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Cartão Elo une BB, Caixa e Bradesco

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Três das maiores instituições do país se juntam para competir com a Visa e a Mastercard. E compartilharão caixas eletrônicos

Vânia Cristino

Disposto a levar adiante o processo de intervenção no mercado de cartões de crédito, para ampliar a concorrência e favorecer as classes C e D, que estão consumindo tudo o que podem, o governo botou os bancos públicos em ação às vésperas das eleições. A Caixa Econômica Federal se unirá ao Banco do Brasil e ao Bradesco no processo de fortalecimento de uma bandeira nacional, a Elo, que concorrerá com as multinacionais Visa e Mastercard. O acordo entre os três bancos foi assinado ontem em São Paulo e ficou acertado que o cartão Elo será oficialmente lançado em outubro.

A meta é investir em um público estimado em 30 milhões de pessoas, mais vulneráveis aos abusos cometidos pelas tradicionais administradoras. O governo quer derrubar as taxas de juros e as tarifas, alvo de constantes reclamações nos órgãos de defesa do consumidor. A Caixa também participará do projeto de compartilhamento de terminais eletrônicos, processo já em andamento entre o BB e o Bradesco.

Segundo o vice-presidente de Cartões, Novos Negócios e Varejo do BB, Paulo Rogério Caffarelli (foto), com a entrada da Caixa na sociedade do cartão Elo, cada uma das instituições deterá 33% da empresa que administrará o novo produto. O diferencial do Elo, que terá as funções de débito e de crédito, é que ele só poderá ser usado no Brasil. Também funcionará como cartão pré-pago, com crédito já determinado, como os vales-refeições dados pelas empresas a seus funcionários, os diversos tipos de vales-presentes e ainda para recarga de celular. Assim como o BB e o Bradesco, a Caixa será também um banco emissor do novo cartão.

Já o compartilhamento dos caixas eletrônicos dos três bancos deve começar dentro de 30 dias. Como a Caixa já integrou a sua rede com a do BB, que possui alguns terminais compartilhados com o Bradesco, a avaliação das três instituições é de que não haverá grandes problemas para unificar as estruturas. Para Caffarelli, o compartilhamento das estruturas de autoatendimento é hoje uma necessidade dos bancos.

“Cada instituição gasta uma fortuna para instalar e manter seus ATMs e, mesmo assim, nem sempre conseguem estar onde o cliente precisa”, constatou. Para ele, com a redução da taxa de juros, as instituições precisam buscar, cada vez mais, a eficiência operacional. O compartilhamento de caixas situados fora das agências é um dos itens envolvidos na reestruturação e na redução de custos.

Redecard se associa ao Sicredi

A Redecard firmou parceria com a administradora de cartões Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi) para realizar a captura, o roteamento, a transmissão e o processamento das operações de crédito e débito da bandeira, a partir do fim do segundo semestre de 2010. O Sicredi é constituído por 128 cooperativas, 12 mil colaboradoras e atua em 10 estados no país, com mais força nas regiões Sul e Centro-Oeste. Conforme comunicado ao mercado, o Sicredi terminou a primeira metade do ano administrando ativos totais de aproximadamente R$ 19 bilhões. Com o acordo, a Redecard permitirá que os cerca 1,6 milhão de clientes da Sicredi utilizem a rede da empresa, que passará a ter 20 bandeiras em seu portfólio.

Fonte: Correio Braziliense

Caixa, BB e Bradesco lançam cartão para classes C, D e E

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Novos plásticos devem começar a ser emitidos em outubro. As três instituições, mais o Santander, vão compartilhar caixas eletrônicos

Fabíola Glenia Do G1, em São Paulo

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta segunda-feira (9) ter fechado acordo com o Banco do Brasil e o Bradesco para atuar na bandeira brasileira de cartões Elo. Os novos cartões, que terão foco especial nas classes C, D e E, devem começar a ser emitidos a partir de outubro, segundo os bancos.

“Ela (a bandeira Elo) está acessível a todos os brasileiros. É natural que ela também busque, através de uma eficiência que se conseguirá com a escala que se atinge com esse novo produto, uma inserção maior das classes C e D, através de um processo de inclusão bancária desse público emergente que vem tendo hoje destaque na economia brasileira através da sua inserção no consumo”, afirmou Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil (foto).

Juntas, as três instituições financeiras têm cerca de 100 milhões de clientes. Segundo os bancos, o novo cartão também tem como foco os brasileiros que ainda não são clientes bancários. Há hoje, de acordo com as instituições, cerca de 40 milhões de pessoas aptas a entrar nesse mercado de consumo.

A expectativa é que em cinco anos o cartão atinja 15% de participação de mercado. Bendine também explicou que a rede Cielo estará equipada para efetuar as transações da bandeira Elo. “Hoje, o número de estabelecimentos credenciados (…) é de 1.700.00 estabelecimentos.”

“A bandeira Elo tende a surgir quase como um genérico da bandeira de cartão de crédito. Porque é uma bandeira que vai se construir praticamente debaixo para cima. O IBGE sinaliza que de 100% das compras e dos gastos das classes A e B, 65% são efetuados por cartão de crédito; e nas classes C, D e E, somente 31% eles gastam através dos cartões de compra; e na classe E, simplesmente 6%”, destacou o presidente executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. “Esse é um trabalho formidável que as três instituições vão fazer para dar uma contribuição definitiva para a transformação dos excluídos em consumidores, consumidores em bancarizados e os bancarizados em portadores de cartão de crédito.”

O executivo do Bradesco aproveitou para destacar que outro dado importante do Memorando de Entendimento diz respeito ao projeto de compartilhamento dos terminais bancários externos do autoatendimento. “É lógico que todos os terminais fora das agências bancárias, as três instituições, mais o Santander que aderiu naquele primeiro momento ao processo de compartilhamento, nós vamos estudar as melhores alternativas para que essas quatro instituições possam compartilhar os seus terminais bancários e aí dar maior acessibilidade ao cliente e maior proximidade”, disse Cappi. A previsão é que em 30 dias o compartilhamento esteja disponível.

A presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, lembrou que, desde 2003, a instituição estabeleceu uma política de inclusão bancária. “Desde então, temos mais de 8 milhões de contas que na Caixa que nós denominamos de Conta Caixa Fácil, que é exatamente aquela primeira conta de acesso. Diariamente, nós abrimos cerca de 15 mil contas nas nossas agências, lotéricos e correspondentes bancários. De fato, o potencial que as três instituições têm para fazer um trabalho com a bandeira Elo é de um potencial muito grande”, declarou.

Fonte: G1

Quer pagar menos juros? Vá a um banco público

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dados do BC mostram que os empréstimos tomados por pessoas físicas no BB e na Caixa costumam ser mais baratos que no Santander, Itaú e Bradesco

Marcela Ayres, de EXAME.com

São Paulo – Boom no setor imobiliário, frota histórica de veículos circulantes e procura desenfreada por televisões de plasma. Outrora impensáveis, esses movimentos refletem o aumento do poder de compra dos brasileiros e provam que os sonhos de quem imaginava voar alto jamais estiveram tão perto do chão. Sustentáculo da forte demanda doméstica, a oferta de crédito teve um rápido momento de aperto após a quebra do Lehman Brothers em 2008, mas medidas anticíclicas para incentivar o consumo abreviaram a recessão. Naquela época, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil ampliaram as linhas de crédito destinadas à pessoa física e conseguiram compensar a decisão das instituições privadas de brecar os empréstimos com receio do que poderia acontecer dali para frente.

Enquanto as operações dos bancos públicos registraram uma expansão de 61% entre setembro de 2008 e maio de 2010, os recursos concedidos pelo sistema privado cresceram a um terço desse ritmo. Os resultados atingidos pelo BB mostram que os juros mais baixos ajudaram a engordar a base de clientes e, consequentemente, o retorno da instituição. Enquanto a carteira de crédito à pessoa física cresceu 88,1% em 2009, o lucro líquido alcançou a marca de 10,1 bilhões de reais, um recorde histórico na indústria bancária. “Para os bancos, a queda dos juros foi compensada pelo aumento do volume do crédito”, afirma Andrew Frank Storfer, presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). De fato, a taxa média para crédito pessoal fechou 2009 em 44,4%. Em 2008, esse percentual era de 60,4%.

Para o professor de economia Evaldo Alves, da FGV/SP, é justamente a função de agente público que abre margem para fomentos desta natureza. Apregoado como um dos grandes responsáveis por fazer o Brasil sair da crise, o consumo interno foi embalado tanto pelo acesso ao crédito facilitado quanto pela política fiscal que reduziu temporariamente o IPI de itens como carros e eletrodomésticos da linha branca. Na prática, cumpriu-se a movimentação da economia por duas frentes, promovendo o encontro entre consumidores com dinheiro na mão e produtos potencialmente mais baratos.”

Não por acaso, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil possuem até hoje a liderança no ranking das menores taxas ofertadas para a pessoa física entre os grandes bancos de varejo. Para se ter uma ideia, a diferença entre Caixa e Bradesco, respectivamente primeiro e o último colocado na modalidade de crédito pessoal, chega a quase 100%. As instituições públicas também cobram menos juros no cheque especial e financiamento de veículos. Confira os dados divulgados pelo Banco Central para o período que vai de 25 de junho a 1º de julho:

Crédito pessoal

Instituição Juros mensais (%)
Caixa Econômica Federal 2,16
Banco do Brasil 2,55
Santander 3,21
Itaú Unibanco 4,02
Bradesco 4,23

Cheque especial

Instituição Juros mensais (%)
Caixa Econômica Federal 6,62
Banco do Brasil 7,88
Itaú Unibanco 8,33
Bradesco 8,41
Santander 9,08

Aquisição de veículos

Instituição Juros mensais (%)
Caixa Econômica Federal 1,59
Banco do Brasil 1,62
Itaú Unibanco 1,68
Santander 1,69
Bradesco 1,82

Aquisição de bens

Instituição Juros mensais (%)
Santander 1,64
Banco do Brasil 2,21
Itaú Unibanco 2,63
Bradesco 3,24
Caixa Econômica Federal 5,34

Fonte: Banco Central

Como se vê, os bancos privados só saem na frente na categoria aquisição de bens, com o primeiro lugar assumido pelo Santander. “O sistema privado prioriza a aquisição de produtos de menor valor, como televisão e aparelhos domésticos. Por sua vez, o direcionamento da instituição pública é para um item mais caro e durável, como o automóvel”, explica Alves. Segundo o professor, quem opta pelos bancos públicos pode poupar com as taxas, mas deve arcar com um serviço menos ágil. “Em geral, eles exigem uma documentação mais farta para se resguardar de qualquer problema. O foco é a segurança, principalmente para a concessão de grandes quantias. Se por um lado isso acarreta uma cobrança mais modesta, por outro, o processo fica mais burocrático.”

Roberto Luis Troster, sócio da Delta Consultoria e ex-economista chefe da Febraban, defende que apesar de as taxas terem de fato diminuído, o impacto na concorrência não surte efeitos tão imediatos no bolso do consumidor. Além do crédito liberado pelos bancos públicos representar pouco mais de 20% do total direcionado à pessoa física, a escassa mobilidade bancária faz com que os brasileiros permaneçam fiéis à instituição da qual são clientes. A regra vale sobretudo para os assalariados, que tecem um vínculo duradouro com o banco onde têm o salário depositado. “No Brasil, a possibilidade de um cliente mudar de um banco para outro é de 0,5% em um ano. Dificilmente alguém troca de instituição porque a outra é mais barata, e isso vale para praticamente todos os serviços”, finaliza.

Inadimplência e riscos

Alheios ou não às taxas cobradas pelas instituições, os consumidores seguem fazendo empréstimos em ritmo galopante. Em uma década, o volume de operações cresceu 987%, alcançando um volume de 467 bilhões de reais em janeiro de 2010. Segundo o Banco Central, o endividamento não chega a preocupar. A relação entre o crédito e o PIB atingiu 45% em 2009 e ainda se distancia com folga do percentual cravado por países em situação econômica semelhante à do Brasil. Dados do Banco Mundial revelam que essa proporção é de 97,7% no Chile e 145,20% na África do Sul.

Mas considerando que a maioria das crises financeiras foi precedida da rápida expansão das operações de crédito, analistas relativizam a margem disponível para o incremento do empréstimo à pessoa física. Andrew Frank Storfer, da Anefac, alerta para um possível descompasso entre a adequação financeira do brasileiro e as possibilidades de compra artificialmente abraçadas. “A oferta de crédito foi de encontro a um forte anseio das classes C e D, que passaram a ter acesso aos bens que sempre quiseram e não podiam comprar”, sustenta. “Mas quem nunca comeu mel, quando come se lambuza. Tomar de forma indiscriminada pode levar à inadimplência.”

A Serasa Experian já projeta que a capacidade dos devedores de honrar os compromissos financeiros deve diminuir ao longo do segundo semestre de 2010. Para a empresa de análise de crédito, os rendimentos não acompanharam o ritmo das dívidas contraídas. Diante do ciclo de aperto monetário para conter a inflação e das perspectivas de aumento da Selic até o fim do ano, o comprometimento da renda deve ser ainda maior nos próximos meses. “A redução das taxas para as operações de crédito saiu do radar e não figura entre as grandes preocupações dos bancos públicos”, sentencia Storfer. Por isso, quem espera nova diminuição dos juros por meio da atuação incisiva do governo, vai se deparar com pouca ou nenhuma alteração daqui para frente.

Fonte: Portal Exame

Caixa e BB vão promover fusão operacional

terça-feira, 25 de maio de 2010

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal anunciam hoje a fusão operacional das suas atividades, com a criação de um data center para centralizar as soluções de tecnologia e informática.

Com a operação, as instituições funcionarão de forma integrada, e os caixas eletrônicos, por exemplo, passarão a atender aos correntistas dos dois bancos.

O governo espera que a unificação gere economia para as instituições, além da ampliação da rede de atendimento aos clientes.

Há ainda a expectativa de que isso contribua para dar mais poder de fogo para os bancos públicos na concorrência com as instituições privadas. A previsão é que seja construído um complexo em Brasília para sediar o data center.

Fonte: Folha de S. Paulo

Mantega cobra explicação de BB e Caixa sobre juros

quinta-feira, 25 de março de 2010

Presidentes dos bancos criticam metodologia de pesquisa do BC que aponta instituições como líderes na alta dos juros em 2010

Adriana Fernandes, Fernando Nakagawa
BRASÍLIA

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, cobrou ontem explicações dos presidentes do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, e da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho, sobre reportagem do “Estado” publicada no último domingo que mostra aumento na taxa de juros média praticada pelos dois bancos públicos, de acordo com dados do Banco Central.

A reportagem mostrou que os bancos públicos lideram a alta dos juros em comparação aos bancos privados. Após encontro com o ministro, os dois dirigentes convocaram uma entrevista coletiva para declarar que as duas instituições financeiras não aumentaram as taxas mínimas e máximas de juros para os seus clientes.

Demonstrando desconforto, criticaram a metodologia usada pelo BC para fazer o ranking, o qual, segundo eles, acabou produzindo um dado “enviesado”.

Os dois executivos argumentam que a elevação da taxa média se deve ao fato de BB e Caixa terem aumentado sua carteira de crédito com clientes novos que têm avaliação de risco maior.

“Não houve mudança alguma nas taxas de juros por parte dos dois bancos”, afirmou Bendine. Segundo ele, é natural que, nesses casos, acabe ocorrendo, na média, uma elevação dos juros. Os dois executivos disseram que já pediram ao BC que mude a metodologia, que segundo eles é criticada também pelos bancos privados.

Segundo uma fonte do BC, não foi feito nenhum questionamento ou pedido recente para mudança da metodologia da pesquisa. No ano passado o Banco Central foi questionado e chegou a mudar a metodologia. Quando os bancos públicos apareciam na frente, eles cobraram alteração na metodologia. Depois, quando os bancos privados apareceram em situação pior, a Febraban reclamou.

A presidente da Caixa sugeriu que o ranking inclua as taxas mínimas e máximas cobradas pelos bancos, e não a média. Bendine enfatizou que não há mudança na estratégia do governo de manter baixas as taxas de juros dos bancos públicos.

Apesar da afirmação, Bendine admitiu que o Banco do Brasil poderá ter de ajustar os juros se houver eventual subida da taxa básica de juros, a Selic. Para a quase totalidade do mercado, a taxa sobe em abril.

Consignado

O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, disse que ficou surpreso com a decisão dos bancos privados de entrar com ações na Justiça questionando a exclusividade que o BB tem obtido na concessão de crédito consignado em segmentos do mercado (folha de pagamento de funcionários de Estados e Prefeituras).

Na defesa do Banco do Brasil, Bendine afirmou que o mercado é livre, tem concorrência, e o banco está tendo sucesso por ser mais eficiente, “Todas as instituições que operam crédito consignado têm exclusividade. Se o BB está conseguindo angariar mais contratos de exclusividade, é porque está com melhor estratégia”, avaliou.

Segundo ele, o banco estatal tem custo de operação mais atraente, por isso consegue ganhar participação no mercado.

O dirigente do BB ressaltou que o banco não está ferindo a lei ao manter contratos de exclusividade. “Não há nenhum comportamento irregular da instituição em operar contratos de exclusividade. Isso não é uma prerrogativa do BB”, disse. Segundo ele, o mercado de crédito consignado trabalha sob as regras da livre negociação entre as partes.

Bendine informou que o BB não planeja nenhum tipo de reação na Justiça em relação às ações que questionam o tema. “A defesa do banco é o cumprimento da lei. Não estamos ferindo a lei em nada. É concorrencial. É praticado pelos bancos há tempos”, disse. As ações têm sido abertas principalmente pela Associação Brasileira de Bancos, que representa as instituições de pequeno e médio portes.

Reportagem publicada ontem pelo Estado informou que existem 11 ações na Justiça questionando a exclusividade que o BB conseguiu para operar o crédito consignado em lugares como a cidade de São Paulo e o Estado da Paraíba. Os bancos concorrentes reclamam que o BB acaba com a competição. Dos 11 processos, 8 foram abertos por instituições financeiras privadas ou por entidades do setor.

Fonte: O Estado de S.Paulo

Saiba+

Banco do Brasil e Caixa lideram alta dos juros em 2010

Bancos lucram R$ 37,4 bilhões em 2009, mas desligam 30.034 funcionários

quinta-feira, 25 de março de 2010

Os bancos, mesmo com lucros em 2009 acima de R$ 37,4 bilhões, desligaram 30.034 funcionários e admitiram 29.413, o que significa uma redução de 621 postos de trabalho. Esses números fazem parte do estudo elaborado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre o emprego no setor bancário, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Apesar de o Caged não disponibilizar os dados por empresa, é possível perceber a responsabilidade do setor privado no fechamento de postos de trabalho. O cadastro revela um aumento de 3.360 ocupações no setor de Caixas Econômicas. Dessa forma, se fossem excluídos os números desse setor, o saldo negativo geral passaria para menos 3.981 postos de trabalho.

“Esse corte brutal mostra que o sistema financeiro privado está na contramão da economia brasileira, que criou 995.110 novos empregos formais em 2009″, afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT. O estudo revela também que essas instituições estão usando a rotatividade para baixar a média salarial dos trabalhadores e que mantêm a discriminação em relação às mulheres, que estão sendo contratadas com salários inferiores aos dos homens.

O fechamento de vagas acontece num período em que os seis maiores bancos do país (Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Caixa Econômica Federal e HSBC) registraram, juntos, um lucro de R$ 37,404 bilhões, aumento de 5,41% em relação ao ano anterior, mesmo em um ano de crise financeira mundial em que o PIB do país apresentou uma queda de 0,2%. “Os bancos brasileiros não foram abalados pela turbulência dos mercados internacionais, garantiram os seus lucros astronômicos, mas cortaram empregos, o que é inaceitável”, protesta o dirigente sindical.

No último trimestre de 2009, o saldo do Caged foi positivo, com 1.455 empregos criados, resultado de 8.686 admissões e 7.231 desligamentos. No entanto, essa recuperação não foi suficiente para reverter o quadro negativo que se acumulou desde o início do ano. No mesmo período de 2008, os dados do Caged mostram uma situação diferente com um saldo positivo de 15.229 ocupações, fruto de 54.627 admissões e 39.398 desligamentos.

Há mais bancários que morrem do que se aposentam nos bancos privados

Em relação ao tipo de desligamento, os dados do Caged mostram que a maior concentração do tipo de desligamento é a demissão sem justa causa, responsável por 16.786 do total de trabalhadores desligados ou 55,89%. Além disso, cerca de 35,65% dos desligados pediram demissão de seus empregos, representando um total de 10.706 trabalhadores. “Esse dado é reflexo das más condições de trabalho a que são submetidos os bancários, com pressão constante pelo cumprimento de metas abusivas, assédio moral e outros problemas, levando a adoecimento e demissões. As demissões imotivadas comprovam a alta rotatividade do setor, o que expõe os trabalhadores a grande vulnerabilidade”, avalia Carlos Cordeiro.

Outro dado que chama atenção é o pequeno número de aposentadorias entre os motivos de desligamento de funcionários dos bancos. “Isso é um reflexo do alto número de demissões, que as empresas usam para diminuir a folha de pagamento. Considerando que os bancários que se aposentam são quase todos de bancos públicos, podemos concluir que há mais bancários que morrem do que se aposentam nos bancos privados”, denuncia o presidente da Contraf-CUT.

Com demissões, bancos gastam menos com salários

Em 2009, segundo o Caged, a remuneração média dos admitidos foi de R$ 2.099,83 e a dos desligados R$ 3.509,59, o que significa uma redução de -40,17%. A diferença vinha caindo ao longo do ano, tendo alcançado índices abaixo de -30% nos meses de julho, agosto e outubro, mas voltou a crescer acentuadamente nos dois últimos meses de 2009, atingindo patamares de -40%. Em 2008, a remuneração média dos admitidos foi de R$ 1.959,84 e a dos desligados R$ 3.325,89, o que significa uma diferença de – 41,07%.

Os dados mostram ainda que o saldo positivo de emprego no setor bancário situa-se nas faixas até 3,0 salários mínimos, com destaque para a faixa de 2,01 a 3,0 salários mínimos, que teve um saldo de 10.578 ocupações. A partir daí, todas as faixas apresentam saldo negativo de ocupações, com destaque para a faixa de 5,01 a 7,0 salários mínimos (-3.179).

Bancos privados dispensam mais trabalhadores

O corte de empregos fica ainda claro também ao analisarmos os balanços de 2009 das principais instituições. Enquanto Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal tiveram saldo positivo de 972 e 3.131 novos funcionários, respectivamente, os quatro maiores bancos privados (Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e HSBC) reduziram seus quadros em 11.582 trabalhadores. O banco que mais reduziu funcionários foi o Itaú Unibanco, que se encontra em processo de fusão.

Importante lembrar que os números do Caged são baseados somente em empregados com carteira assinada do banco, não sendo considerados terceirizados, estagiários e outros profissionais. Nos balanços, os bancos divulgam o número total de funcionários, sem transparência, uma vez que não especificam o tipo da relação de trabalho.

“Todos esses indicadores reforçam a nossa luta pela geração de empregos e melhoria dos salários e das condições de trabalho no sistema financeiro”, avalia o presidente da Contraf-CUT. Na campanha salarial de 2009, os bancários conquistaram 10 mil contratações até o final de 2011 no BB e 5 mil até dezembro deste ano na Caixa. “Os bancos, com seus lucros abundantes, têm de fazer a sua parte para o crescimento da economia e oferecer contrapartidas sociais, sobretudo as instituições privadas, a fim de valorizar os trabalhadores e o povo brasileiro”, conclui Carlos Cordeiro.

Fonte (Texto, Ilustração e Tabelas): Contraf-CUT

Em ano eleitoral, concursos para formação de cadastro de reserva voltam a gerar polêmica

terça-feira, 23 de março de 2010

Ione Luques

RIO – Quem acompanha a abertura de concursos públicos certamente notou que, nos últimos dias, vários órgãos e empresas governamentais lançaram editais de seleções ou abriram inscrições exclusivamente para formação de cadastro de reserva. Foi o caso de Caixa Econômica Federal , Dataprev e Banco do Brasil, só para citar alguns exemplos.

A realização de processos de seleção para formação de cadastro de reserva, e não para o preenchimento de vagas imediatas, sempre foi polêmica. Em ano eleitoral e depois que o Projeto de Lei 369/08, que proíbe a realização de concursos exclusivamente com esta finalidade, obteve parecer favorável na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal , em fevereiro deste ano, o assunto ganha mais destaque.

Enquanto o projeto de lei está em tramitação, do ponto de vista legal, não há nenhum impedimento para que sejam abertos concursos desta natureza, informa a assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento. O órgão é encarregado de autorizar a abertura e ocupação de vagas nas instituições públicas, porém, quando é lançado um concurso para cadastro de reserva, não é necessário ter o aval do governo federal.

O ministério, por meio de sua assessoria, diz que a formação de cadastro de reserva é útil para a administração pública, pois permite que as vagas que venham a surgir em função de aposentadorias, pedidos de exoneração ou falecimentos, por exemplo, sejam ocupadas de forma ágil. O importante é que no edital esteja explícito que o concurso é para a formação de cadastro, pois assim nenhum candidato poderá alegar que foi enganado.

A assessoria do ministério frisa ainda que o fato de ter sido classificado em um cadastro de reserva não dá ao candidato o direito ao cargo. A classificação gera apenas uma “expectativa de direito”. Por isso, nesse tipo de concurso, é importante conseguir uma boa classificação, aumentando as chances de nomeação quando surgirem vagas.

Para a diretora-executiva da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), Maria Thereza Sombra, os concursos para cadastro de reserva contrariam os princípios da moralidade, impessoalidade e eficiência, já que desperta uma falsa expectativa de nomeação.

- Muitos concursandos dedicam tempo exclusivo à preparação, assumem despesas com os estudos e com a inscrição, são aprovados e, no final, não são chamados – afirma.

Sobre a explosão de concursos para cadastro de reserva em ano eleitoral, a diretora da Anpac diz que não os vê como uma forma de os agentes públicos garantirem a criação e ocupação de novas vagas, mesmo diante da mudança do comando no país:

- Enquanto não existir uma norma proibindo esta modalidade, não há nada que se possa fazer.

Vale lembrar que, caso o projeto de lei que proíbe seleções para cadastro de reserva seja aprovado no Congresso, os concursos que já tiverem seus editais lançados ou que o processo seletivo esteja em andamento, não correm o risco de serem anulados. Afinal de contas, ressalta o Ministério do Planejamento, eles foram abertos dentro de um contexto legal e a lei não retroage.

Fonte:O Globo

PEC reforça controle do Estado sobre a Caixa e o Banco do Brasil

terça-feira, 23 de março de 2010

A Câmara analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 466/10, do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), que determina que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil serão sempre controlados e comandados pelo Estado.

O texto assegura à União 100% do capital social da Caixa, que é uma empresa pública federal. Mesmo no caso do Banco do Brasil, que, por se tratar de uma sociedade de economia mista, também conta com dinheiro privado, a proposta proíbe expressamente qualquer operação que resulte na perda do controle do capital social do banco pela União.

Segundo o autor da proposta, a importância das duas corporações para o crescimento nacional deve estar explícita na Carta Magna. “Instituições financeiras centenárias, a Caixa e o Banco do Brasil desempenham papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do País, o que justifica o controle estatal de seu capital social”, diz.

Tramitação

A PEC será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania quanto à admissibilidade (Exame preliminar feito pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania sobre a constitucionalidade de uma proposta de emenda à Constituição (PEC). A CCJ examina se a proposta fere uma cláusula pétrea da Constituição, se está redigida de acordo com a técnica correta e não fere princípios orçamentários).

Se for aprovada nessa fase, a proposta será encaminhada a uma comissão especial que será criada especificamente para analisá-la. Se for considerada inconstitucional, a proposta será arquivada.. Se aprovada, será examinada por uma comissão especial a ser criada especificamente para esse fim. Depois, seguirá para o Plenário, onde precisará ser votada em dois turnos.

Fonte: Agência Câmara

Banco do Brasil e Caixa lideram alta dos juros em 2010

domingo, 21 de março de 2010

Levantamento feito com dados do BC mostram que taxas médias do BB e da Caixa subiram mais que as do Itaú, Bradesco e Santander

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA

Os bancos públicos lideram a alta dos juros nos empréstimos ao consumidor em 2010. Levantamento feito pelo “Estado” com dados do Banco Central mostra que a taxa do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal subiu este ano mais do que no Itaú, Bradesco e Santander. Os bancos federais lideram a alta nas quatro operações para pessoas físicas acompanhadas pelo BC: crédito pessoal, financiamento de veículos, aquisição de bens e cheque especial.

Analistas dizem que a alta pode ser fruto da recomposição da margem de lucro ou de mudança no perfil dos clientes.

Após meses de atuação agressiva, com corte dos juros entre 2008 e 2009, o comportamento dos bancos públicos parece mudar. Números do BC mostram que o juro médio praticado pelo BB e pela Caixa sobe gradualmente desde o fim de 2009.

Na modalidade mais tradicional de empréstimo, o crédito pessoal, a Caixa lidera o aumento. Entre o fim de 2009 e 18 de março, a taxa subiu 2,9 pontos porcentuais e atingiu 30,9% ao ano.

Proporcionalmente, essa foi a maior alta de juros – cerca de 10% no período – entre os cinco maiores bancos. O BB foi o segundo que mais elevou a taxa. No Itaú, oscilou ligeiramente e o Bradesco reduziu em 4 pontos.

Carros

No financiamento de veículos, operação apoiada pelo governo, foi a vez de o BB liderar. No ano, a taxa média do banco subiu 3 pontos e está em 22,9%.

Na média, o BB empresta hoje com um juro 15% maior que o do fim de 2009. Em segundo na lista, a Caixa teve aumento de 1,7 ponto. A taxa do Bradesco subiu 1,2 ponto e o Itaú reduziu os juros em quase 2 pontos.

Ainda que esses bancos não tenham anunciado a alta do custo dessas operações, a taxa cobrada pode subir. Isso acontece porque as instituições estabelecem juros mínimos e máximos e a taxa praticada oscila dentro desse intervalo, conforme o perfil do cliente. Se o banco avaliar que o tomador do empréstimo tem mais risco, cobra mais juro. Desde o início do ano, é esse movimento que tem acontecido.

Queda da inadimplência. “Os bancos públicos podem estar aproveitando o aumento da demanda para recompor margens. Essa é a explicação mais razoável, até porque o risco de crédito não aumentou nos últimos meses. Pelo contrário, a inadimplência caiu e diminuiu a chance de calote, o que deveria gerar um alívio nos juros”, diz o diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad), Alberto Borges Matias.

O economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, fez uma avaliação parecida. “Podemos ter milhares de explicações, mas há alguns motivos mais comuns. No caso dos públicos, eles fizeram um movimento muito forte de corte da taxa na crise e, agora, podem estar recompondo margem. É possível também que, para manter o ritmo de crescimento, estejam operando com novos clientes, o que eleva a taxa final.”

Vale lembrar que, mesmo com a alta recente, os bancos públicos ainda praticam taxas competitivas. No cheque especial e no crédito pessoal, Caixa e BB emprestam com as taxas mais baixas entre os cinco grandes. No financiamento de veículos, estão na média do mercado. A exceção fica com a aquisição de bens, segmento em que a Caixa empresta com o maior juro dos cinco maiores bancos: 71,9% ao ano.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Bancos vão ganhar com inclusão social no Brasil

sábado, 21 de novembro de 2009

ENTREVISTA

LUIZ CARLOS TRABUCO CAPPI

Presidente do Bradesco diz que país vai repetir trajetória dos EUA no ganho de renda

PASSADO um ano da quebra do Lehman Brothers, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, afirma que a crise pareceu mais feia do que se comprovou. Admite que os bancos privados foram conservadores na concessão de crédito, perderam espaço para as instituições públicas, mas afirma que isso não poderia ter sido muito diferente porque as empresas e os consumidores também ficaram receosos de tomar empréstimo. “O crédito é calibrado pela demanda. E a demanda também caiu”. Agora, diz ele, chegou a hora de recuperar o terreno perdido. “Vamos voltar a crescer como antes da crise”, disse.

TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL

Na agência localizada na favela Heliópolis (zona sul de SP), Trabuco Cappi disse à Folha que o Brasil passará na próxima década por uma inclusão social semelhante à vivida há um século pelos EUA, que possibilitou a emergência do maior mercado consumidor do planeta. Na visão do Bradesco, esse é o mercado que os bancos disputarão nos próximos anos.

Segundo maior banco privado do país, o Bradesco disputa o atendimento à baixa renda com o Banco do Brasil e a Caixa. No varejo tradicional, a concorrência é com o Itaú Unibanco e o Santander/Real. Para ele, são esses os bancos que estarão no jogo daqui a dez anos ou mais.

“A consolidação bancária acabou. Daqui para a frente, a disputa será em segmentos.”

FOLHA – A crise foi pintada mais feia do que se comprovou?

LUIZ CARLOS TRABUCO CAPPI – Exatamente. Parece que as crises agora são mais intensas, mas passam com mais rapidez do que em outras épocas. O Estado e os mecanismos de controle conseguem realmente corrigir [os problemas]. Aquele temor de que o dólar avançasse acima de R$ 2,50 não se confirmou.

FOLHA – Mas no crédito o Bradesco poderia ter aberto mais a torneira?

TRABUCO – O crédito é um produto de demanda. Você calibra a oferta de crédito dependendo da procura. E, quando há desaceleração, a empresa precisa de menos capital de giro porque está com capacidade ociosa ou muito estoque. Nos momentos de instabilidade, você tem ajustes e alguns tropeços. Mas as políticas anticíclicas [de estímulo] são adequadas quando são feitas pelos governos. Ao sistema privado cabe continuar com o crédito aberto, mas dependendo da demanda; nunca com oferta imensurável.

FOLHA – Caixa e BB falam que, enquanto Bradesco, Itaú e Santander fecharam as torneiras, eles ganharam mercado. É verdade? O que vocês farão para recuperar terreno?

TRABUCO – Os dois bancos ganharam uma fatia de mercado em determinados nichos e em determinados setores. Mas o nosso crescimento do crédito antes da crise foi maior. A gente não pode ver essa realidade em cima de uma única fotografia, mas de várias que vão compondo o filme da evolução do crédito. Agora é hora de retomar esse mercado. Neste momento, a gente sente um aumento da demanda de crédito bastante saudável. As empresas querem aumentar a sua capacidade produtiva. Por isso, a nossa estimativa é que o crédito cresça acima de 20% [em 2010].

FOLHA – Por que só agora o banco abriu uma agência na maior favela de SP? Pobre é bom pagador?

TRABUCO – Quando os pobres se transformam em consumidores, você passa a ter uma revolução silenciosa. O pobre sem consumo estrangula a expectativa de vida, a esperança, o desejo de progresso. O Brasil não é um país pobre, é desigual. E essa pobreza que vira consumidora, graças à mobilidade social, é o que faz com que os shopping centers de classe mais elevada estejam repletos de consumidores ao mesmo tempo que uma José Paulino e uma 25 de Março [ruas de comércio popular] estão pulsando no comércio de baixa renda.

FOLHA – Qual é esse potencial?

TRABUCO – Nos próximos anos, vamos provar ao mundo essa capacidade de inclusão social.
O Brasil vai ficar marcado na história pela repetição daquilo que foi, no início do século passado, a [emergência da] sociedade de consumo americana.
Se nós olharmos para eles no início do século passado e para o Brasil de hoje, nós vemos um Brasil que está batendo em 194 milhões de habitantes, que vai continuar crescendo. Essa população vai se estabilizar em 250 milhões de habitantes, quando a renda per capita estará por volta de US$ 14 mil, nível de países europeus.

FOLHA – O sr. está dizendo que estamos atrasados um século?

TRABUCO – Eu diria que estamos atrasados uns 30 anos para chegar a uma sociedade emergente de consumo, que zerou o seu deficit habitacional, que é estimado hoje entre 8 milhões e 11 milhões de famílias que não possuem endereço. Olhando para a frente, a progressão que o crédito imobiliário pode ter é formidável. Ele penetra hoje 3,5% do PIB. Nossa estimativa é que esteja ao redor de 11% do PIB em 2014. Ainda é muito pouco, mas vamos triplicar.
No caso de automóveis, estão faltando no Brasil 8 milhões de veículos para nós chegarmos à mesma proporção argentina. Se nós tivermos a mesma proporção dos EUA, daqui a 50 anos, será um automóvel por habitante. A gente está vivenciando a redução da desigualdade entre as classes no país.

FOLHA – Existia um temor de lidar com a baixa renda?

TRABUCO – A experiência com o pequeno e médio cliente mostra que ele tem uma propriedade que é só dele: o nome. E ele tem preservado isso. Quando não consegue honrar os seus pagamentos, é o primeiro que aparece para quitar as dívidas que ficaram para trás.

FOLHA – Mas a Caixa e o BB estão mais adiantados nesse mercado. Qual o diferencial do Bradesco?

TRABUCO – A nossa força é estar em todos os segmentos. A Caixa e o BB fazem um trabalho importante de inclusão bancária e de concessão de crédito. São bancos modernos, que receberam um choque de informática. Mas as modernizações tecnológicas vão se transformando em commodity. Nós sempre estamos preocupados em criar coisas novas no Bradesco. Criamos 10 mil máquinas de biometria [identificação por digital], estamos objetivando lá na frente a substituição de senhas ou até do cartão.

FOLHA – A consolidação bancária acabou? Daqui a dez anos, veremos os mesmos competidores?

TRABUCO – O mercado bancário está consolidado. Entre os bancos de presença nacional, você teve convergência para dois estatais, dois privados e dois estrangeiros -são todos extremamente competitivos. Tem outros que vão atuar regionalmente e vamos ter bancos de nicho. Você tem uma grande competição, mas não uniforme. Vai se dar em segmentos e certos setores. Bancos de cobertura nacional são esses. Com a competição, ganham o mercado e o consumidor.

Fonte: Folha de S. Paulo