Caso Bancoop: PT processa 2 órgãos de imprensa e aciona promotor

março 9th, 2010

José Cruz/ABr

Em nota levada ao seu portal na web, o PT informa: vai processar judicialmente a Veja e o Estadão.

Decidiu também protocolar representação contra o promotor José Carlos Blat no Conselho Nacional do Ministério Público.

A revista Veja será processada porque o PT considerou “injuriosa” notícia veiculada no final de semana sobre a Bancoop.

O Estadão será acionado por ter acusado o PT, em editorial, de ser “o partido da bandidagem”.

Quanto a Blat, o PT o considera “fonte primária de onde brotam as mentiras, as ilações, as acusações sem prova…”

“…E o evidente interesse em usar a imprensa para se promover às custas de acusações desprovidas de qualquer base jurídica ou factual”.

A nota do PT é assinada por seu presidente, José Eduardo Dutra. A certa altura, ele escreve:

“Nem o PT nem a sociedade brasileira podem aceitar o baixo nível para o qual parte da mídia ameaça levar o embate político às vésperas de mais uma eleição presidencial”.

Cabe ao PT decidir o que lhe convém aceitar ou não. Em passado recente, já aceitou até o inaceitável.

Mas o partido não dispõe de procuração para falar em nome da “sociedade brasileira”. Um pedaço dela não deseja senão que tudo seja acomodado em pratos asseados.

Fonte: Blog do Josias

Para ler na íntegra a nota do PT clique aqui

Para ler a matéria da revista Veja clique aqui

Para ler o editorial O partido da bandidagem do jornal O Estado de S. Paulo, clique aqui

Estado empresarial

março 9th, 2010

Atuação conjunta do Tesouro, do BNDES e dos fundos de pensão traz riscos que estão sendo ignorados pelo governo

O PATRIMÔNIO dos fundos de pensão fechados no Brasil cresceu rapidamente nos últimos anos e atingiu quase R$ 500 bilhões em fins de 2009. Há, além disso, uma forte concentração dos recursos em fundos patrocinados por empresas estatais -os três maiores do país (Previ, Funcef e Petros) detinham em novembro de 2009 um patrimônio de R$ 219 bilhões, equivalente a 45% do total do setor.

É por meio deles -e do BNDES- que o governo vem aumentando sua influência nos principais setores da economia.

Não há dúvida do papel relevante dos fundos de pensão e do BNDES como provedores de capital de longo prazo, tão essencial ao desenvolvimento. Eles podem e devem participar de projetos de infraestrutura e manter investimentos em empresas importantes.

Essa atuação, todavia, tende a ser nociva ao país caso não esteja assentada em supervisão independente e em sólidos critérios de gestão financeira. Infelizmente estas condições não se acham asseguradas.

Os fundos de pensão patrocinados por empresas públicas estão sendo metamorfoseados em instrumentos de poder político, a serviço do governo de plantão e da burocracia sindical que hoje domina as representações de empregados e empregadores. Aí não se trata de um problema de regulação. As regras são -como tantas no Brasil- bem feitas.

O problema é o enfraquecimento dos freios e contrapesos institucionais que estão na base de uma fiscalização eficaz. Com isso, abre-se caminho para a fusão de interesses entre governo, sindicatos, fundos de pensão e empresários favoritos, que, se perenizada, pode vir a representar até uma ameaça ao bom funcionamento da democracia.

O destino de bilhões de reais sob critérios obscuros é apenas uma das faces do problema. Além das questões de natureza política e institucional, é preciso considerar ainda os riscos financeiros incorridos pelo Estado -ou seja, pelo contribuinte- em operações bilionárias.

O reforço da atuação do BNDES em 2009, possibilitado pela capitalização de R$ 100 bilhões feita pelo Tesouro, é um exemplo. A capitalização tem como contrapartida o endividamento público no mesmo montante. Ou seja, o governo federal se endivida para, em seguida, fazer aportes em empresas, junto com os fundos de pensão.

A história do capitalismo brasileiro é marcada pela forte presença estatal, cujo auge, em parceria com o capital privado nacional e estrangeiro, aconteceu no período do presidente Ernesto Geisel (1974-1979), às vezes enaltecido por Lula. Mas os descaminhos da década de 1980, que tanto custaram ao país, são em parte consequência do modelo intervencionista anterior.

Inebriado por sua voracidade empresarial, o governo não parece preocupado com os riscos de eventuais prejuízos -afinal a economia cresce e todos os projetos seriam rentáveis e muito sólidos “desta vez”. Se o passado é um bom guia, há motivos de sobra para preocupação.

Fonte: Folha de S. Paulo

Esta seção - Debate - publica opiniões outras, que não a do autor do BBlog, sobre os assuntos aqui costumeiramente abordados

ANABB apoia isonomia salarial entre bancários pré e pós-98

março 9th, 2010

A ANABB vem trabalhando no Congresso Nacional para que o Projeto de Lei (PL) 6259/2005, que trata da isonomia salarial entre os bancários, seja aprovado o mais rapidamente possível. De autoria do Deputado Daniel Almeida (PCdoB/BA), o projeto estende aos novos empregados das instituições financeiras públicas federais, incluindo o Banco do Brasil, os mesmos direitos dos empregados antigos, constantes nos planos de cargo e salário.

O PL 6259/05, está sendo relatado pelo Deputado Eudes Xavier (PT/CE) na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara dos Deputados.

Depois de aprovado na CTASP, o projeto segue para a Comissão de Finanças e Tributação (CFT) e para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Será encaminhado ainda ao Senado Federal que, aprovando o projeto sem alterações, o enviará para a sanção do Presidente da República para que se torne Lei.

Fonte: Agência ANABB

Saiba+

Os funcionários da Diretoria de Tecnologia, em conjunto com o grupo Isonomia, Novos Bancários, Pós-98 e Bancos Incorporados da ANABB, organizam um grande debate para esta terça, 09 de março, a partir das 16:00h, no auditório da Tecnologia, com a presença do deputado Daniel Almeida, como parte das mobilizações para a aprovação do projeto.

Fonte: O Blog da Isonomia

Leia+ O Blog da Isonomia

IBGC vai eleger novo Conselho de Administração

março 9th, 2010

Explicação aos bbnautas: vez ou outra, até o dia 30 deste mês, este post reaparecerá no topo do BBlog. As atualizações estarão, neste caso, logo a seguir

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) anunciou abertura do processo eleitoral para escolha dos membros do Conselho de Administração da entidade. Sob três formas de votação - internet, por fax ou pessoalmente - os associados do instituto irão escolher até nove nomes, entre as 21 candidaturas apresentadas, para mandato de dois anos, de acordo com novo Estatuto.

O presidente do Conselho Deliberativo da ANABB, Antonio Gonçalves, é candidato a uma das vagas. Gonçalves, além de presidir o Conselho da ANABB, atuou nos conselhos fiscais e de administração, a exemplo da Melpaper, Telesp Celular, Telemig Celular, Coelba, Iguatemi Shoppings Centers, além de presidir o Comitê de Auditoria e Controle da Vivo, desde 2005.

O Conselho de Administração, formado por nove integrantes, é responsável pela orientação geral, definição da estratégia e monitoramento dos planos de ação do instituto. Além disso, possui o papel de se manifestar sobre o desenvolvimento da governança corporativa no País.

As votações pela internet e por fax ocorrem entre 24/02 e 25/03. Já a votação presencial acontecerá no dia 30/03, em Assembleia Geral Ordinária, no Hotel Gran Hyatt, São Paulo.

Para outras informações, acesse o site do instituto: www.ibgc.org.br

Fonte: Anabb

PS: Recomendo aos associados do IBGC, sobretudo àqueles ligados ao Banco do Brasil e aos Fundos de Pensão, o voto em Antonio Gonçalves.

Romildo G Pinto

Atualização em 04.03.2010:

Reproduzo a seguir texto distribuído pelo IBGC, elaborado pelo candidato ANTONIO GONÇALVES:

“Assumo o compromisso de colaborar para que o IBGC atue com eficácia, alinhado com seus objetivos e teses. Sinto-me motivado para essa empreitada.
Terei o amparo de minha experiência como conselheiro de administração/fiscal e na auditoria em empresas como Vivo, Coelba, Iguatemi, Banco do Povo, Anabb etc., além de ex-executivo no Banco do Brasil e ora conselheiro consultivo da Previ.
Com o aval do associado, atuarei com dedicação ao Instituto, para o qual se deve almejar um papel cada vez mais ativo. Para isso, é importante uma cultura de democracia e participação, garantindo-se sua boa e criativa gestão.
PEÇO QUE V. NÃO DEIXE DE VOTAR. Seu voto reforça o IBGC e sua ação.”

Controladora do metrô do Rio emitirá R$ 450 milhões com debêntures

março 9th, 2010

Eduardo Laguna

Os acionistas da Invepar, que investe em negócios ligados à infraestrutura, aprovaram hoje a emissão de R$ 450 milhões em debêntures com prazo de dez anos.

Os recursos serão destinados à empresa que opera o metrô do Rio (Concessão Metroviária do Rio de Janeiro), que é controlada pela Invepar.

A Invepar - formada pelos sócios Funcef, OAS, Previ e Petros - irá emitir 900 debêntures ao valor unitário de R$ 500 mil.

A empresa já tem a garantia firme da compra de 225 debêntures, que somam R$ 112,5 milhões. Os papéis pagarão juros de 9,75% ao ano. A remuneração será paga anualmente.

Fonte: Valor

CCBB-DF: Arne Sucksdorff – o sueco do Cinema Novo

março 8th, 2010

Um Oscar, duas Palmas de Ouro em Cannes e o prêmio especial do Festival de Veneza. Estas credenciais deveriam ser suficientes para garantir ao cineasta Arne Sucksdorff um lugar de honra no Olimpo dos grandes diretores de cinema do mundo. Especialmente no Brasil, país cuja cinematografia ele ajudou a forjar, formando grande parte dos realizadores da geração do Cinema Novo. Entretanto, este realizador, considerado um dos mais importantes cineastas suecos, ao lado de Ingmar Bergman e Alf Sjoberg, tem sido injustamente esquecido. Agora, uma mostra vai realizar o que pode ser considerada a primeira grande retrospectiva do cinema do criador que levou para a Suécia o primeiro Oscar da história do país.

Ao longo de oito dias, serão exibidos seis longas, um média e sete curtas-metragens que promovem uma incursão do cinema de Sucksdorff. Com curadoria do cineasta e professor Sérgio Moriconi, a mostra Arne Sucksdorff – o sueco do Cinema Novo começa com a exibição do documentário Arne Sucksdorff: Uma Vida Documentando a Vida, da pesquisadora mato-grossense Bárbara Fontes. O filme tem 32 minutos de duração e foi finalizado em 2002. As filmagens percorreram cinco locações: Suécia, Rio de Janeiro, Cuiabá, Poconé e Pantanal. No dia 23, haverá um bate-papo com José Wilker, ex-aluno do histórico curso que Sucksdorff ministrou no Brasil, o cineasta Vladimir Carvalho e o curador Sérgio Moriconi. A mostra tem o apoio da Embaixada da Suécia no Brasil e do CTAV – Centro Técnico Audiovisual do Ministério da Cultura.

Serão exibidos os longas-metragens A Grande Aventura (1953), uma das obras mais consagradas de Arne; A Fera e a Flecha (1957); O Menino na Árvore (1969);Fábula/ Meu Lar é Copacabana (1964); Mr. Foubusch e os Pinguins (1971); e Mundo à parte (de 1975, feito em quatro episódios). A programação também incluirá os curtas Ritmos da Cidade (1948), Vila Indiana (1951), Uma História de Verão (1941), Vento do Oeste (1943), Semeadura (1943), Aurora (1945), Gaivota (1944), Sombras na Neve (1945), A Partida (1948), Jornada Escandinava (1950) e O vento e o Rio (1951).

Programação

Dia 16, terça
18h30 – Arne Sucksdorff – Uma Vida Documentando a Vida (Cor, 32’) + Um Conto de Verão (P&B, 18’)
20h00 – Fábula/ Meu Lar é Copacabana (P&B, 88’)

Dia 17, quarta
18h30 – Mundo à Parte I e II (cor, 60’)
20h00 – A Grande Aventura (P&B, 94’)

Dia 18, quinta
18h30 – Mundo à Parte III e IV (cor, 60’)
20h00 – A Fera e a Flecha (cor, 75’)

Dia 19, sexta
18h30 – Vento do Oeste (P&B, 18’) + O Vento e o Rio (P&B, 10’) + Vila Indiana (P&B, 27’) + Sombras na Neve (P&B, 11’)
20h00 – O Menino na Árvore (P&B, 85’)

Dia 20, sábado
16h00 – Mr. Forbusch e os Pingüins (cor, 101’)
18h00 – Vento do Oeste (P&B, 18’) + O Vento e o Rio (P&B, 10’) + Vila Indiana (P&B, 27’ + Sombras na Neve (P&B, 11’)
20h00 – Fábula/ Meu Lar é Copacabana (P&B, 88’)

Dia 21, domingo
16h30 – Arne Sucksdorff – Uma Vida Documentando a Vida (Cor, 32’) + Um Conto de Verão (P&B, 18’)
18h00 - A Grande Aventura (P&B,94’)
20h00 – O Menino na Árvore (P&B, 85’)

Dia 23, terça
18h00 – Mundo à Parte I e II (cor, 60’)
19h30 – Ritmos da Cidade (P&B, 18’) + Marimbás (P&B, 10’)
Sessão seguida de debate, com a participação do ator José Wilker

Dia 24, quarta
18h30 – Mundo à Parte III e IV (cor, 60’)
20h00 – Ritmos da Cidade (P&B, 18’) + Mr. Forbusch e os Pingüins (cor, 101’)

Sinopses

Longas-Metragens

A Grande Aventura (Det Stora Äventyret) – Brasil, 1953, P&B, 94’
Direção: Arne Sucksdorff
Dois irmãos encontram uma lontra aprisionada numa armadilha deixada por um caçador no meio da floresta. Os garotos resolvem salvar o animal, que batizam de Otti, e o levam para o porão de casa. Gastam suas economias comprando comida para ele. Na primavera, Otti não resiste aos apelos da natureza e volta para a floresta. No filme, Sucksdorff muitas vezes faz a câmera assumir o lugar dos olhos dos bichos.
Premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes 1953 e Melhor Documentário pela British Film Academy

A Fera e a Flecha/O Arco e a Flecha (En Djungelsaga) – Suécia, 1957, COR, 75’
Direção: Arne Sucksdorff
Mistura de documentário e ficção, rodado na Índia Central, apresenta o tranqüilo cotidiano dos remanescentes da antiga civilização Múria, que até hoje vivem isolados. O ritmo calmo da vida na tribo é quebrado com a chegada de dois jovens de castas diferentes. Eles desrespeitam as regras da sociedade local. Resolvem se unir numa espécie de oca tribal, o que é tabu entre os Múrias. Enquanto isso, um tigre ronda o local em busca de alimento.
Primeira e única tentativa de Sucksdorff de trabalhar com a cor. A trilha original foi composta por Ravi Shankar.

Meu Lar é Copacabana/Fábula (Mitt Hem Är Copacabana) – Brasil, 1965, P&B, 88’
Direção: Arne Sucksdorff
A história de três irmãos, órfãos de pai, que perdem também a mãe e são despejados do barraco onde vivem na favela. Eles conhecem um quarto menino, foragido de um reformatório. Juntos, eles invadem um barraco abandonado e passam a viver ali, até serem expulsos pelos bandidos. Sem ter para onde ir, encontram nas areias da praia de Copacabana um local seguro para viver. Entre risos e brincadeiras, eles lutam para conseguir o pão de cada dia. Até que Ricco fica gravemente doente.
Realizado a partir de roteiro de Flávio Miggliaccio, o filme lançou o ator Cosme dos Santos e recebeu prêmios no Festival de Moscou, Festival de Bruxelas e o Prêmio Francisco de Assis, do Vaticano.

O Menino na Árvore (Pojken I Trädet) – Suécia, 1961, P&B, 85’
Direção: Arne Sucksdorff
Com música de Quincy Jones (na época, um dos maiores produtores e arranjadores musicais do mundo), o filme começa mostrando um grupo de adolescentes de uma rica família sueca, liderado pelo malvado Max, saindo para caçar veados. O sensível Göte, um dos garotos, se afasta do grupo, para não participar da crueldade. Depois, é encontrado dentro do tronco de uma velha árvore, pelo proprietário das terras, que tenta persuadi-lo a deixar o local. Ele se nega.

Mr. Forbusch e os Pinguins (Cry of the Penguins) – Grã-Bretanha, 1971, Cor, 101’
Direção: Arne Sucksdorff, Alfred Viola e Roy Boultin
Um jovem biólogo londrino passa a maior parte do tempo perseguindo meninas ao invés de perseguir a ciência. Quando surge a oportunidade de ir para a Antártida estudar uma colônia de pinguins, ele concorda imediatamente. Não tanto por um interesse científico, mas sim para impressionar a garota que está cortejando. Mas quanto mais tempo ele fica na Antártida, mais se interessa verdadeiramente pelo combate à caça de pinguins. Quando chega a hora de ir para casa finalmente, ele é um homem mudado com uma perspectiva totalmente nova da vida.

Mundo à Parte – Brasil/Suécia, 1970-1976, Cor, 120’
Direção: Arne Sucksdorff
Série realizada para o antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) e composta de quatro filmes, batizados por Sucksdorff com os algarismos romanos (I, II, III e IV) e posteriormente chamados de Os anos felizes, Os anos na selva, Manhã do Jacaré e Reino da Selva. Apresenta cenas do cotidiano e registros das pesquisas desenvolvidas por Arne e sua esposa, Maria, durante os anos em que viveram no Pantanal matogrossense. O trabalho mostrou para o mundo a beleza da fauna e da flora da maior planície alagada do planeta.

Média-Metragem

Arne Sucksdorff – Uma Vida Documentando a Vida – Brasil, 2002, Cor, 32’
Direção: Bárbara Fontes
História da vida, da obra e da morte de Arne Sucksdorff, cineasta, escritor, fotógrafo, pesquisador e ambientalista sueco que viveu no Brasil por cerca de 30 anos. As gravações do documentário foram feitas na Suécia, Rio de Janeiro, Cuiabá, Poconé e parte do Pantanal e contam com a participação de mais de 30 pessoas. Arne morreu na Suécia em 2001, aos 84 anos, de enfisema pulmonar e Bárbara pode registrar as últimas imagens do cineasta vivo, entrevistar Dona Maria Sucksdorff, o diretor de fotografia Dib Luft, Luiz Carlos Saldanha, Eduardo Escorel e Flávio Migliaccio, além de conviver e revelar, no curta, excentricidades do famoso cineasta, um perfeccionista.

Curtas-Metragens

Ritmos da Cidade (Människor I Stad) – Suécia, 1948, P&B, 18’
Direção: Arne Sucksdorff
Pequenos fragmentos da cidade de Estocolmo e seus habitantes, ao longo de um dia, com flagrantes em formato impressionista.
Premiado como Melhor Curta-Metragem de 1949, pela Academia Americana, representou o primeiro Oscar da história do cinema sueco.

Um Conto de Verão (En Sommarsaga) – Suécia, Suécia, 1941, P&B, 13’
Direção: Arne Sucksdorff
O filme acompanha a vida de um filhote de raposa nas florestas de Stora Karlso. Arne investiu o próprio dinheiro para produzir este filme. A câmera foi um presente de seu pai. Segundo o crítico Rune Waldekranz, o filme é “um poema denso, original e espontâneo. (…) uma alegoria lírica sobre a morte e a regeneração”.

O Vento e o Rio (Vinden och Floden) – Suécia, 1951, P&B, 10’
Direção: Arne Sucksdorff
Obra que acompanha a vida de um homem de Kashimir, nas montanhas Himalaia. É um cotidiano simples, que fica longe dos avanços tecnológicos. Um rio assume a importância de fonte de vida essencial.
Prêmio Especial do Festival de Veneza de 1952.

Vila Indiana (Indisk By) – Suécia, 1951, P&B, 27’
Direção: Arne Sucksdorff
Resultado de uma viagem do cineasta à Índia, o filme apresenta a vida dos habitantes de uma pequena vila no oriente do país, que enfrenta a ameaça de uma seca terrível.

Sombras na Neve (Skugger över snön) – Suécia, 1945, P&B, 11’
Direção: Arne Sucksdorff
Um garoto prepara uma armadilha na floresta, no dia do Natal. Nas celebrações religiosas, de noite, ele se mostra ansioso para saber o que terá acontecido.

Vento do Oeste (Vinden frän Väster) – Suécia, 1942, P&B, 18’
Direção: Arne Sucksdorff
A vida de uma comunidade do povo Lapão (na Escandinávia). Com a chegada da primavera, os lapões deixam as cidades, retornando às florestas. Um velho lapão sabe que não conseguirá cumprir a jornada final. Enquanto isso, um garoto observa as renas subindo as montanhas através da janela da sala de aula.

Marimbás – Brasil, 1962, P&B, 10’
Direção: Vladimir Herzog
Trabalho final dos alunos do curso ministrado por Arne Sucksdorff no Brasil, apresenta o registro do cotidiano de um grupo símbolo da marginalidade carioca na época: pessoas que viviam da pesca sem serem pescadores no Posto 6 da praia de Copacabana no Rio de Janeiro e faziam biscates e pequenos negócios para conseguir trocados. O filme foi realizado com som direto, em equipamento trazido por Arne para o Brasil, representou uma das primeiras experiências neste campo no Brasil.
Data e horário
16 a 24 de março, das 18h30 às 20h
Classificação Indicativa: 14 Anos

Local
Cinema do Centro Cultural Banco do Brasil
Brasília DF Brasil

Maiores informações
Tel. (61) 3310 7087

Fonte: Vitruvius

Bancoop: Promotor pede quebra de sigilo de Vaccari

março 7th, 2010

Promotor pede quebra de sigilo de Vaccari. Tesoureiro do PT é investigado pelo Ministério Público de SP por atuação à frente da cooperativa habitacional Bancoop

Documentos mostram que ao menos R$ 31 mi foram sacados na boca do caixa, o que torna difícil rastrear o dinheiro; advogado nega as acusações e vê fim eleitoral

LILIAN CHRISTOFOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL

O promotor José Carlos Blat, do Ministério Público do Estado de São Paulo, pediu anteontem a quebra do sigilo bancário e fiscal do novo tesoureiro do PT, o sindicalista João Vaccari Neto (foto), investigado por supostos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, estelionato e apropriação indébita no comando da Bancoop, cooperativa habitacional dos bancários.

Blat, que abriu o inquérito criminal contra a Bancoop em 2007, solicitou ainda ao Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais), do Tribunal de Justiça de São Paulo, o bloqueio da conta bancária da cooperativa e a oitiva urgente de Vaccari, que se licenciou da presidência da cooperativa em fevereiro.

O promotor estima que pelo menos 47 empreendimentos da Bancoop não saíram do papel, o que prejudicou cerca de 3.000 famílias. Há desde casas pagas e não entregues a valores que foram majorados acima da estimativa original. O rombo nas contas da cooperativa chegaria a R$ 100 milhões.

Em reportagem da edição desta semana, a revista “Veja” relata que, na última segunda-feira, o promotor começou a receber o primeiro lote de documentos com a quebra do sigilo bancário da cooperativa, que havia sido solicitada por ele em março do ano passado. São cerca de 8 mil páginas com transações bancárias realizadas pela Bancoop entre 2001 e 2008.

Segundo o promotor, cerca de R$ 31 milhões em cheques da cooperativa, assinados por Vaccari e por outros diretores, foram sacados em dinheiro em nome da Bancoop, o que dificulta rastrear o beneficiário.

“Outro fato que impressiona é que, entre 2005 e 2006, quando muitas obras estavam paradas e a cooperativa já enfrentava muitos problemas, a Bancoop pagou cerca de R$ 1,5 milhão à empresa de segurança de Freud Godoy”, afirma Blat.

Freud, ex-segurança das campanhas de Lula é, ao lado de Vaccari, investigado no caso da compra de falso dossiê contra tucanos na eleição de 2006.

Para o promotor, dinheiro do grupo ajudou a financiar campanhas eleitorais petistas. “A Bancoop é uma organização criminosa com fins político-partidários”, afirmou.

Outro lado

O advogado da Bancoop, Pedro Abreu Dallari, disse ontem que a investigação não tem “pé nem cabeça”. “É um completo absurdo. Essa investigação começou em 2007 e não tem nenhuma medida judicial.”

Segundo Dallari, não existe saque em dinheiro, mas movimentações interbancárias entre contas da própria Bancoop, já que, cada empreendimento tem um conta bancária própria. “Isso é registrado como saque, mas é movimentação interbancária.” Para o advogado, o caso da Bancoop voltou à tona para alimentar o pedido do PSDB de CPI na Assembleia paulista. “É a única explicação que encontro para tantas leviandades.”

Fonte: Folha de S. Paulo

Crédito sustentável no Banco do Brasil

março 7th, 2010

O resultado apresentado pelo BB em 2009 demonstra que estavam corretas as ações adotadas pelos bancos públicos ao enfrentar a crise

ALDEMIR BENDINE

O RESULTADO de 2009 do Banco do Brasil retoma debate que começou no segundo trimestre daquele ano, quando o Banco voltou a ser a maior instituição no país em ativos financeiros: a expansão do crédito pelo Banco do Brasil seria sustentável ou a instituição enfrentaria um abalo na qualidade de sua carteira logo adiante?

Prudência, bom conservadorismo e qualidade do crédito são prioritários na indústria bancária. Sem abrir mão dessas exigências, o BB casou-as com medidas consistentes de expansão do crédito e de parceria com os grandes movimentos indutores da economia do país. O BB trilhou esse caminho e os indicadores da sustentabilidade de sua expansão são evidentes.

Os índices de inadimplência do BB mantiveram-se abaixo dos registrados pela indústria financeira. Ampliamos o crédito em linhas de menor risco, que ofereciam melhores condições de prazo e de custo financeiro.

Priorizamos clientes com cadastro positivo e bom histórico de relacionamento. Adotamos medidas para manter o índice de Basileia em patamares adequados ao crescimento do crédito.

Durante a crise, o nível de formação bruta de capital fixo foi maior do que a média verificada nos últimos dez anos. À época, a redução do crédito disponível fez a capacidade produtiva do país baixar aos 80%, embora os empresários continuassem dispostos a manter seus investimentos no Brasil. Vimos ali oportunidades imensas de negócios.

Revisamos nosso processo de crédito para ganhar agilidade e financiar a compra de bens de capital por clientes de pequeno e médio porte, grandes geradores de emprego no Brasil.

Tivemos recorde de liberação de recursos em programas como Caminho da Escola e o Pró-Vias, destinados a aquisições de ônibus e de obras viárias em municípios.

O resultado apresentado pelo BB em 2009 demonstra que estavam corretas as ações adotadas pelos bancos públicos no enfrentamento da crise mundial e no estímulo ao setor produtivo na condição de agentes anticíclicos. Embora qualquer medida anticíclica, por sua própria natureza, tenha prazo certo para acabar, nosso movimento de expansão do crédito mirou um país com duradouras e amplas perspectivas de crescimento.

O Banco do Brasil é, agora, a imagem refletida no espelho de um país que tem no horizonte grandes obras de infraestrutura (Copa, Olimpíada, pré-sal), movimentos consistentes de internacionalização das empresas nacionais, crescente inclusão da população de menor renda e outros indicativos que apontam para novas oportunidades de negócios e crescimento.

Portanto, a estratégia adotada pelo BB não foi fruto de alquimias premonitórias, mas um projeto assentado sobre bases de crescimento que hoje se tornaram mais claras para todos os setores da economia.

A redução do debate à dicotomia “Estado x mercado” em nada contribui para a compreensão do papel que os bancos públicos podem desempenhar. O Estado que induz o desenvolvimento não é novidade no mundo. Mesmo países que se tornaram ícones do liberalismo econômico tiveram a presença ativa do Estado em sua economia. Não há contradição entre apoiar políticas públicas e gerar resultados para os acionistas.

Hoje, por exemplo, há grandes perspectivas para o comércio exterior, principalmente com as novas descobertas do petróleo. A realidade do pré-sal influenciará setores industriais que dependem muito do comércio exterior para se fortalecer.

O BB sempre foi líder no financiamento desse segmento, manteve a posição em 2009 e acompanha de perto o movimento de internacionalização das empresas brasileiras.

Manter posições de liderança é um propósito que vai demandar grande empenho do Banco do Brasil, pois o sistema financeiro é dinâmico e competitivo, e as oportunidades que surgem aparecem em ambientes cada vez mais desafiadores.

O BB está preparado para participar desse cenário, pois consagrou uma forma de gestão que concilia eficiência e rentabilidade sem abrir mão de seu papel como empresa pública e de contribuir para o desenvolvimento e crescimento do país.

O resultado que obtivemos não permite ufanismo, mas vislumbrar, entre o passado e o futuro, uma realidade que favorece ousados projetos de investimento e de expansão.

Alguns duvidam, outros ficam esperando pelo amanhã. Mas quem prefere viver plenamente o presente antecipa-se ao futuro.

ALDEMIR BENDINE (foto), 46, administrador de empresas, é presidente do Banco do Brasil. Foi diretor-executivo da Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

Fonte: Folha de S. Paulo

Esta seção - Debate - publica opiniões outras, que não a do autor do BBlog, sobre os assuntos aqui costumeiramente abordados

A casa caiu

março 6th, 2010

O Ministério Público quebra sigilo da Bancoop e descobre que dirigentes da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo lesaram milhares de associados, para montar um esquema de desvio de dinheiro que abasteceu a campanha de Lula em 2002 e encheu os bolsos de dirigentes do PT. Eles sacaram ao menos 31 milhões de reais na boca do caixa

Depois de quase três anos de investigação, o Ministério Público de São Paulo finalmente conseguiu pôr as mãos na caixa-preta que promete desvendar um dos mais espantosos esquemas de desvio de dinheiro perpetrados pelo núcleo duro do Partido dos Trabalhadores: o esquema Bancoop. Desde 2005, a sigla para Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo virou um pesadelo para milhares de associados. Criada com a promessa de entregar imóveis 40% mais baratos que os de mercado, ela deixou, no lugar dos apartamentos, um rastro de escombros. Pelo menos 400 famílias movem processos contra a cooperativa, alegando que, mesmo tendo quitado o valor integral dos imóveis, não só deixaram de recebê-los como passaram a ver as prestações se multiplicar a ponto de levá-las à ruína. Agora, começa-se a entender por quê.

Na semana passada, chegaram às mãos do promotor José Carlos Blat mais de 8.000 páginas de registros de transações bancárias realizadas pela Bancoop entre 2001 e 2008. O que elas revelam é que, nas mãos de dirigentes petistas, a cooperativa se transformou num manancial de dinheiro destinado a encher os bolsos de seus diretores e a abastecer campanhas eleitorais do partido. “A Bancoop é hoje uma organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT e que ajudou a financiar inclusive a campanha de Lula à Presidência em 2002.”

Na sexta-feira, o promotor pediu à Justiça o bloqueio das contas da Bancoop e a quebra de sigilo bancário daquele que ele considera ser o principal responsável pelo esquema de desvio de dinheiro da cooperativa, seu ex-diretor financeiro e ex-presidente João Vaccari Neto. Vaccari acaba de ser nomeado o novo tesoureiro do PT e, como tal, deve cuidar das finanças da campanha eleitoral de Dilma Rousseff à Presidência.

Um dos dados mais estarrecedores que emergem dos extratos bancários analisados pelo MP é o milionário volume de saques em dinheiro feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop para ela mesma ou para seu banco: 31 milhões de reais só na pequena amostragem analisada. O uso de cheques como esses é uma estratégia comum nos casos em que não se quer revelar o destino do dinheiro. Até agora, o MP conseguiu esquadrinhar um terço das ordens de pagamento do lote de trinta volumes recebidos. Metade desses documentos obedecia ao padrão destinado a permitir saques anônimos. Já outros cheques encontrados, totalizando 10 milhões de reais e compreendidos no período de 2003 a 2005, tiveram destino bem explícito: o bolso de quatro dirigentes da cooperativa, o ex-presidente Luiz Eduardo Malheiro e os ex-diretores Alessandro Robson Bernardino, Marcelo Rinaldo e Tomas Edson Botelho Fraga – os três primeiros mortos em um acidente de carro em 2004 em Petrolina (PE).

Eles eram donos da Germany Empreiteira, cujo único cliente conhecido era a própria Bancoop. Segundo o engenheiro Ricardo Luiz do Carmo, que foi responsável por todas as construções da cooperativa, as notas emitidas pela Germany para a Bancoop eram superfaturadas em 20%. A favor da empreiteira, no entanto, pode-se dizer que ela ao menos existia de fato.

De acordo com a mesma testemunha, não era o caso da empresa de “consultoria contábil” Mizu, por exemplo, pertencente aos mesmos dirigentes da Bancoop e em cuja contabilidade o MP encontrou, até o momento, seis saídas de dinheiro referentes ao ano de 2002 com a rubrica “doação PT”, no valor total de 43 200 reais. Até setembro do ano passado, a lei não autorizava cooperativas a fazer doações eleitorais. Os depoimentos colhidos pelo MP indicam que o esquema de desvio de dinheiro da Bancoop obedeceu a uma trajetória que já se tornou um clássico petista. Começou para abastecer campanhas eleitorais do partido e acabou servindo para atender a interesses particulares de petistas.

‘Cozinha’ - Outro frequente agraciado com cheques da Bancoop tornou-se nacionalmente conhecido na esteira de um dos últimos escândalos que envolveram o partido. Freud “Aloprado” Godoy – ex-segurança das campanhas do presidente Lula, homem “da cozinha” do PT e um dos pivôs do caso da compra do falso dossiê contra tucanos na campanha de 2006 – recebeu, por meio da empresa que dirigia até o ano passado, onze cheques totalizando 1,5 milhão de reais, datados entre 2005 e 2006.

Nesse período, a Caso Sistemas de Segurança, nome da sua empresa, funcionava no número 89 da Rua Alberto Frediani, em Santana do Parnaíba, segundo registro da Junta Comercial. Vizinhos dizem que, além da placa com o nome da firma, nada indicava que houvesse qualquer atividade por lá. O único funcionário visível da Caso era um rapaz que vinha semanalmente recolher as correspondências num carro popular azul. Hoje, a Caso se transferiu para uma casa no município de Santo André, na região do ABC.

Depoimentos colhidos pelo MP ao longo dos últimos dois anos já atestavam que o dinheiro da Bancoop havia servido para abastecer a campanha petista de 2002 que levou Lula à Presidência da República. VEJA ouviu uma das testemunhas, Andy Roberto, que trabalhou como segurança da Bancoop e de Luiz Malheiro entre 2001 e 2005. Em depoimento ao MP, Roberto afirmou que Malheiro, o ex-presidente morto da Bancoop, entregava envelopes de dinheiro diretamente a Vaccari, então presidente do Sindicato dos Bancários e indicado como o responsável pelo recolhimento da caixinha de campanha de Lula.

Em entrevista a VEJA, Roberto não repetiu a afirmação categoricamente, mas disse estar convicto de que isso ocorria e relatou como, mesmo depois da eleição de Lula, entre 2003 e 2004, quantias semanais de dinheiro continuaram saindo de uma agência Bradesco do Viaduto do Chá, centro de São Paulo, supostamente para o Sindicato dos Bancários, então presidido por Vaccari. “A gente ia no banco e buscava pacotes, duas pessoas escoltando uma terceira.” Os pacotes, afirmou, eram entregues à secretária de Luiz Malheiro, que os entregava ao chefe. “Quando essas operações aconteciam, com certeza, em algum horário daquele dia, o Malheiro ia até o Sindicato dos Bancários. Ou, então, se encontrava com o Vaccari em algum lugar.”

Fonte: VEJA

Leia a reportagem completa na VEJA (disponível apenas para assinantes)

O PT não conhece o BB

março 6th, 2010

“O BB é agora outro banco. Seus executivos têm nível de qualificação semelhante ao dos dirigentes das instituições privadas. A escolha para posições de liderança valoriza mais a preparação acadêmica e o treinamento”

Maílson da Nóbrega

Após ser sagrada futura candidata do PT à Presidência, a ministra Dilma Rousseff assumiu dois compromissos: preservar a política econômica e promover o desenvolvimento com base em um “estado forte”.

Ela diz que esse “estado forte” não significa o estatismo de outros tempos. De fato, a volta ao passado, ainda que desejada por muitos, é impossível. Não dá para imaginar o governo de novo pondo-se a produzir aço ou a vender farinha de trigo na porta dos moinhos. O estado seria o “indutor” e não o gestor do desenvolvimento. Palmas para a ministra se isso significar, por exemplo, melhoria na qualidade da educação, um sistema tributário racional e leis que incentivem o investimento privado em infraestrutura.

Acontece que as diretrizes do partido da candidata, o PT, divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, sinalizam justamente intervenções como aquelas dos tempos passados. É o caso da criação de “campeões nacionais” via empréstimos generosos do BNDES. Montanhas de subsídios poderão conferir poder de mercado a grupos privilegiados. O resultado seria o aumento da concentração de renda, que o PT condenava. Como antes, haveria uma industrialização socialmente ineficiente.

Os aumentos de participação estatal no capital da Petrobras já preocupam investidores. Mas o pior mesmo seria usar o Banco do Brasil como alavanca da “grande transformação” de um governo Dilma, como se depreende do documento que engloba as tais diretrizes do PT. O assessor internacional de Lula, o petista Marco Aurélio Garcia, de inequívocas convicções estatistas, é um dos coordenadores do documento. Promete-se ali usar o crédito do BB para beneficiar o setor produtivo.

Essa visão, bolorenta, remonta ao tempo em que o BB dava crédito subsidiado com recursos do governo, os quais eram supridos por uma “conta de movimento”, que se tornou insustentável quando a inflação agigantou a demanda desses recursos.

A conta foi extinta em 1986, sob intensa oposição dos que não viam sua impropriedade e o risco que ela impunha ao BB. Iniciou-se a longa transição até a virada final, entre 1995 e 1999. O banco viria a protagonizar a maior revolução de uma empresa estatal brasileira.

Cortado o acesso fácil ao Tesouro, o BB se reinventou. Autorizado a atuar em todo o sistema financeiro - a contrapartida natural do fim da “conta de movimento” -, o banco preparou-se para explorar novas oportunidades. Com seus melhores talentos e consultoria externa, redesenhou sua estrutura e reduziu o quadro de pessoal.

A área financeira foi separada da comercial. Essa segregação, comum nos bancos, tinha no BB uma justificativa adicional: blindá-lo contra o populismo de seu maior acionista. A área comercial empresta, mas a financeira fixa as condições. Em tese, não é mais possível direcionar o BB para ações “desenvolvimentistas”.

O BB é agora outro banco, inclusive na formação de recursos humanos. Seus executivos têm nível de qualificação semelhante ao dos dirigentes das instituições privadas. A escolha para posições de liderança, no país e no exterior, valoriza mais a preparação acadêmica e o treinamento focalizado na excelência dos serviços e na competição no mercado.

O BB atua em todas as áreas, abrangendo as de gestão de recursos de terceiros, banco de investimento, previdência e seguros. Sua subsidiária no exterior, a BB Securities, é campeã de lançamento de papéis de empresas brasileiras nos mercados globais de capitais, superando tradicionais instituições nacionais e estrangeiras.

Em situações excepcionais, como na recente crise, o BB pôde assumir riscos maiores do que os bancos privados, aumentando sua participação na oferta de crédito. Fez isso de forma responsável, sem piorar os níveis de impontualidade. Nada a ver com seu passado de provedor do crédito subsidiado que beneficiava relativamente poucos.

As citadas diretrizes implicam eliminar a segregação de funções. O BB voltaria a ser instrumento de concentração de renda em lugar de avançar na modernização baseada na competitividade, meritocracia e boa governança corporativa.

Como fez Lula, Dilma pode desprezar tais ideias, que por ora serviriam para contentar segmentos mais atrasados e radicais do PT. A porta não seria aberta para desatinos e o BB continuaria a ser estrela de primeira grandeza na constelação do sistema financeiro brasileiro. Rezemos.

Fonte: VEJA

Esta seção - Debate - publica opiniões outras, que não a do autor do BBlog, sobre os assuntos aqui costumeiramente abordados