeta.
Segundo levantamento do Fórum Econômico Mundial com base em dados do ano passado, o “spread” dos bancos brasileiros ficou em 35,6 pontos percentuais, maior do que a média das instituições financeiras de 127 países.

Somente o Zimbábue, cuja economia vive situação caótica e onde a inflação chegou na casa dos 231 milhões por cento em julho do ano passado, a diferença entre os juros captados e os cobrados foi maior: 457,5 pontos percentuais.

O cenário do estudo atual é similar ao do levantamento anterior -que analisava a situação em 2007-, mas, na ocasião, o “spread” brasileiro era um pouco menor: 33,1 pontos percentuais. “Spreads” altos significam custos maiores para empresas e consumidores pegarem empréstimos.

Ao mesmo tempo, a inadimplência no Brasil, que é uma das explicações usadas pelos bancos para justificar os juros altos, era a 16ª mais alta do mundo (em uma lista menos abrangente, com 34 países), de acordo com dados do FMI referentes ao quarto trimestre de 2008 -quando a crise global estava em um dos seus momentos mais agudos. Os números do Fundo mostram ainda que a taxa de inadimplência no país vem caindo nos últimos anos.

O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, afirmou, por exemplo, no fim de julho, que o principal fator para o “spread” bancário é exatamente o nível de inadimplência, que atingiu seu recorde histórico.
Para Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating, é principalmente por meio dos juros altos (que se traduzem no segundo maior “spread” do planeta) que os bancos brasileiros estão entre os mais rentáveis do mundo, apesar de a relação entre crédito e PIB estar abaixo da média global.

Sobre o calote, ele disse que os bancos colocam nos empréstimos uma “estimativa que não se concretiza na vida real”.

O analista afirmou que a tendência no curto prazo é que, com a estabilização da economia brasileira, os bancos “devolvam uma parte da gordura” obtida com o aumento dos juros durante a crise, mas que o “spread” deve permanecer entre os mais altos do mundo.

Para que essa queda continue a ocorrer no médio prazo, Santacreu afirma que são necessárias mudanças como aumento da competição entre as instituições. “Nós não vimos uma corrida forte dos bancos para brigar pelos clientes.” Ele diz ainda que é preciso tempo para avaliar se é “”perene” o movimento de queda dos “spreads” pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, incentivado pelo governo Lula.

Ele cita ainda, entre outras medidas, a necessidade da reforma tributária e da maior formalização das empresas.

Menores “spreads”

No topo do tabela, entre os dez com menor “spread”, aparecem países desenvolvidos (como Alemanha e Japão) mas também economias emergentes: os dois primeiros são Hungria e Lituânia.

Em 2007, porém, havia um predomínio maior das nações ricas, o que mostra também o efeito da crise nas instituições financeiras desses países, que ficaram menos dispostas ao risco. A Suíça, que tinha o menor “spread” em 2007, aparecia na 27ª colocação no estudo sobre os juros no ano passado.

Dados não podem ser comparados, afirma Febraban

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirma que não é possível comparar dados provenientes de diferentes países, pois eles usam metodologias diversas para chegar a estimativas próprias de “spreads”, a diferença entre as taxas de juros para captar recursos e as repassadas aos clientes.

No caso do México, a taxa utilizada como referência para captação é a cobrada pelos bancos nos empréstimos a empresas de primeira linha, que representam o menor risco do setor privado. Já a Austrália considera os juros médios dos empréstimos imobiliários de melhor avaliação e a Índia, a taxa que os bancos conseguem emprestar do Banco Central. No Brasil, a referência é a taxa de rolagem da dívida pública.

“São coisas incomparáveis. Essa pesquisa é completamente “misleading” [enganadora]“, disse Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban. A federação pretende preparar um estudo comparando taxas e “spreads” de diferentes países, mas para produtos semelhantes -financiamento de veículos, crédito pessoal, cartão de crédito etc.

A federação lembra que o FMI, responsável pela compilação das informações, faz um alerta sobre essa dificuldade de comparação. “Devido a diferenças nas contas nacionais, impostos e regimes regulatórios, os dados não são exatamente comparáveis entre países”, diz.

Em relação à inadimplência, o economista da Febraban disse que os dados brasileiros incluem também o crédito direcionado (imobiliário, rural) e com recursos do BNDES, que têm inadimplência menor. “Sem eles, as taxas sobem bastante”, disse.

Fonte: Folha de S. Paulo

BB já apresentou R$ 2 bilhões em boletos eletrônicos

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Banco do Brasil informa que já emitiu boletos eletrônicos no valor total de R$ 2 bilhões. A instituição apresenta boletos eletrônicos para seus clientes pelos canais virtuais desde maio. A iniciativa vai prepará-los para o projeto DDA – Débito Direto Autorizado, da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), previsto para entrar em vigor no dia 19 de outubro.

Neste momento, a apresentação eletrônica de boletos abrange apenas os títulos da carteira de cobrança registrada no próprio Banco do Brasil. O cliente pode se cadastrar como “sacado eletrônico” em terminais de autoatendimento ou no Portal BB, na internet.

Como a cobrança eletrônica dispensa a impressão de boletos, a redução do uso de papel será significativa para o meio ambiente. Se 1/3 das cobranças impressas pelo BB for apresentada exclusivamente por meio eletrônico, a economia anual estimada com a produção do papel para impressão das faturas seria de aproximadamente 14 mil árvores, 26 milhões de litros d’água, 1,3 milhão kw/hora e 80 mil kg de CO².

Além de ser uma opção ecologicamente correta, o novo sistema traz outras vantagens, como o envio de mensagem via SMS (torpedo) para avisar sobre novas obrigações. O boleto eletrônico é mais simples e seguro, dispensa o pagamento no caixa e evita a fraude.

Desde o último dia 22 de junho, os bancos começaram a cadastrar as pessoas e as empresas interessadas em substituir os boletos pela cobrança eletrônica. Esses clientes serão os primeiros a utilizar o Débito Direto Autorizado (DDA).

“Diferente do débito automático, no DDA (como o próprio nome diz) é necessária uma autorização do cliente para efetivar a transação”, esclareceu Leonardo Ribeiro, do grupo de trabalho da Federação de Bancos do Brasil, Febraban, que está à frente da iniciativa, lançada no ano passado, durante o CIAB, evento de Tecnologia Bancária.

Em 2008, segundo o grupo, foram emitidos cerca de dois bilhões de boletos de cobrança bancária. As entidades que representam as instituições financeiras projetam uma adesão de 50% nos próximos 3 anos, o que, com o crescimento de volume, daria cerca de 1,2 milhão de boletos.

O superintendente da CIP, Joaquim Kavakawa, admite que a viabilidade do sistema DDA ocorre porque houve uma padronização dos boletos bancários. Um trabalho demorado, uma vez que foi iniciado em 1994, a partir de uma resolução tomada na Comissão Nacional de Automação Bancária.

O projeto DDA resulta de uma parceria entre a Febraban, ABBC (Associação Brasileira dos Bancos Comerciais), ABBI (Associação Brasileira dos Bancos Internacionais), Asbace (Associação Nacional de Bancos). A conciliação é feita pela CIP.

Fonte: Convergência Digital

STF pode suspender processos de poupadores

sábado, 25 de julho de 2009

Lobby do governo contra pedidos de indenização por perdas com planos econômicos dos anos 80 e 90 “sensibiliza” corte

Fazenda e Banco Central se aliam a bancos, que veem perdas bilionárias e perigo de risco sistêmico se ações na Justiça prosperarem

LEANDRA PERES
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Depois de um intenso lobby do Ministério da Fazenda e do Banco Central, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) já admitem nos bastidores que estão “sensibilizados” com o argumento do governo contrário ao pagamento de indenizações a poupadores da caderneta de poupança que foram prejudicados por regras de planos econômicos da década de 80 e do início dos anos 90.

Ministros ouvidos pela Folha já não descartam a possibilidade de o plenário do STF conceder uma liminar que paralise todas as ações judiciais em tramitação no país até que o tribunal decida como deve ser calculada a correção das cadernetas existentes no lançamento dos planos Bresser (1987), Verão (1989), Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991).

O governo escalou um time de primeira grandeza para tentar fazer valer seu argumento. O ministro Guido Mantega (Fazenda) esteve pessoalmente com os ministros do STF. O mesmo fizeram o presidente do BC, Henrique Meirelles, e o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli.

Foi depois de toda essa movimentação que o ministro Ricardo Lewandowski decidiu levar a discussão para o plenário do STF. Em março, o ministro negou liminar à Consif (Confederação Nacional do Sistema Financeiro), que pedia a paralisação das ações.

Pelas regras do STF, só haveria necessidade de os outros dez ministros confirmarem essa decisão se Lewandowski houvesse concedido a liminar. A Justiça tem dado ganho de causa aos poupadores. As ações mais comuns estão ligadas aos planos Bresser e Verão.

Nos dois casos, as mudanças na política econômica foram feitas no meio do mês, mas as cadernetas com aniversário na primeira quinzena tiveram o rendimento calculado de acordo com as novas regras.

Os correntistas defendem que a remuneração deveria ser calculada de acordo com os índices vigentes antes dos planos. As diferenças chegam a 44,8%, como no caso do Plano Collor 1. No Plano Verão, a perda é estimada em 16,65%.

O prazo para questionar essas perdas na Justiça já expirou no caso dos planos Bresser e Verão. Só é possível entrar com ações referentes aos planos Collor 1 e 2.

A única chance de quem não entrou na Justiça se beneficiar é pegar carona em ações civis públicas, que estendem o direito à indenização a grupos maiores, como uma categoria profissional ou a população de um Estado.

Nesse caso, no entanto, o correntista tem que provar que tinha saldo em cadernetas nas datas dos planos econômicos e fazer uma adesão formal à ação que normalmente é impetrada pelas defensorias públicas ou pelos institutos ligados à defesa do consumidor

“A discussão não é com o governo, mas com os bancos, que aplicaram retroativamente a regra dos planos econômicos. Isso fere o direito adquirido pelos clientes”, diz a gerente jurídica do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Karina Grou.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos), no entanto, argumenta que os bancos apenas cumpriram as determinações do governo e, portanto, não há dívida com os clientes.

O governo, em documento enviado ao STF, afirma que não há motivos para pagar os expurgos porque não houve perdas. Para isso, compara o rendimento das cadernetas depois de aplicados os novos índices com o que foi pago pelos bancos nos CDBs (Certificados de Depósito Bancário).

A conclusão é que só houve perda no plano Collor 1. A outra grande preocupação do BC é com o risco sistêmico, pois considera que o impacto dessas ações pode levar à quebra de grandes bancos, entre eles a Caixa Econômica Federal.

As estimativas das perdas dos poupadores variam de R$ 29 bilhões a R$ 120 bilhões.

Estimativas de custo para bancos divergem

Instituto de defesa do consumidor prevê indenizações de R$ 29 bi para poupadores; bancos falam em até R$ 120 bi

Bancos usam pior cenário possível nos seus cálculos e veem risco para a Caixa, que tinha mais cadernetas e poderia perder até R$ 35 bi

Não há estimativa confiável sobre o impacto real das ações judiciais que questionam os critérios de correção da caderneta de poupança adotados nos planos econômicos pré-Real.

Os números variam de R$ 29 bilhões, citado pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), passam por R$ 105,9 bilhões, calculados pelo Banco Central e Ministério da Fazenda, e podem chegar a até mesmo R$ 120 bilhões, segundo a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos).

O governo e os bancos explicam que suas projeções levam em conta um “cenário de risco potencial”. Ou seja, adotam a pior premissa possível. Por esses cálculos, as instituições financeiras terão que pagar os expurgos feitos na caderneta de poupança referentes a todos os planos econômicos e para os que tinham depósitos naquele período.

Essa análise conclui que a Caixa Econômica Federal, que concentrava o maior número de contas de poupança à época, poderia perder R$ 35 bilhões. É como se o banco quebrasse três vezes.
“Todos os bancos, públicos e privados, suportariam graves e elevados prejuízos. A Caixa foi citada [no documento enviado pelo BC ao STF] apenas como exemplo”, explica a assessoria de imprensa do banco estatal.

É com base nesse cenário que o BC prevê quebras de bancos e comprometimento da economia, caso as ações sejam levadas adiante. “Não é exagerado afirmar que o desarranjo econômico resultante das perdas da Caixa e das demais instituições financeiras pode gerar forte turbulência e comprometer, por alguns anos, a sustentação do crescimento econômico do país”, afirma o BC. A nota também diz que, se o STF der ganho de causa aos poupadores, “provavelmente levaria algumas dessas instituições à insolvência, principalmente no ambiente de crise financeira”.

Para o Idec, essas estimativas são exageradas. A gerente jurídica, Karina Grou, cita ação civil pública que a entidade executa desde 2001 contra a Nossa Caixa, em São Paulo, para mostrar que o impacto será bem menor. Segundo ela, em oito anos só 1.500 correntistas aderiram à ação do Plano Verão.
“Tanto governo quanto os bancos estão fazendo uso alarmista dos números”, diz Grou.

O Idec também questiona o impacto potencial com base nas provisões feitas pelos bancos em seus balanços. De acordo com levantamento do próprio governo, já foram gastos R$ 1,8 bilhão em ações transitadas em julgado e há outros R$ 3,5 bilhões provisionados.

O economista-chefe da Febraban, Rubens Sardemberg, diz que as provisões são feitas à medida que as ações são impetradas e não levam em conta o impacto total, já que a disputa judicial ainda está em curso.

Poupador deve analisar relação custo-benefício

Compensa ir à Justiça para tentar receber as diferenças que deixaram de ser pagas nos planos Collor 1 e 2? A resposta à pergunta depende de quanto cada poupador tinha depositado em caderneta no início de março de 1990 e em janeiro de 1991.

Em primeiro lugar, a Justiça já reconheceu o direito dos poupadores, embora isso possa ser modificado pelo Supremo Tribunal Federal nos próximos meses. Assim, exigir do banco a diferença que deixou de ser paga é um direito de todo poupador.

Mas é fundamental atentar para um detalhe: antes de tomar essa decisão, a pessoa deve ter ao menos uma noção do que terá para receber.

Na dúvida, é importante que o poupador seja assessorado por um contador ou por um advogado de sua confiança. Motivo: há casos em que a relação custo-benefício não compensa, ou seja, não vale a pena perder tempo se o valor a receber na ação for muito pequeno.

Para o poupador ter uma noção do valor que poderá receber, quem tinha NCz$ 50 mil em março de 1990 teria direito de receber entre R$ 5.200 e R$ 5.300, hoje, segundo cálculos do advogado Alexandre Berthe. Isso quer dizer que, para cada NCz$ 10 mil aplicados em poupança na época, o valor a receber corresponderia hoje a pouco mais de R$ 1.000.

Fonte: Folha de S. Paulo

Idec, MP e sindicato notificam BC e Fazenda em ação contra bancos

terça-feira, 21 de julho de 2009

Instituto de Defesa do Consumidor, Sindicato dos Bancários e Defensoria Pública questionam cálculos do governo em ação de planos econômicos

Renée Pereira

Uma ação articulada entre o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Sindicato dos Bancários de São Paulo e Defensoria Pública do Rio de Janeiro questiona dados divulgados pelo Banco Central (BC) e Ministério da Fazenda sobre ações judiciais relacionadas aos planos econômicos Bresser, Verão e Collor 1 e 2.

Os órgãos enviaram, na semana passada, uma carta conjunta para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do BC, Henrique Meirelles, cobrando explicações em 15 dias. Com base nas respostas, o Idec vai decidir que medidas tomar para preservar o consumidor. Há possibilidade, até mesmo, de o órgão entrar na Justiça caso as respostas não sejam satisfatórias.

A carta foi motivada por uma nota técnica do BC, veiculada em abril, onde a autoridade monetária afirma que o impacto das ações relacionadas aos planos econômicos aponta para algo em torno de R$ 105,9 bilhões (3,6% do PIB), afirma a gerente jurídica do Idec, Karina Grou.

Ela destaca que, na nota técnica, o BC diz que o impacto das ações pode ser considerado preocupante, dadas as repercussões possíveis sobre o sistema financeiro, finanças públicas e, consequentemente, sobre o crescimento e o emprego. “A preocupação é que essa postura possa atrapalhar futuras decisões sobre o caso. Eles não podem sair assustando as pessoas e o judiciário dessa forma.”

Na carta, que o Estado teve acesso, os representantes dos três órgãos (Idec, sindicato e defensoria pública) afirmam que meses antes o Ministério da Fazenda já havia seguido a mesma linha de crítica e declarado que, “em alguns casos, a descapitalização poderia levar à insolvência de instituições de porte”, reproduz a carta.

Diante das graves insinuações, que podem trazer prejuízos aos consumidores, Karina afirma que várias questões foram feitas ao ministério e ao BC. A principal delas é saber se o governo fez algum estudo detalhado sobre as ações judiciais em curso no País, ou se é apenas futurologia das autoridades.

“Queremos saber o que está por trás dos R$ 105,9 bilhões. Porque a informação do mercado é que há cerca de 550 mil ações na Justiça. E sabemos que na época dos planos havia 70 milhões de poupanças. Isso significa que há menos de 1% na Justiça.”

Outra justificativa de Karina é que as ações nunca são executadas de uma só vez. “Há ações que estão sendo movidas há 15 anos. Outras começaram há pouco tempo. Ou seja, os desembolsos ocorrerão em épocas diferentes.”

Karina destaca ainda que, em 2008, os balanços dos bancos apontavam para uma provisão de R$ 9 bilhões para cobrir as perdas dos planos econômicos. “Se de fato a conta das ações é R$ 105,9 bilhões, então há algum problema com os cálculos dos bancos. O governo está jogando os dados de uma forma muito séria no mercado.”

Procurado, o BC disse que recebeu a carta dia 17, mas que responderá apenas aos órgãos. A Fazenda afirmou que ainda não recebeu o documento.

Fonte: Estadão