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Cooperativismo de crédito: a expansão do Sicredi no Brasil

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Texto: Moisés Mendes
Foto: Tadeu Vilani

O escritório envidraçado, no 12º andar da sede do Sicredi, na Avenida Assis Brasil, permite que Ademar Schardong (foto) olhe para o norte e para o leste. Mirando o norte, enxerga a expansão de Porto Alegre, mas ainda vislumbra campos e banhados. Para o leste, vê a metrópole sufocada, apinhada de prédios. A mesa de Schardong está virada para o norte das suas origens.

O presidente-executivo do Sistema de Crédito Cooperativo é de Lajeado Teimoso, interior de Crissiumal, quase na fronteira com Santa Catarina, onde os pais, José Arnildo e Wilma, ainda vivem em 14 hectares. Schardong, 54 anos, saiu dali na adolescência para continuar os estudos na cidade:

– Vivi na roça até os 13 anos.

Formou-se em Ciências Contábeis, na Unijuí, e em Direito, na Ulbra. Desde 1982, mora em Porto Alegre. Há 32 anos dedica-se com teimosia a uma utopia que finalmente viu prosperar, a criação de um banco cooperativo nacional.

O Sicredi, que virou grife, com 1.122 agências em 10 Estados (492 no Rio Grande do Sul), 1,6 milhão de associados, R$ 19 bilhões em ativos (recursos de terceiros movimentados pelo sistema) e 12 mil funcionários, é o quinto grupo econômico gaúcho e o 19º do Sul, segundo ranking da revista Amanhã.

A história do Sicredi é também a história de Schardong. Nos anos 80, quando o cooperativismo de produção definhava, ele percorria o Rio Grande defendendo a ideia de que, assim como os europeus, o Estado poderia ter um sistema de crédito cooperativo forte. Era eloquente, agitado, discursador e sonhador, como o definiam nos corredores das cooperativas.

Schardong acionou sua utopia em 1978. Tinha 22 anos quando abandonou um emprego com estabilidade no Banco do Brasil para ser gerente geral da Caixa Rural União Popular, de Crissiumal, que o avô Osvino ajudara a fundar. A Caixa, uma das nove sobreviventes do Estado, repassava recursos do Banco do Brasil para os colonos. Tinha dois funcionários, emitia talões de cheques. Schardong morava no segundo piso da sede, na Rua Horizontina, ao lado da Igreja Matriz, e também era contador do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e professor de contabilidade no Ensino Médio.

Em 1981, as nove caixas rurais gaúchas foram reunidas na Cooperativa Central de Crédito Rural (Cocecrer), criada por Mário Kruel Guimarães, vice-presidente da Federação das Cooperativas de Trigo e Soja (Fecotrigo). Um ano depois, Schardong deixa Crissiumal e assume como gerente de fomento da Central. E enfrenta, logo adiante, uma sequência de baques. O Plano Cruzado, de 1986, esfacela os ganhos financeiros com a inflação alta.

Adoentado, Kruel Guimarães afasta-se da Cocecrer. Schardong assume a presidência e, quatro anos depois, Fernando Collor extingue o Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC). As cooperativas de crédito, que dependiam do BNCC para compensação de cheques do sistema, são abaladas e passam de novo a depender da estrutura do Banco do Brasil, lembra Schardong:

– Mas as cooperativas não queriam ser apenas correspondentes bancárias do BB.

Em 1995, o Sicredi substitui a Cocecrer como primeiro banco cooperativo privado do país. O sistema se expande pelo país com uma confederação criada em 2002. De repassador de recursos, aos poucos, o Sicredi vira banco múltiplo, com administradoras de cartões de crédito e de consórcio e uma corretora de seguros. Há dois anos, uma reengenharia reorganizou a estrutura e a gestão do sistema. A administração foi profissionalizada. Dos 48 executivos, avaliados por uma consultoria externa, apenas oito ficaram.

Num meio em que carreiras e reputações tombaram em meio às crises do cooperativismo, Schardong é um caso exemplar de sobrevida. Conseguiu levar adiante um projeto aparentemente romântico e criar um banco que disputa espaço num mercado ainda concentrado. Firmou parceria com o banco holandês Rabobank e projeta crescimento grandioso: em 2016, quer ter 4,2 milhões de associados e movimentar ativos de R$ 52 bilhões. Ainda será pouco. Na Alemanha, o cooperativismo de crédito detém 36% do mercado. Na Holanda, 28%. Na média dos países desenvolvidos, 20%. No Brasil, mal chegou a 3%.

– O cooperativismo de crédito é um laboratório de empreendedorismo – diz, enfatizando as vantagens de um sistema em que cada cliente do banco é também sócio de uma cooperativa, que compartilha projetos, está próximo das comunidades e reinveste no lugar em que atua tudo o que capta, com inadimplência abaixo da média.

Lembra que nenhuma cooperativa de crédito americana ou europeia tombou com a crise de 2009 e diz que a prioridade agora, com o aumento da capacidade de competir e o consequente aumento dos riscos, é a qualidade da gestão. Do 12º andar, Schardong mira o norte, mas avista todos os quadrantes.

Fonte: ZH Dinheiro

Cooperativa de crédito cresce em meio à crise

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Nem concorrência com instituições financeiras interrompeu expansão

Renato Andrade, BRASÍLIA

As cooperativas de crédito colocaram em prática, durante a crise financeira global, uma das máximas do mundo dos negócios: aproveitar os momentos ruins para crescer. Enquanto o mercado de crédito encolhia no último trimestre de 2008, o volume de empréstimos das cooperativas crescia. Mesmo com a retomada do fluxo das operações por parte dos bancos no primeiro semestre de 2009, essas entidades continuaram expandindo os negócios.

De acordo com levantamento feito pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a pedido do Estado, a carteira de crédito do setor apresentou expansão mensal constante em 2008. Em janeiro passado, o volume de recursos somava R$ 16,4 bilhões, valor que saltou para R$ 19,4 bilhões em agosto e manteve-se acima de R$ 21 bilhões nos três últimos meses do ano, período de maior retração na oferta de financiamento. “Os micro e pequenos empreendedores foram buscar outras fontes de crédito e as cooperativas absorveram parte do movimento”, explica Silvio Giusti, especialista em mercados da OCB.

Cooperativas como a do município mineiro São Roque de Minas chegaram a usar recursos próprios para manter o fluxo de financiamento para seus clientes. “Na hora da crise é que a gente tem de atender o cooperado”, afirma João Carlos Leite, presidente da entidade.

A retomada dos financiamentos por outras instituições financeiras não impediu que a carteira de crédito das cooperativas continuasse a crescer. Segundo a OCB, as operações de crédito das cooperativas somaram R$ 22,1 bilhões em junho.

Parte dessa evolução tem sido puxada pelas cooperativas de crédito de livre admissão. Essa modalidade tem um horizonte mais amplo de atendimento, pois não é obrigada a operar com um segmento específico ou um único setor da economia. Autorizadas a funcionar desde 2003, essas cooperativas até junho já somavam 164

Segundo Giusti, a “transformação” de antigas cooperativas de crédito rural em livre admissão deve fortalecer a expansão. Em 2004, havia 475 cooperativas de crédito rural no Brasil, número que se reduziu para 375 em dezembro do ano passado. “A maioria delas migrou para o ambiente de cooperativas de crédito de livre admissão, potencializando sua atuação”, explica.

As cooperativas de livre admissão administram cerca de 29% dos ativos totais do segmento – que totalizaram R$ 47,8 bilhões em junho – e respondem por 40% das operações de créditos, 40% dos depósitos e 28% do patrimônio do setor, segundo dados da OCB.

Fonte: Estadão

Prêmio Cooperativa do Ano 2009 tem 18 cooperativas vencedoras

sábado, 1 de agosto de 2009

Foram contemplados 18 trabalhos, de 18 cooperativas, de nove estados

Dezoito cooperativas, de nove estados, sagraram-se vencedoras do Prêmio Cooperativa do Ano 2009. O resultado foi divulgado hoje (29/7) pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) e revista Globo Rural, da editora Globo. Este ano, foram contemplados 18 trabalhos das seguintes unidades da federação – Goiás, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Estavam entre os finalistas 82 projetos de 69 cooperativas.

O Prêmio tem como objetivo identificar, registrar e divulgar iniciativas de sucesso das cooperativas vinculadas ao Sistema OCB-Sescoop. Esta edição trouxe inovações, com a inclusão de dois novos ramos, Educacional e Trabalho. Alem disso, foram reformuladas as categorias dos demais – Agropecuário, Consumo, Crédito, Infra-Estrutura, Saúde e Transporte, agora sem vinculação com o meio rural, como ocorria anteriormente.

A solenidade de entrega dos troféus está marcada para o próximo dia 18 de agosto e será realizada em Brasília (DF). Conheça os projetos e os nomes das respectivas cooperativas que estão entre as vencedoras.

Ramo Agropecuário – categoria Educação Cooperativista
Núcleos Femininos da C.Vale
C.Vale – Cooperativa Agroindustrial (C.Vale), Paraná

Ramo Agropecuário – categoria Gestão Profissional
Suas contas na ponta do lápis
Coamo Agroindustrial Cooperativa (Coamo), Paraná

Ramo Agropecuário – categoria Inovação Tecnológica
Logísitica de Transporte por GPS
Coopavel Cooperativa Agroindustrial (Coopavel), Paraná

Ramo Agropecuário – categoria Marketing
Projeto Saúde em Movimento
Cooperativa Agropecuária Petrópolis Ltda. (Piá), Rio Grande do Sul

Ramo Agropecuário – categoria Meio Ambiente
Prêmio Gestão Ambiental Rural Comigo
Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), Goiás

Ramo Agropecuário – categoria Responsabilidade Social
Calu Contando História
Cooperativa Agropecuária Ltda. de Uberlândia (Calu), Minas Gerais

Ramo Consumo – categoria Meio Ambiente
Consul: Parceria na sustentabilidade do Zoológico da Usipa
Cooperativa de Consumo dos Empregados da Usiminas Ltda. (Consul), Minas Gerais

Ramo Consumo – categoria Responsabilidade Social
Cooperativa de Consumo como Catalisadora
Usimed Petrópolis RJ Cooperativa de usuários de Assistência Médica (UPCUAM), Rio de Janeiro

Ramo Crédito – categoria Gestão Profissional
Excelência Sicoob Blucredi
Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Servidores Públicos do Vale do Itajaí (Sicoob/SC – Blucredi), Santa Catarina

Ramo Crédito – categoria Inovação Tecnológica
Sicredi Cartões – Uma solução Financeira para a Comunidade
Sicredi Vale do Piquiri PR (Sicredi), Paraná

Ramo Educacional – categoria Responsabilidade Social
Projeto Gênesis
Cooperativa Educacional de Ensino Básico (Coopeeb), Rio Grande do Sul

Ramo Infraestrutura – categoria Gestão Profissional
Qualificar é Proteger
Cooperativa de Infraestrutura e Eletrificação Rural de Palotina (Cerpa), Paraná

Ramo Infraestrutura – categoria Responsabilidade Social
Programa Reeducação Alimentar
Cooperativa Regional de Eletrificação Teutônia Ltda. (Certel), Rio Grande do Sul

Ramo Saúde– categoria Meio Ambiente
Gerenciamento de Resíduos em Saúde
Unimed Alto Jacuí Cooperativa de Serviços Médicos Ltda. (Unimed Alto Jacuí), Rio Grande do Sul

Ramo Saúde – categoria Responsabilidade Social
Unigente Vidas Transformadas
Unimed João Pessoa Cooperativa de Trabalho Médico (Unimed João Pessoa), Paraíba

Ramo Trabalho – categoria Gestão Profissional
Unicoope Operacional Limpeza de Escolas Públicas
Central Nacional das Cooperativas dos Profissionais da Educação
(Cenacope), São Paulo

Ramo Trabalho – categoria Responsabilidade Social
Jovens de Futuro
Cooperativa Agrícola de Assistência Técnica e Serviços (Cooates), Pernambuco

Ramo Transporte – categoria Gestão Profissional
Paz – Projeto Acidente Zero
Cooperativa de Transporte de Cargas do Estado de Santa Catarina (Coopercarga), Santa Catarina

Fonte: OCB

Proposta equipara jornada de cooperativas de crédito à de bancos

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A Câmara analisa o Projeto de Lei 4844/09, do deputado Nelson Goetten (PR-SC), que iguala a jornada de trabalho dos empregados de cooperativas de crédito à dos bancários, que têm carga reduzida de 6 horas diárias e 36 horas semanais.

Goetten considera que a equiparação se justifica porque as atividades desenvolvidas pelos trabalhadores dessas instituições são semelhantes às dos empregados de bancos. Em sua opinião, o fato de a cooperativa de crédito não ter fins lucrativos como as demais instituições financeiras não deve impedir a isonomia na jornada de trabalho proposta no projeto.

“As diferenças entre as instituições financeiras não podem justificar o tratamento diferenciado de seus empregados, uma vez que há similaridade entre as funções desenvolvidas”, afirma.

Jurisprudência unificada

Goetten ressalta que o projeto será importante para unificar a jurisprudência trabalhista sobre o tratamento aos empregados de cooperativas de crédito. “As cortes trabalhistas ora decidem pela equiparação, ora negam, em virtude da ausência de previsão legal específica”, disse.

Já os empregados de cooperativa que exercerem cargo de confiança, com adicional de remuneração equivalente a pelo menos 1/3 do salário, terão a mesma jornada dos trabalhadores em geral, que é de 8 horas diárias e 44 horas semanais. Essa regra já é aplicada aos bancários.

Tramitação

O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

- PL-4844/2009

Fonte: Agência Câmara

Cooperativa avança no mercado de crédito

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Com fatia pequena, instituições se apoiam em profissionais liberais, e expansão supera o crescimento geral do setor

Cooperativismo prevê ativos na marca recorde de R$ 50 bilhões neste ano e quase 5 milhões de associados pelo Brasil

GITÂNIO FORTES
DA REDAÇÃO

Com a oferta de juros mais baixos como carro-chefe, cooperativas aproveitaram a retração no mercado de crédito no fim do ano passado para abrir espaço. Suas carteiras fecharam 2008 com crescimento de 36%, ante 28,2% de todo o sistema financeiro nacional.

Para este ano, o cooperativismo de crédito espera aumento da carteira 25% acima da expansão geral do mercado.

A expectativa é que as quase 1.500 cooperativas alcancem os 4.500 pontos de atendimento em dezembro (eram 4.182 no fim de 2008), com mais 600 mil associados -chegando a 4,8 milhões ao todo- e passem de R$ 50 bilhões em ativos, ante os R$ 44,5 bilhões do ano passado, quando as operações de crédito somaram R$ 21,8 bilhões e os depósitos, R$ 18,9 bilhões.

A fatia do cooperativismo no mercado de crédito é minúscula -apenas 2% do sistema financeiro nacional. A expectativa é chegar a 10% em cinco anos, lastreado principalmente em comércio e serviços.

A médica Denise Damian, presidente do sistema Unicred -que surgiu em 1988 e atualmente conta com 123 cooperativas-, afirma que a marca se expande na área da saúde. Não só entre seus colegas médicos, mas também com dentistas, enfermeiros, farmacêuticos e psicólogos.

Com carteira total de R$ 2,5 bilhões, a taxa média de empréstimo nas cooperativas é de apenas 2%.

A inadimplência é baixa. Gira em torno de 1,49%. Para ela, a sanção presidencial, em abril, da Lei do Cooperativismo de Crédito, vai ajudar a expandir os negócios.

“Na alegria e na tristeza”

O médico anestesiologista Nazareno de Paula Sampaio, presidente da Unicred Fortaleza, diz que a cooperativa atende “na alegria e na tristeza”.

Ele explica: “O cooperado quer publicar um livro, gravar um CD, fazer uma exposição de pintura, nós financiamos e ajudamos no lançamento”.

A cooperativa também auxilia quando o associado adoece ou num outro tipo de “sufoco”. As linhas de crédito mais demandadas são financiamento de veículos, reforma e compra de equipamentos de consultório ou clínica, aquisição de imóveis e antecipação de contas a receber.

A Credisutri, por sua vez, abrange profissionais que trabalham nas entidades do Poder Judiciário e do Ministério Público da União. O presidente Miguel Oliveira afirma que a cooperativa tem 25 linhas de crédito. Para o cheque especial, a taxa está na casa de 6% ao mês. Empréstimo pessoal, de 3,5%.

Para Oliveira, a falta de “conhecimento do cooperativismo por parte da sociedade” é uma desvantagem.

Mais profissionais, em diversas áreas, poderiam se associar e se beneficiar do crédito mais em conta oferecido pelas instituições, afirma Oliveira.

Segundo Ademiro Vian, assessor sênior da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), como as novas cooperativas de crédito também têm de se submeter às diretrizes do Banco Central, o sistema ganha segurança.

“No cooperativismo, o crédito é o ramo que mais avançou em governança e gestão”, diz Márcio Lopes de Freitas, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras.

Vian, da Febraban, diz que as cooperativas oferecem crédito a juros mais baixos por não arcarem com uma série de custos, como o compulsório nos depósitos à vista e a tributação nas despesas operacionais.

Fonte: Folha de S. Paulo

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