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BB financia usina de álcool na Colômbia

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Numa operação típica do BNDES, BB empresta US$ 223 milhões para grupo israelense que vai comprar equipamentos brasileiros

O juro cobrado pelo BB será a taxa Libor, sem acréscimo de spread. Atualmente, a Libor está abaixo de 1% anual

Fernando Nakagawa – O Estado de S.Paulo

O Banco do Brasil está financiando projetos internacionais cada vez maiores e começa a concorrer com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No fim de semana, executivos do BB acertaram condições de um empréstimo de US$ 223 milhões para a instalação de uma usina de etanol na Colômbia.

Segundo as empresas envolvidas, é a maior operação privada realizada até hoje pelo Programa de Financiamento às Exportações, o Proex. O dinheiro vai beneficiar um grupo israelense que comprará equipamentos de uma fornecedora brasileira. O contrato será firmado em breve.

A operação, que se assemelha aos créditos concedidos pelo BNDES, será realizada por meio da Proex, linha usada para financiar a exportação de mercadorias. Ao mesmo tempo que o BB fecha o contrato, a política externa brasileira mantém a meta de levar a cultura do etanol a mais países da América Latina, já que o governo pretende alçar o combustível à categoria de commodity internacional.

O chefe do projeto encabeçado pelo Grupo Merhav, Jorge Chavez, explicou ao Estado por telefone, da Colômbia, que as conversas com o BB começaram no auge da crise, no fim de 2008. O empréstimo é destinado à construção da usina que vai usar equipamentos e a tecnologia de uma empresa paulista, a Uni-Systems. Esse é o segundo financiamento às usinas construídas no exterior pela companhia. A primeira, no Peru, teve crédito bem menor, de US$ 25 milhões.

O juro cobrado pelo BB é composto pela taxa Libor – referência no mercado britânico – sem acréscimo de spread. Atualmente, a Libor está abaixo de 1% anual, em dólar. “É muito mais barato que se nós tomássemos o crédito na Colômbia ou nos EUA. É um grande estímulo”, diz Chavez, ao comentar que se a empresa fosse a mercado pagaria juro de cerca de Libor acrescido de até 6,5%. O juro competitivo é explicado porque há um seguro de US$ 20 milhões que será acionado em caso de calote.

O Proex é uma linha que usa recursos da União e é operada exclusivamente pelo BB. Segundo a instituição, a linha pode ser da categoria “financiamento”, quando há empréstimo para o exportador ou importador com recursos do Tesouro Nacional. A modalidade está “voltada fundamentalmente para o atendimento às micro, pequenas e médias empresas”.

Nesse caso, a operação foi possível porque a Uni-Systems é qualificada nesse segmento, por ter faturamento anual de até R$ 600 milhões.

“O financiamento do Proex é que viabiliza a planta, já que o crédito tem condições muito competitivas”, diz o diretor de administração da Uni-Systems, Luis Carlos de Mello. Além da planta na Colômbia, a empresa tenta crédito de US$ 122 milhões para a instalação de outra usina no Peru e negocia o financiamento para a construção de uma usina nos EUA.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Fundos de pensão recebem R$ 1,1 bilhão da PT

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Para receber o cheque de € 7,5 bilhões da Telefónica pela venda de sua participação na Vivo, a Portugal Telecom deixou R$ 3,2 bilhões para os controladores da Oi, Andrade Gutierrez (AG) e La Fonte (LF Tel), e mais R$ 1,1 bilhão para os fundos de pensão das estatais Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Esses desembolsos garantiram que a operação saísse num prazo muito curto.

A Portugal Telecom, que deixa a Vivo e entra na Oi, onde terá cerca de 23% tanto no bloco de controle como de participação econômica, colocará até R$ 8,4 bilhões na nova sociedade, sendo que cerca de 65% desse total será dinheiro novo para fortalecer a empresa. Como parte do negócio, a Oi deverá ter 10% da Portugal Telecom, no lugar hoje ocupado pela Telefónica.

A entrada na Oi é de grande complexidade societária. A transação envolve um aumento de capital de R$ 4,2 bilhões na holding não listada do grupo, a Telemar Participações, onde estão os controladores e o acordo de acionistas, e mais outro, de R$ 12 bilhões, em cada uma das empresas listadas na BM&FBovespa – Tele Norte Leste Participações (TNLP) e Telemar Norte Leste (TMAR).

O ingresso na Telemar Participações envolve R$ 4,7 bilhões. Cada controlador, AG e LF Tel, receberá R$ 1,6 bilhões para que a PT tenha 35% em cada um. Desse valor, só R$ 820 milhões serão repassados por eles à Telemar Participações no aumento de capital. O restante será embolsado. Além disso, a PT pagará R$ 1,1 bilhão para comprar participação direta de 10% nessa holding em mãos dos fundos de pensão e desembolsará R$ 424 milhões no momento do aumento de capital. Terá assim, direta e indiretamente, 23,5% da holding.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e representantes dos fundos de pensão acompanharam de perto, desde o início, as negociações.

Um segundo jornal diz que a entrada da PT (Portugal Telecom) na empresa controladora da Oi deverá ocorrer por meio da venda da participação dos fundos de pensão. A Folha apurou que, na semana passada, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) fechara acordo com Previ (fundo dos funcionários do BB), Funcef (da Caixa) e Petros (Petrobras) o qual previa que teriam de vender sua participação.

Consultados, os fundos negaram a venda. Mas pessoas próximas a essas negociações disseram que a Funcef deverá abrir mão de seus 10%, retirando-se da Oi. Os detalhes dessa negociação serão definidos na próxima semana. Previ e Petros devem continuar no negócio.

Um terceiro jornal nota que a entrada da PT se dará diretamente, com a compra de 10% da fatia da BNDESPar e dos fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa), que hoje detêm 49,9%, e indiretamente.

Fonte: Suporte Educacional/Fontes primárias: Valor + O Estado de S. Paulo + O Globo + Folha de S. Paulo

Inscrição para concurso do BNDES até 8 de agosto

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Estão abertas as inscrições para concurso do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para formação de cadastro de reserva de 520 cargos de técnico administrativo (nível médio) e profissional básico (nível superior). Os salários são de R$ 2.496,59 e R$ 7.836,15, respectivamente. O edital está no site do Diário Oficial da União .

As oportunidades são para lotação na cidade do Rio de Janeiro, mas, de acordo com as necessidades de serviço, os candidatos aprovados e convocados poderão ocupar postos em outras localidades, inclusive no exterior.

Para se candidatar ao cargo de técnico administrativo é preciso ter concluído o ensino médio. O profissional será responsável por executar atividades técnicas e administrativas, auxiliando nos trabalhos relacionados a estudos e execução de projetos, rotinas administrativas, bem como atividades especializadas que exigem conhecimento técnico e/ou administrativo.

Aqueles que desejam concorrer ao cargo de profissional básico devem ter formação superior em análise de sistemas (suporte), arquitetura, arquivologia ou direito. Os profissionais desenvolverão tarefas de natureza técnico-administrativas, relacionadas ao negócio da instituição.

As inscrições devem ser realizadas até 8 de agosto, no site da Fundação Cesgranrio, organizadora do concurso. O valor da taxa é de R$ 34 para técnico administrativo e R$ 64 para profissional básico.

O concurso será composto por prova objetiva, discursiva e redação. Os exames estão previstos para serem aplicados no dia 19 de setembro nas cidades de Belém (PA), Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).

Fonte: O Globo

O recuo dos bancos públicos

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Banca privada mantém passo do final de 2009, mas estatais reduzem para um terço ritmo de aumento do total de crédito

VINICIUS TORRES FREIRE
vinit@uol.com.br

DEPOIS DE hibernar durante o auge da crise financeira mundial e da suave recessão brasileira, de setembro de 2008 a setembro de 2009, a banca privada nacional voltou ao mercado.

Entre aqueles dois setembros, os bancos públicos comerciais e o BNDES haviam sido responsáveis por 70% do aumento do estoque de crédito -do total do dinheiro ainda emprestado. No primeiro trimestre deste ano, os bancos privados inverteram o jogo. Do total do aumento do estoque de crédito de janeiro a março, responderam por 59%.

Mas os bancos privados aumentaram o ritmo de seus empréstimos já no terço final do ano passado. Continuam mais ou menos no mesmo passo neste início de 2010. Foram os bancos públicos que deram um tempo na voracidade de 2008-09. A fatia de mercado dos bancos públicos subiu de 34% (setembro de 2008) para 41,5%, agora em março, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central.

Estranha mesmo é a atuação dos bancos privados estrangeiros. Mesmo passada a crise, eles estão mais do que tímidos. Sua fatia na expansão do estoque de crédito no primeiro trimestre deste ano é um quinto do que era no início de 2008.

A redução do ritmo nos bancos públicos e a estabilidade nos bancos privados fazem com que a taxa anual de expansão de crédito venha flutuando em torno de 16% desde setembro de 2009. Bancos privados vinham estimando que o estoque de crédito poderia crescer perto de 20% neste ano. Como a economia tende a desaquecer um tico daqui ao final do ano, dada a alta dos juro básico, parece mais difícil chegar aos 20%. A inadimplência continua a cair.

No caso das pessoas físicas, a taxa de calote não passou de 8,6% de 2009.

No início do ano passado, banqueiros estimavam que a inadimplência chegaria a 10%. Agora está em 7%.

A projeção inicial não foi tão errada quanto parece. Os bancos privados não contavam com a agressividade dos bancos públicos no crédito, o que evitou recessão feia, mais desemprego, falências e, pois, calotes.

Temos um sistema financeiro híbrido, com prós e contras. Por um lado, foi possível evitar recessão maior com o “ativismo estatal” -que não redundou em calotes e rombos na banca pública, como se temia. O outro lado da moeda é que nosso sistema de juros tabelados e subsidiados, gerido pelos bancos públicos, impede que a taxa básica de juros, a Selic, seja menor.

Isto é, a taxa básica, a do BC, tem de ser maior para compensar o estímulo econômico oferecido por taxas menores, subsidiadas, como as do BNDES, que faz o grosso do financiamento bancário do investimento. Sem juros tabelados e subsidiados, quão menor seria a Selic? E quão menor seria o crédito para investimentos? Não se sabe. O problema vai muito além da alternativa crédito público vs. crédito privado.

Fonte: Folha de S. Paulo

Esta seção – Debate – publica opiniões outras, que não a do autor do BBlog, sobre os assuntos aqui costumeiramente abordados

Estado empresarial

terça-feira, 9 de março de 2010

Atuação conjunta do Tesouro, do BNDES e dos fundos de pensão traz riscos que estão sendo ignorados pelo governo

O PATRIMÔNIO dos fundos de pensão fechados no Brasil cresceu rapidamente nos últimos anos e atingiu quase R$ 500 bilhões em fins de 2009. Há, além disso, uma forte concentração dos recursos em fundos patrocinados por empresas estatais -os três maiores do país (Previ, Funcef e Petros) detinham em novembro de 2009 um patrimônio de R$ 219 bilhões, equivalente a 45% do total do setor.

É por meio deles -e do BNDES- que o governo vem aumentando sua influência nos principais setores da economia.

Não há dúvida do papel relevante dos fundos de pensão e do BNDES como provedores de capital de longo prazo, tão essencial ao desenvolvimento. Eles podem e devem participar de projetos de infraestrutura e manter investimentos em empresas importantes.

Essa atuação, todavia, tende a ser nociva ao país caso não esteja assentada em supervisão independente e em sólidos critérios de gestão financeira. Infelizmente estas condições não se acham asseguradas.

Os fundos de pensão patrocinados por empresas públicas estão sendo metamorfoseados em instrumentos de poder político, a serviço do governo de plantão e da burocracia sindical que hoje domina as representações de empregados e empregadores. Aí não se trata de um problema de regulação. As regras são -como tantas no Brasil- bem feitas.

O problema é o enfraquecimento dos freios e contrapesos institucionais que estão na base de uma fiscalização eficaz. Com isso, abre-se caminho para a fusão de interesses entre governo, sindicatos, fundos de pensão e empresários favoritos, que, se perenizada, pode vir a representar até uma ameaça ao bom funcionamento da democracia.

O destino de bilhões de reais sob critérios obscuros é apenas uma das faces do problema. Além das questões de natureza política e institucional, é preciso considerar ainda os riscos financeiros incorridos pelo Estado -ou seja, pelo contribuinte- em operações bilionárias.

O reforço da atuação do BNDES em 2009, possibilitado pela capitalização de R$ 100 bilhões feita pelo Tesouro, é um exemplo. A capitalização tem como contrapartida o endividamento público no mesmo montante. Ou seja, o governo federal se endivida para, em seguida, fazer aportes em empresas, junto com os fundos de pensão.

A história do capitalismo brasileiro é marcada pela forte presença estatal, cujo auge, em parceria com o capital privado nacional e estrangeiro, aconteceu no período do presidente Ernesto Geisel (1974-1979), às vezes enaltecido por Lula. Mas os descaminhos da década de 1980, que tanto custaram ao país, são em parte consequência do modelo intervencionista anterior.

Inebriado por sua voracidade empresarial, o governo não parece preocupado com os riscos de eventuais prejuízos -afinal a economia cresce e todos os projetos seriam rentáveis e muito sólidos “desta vez”. Se o passado é um bom guia, há motivos de sobra para preocupação.

Fonte: Folha de S. Paulo

Esta seção – Debate – publica opiniões outras, que não a do autor do BBlog, sobre os assuntos aqui costumeiramente abordados

O PT não conhece o BB

sábado, 6 de março de 2010

“O BB é agora outro banco. Seus executivos têm nível de qualificação semelhante ao dos dirigentes das instituições privadas. A escolha para posições de liderança valoriza mais a preparação acadêmica e o treinamento”

Maílson da Nóbrega

Após ser sagrada futura candidata do PT à Presidência, a ministra Dilma Rousseff assumiu dois compromissos: preservar a política econômica e promover o desenvolvimento com base em um “estado forte”.

Ela diz que esse “estado forte” não significa o estatismo de outros tempos. De fato, a volta ao passado, ainda que desejada por muitos, é impossível. Não dá para imaginar o governo de novo pondo-se a produzir aço ou a vender farinha de trigo na porta dos moinhos. O estado seria o “indutor” e não o gestor do desenvolvimento. Palmas para a ministra se isso significar, por exemplo, melhoria na qualidade da educação, um sistema tributário racional e leis que incentivem o investimento privado em infraestrutura.

Acontece que as diretrizes do partido da candidata, o PT, divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, sinalizam justamente intervenções como aquelas dos tempos passados. É o caso da criação de “campeões nacionais” via empréstimos generosos do BNDES. Montanhas de subsídios poderão conferir poder de mercado a grupos privilegiados. O resultado seria o aumento da concentração de renda, que o PT condenava. Como antes, haveria uma industrialização socialmente ineficiente.

Os aumentos de participação estatal no capital da Petrobras já preocupam investidores. Mas o pior mesmo seria usar o Banco do Brasil como alavanca da “grande transformação” de um governo Dilma, como se depreende do documento que engloba as tais diretrizes do PT. O assessor internacional de Lula, o petista Marco Aurélio Garcia, de inequívocas convicções estatistas, é um dos coordenadores do documento. Promete-se ali usar o crédito do BB para beneficiar o setor produtivo.

Essa visão, bolorenta, remonta ao tempo em que o BB dava crédito subsidiado com recursos do governo, os quais eram supridos por uma “conta de movimento”, que se tornou insustentável quando a inflação agigantou a demanda desses recursos.

A conta foi extinta em 1986, sob intensa oposição dos que não viam sua impropriedade e o risco que ela impunha ao BB. Iniciou-se a longa transição até a virada final, entre 1995 e 1999. O banco viria a protagonizar a maior revolução de uma empresa estatal brasileira.

Cortado o acesso fácil ao Tesouro, o BB se reinventou. Autorizado a atuar em todo o sistema financeiro – a contrapartida natural do fim da “conta de movimento” -, o banco preparou-se para explorar novas oportunidades. Com seus melhores talentos e consultoria externa, redesenhou sua estrutura e reduziu o quadro de pessoal.

A área financeira foi separada da comercial. Essa segregação, comum nos bancos, tinha no BB uma justificativa adicional: blindá-lo contra o populismo de seu maior acionista. A área comercial empresta, mas a financeira fixa as condições. Em tese, não é mais possível direcionar o BB para ações “desenvolvimentistas”.

O BB é agora outro banco, inclusive na formação de recursos humanos. Seus executivos têm nível de qualificação semelhante ao dos dirigentes das instituições privadas. A escolha para posições de liderança, no país e no exterior, valoriza mais a preparação acadêmica e o treinamento focalizado na excelência dos serviços e na competição no mercado.

O BB atua em todas as áreas, abrangendo as de gestão de recursos de terceiros, banco de investimento, previdência e seguros. Sua subsidiária no exterior, a BB Securities, é campeã de lançamento de papéis de empresas brasileiras nos mercados globais de capitais, superando tradicionais instituições nacionais e estrangeiras.

Em situações excepcionais, como na recente crise, o BB pôde assumir riscos maiores do que os bancos privados, aumentando sua participação na oferta de crédito. Fez isso de forma responsável, sem piorar os níveis de impontualidade. Nada a ver com seu passado de provedor do crédito subsidiado que beneficiava relativamente poucos.

As citadas diretrizes implicam eliminar a segregação de funções. O BB voltaria a ser instrumento de concentração de renda em lugar de avançar na modernização baseada na competitividade, meritocracia e boa governança corporativa.

Como fez Lula, Dilma pode desprezar tais ideias, que por ora serviriam para contentar segmentos mais atrasados e radicais do PT. A porta não seria aberta para desatinos e o BB continuaria a ser estrela de primeira grandeza na constelação do sistema financeiro brasileiro. Rezemos.

Fonte: VEJA

Esta seção – Debate – publica opiniões outras, que não a do autor do BBlog, sobre os assuntos aqui costumeiramente abordados

BNDES e fundos de pensão devem financiar “superelétrica” sob comando da Camargo Corrêa

segunda-feira, 1 de março de 2010

Governo monta operação para consolidar setor sob comando da Camargo Corrêa

Aquisição de controle da Neoenergia e da Brasiliana custaria até R$ 17 bilhões; governo pressiona para que americana AES deixe o país

LEILA COIMBRA
LEONARDO SOUZA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O Palácio do Planalto já começou a montar a operação financeira e societária para a criação da “superelétrica” a ser comandada pela empreiteira Camargo Corrêa. O governo quer que os fundos de pensão das estatais e o BNDES injetem recursos na nova empresa.

Pelo formato avalizado pelo Planalto, a CPFL (controlada pela empreiteira) será a cabeça da companhia. Num primeiro momento, incorporaria a Neoenergia, na qual a Previ (fundo dos funcionários do Banco do Brasil) e o próprio BB têm a maior parte do capital votante. Depois, já capitalizada, a elétrica compraria a Brasiliana (holding controladora de Eletropaulo, AES Sul e AES Tietê).

Assim, conforme a Folha antecipou no mês passado, seria criada uma gigante no setor, com mais de um terço da distribuição de energia no país.

Cálculos preliminares apontam a necessidade de R$ 15 bilhões a R$ 17 bilhões para a aquisição da participação majoritária nas duas empresas.

Analistas de mercado avaliam que a operação faz todo o sentido para a Previ. Ela também é sócia da CPFL, o que gera conflito de interesses devido à sua participação na Neoenergia. Com a fusão das duas, a Previ integraria o bloco de controle da nova companhia a partir da CPFL, que continuaria sob o comando da Camargo.

Fonte ligada às transações diz que a Previ faria um movimento parecido com o que a Andrade Gutierrez fez na Light, vendendo sua fatia na concessionária mas se posicionando na controladora, a Cemig, que hoje é a dona da Light.

Um dos mecanismos estudados pelo governo para viabilizar as transações é a criação de um Fundo de Investimento em Participações (FIP), cujos cotistas seriam principalmente os fundos de pensão -Previ, Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa Econômica Federal)- e a BNDESPar, braço de participações do BNDES. O FIP faria parceria com a CPFL na compra das outras duas elétricas.

A estratégia faz parte da decisão do governo Lula de fomentar a formação de grandes grupos nacionais. A ministra Dilma Rousseff já disse publicamente que apoia o negócio e que a concentração no setor é uma tendência global.

Na Brasiliana, o maior obstáculo é societário. A americana AES, sócia do BNDES na holding, não mostra disposição de vender sua parte. O BNDES tem 53,85% do capital total, mas a operação é da AES, que tem maioria do capital votante.

Pelas regras atuais, tanto BNDES como AES não podem negociar diretamente com ninguém. A oferta das ações tem de ser por leilão. O governo já havia tentado colocar a fatia do BNDES à venda, mas como a AES tem direito de preferência, acabou desistindo.

No último mês, a AES alardeou que está capitalizada, pois recebeu injeção de US$ 2 bilhões do fundo soberano chinês, e que estaria disposta a ficar no Brasil e até elevar a sua presença. Fontes próximas à ministra disseram que ela considerou a atitude dos americanos “uma afronta pessoal”.

A ordem foi partir para uma pressão direta para que a AES deixe o país. A Folha apurou que o BNDES já negocia a saída dos americanos da sociedade e que a discussão agora é só o preço. Executivo familiarizado com o negócio disse que a CPFL provavelmente terá de pagar caro pela Brasiliana, mas, diante de boa oferta, a AES não teria motivo para não vender.

Outra dúvida é a possibilidade de o leilão atrair rivais interessados na Eletropaulo. Para executivo do setor, dificilmente um grupo teria musculatura financeira para bater a Camargo, turbinada pelos fundos e o BNDES. Segundo ele, as grandes múltis de energia estão fragilizadas pela crise global.

Fonte: Folha de S. Paulo

Governo federal intensifica negócios com empreiteiras

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Cinco maiores construtoras negociam com BNDES, Petrobras e fundos estatais

Candidata à Presidência, Dilma Rousseff vê “com bons olhos” as transações, que envolvem notórias doadoras de campanhas eleitorais

LEONARDO SOUZA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

No ano eleitoral, o governo federal intensificou parcerias e transações bilionárias com as cinco maiores empreiteiras do país. Notórias doadoras de campanhas, elas vêm negociando com BNDES, Petrobras e fundos de pensão de estatais.

Os movimentos avalizados pelo Palácio do Planalto coincidem com a consolidação da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à sucessão do presidente Lula. As construtoras foram as maiores doadoras de campanha do PT nas duas últimas eleições.

Entre dezembro e janeiro, a Petrobras anunciou a injeção de R$ 2,5 bilhões na petroquímica Braskem (controlada pela Odebrecht), o BNDES repassou um terço do capital votante da Cemig para a Andrade Gutierrez, e a Casa Civil deu aval à Camargo Corrêa para comprar o controle da Neoenergia e da Eletropaulo e AES Sul.

Em março do ano passado, a Invepar, administrada pela OAS, recebeu aporte de R$ 719 milhões da Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal) e da Petros (Petrobras), o que viabilizou a compra do Metrô do Rio de Janeiro e da concessão da rodovia Raposo Tavares.

Há vários outros grandes negócios recentes das empreiteiras com a participação, direta ou indireta, do governo.

No caso das ações da Cemig, o BNDES as detinha por conta de uma dívida de R$ 2,1 bilhões (em valores atualizados) contraída pela americana AES, inadimplente havia seis anos, para a compra de 33% do capital votante da companhia energética.

Após dois anos de negociação, a Andrade Gutierrez concluiu a transação em dezembro, assumindo a dívida da AES e levando os papéis da Cemig, com dez anos para quitar o débito.

Se não foi um mau negócio para o BNDES, a operação foi melhor ainda para o grupo AG, cliente assíduo do banco estatal. Entre 2008 e 2009, o BNDES liberou quase R$ 7 bilhões para a Oi, controlada por AG e La Fonte, comprar a Brasil Telecom. Lula editou decreto para permitir o negócio.

No fim do mês passado, a Braskem comprou a Quattor, criando a maior empresa do setor nas Américas. Uma semana depois, anunciou a aquisição da americana Sunoco Chemicals, por US$ 350 milhões.

As operações foram possíveis graças ao aumento da participação da Petrobras na empresa -o controle da Braskem está nas mãos da Odebrecht, com 50,1% das ações ordinárias.

Carlos Fadigas, vice-presidente de finanças da petroquímica, ressalta que a maior operação da companhia foi realizada em 2001, com a compra da Copene, rebatizada de Braskem. “Não foi só no governo Lula. É uma história ao longo do tempo”, disse ele.

Conforme a Folha noticiou na semana passada, o Palácio do Planalto aprovou a constituição de uma superelétrica formada pela Camargo Corrêa.

Controladora da CPFL, a empreiteira pretende adquirir também as ações na Neoenergia pertencentes à Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) e ao BB, e a participação do BNDES na Eletropaulo e na AES Sul -duas operações na casa dos bilhões. Para concretizá-las, a Camargo precisará de financiamento do banco federal de fomento.

Na quarta-feira, Dilma confirmou as tratativas. “Não vemos com maus olhos. É uma tendência internacional ter grandes empresas nessa área.” Ressaltou que o negócio ainda não foi “colocado de forma completa para o governo”.

A Funcef anunciou também que pretende comprar metade da participação da Camargo Corrêa na usina de Jirau, no rio Madeira, o que ajudaria a capitalizar a empreiteira.

Já a Queiroz Galvão tem na Petrobras um de seus maiores clientes em construção civil e sua principal parceira na área de exploração de óleo e gás.

Procuradas pela reportagem, Invepar-OAS e Queiroz Galvão disseram, via assessoria, que não iriam se manifestar.

Fonte: Folha de S. Paulo

Saiba+
Bons e maus negócios: quem decide os investimentos dos fundos de pensão?

BNDES aprova empréstimo de R$ 4,4 bi à Oi

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Cifra representa o maior financiamento a um grupo de telecomunicações desde a privatização da Telebrás, em 1998

Repasses do BNDES à Oi e à Brasil Telecom somadas representam cerca de 60% dos R$ 28,9 bi que o banco já liberou ao setor de telecom

ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou, ontem, um empréstimo de R$ 4,4 bilhões para o grupo Oi/BrT. É o maior financiamento a um mesmo grupo de telecomunicações desde a privatização do Sistema Telebrás, em 1998.

A Oi comprou a Brasil Telecom no final do ano passado. Segundo o BNDES, o dinheiro financiará a compra de bens e serviços produzidos no Brasil pelas quatro empresas de telefonia do grupo -Oi Fixa, Oi Móvel, Brasil Telecom Fixa e Brasil Telecom Móvel-, prevista nos planos de investimento no triênio 2009/2011. Os recursos serão liberados ao longo de três anos, mediante a comprovação dos gastos.

Antes da fusão, a Oi e a Brasil Telecom já eram, individualmente, as empresas de telecomunicações com maiores empréstimos no BNDES.

A Oi já havia recebido R$ 6,7 bilhões do banco, desde a privatização. A Brasil Telecom, por sua vez, acumulava financiamentos de R$ 6,14 bilhões. No mesmo período, a TIM recebeu R$ 3,85 bilhões. A Vivo e sua controladora Telefônica receberam, somadas, R$ 5,1 bilhões.

O empréstimo foi solicitado em julho, o que, para os padrões do banco, significou uma aprovação muito rápida. Em geral, ele leva pelo menos seis meses para examinar os projetos. “Foi rápido porque somos eficientes”, respondeu o chefe do departamento de telecomunicações do banco, Alan Fishler, ao ser indagado sobre a razão da celeridade.

Com o financiamento de R$ 4,4 bilhões anunciado ontem, sobe para R$ 17,24 bilhões o total autorizado pelo BNDES à Oi/Brasil Telecom desde a privatização da Telebrás. Isso representa cerca de 60% dos R$ 28,9 bilhões que o banco liberou para todas as teles desde a privatização.

Decisão política

O presidente da consultoria especializada em telecomunicações Teleco, Eduardo Tude, não vê distorção no peso do grupo Oi/ BrT dentro da carteira de empréstimos do BNDES para o setor. Ele lembra que o governo Lula incentivou a compra da Brasil Telecom pela Oi a propósito de preservar a existência de uma grande empresa nacional no setor.

“Os demais grupos que estão no mercado brasileiro -Telefônica, Telmex, Telecom Italia e Vivendi- são muito maiores do que a Oi/BrT e têm atuação internacional”, afirma.

Para Fishler, do BNDES, os valores da Oi/BrT são maiores porque é o grupo com maior área de concessão de serviço e com as maiores metas de expansão por cumprir.

Endividamento

A Oi ainda está digerindo a compra da Brasil Telecom. De janeiro a setembro deste ano, ela acumulou prejuízo de R$ 71 milhões, e seu endividamento atinge R$ 21,1 bilhões. A empresa define as dificuldades do momento como as dores do crescimento.

Para Eduardo Tude, a Oi/BrT não teria condição de financiar seus investimentos só com os recursos próprios, por estar com o caixa apertado. Mas, para ele, as teles oferecem pouco risco para os bancos.

A compra da Brasil Telecom envolveu cerca de R$ 12 bilhões e teve repercussão até na esfera política. Para viabilizar a compra, o presidente Lula eliminou a regra que impedia a compra de uma concessionária de telefonia fixa por outra.

O BNDES financiou indiretamente uma parte da negociação. No ano passado, por intermédio de sua empresa de participações BNDESPar, desembolsou R$ 2,5 bilhões para financiar a saída de alguns acionistas controladores da holding Telemar.

O maior apoio financeiro estatal para a compra da BrT veio do Banco do Brasil, que autorizou empréstimo de R$ 4,3 bilhões à Oi/Telemar na ocasião.

Depois da absorção da BrT, a Oi -que passou a se apresentar como Nova Oi- detém 51,6% do total de linhas telefônicas fixas em serviço no país e 20,9% dos assinantes de celular. Sua área de concessão cobre todos os Estados, menos São Paulo.

Fonte: Folha de S. Paulo

BNDES resiste a auditoria da CGU

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Banco defende sigilo, mas Controladoria pode recorrer ao STF por se tratar de verba pública

Renata Veríssimo e Adriana Fernandes, BRASÍLIA

Responsável pelo desembolso de mais de R$ 100 bilhões em financiamentos neste ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento, Econômico e Social (BNDES) resiste à fiscalização dessas operações pelos órgãos públicos de controle. Uma disputa entre o banco e a Controladoria Geral da União (CGU) já está sendo arbitrada pela Advocacia Geral da União (AGU) e ameaça chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O BNDES se recusa a fornecer os dados pedidos pela CGU e argumenta que, por ser uma instituição financeira, isso representa quebra dos sigilos fiscal e bancário. A Controladoria rebate afirmando não se tratar de quebra de sigilo, mas de transferência de informações, que são reservadas para uma divulgação pública, mas devem ser abertas para os órgãos de controle.

A briga jurídica “governo versus governo” coloca em xeque a capacidade de fiscalização de uma instituição que recebe recursos públicos e que já é hoje maior do que o Banco Mundial (Bird). O banco brasileiro de fomento já emprestou mais de R$ 100 bilhões, só neste ano, contra os R$ 90 bilhões que o Bird emprestou no ano fiscal 2008/2009, encerrado em junho passado.

O BNDES tem como principal fonte de recursos o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). E, em 2009, para ajudar no combate à crise financeira internacional, recebeu um empréstimo de R$ 100 bilhões com juros subsidiados pelo Tesouro Nacional. O empréstimo foi criticado pela oposição, que enxergou na operação uma forma de o governo criar uma espécie de “orçamento paralelo de investimento”, fugindo aos controles a que estão sujeitas as despesas públicas. Novo empréstimo ao BNDES já está sendo negociado pelo Tesouro.

SIGILO

O caso foi parar na Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal, segundo a AGU. Enquanto não se chegar a um acordo, diz a advocacia, o processo deve ser tratado de forma sigilosa. “Nossa luta permanente é para avançar a linha do limite do sigilo bancário e fiscal, resume Jorge Hage, o chefe da Controladoria Geral da União.

Na visão de Hage, os sigilos bancário e fiscal “são dois temas exacerbados, que se transformaram em verdadeiros dogmas e que acabam servindo como biombo para muitas irregularidades”. A ordem, apesar da resistência, é não desistir: “Vamos continuar insistindo nisso e avançado”, disse Hage.

BNDES E AGU

O BNDES não quis comentar a polêmica. Informou apenas que espera uma decisão da AGU e que é uma instituição financeira sujeita à Lei Complementar 105, que trata do sigilo nas operações financeiras realizadas pela instituição.

Hage admitiu que esteve recentemente com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, a quem o BNDES é subordinado oficialmente. Hage tratou do assunto com o ministro e disse esperar um acordo, mas não descarta a possibilidade de ter de brigar em instâncias superiores. Segundo ele, a AGU pode ser ouvida inicialmente, mas, em última instância, o caso pode acabar no Judiciário.

O STF já teve de arbitrar uma polêmica semelhante entre o Banco do Brasil e o Tribunal de Contas da União (TCU). “Se as regras sobre sigilo têm raízes constitucionais, as competências dos órgãos de controle também têm raízes constitucionais. O desempate disso, no nosso entendimento, deve se dar em favor do princípio da supremacia do interesse público sobre o privado”, defendeu Hage.

No caso BB-TCU, o Supremo decidiu que o dinheiro público emprestado pelo banco para investimento público está sujeito a auditoria do Tribunal de Contas. O BB teve de transferir ao TCU dados bancários e fiscais sigilosos.

Segundo a CGU, o BNDES alega sigilo bancário para não divulgar as informações sobre operações com entidades privadas. Não são fornecidas informações sobre o projeto da empresa e sua análise pelo banco, as garantias oferecidas, as liberações de recursos já realizadas e a situação de adimplência do tomador do financiamento junto à instituição. O BNDES também se recusa a informar a análise de risco do setor privado, tanto dos tomadores diretos quanto dos agentes financeiros intermediadores dos empréstimos.

PROBLEMA ANTIGO

A CGU alega que essas restrições limitam a avaliação sobre a legalidade e efetividade das operações realizadas pelo banco. O órgão de controle afirma que sem essas informações essenciais, que não dizem respeito à conta particular do cliente, pode-se estar permitindo que pessoas físicas ou jurídicas se beneficiem indevidamente de recursos que são públicos.

A disputa entre órgãos de controle e bancos públicos é antiga e se arrasta desde governos anteriores ao do presidente Lula.

A CGU já teve problemas com o BB, a Caixa, o Banco do Nordeste e o Banco da Amazônia. Na avaliação de Hage, “se um projeto mescla recursos públicos e privados, mas a gestão é feita por um ente público, como o BNDES, isso está sujeito ao controle público”.

Fonte: Estadão