
Valmir Camilo
Presidente da ANABB
Acho que o funcionalismo do Banco do Brasil tem muitas razões para estar nervoso. Razões relacionadas com o trabalho, com a Previ, com a CASSI, com entidades do funcionalismo, com o movimento sindical, com o governo, com a oposição ao governo, com a direção do BB e com a ANABB também, por que não?
No entanto, devo começar dizendo que tenho o maior orgulho da entidade que presido. Aqui, a gente está apanhando e trabalhando, não dá tempo para fazer “biquinho” com raiva de nada. Estamos disputando uma eleição na CASSI e de olho na Previ. Se bobear, o funcionalismo é passado pra trás, com a maior facilidade. Só não acontece porque tem lá o William Bento e o Luiz Carlos Teixeira, no Conselho Deliberativo, que honram as indicações feitas pela ANABB e colocam a direção da ANABB a par de tudo, das ações republicanas e não republicanas, para ficar no modismo das palavras. Vocês ainda irão saber o porquê, pois o tema será objeto de outra carta.
Já estou me acostumando a apanhar por ocasião das eleições. Como nossa entidade acumulou prestígio com seus associados, eles agora resolveram bater no presidente. A velha história de sempre, com ares de modernidade: primeiro uma “verdade absoluta” circula na internet – leia-se uma mentira absoluta – e eu tenho que me ocupar em responder e-mails de associados honestos, preocupados e verdadeiramente interessados na verdade. Mas também tenho que me preocupar com o estrago que isto pode fazer junto aos colegas desavisados. Na conta do orgulho que tenho em presidir esta associação, estão, principalmente, os associados. Os verdadeiros responsáveis pelo sucesso da ANABB. Gente que confia, acredita, apoia, pensa e, nunca, nunca se deixa levar pelo oportunismo de alguns colegas ou grupos políticos.
A ANABB é criticada por alguns por participar das eleições da CASSI e da Previ. Aqui não tem faz de conta e nem falso moralismo. Nós participamos mesmo, ativamente, das eleições da CASSI e Previ. Sabe o porquê? Porque é a regra do jogo. Na CASSI e na Previ tem representações do Banco e/ou governo e representação dos trabalhadores. O que a ANABB deveria fazer? Deixar para os sindicatos? Para os partidos políticos? Para as centrais sindicais? Para a Oposição Bancária? NÃO. É dever da entidade intervir nos processos para democratizar a gestão.
Hoje, por exemplo, a representação dos eleitos na CASSI é composta de dois Diretores Executivos; oito Conselheiros Deliberativos; e seis Conselheiros Fiscais, portanto, dezesseis membros eleitos. Pois bem, pela indicação da ANABB, apenas quatro estão na direção da CASSI. Na Previ, a representação total dos eleitos é de vinte e cinco membros. Os indicados pela ANABB são apenas cinco. Os outros cargos dos órgãos de direção da CASSI e da Previ são ocupados pelos representantes do movimento sindical da Contec e da Contraf-Cut; de todas as demais associações de representação do funcionalismo do BB; dos aposentados e dos funcionários da ativa; dos pré-98 e dos pós-98; enfim, a pluralidade em sua plenitude.
O nosso papel foi apostar na pluralidade. Podem acreditar, quem está fora, por exemplo, da Chapa 1 – Unidos pela CASSI, são os participantes da chamada oposição sindical bancária – portanto, aqueles que estão fora da gestão dos sindicatos -, os partidos políticos de extrema esquerda, e aqueles que têm projeto pessoal.
Todo ano tem muitas eleições. Sindicatos, são mais de duzentos no Brasil inteiro. AABBs, são mais de oitocentas. Além da COOPERFORTE, FENABB, Satélite, AAFBB, UNAMIBB, FAABB, mais de cinquenta AFABBs, entre tantas outras eleições. A ANABB nunca se preocupou com essas eleições e deixou cada um desses processos eleitorais serem resolvidos pelos associados de cada uma dessas entidades. Mas, no caso da CASSI e Previ é direito e obrigação.
Hoje, dia 31 de março, por exemplo, terminam as eleições do Sindicato dos Bancários de Brasília. O mesmo grupo que está disputando as eleições da CASSI, colocando-se como oposição, com promessas fáceis e oportunistas, está disputando as eleições do Sindicato, na condição de oposição também. Se não der o Sindicato, que seja a CASSI, ou quem sabe a Previ. Cada uma dessas entidades é só mais um aparelho para esses grupos.
A ANABB começou a se preocupar com eleições na CASSI quando um candidato, com o mesmo discurso da oposição de hoje, surgiu no estado do Paraná, com o apoio dos Cesecs – o banco estava fechando os Cesecs – e se elegeu diretor da CASSI, como salvador da pátria. Só me lembro que se chamava Alemão. Tenho certeza de que muitos vão se lembrar dessa história. O que não dá pra lembrar, mesmo, é o que esse colega contribuiu para a CASSI. Terminou por renunciar ao mandato por absoluta falta de capacidade de ajudar nas discussões sobre a nossa Caixa de Assistência.
Daquele momento em diante, a ANABB entendeu que era preciso preparar pessoas para o exercício dos mandatos e, mais do que isso, era preciso que o candidato tivesse o apoio de uma grande quantidade de entidades para ser respeitado pela patrocinadora, ou seja, o governo e o Banco do Brasil. Na direção das empresas não é lugar de fazer só enfrentamento político partidário. Também não é lugar de salvadores da pátria. Os associados da ANABB, os funcionários do Banco do Brasil e os associados da CASSI sabem que é importante agir com sabedoria e não descarregar suas angústias num processo eleitoral tão importante quanto esse, pois o prejuízo pode ser o atraso ou mais uma renúncia.
Uma união como a que se formou para apoiar a Chapa 1 – Unidos pela CASSI não pode ser substituída pela cólera.
Fonte: Agência Anabb
Esta seção – Debate – publica opiniões outras, que não a do autor do BBlog, sobre os assuntos aqui costumeiramente abordados