->
Brasília comemora, nesta quarta, 50 anos. Por dez anos compartilhei com a brava população de Brasília a alegria de viver nessa magnífica cidade.
Transcrevo, a seguir, matéria publicada no Jornal Nacional da rede Globo, como parte de uma série em homenagem ao cinquentenário da capital brasileira.
Leiam:
Esqueça os cartões postais de Brasília. Os monumentos, a Esplanada dos Ministérios. Conheça um outro olhar da capital
Na série sobre os 50 anos da capital do país, você vai conhecer um outro cenário de Brasília.
É o cenário das superquadras, do lago Paranoá e de um céu muito azul – impossível de ignorar.
Esqueça os cartões postais de Brasília. Os monumentos, a Esplanada dos Ministérios.
Vamos deixar lado a política e as manchetes diárias na imprensa nacional. Boas e ruins.
O que queremos mostrar não está nos edifícios e palácios construídos para ser sede do poder e que viraram símbolos da capital do país.
Nossa conversa é sobre a rotina diária dos cidadãos comuns, que vivem nas Asas Sul e Norte da cidade.
Principalmente nos 70 mil metros quadrados de uma típica superquadra de Brasília.
Ana Luísa cresceu numa delas. Viveu com os pais no mesmo apartamento em que hoje cria o filho. E quando pensa no futuro…
“Quero que o Gabriel cresça aqui, faça suas amizades aqui, crie laços, tenha raízes, Brasília você ainda pode falar: não, eu tenho paz. Você tem paz pro seu filho descer e brincar”, diz ela.
Aos quatro anos, Gabriel não entende o desejo da mãe. Mas já sabe dizer o que mais gosta em Brasília.
O céu de Brasília está sempre ao alcance dos olhos de Gabriel. Nenhum prédio das superquadras pode ter mais de seis andares.
A vista livre está tão incorporada ao dia a dia dos moradores, que o brasiliense se esquece de que essa não é a regra. Mas sim, como lembra a filha de Lúcio Costa, criador do projeto urbanístico de Brasília, uma exceção no cotidiano das grandes cidades.
“Ficou tão natural, tão natural, que a gente não consegue achar que é extraordinário, de tão natural que ficou”, diz a arquiteta Maria Elisa Costa.
Os brasilienses também não se dão conta muitas vezes de que atravessar por baixo dos prédios não é algo comum.
Nas superquadras impera a lei dos pilotis. Cercar os prédios com grades é proibido. Não há condomínios fechados.
“Essa idéia de que o chão é de todo mundo, quer dizer, o carro tem um caminho determinado, mas você a pé você pega o atalho que você quiser”, conclui Maria Elisa.
Assim fica mais fácil levar Gabriel ao parquinho da quadra.
E também ir às compras – na padaria, na farmácia, no mercado. Tudo perto, na área comercial que toda superquadra tem.
Já sair de carro não está tão fácil como há alguns anos. A cidade planejada para não ter semáforos começa a experimentar os congestionamentos das grandes cidades.
Ainda assim, Ana Luísa percorre os oito quilômetros de casa para o trabalho em 15 minutos. Mesmo com as paradas nas faixas de pedestre, que em Brasília são respeitadas.
“Dá tranquilidade pra ver o filho, pra almoçar em casa, pra ter essa qualidade de vida” diz Ana Luísa.
Sobra tempo também para manter a forma em uma caminhada na área verde da quadra. E aos domingos, os 16 quilômetros do eixão, uma avenida que corta a cidade de ponta a ponta, viram um corredor de lazer.
Ozanan Coelho dedicou a vida a plantar árvores em Brasília. Tempo em que foi diretor de parques e jardins da cidade.
Quase 30% da área das superquadras são destinados ao verde. Milhares de árvores são frutíferas.
A garotada da 107 Sul tem goiaba e ameixa ao alcance da mão.
Um passeio pela cidade e encontramos no eixão norte o cobrador José Machado para comprovar o que disse Ozanan. Ele estava enchendo a sacola de abacate.
O lago Paranoá, despoluído, é uma opção para quem quer pescar ou velejar em suas águas sempre calmas.
E no fim do dia, antes de voltar pra casa, quem pode faz uma pausa na correria para ver um rotineiro espetáculo, uma marca da cidade.
“É maravilhoso, né? O pôr do sol de Brasília, que é único”, avalia o analista de sistemas Marcos Caldeir.
“Depois de dirigir, passar por muito stress, a melhor coisa é você relaxar, curtir o pôr do sol”, diz a estudante Catherine Silva Menezes.
Fonte: Jornal Nacional/TV Globo
Saiba+
Brasília 50 anos – Especial Veja
Leia+
Nos últimos dias a Cassi foi fonte de vários eventos. Primeiro, comemorou seus 66 anos no dia 27 de janeiro.
A Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A.) completa 40 anos hoje, dia 19, num momento de crise econômica global e enfrentando uma grande retração do setor de aviação.
“Neste sábado (14), Glauber Rocha (1939-1981) faria 70 anos. Mas, qual seria a idade do seu pensamento neste 14 de março de 2009? Caberiam rugas e cabelos brancos em sua mente veloz?
Fundada em 12 de março de 1537, a cidade do Recife comemora seus 472 anos de existência ao mesmo tempo em que Olinda celebra seus 474 anos de história.