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Permitam-me retomar um tema abordado no dia 17 de junho de 2009 que, por coincidência, era uma sexta-feira, como hoje.
O título do post era “Mudanças nas regras de investimento dos fundos de pensão” – na época comentava-se que ocorreriam mudanças, que de fato vieram a acontecer pouco depois, nos limites de aplicação dos fundos.
O “gancho” para o comentário era uma nota publicada na imprensa dando conta de que o Governo determinara que os fundos deveriam investir no projeto do chamado “Trem Bala”, o qual, aliás, parece que tomou chá de sumiço. (Clique aqui para ler o referido post na íntegra)
Fiz uma afirmativa na época que retomo neste momento diante de outras notícias que comentarei a seguir.
O que disse eu então: “Bons negócios podem, em tese, estar associados a projetos do Governo ou da iniciativa privada. Negócios ruins também. Mas será necessário analisar cada negócio sob o ponto de vista estritamente técnico, qualquer que seja sua origem. Nenhum fundo de pensão pode comprometer os recursos dos seus associados apenas por haver sido ‘escalado’ pelo Governo para participar de um determinado empreendimento.”
E por que volto a este tema? Por conta de duas notícias, aliás reproduzidas neste BBlog. A primeira delas diz que o Governo estaria interessado em que a empreiteira Camargo Corrêa constitua uma “Superelétrica”, adquirindo o controle da Eletropaulo, da AES Sul e da Neoenergia – setor em que o nosso fundo de pensão tem pesados investimentos. Diz a notícia que “segundo pessoas próximas às transações ouvidas pela Folha, o presidente da Previ, Sérgio Rosa, abriu negociação com a Camargo Corrêa por interferência direta do Planalto.” (Clique aqui para saber mais)
A outra notícia – que trata da construção da usina Belo Monte – diz que “garantida a licitação da usina de Belo Monte, o grande obstáculo agora é a formação de pelo menos dois consórcios para garantir a disputa, que é ancorada na menor oferta de tarifa de energia. Tudo indica que as subsidiárias da Eletrobrás – especialmente Furnas e Eletronorte – e os fundos de pensão – ao menos Previ e Funcef – serão divididos pelo governo para garantir essas duas frentes no leilão.” (Clique aqui para saber mais)
É importante ressaltar que os fundos de pensão não podem se divorciar dos interesses do País, mas também é muito válido lembrar que interesses de Governos raramente coindidem com os interesses da Nação. Na grande maioria das vezes em que os fundos de pensão decidiram seus investimentos pressionados pelos Governos de plantão os resultados foram negativos. É da natureza dos Governos botar olho grande no patrimônio dos fundos de pensão, mas é obrigação dos seus legítimos proprietários – os participantes – ficar atentos para impedir maus negócios.
Repito que bons negócios podem, em tese, estar associados a projetos do Governo ou da iniciativa privada. Negócios ruins também. Mas reafirmo que “nenhum fundo de pensão pode comprometer os recursos dos seus associados apenas por haver sido ‘escalado’ pelo Governo para participar de um determinado empreendimento.”
Contra o olho grande dos Governos a melhor defesa é o olho vivo dos participantes.
Com apoio do Planalto, Camargo Corrêa pretende comprar o controle da Eletropaulo, da AES Sul e da Neoenergia