Governo federal intensifica negócios com empreiteiras

fevereiro 8th, 2010

Cinco maiores construtoras negociam com BNDES, Petrobras e fundos estatais

Candidata à Presidência, Dilma Rousseff vê “com bons olhos” as transações, que envolvem notórias doadoras de campanhas eleitorais

LEONARDO SOUZA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

No ano eleitoral, o governo federal intensificou parcerias e transações bilionárias com as cinco maiores empreiteiras do país. Notórias doadoras de campanhas, elas vêm negociando com BNDES, Petrobras e fundos de pensão de estatais.

Os movimentos avalizados pelo Palácio do Planalto coincidem com a consolidação da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à sucessão do presidente Lula. As construtoras foram as maiores doadoras de campanha do PT nas duas últimas eleições.

Entre dezembro e janeiro, a Petrobras anunciou a injeção de R$ 2,5 bilhões na petroquímica Braskem (controlada pela Odebrecht), o BNDES repassou um terço do capital votante da Cemig para a Andrade Gutierrez, e a Casa Civil deu aval à Camargo Corrêa para comprar o controle da Neoenergia e da Eletropaulo e AES Sul.

Em março do ano passado, a Invepar, administrada pela OAS, recebeu aporte de R$ 719 milhões da Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal) e da Petros (Petrobras), o que viabilizou a compra do Metrô do Rio de Janeiro e da concessão da rodovia Raposo Tavares.

Há vários outros grandes negócios recentes das empreiteiras com a participação, direta ou indireta, do governo.

No caso das ações da Cemig, o BNDES as detinha por conta de uma dívida de R$ 2,1 bilhões (em valores atualizados) contraída pela americana AES, inadimplente havia seis anos, para a compra de 33% do capital votante da companhia energética.

Após dois anos de negociação, a Andrade Gutierrez concluiu a transação em dezembro, assumindo a dívida da AES e levando os papéis da Cemig, com dez anos para quitar o débito.

Se não foi um mau negócio para o BNDES, a operação foi melhor ainda para o grupo AG, cliente assíduo do banco estatal. Entre 2008 e 2009, o BNDES liberou quase R$ 7 bilhões para a Oi, controlada por AG e La Fonte, comprar a Brasil Telecom. Lula editou decreto para permitir o negócio.

No fim do mês passado, a Braskem comprou a Quattor, criando a maior empresa do setor nas Américas. Uma semana depois, anunciou a aquisição da americana Sunoco Chemicals, por US$ 350 milhões.

As operações foram possíveis graças ao aumento da participação da Petrobras na empresa -o controle da Braskem está nas mãos da Odebrecht, com 50,1% das ações ordinárias.

Carlos Fadigas, vice-presidente de finanças da petroquímica, ressalta que a maior operação da companhia foi realizada em 2001, com a compra da Copene, rebatizada de Braskem. “Não foi só no governo Lula. É uma história ao longo do tempo”, disse ele.

Conforme a Folha noticiou na semana passada, o Palácio do Planalto aprovou a constituição de uma superelétrica formada pela Camargo Corrêa.

Controladora da CPFL, a empreiteira pretende adquirir também as ações na Neoenergia pertencentes à Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) e ao BB, e a participação do BNDES na Eletropaulo e na AES Sul -duas operações na casa dos bilhões. Para concretizá-las, a Camargo precisará de financiamento do banco federal de fomento.

Na quarta-feira, Dilma confirmou as tratativas. “Não vemos com maus olhos. É uma tendência internacional ter grandes empresas nessa área.” Ressaltou que o negócio ainda não foi “colocado de forma completa para o governo”.

A Funcef anunciou também que pretende comprar metade da participação da Camargo Corrêa na usina de Jirau, no rio Madeira, o que ajudaria a capitalizar a empreiteira.

Já a Queiroz Galvão tem na Petrobras um de seus maiores clientes em construção civil e sua principal parceira na área de exploração de óleo e gás.

Procuradas pela reportagem, Invepar-OAS e Queiroz Galvão disseram, via assessoria, que não iriam se manifestar.

Fonte: Folha de S. Paulo

Saiba+
Bons e maus negócios: quem decide os investimentos dos fundos de pensão?

Para nossa reflexão: “apenas 1%” pode ser uma enormidade

fevereiro 6th, 2010

Depois que a imprensa divulgou, com muita repercussão, a morte de uma jornalista de Brasília durante a realização de uma cirurgia popularmente conhecida como “Lipo”, um médico deu uma entrevista falando que o risco de morte neste tipo de intervenção é pequeno, de apenas 1%.

Para que se tenha a exata noção do que significa “apenas 1%” pensemos numa viagem aérea com uma empresa que afirmasse ser este o seu índice de risco, ou seja, que garantisse que de cada cem aviões dela que decolam apenas um se acidenta.

Quem faria esta viagem?

Segundo a Veja, no hot site Desastres Aéreos (clique aqui) “as chances de sofrer um acidente de avião e de morrer em um dos desastres despencaram. Em 1989, eram 4,95 acidentes com fatalidades a cada milhão de decolagens. O índice jamais voltou a ser tão elevado - e em 2004, a marca era de 0,9 acidente com fatalidade a cada milhão de decolagens. Caiu também o número médio de fatalidades por milhão de decolagens: de 150,8 em 1989 para 100,2 em 1994, para 49,85 em 2001 e 23,29 em 2004.”

Mas certamente as pessoas têm mais medo de entrar num avião do que numa clínica de estética para fazer uma Lipo. Mistérios da mente humana.

Bons e maus negócios: quem decide os investimentos dos fundos de pensão?

fevereiro 5th, 2010

Permitam-me retomar um tema abordado no dia 17 de junho de 2009 que, por coincidência, era uma sexta-feira, como hoje.

O título do post era “Mudanças nas regras de investimento dos fundos de pensão” - na época comentava-se que ocorreriam mudanças, que de fato vieram a acontecer pouco depois, nos limites de aplicação dos fundos.

O “gancho” para o comentário era uma nota publicada na imprensa dando conta de que o Governo determinara que os fundos deveriam investir no projeto do chamado “Trem Bala”, o qual, aliás, parece que tomou chá de sumiço. (Clique aqui para ler o referido post na íntegra)

Fiz uma afirmativa na época que retomo neste momento diante de outras notícias que comentarei a seguir.

O que disse eu então: “Bons negócios podem, em tese, estar associados a projetos do Governo ou da iniciativa privada. Negócios ruins também. Mas será necessário analisar cada negócio sob o ponto de vista estritamente técnico, qualquer que seja sua origem. Nenhum fundo de pensão pode comprometer os recursos dos seus associados apenas por haver sido ‘escalado’ pelo Governo para participar de um determinado empreendimento.”

E por que volto a este tema? Por conta de duas notícias, aliás reproduzidas neste BBlog. A primeira delas diz que o Governo estaria interessado em que a empreiteira Camargo Corrêa constitua uma “Superelétrica”, adquirindo o controle da Eletropaulo, da AES Sul e da Neoenergia - setor em que o nosso fundo de pensão tem pesados investimentos. Diz a notícia que “segundo pessoas próximas às transações ouvidas pela Folha, o presidente da Previ, Sérgio Rosa, abriu negociação com a Camargo Corrêa por interferência direta do Planalto.” (Clique aqui para saber mais)

A outra notícia - que trata da construção da usina Belo Monte - diz que “garantida a licitação da usina de Belo Monte, o grande obstáculo agora é a formação de pelo menos dois consórcios para garantir a disputa, que é ancorada na menor oferta de tarifa de energia. Tudo indica que as subsidiárias da Eletrobrás - especialmente Furnas e Eletronorte - e os fundos de pensão - ao menos Previ e Funcef - serão divididos pelo governo para garantir essas duas frentes no leilão.” (Clique aqui para saber mais)

É importante ressaltar que os fundos de pensão não podem se divorciar dos interesses do País, mas também é muito válido lembrar que interesses de Governos raramente coindidem com os interesses da Nação. Na grande maioria das vezes em que os fundos de pensão decidiram seus investimentos pressionados pelos Governos de plantão os resultados foram negativos. É da natureza dos Governos botar olho grande no patrimônio dos fundos de pensão, mas é obrigação dos seus legítimos proprietários - os participantes - ficar atentos para impedir maus negócios.

Repito que bons negócios podem, em tese, estar associados a projetos do Governo ou da iniciativa privada. Negócios ruins também. Mas reafirmo que “nenhum fundo de pensão pode comprometer os recursos dos seus associados apenas por haver sido ‘escalado’ pelo Governo para participar de um determinado empreendimento.”

Contra o olho grande dos Governos a melhor defesa é o olho vivo dos participantes.

Eleições Cassi: comissão eleitoral divulga chapas concorrentes

fevereiro 5th, 2010

Leia a seguir comunicado da Comissão Eleitoral da Cassi:

“A Comissão Eleitoral da CASSI divulgou as duas chapas inscritas para concorrer às eleições 2010. No pleito, serão escolhidos dois membros titulares e dois suplentes para o Conselho Deliberativo, um membro titular e um suplente para o Conselho Fiscal e o Diretor de Saúde e Rede de Atendimento.

O prazo para impugnação das chapas começa nesta segunda-feira, 8, e termina na próxima quarta-feira, 10. Os pedidos devem ser encaminhados ao email comissaoeleitoral@cassi.com.br ou protocolados no endereço Setor Comercial Sul, Quadra 8, Edifício Venâncio 2000, Bloco B 60, 4º andar- Brasília- DF, junto à Comissão Eleitoral.

Confira a relação das chapas inscritas (por ordem de pedido de inscrição) e seus respectivos candidatos.

CHAPA “UNIDOS PELA CASSI”

Para membro do Conselho Deliberativo

Titulares

3.207.400-X Fernanda Duclos Carisio (Aposentada)
6.298.760-7 Loreni Senger Correa (Aposentada)

Suplentes

9.379.650-1 Ubaldo Evangelista Neto (Aposentado)
4.423.559-3 Iris Carvalho Silva (Agência Piedade- Salvador-BA)

Para membro do Conselho Fiscal

Titular

8.712.864-0 Rodrigo Nunes Gurgel (Diretoria de Marketing e Comunicação)

Suplente

9.563.176-3 Viviane Cristina Assôfra (Agência Empresarial Centro SP)

Para Diretora de Saúde e Rede de Atendimento

6.847.180-7 Maria das Graças Conceição Machado Costa (Aposentada)

CHAPA ”UMA NOVA CASSI”

Para membro do Conselho Deliberativo

Titulares

6.846.446-0 Maria Goretti Fassina Barone Falqueto (Disponibilidade SEEB Espírito Santo)
6.873.136-1 Maria Valéria Sarmento Coêlho da Paz (CSL São Paulo)

Suplentes

8.031.293-4 Paula Regina Goto (Agência Paiçandu-PR)
3.763.506-9 Gilberto Luis Fernandes Monteiro (Agência Tirol-RN)

Para membro do Conselho Fiscal

Titular

8.766.860-2 Ronaldo de Moraes Ferreira (CSL Rio de Janeiro

Suplent

6.771.670-9 Marcelo Valente Antunes (Diretoria Gestão de Pessoas)

Para Diretor de Saúde e Rede de Atendimento

4.311.970-0 Humberto Santos Almeida (Disponibilidade SEEB Bahia)”

Cassi: 66 anos, novo presidente e eleições à vista

fevereiro 4th, 2010

Foto: Cassi
Nos últimos dias a Cassi foi fonte de vários eventos. Primeiro, comemorou seus 66 anos no dia 27 de janeiro.

Isso me faz lembrar com orgulho ter sido dirigente da Cassi quando do seu cinquentenário. Um evento que reuniu festa, reflexão e um tributo à democracia, com a participação de todos os ex-dirigentes da Caixa que puderam - e quiseram - participar. O presidente da Cassi era o recentemente falecido Fernando Lacerda. O presidente do Banco do Brasil, que deu apoio logístico e prestigiou pessoalmente os eventos, era o atual conselheiro deliberativo da Anabb, Alcir Calliari.

Posse

Nesta terça-feira, 2, tomou posse no cargo o novo presidente da CASSI Hayton Jurema da Rocha (foto), que entra para complementar o mandato do ex-presidente Antônio Sérgio Riede.

Segundo nota divulgada no site da Caixa de Assistência, “Hayton Rocha colocou como objetivo de sua missão à frente da CASSI fazer com que a Instituição tenha, perante os funcionários e a sociedade, respeitabilidade semelhante à do Banco do Brasil e da Previ. ‘São dois dos maiores orgulhos (Banco e Caixa de Previdência) do que chamo carinhosamente de nação BB’, afirmou.”

Eleições

E na última sexta-feira, 29 de janeiro, encerrou-se o prazo para inscrição de chapas concorrentes ao preenchimento de vagas da cota dos associados. A Comissão Eleitoral cumprirá o prazo regulamentar e somente nesta sexta-feira, dia 5, “divulgará os dados das chapas inscritas, conforme prevê o Edital de Convocação, artigo 15″, esclarece.

Informalmente, porém, sabe-se que concorrerão duas chapas. Uma liderada pela atual presidente do Conselho Deliberativo da própria Cassi, Graça Machado - candidata ao cargo de Diretor - e que deverá ser denominada Unidos pela Cassi. Para os demais cargos concorrerão Fernanda Carísio, Loreni, Ubaldo, Iris Carvalho, Rodrigo e Viviane.

A outra chapa, que deverá levar o nome de Uma Nova Cassi, liderada por Humberto - que já concorreu ao cargo de diretor anteriormente - secundado por Belela, Goretti, Gilberto, Paula Goto, Ronaldão e Marcelo.

Resta aguardar a confirmação oficial dos concorrentes e a campanha que se seguirá. A votação ocorrerá entre os dias 1º e 9 de abril. Os membros e suplentes dos Conselhos, assim como o diretor a ser eleito, terão mandatos de 1º de junho de 2010 a 31 de maio de 2014.

Governo quer fundos de pensão estatais nos consórcios que disputarão Belo Monte

fevereiro 3rd, 2010

Governo também usará subsidiárias da Eletrobrás para leilão da usina ter concorrência. Funcef negocia com Odebrecht

Geralda Doca e Vivian Oswald

Garantida a licitação da usina de Belo Monte, o grande obstáculo agora é a formação de pelo menos dois consórcios para garantir a disputa, que é ancorada na menor oferta de tarifa de energia. Tudo indica que as subsidiárias da Eletrobrás - especialmente Furnas e Eletronorte - e os fundos de pensão - ao menos Previ e Funcef - serão divididos pelo governo para garantir essas duas frentes no leilão.

Até porque a liderança das empreiteiras no processo causa desconfiança e desistência entre os demais agentes privados.

Os fundos de pensão abriram ontem seus planos. O presidente da Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica Federal), Guilherme Lacerda, informou que já está negociando parceria com a Odebrecht. Ele afirmou que a entidade assinou um termo de compromisso com a construtora para decidir as condições em que vai participar do leilão. A Funcef tem uma disponibilidade de R$ 600 milhões, dos R$ 2 bilhões que vai aplicar no setor de infraestrutura em 2010.

- Temos disposição em entrar (em Belo Monte). A hidrelétrica é um investimento importante - disse Lacerda.

- É saudável a concorrência e não vamos entrar com Petros e Previ neste projeto.

A diretoria da Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) se reuniu ontem e informou que já começou a discutir as oportunidades abertas por Belo Monte.

O fundo estuda parceria com uma construtora. A Petros anunciou que também já vinha estudando entrar em Belo Monte e, agora que saiu o licenciamento ambiental, vai correr para entrar no empreendimento - individualmente ou em parceria com fundos.

Funcef avalia entrar no consórcio de Jirau

A legislação permite que os fundos de pensão apliquem em infraestrutura até 20% de seu patrimônio líquido. As principais entidades estão se movimentando para o governo permitir a elas oferecerem títulos do governo como garantia até o valor da participação nesse empreendimento. Hoje, isso não é permitido.

De olho em Belo Monte, representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) procuraram os responsáveis pela fiscalização dos fundos de pensão no governo no fim de 2009, preocupados em estimular a concorrência. O órgão regulador queria detalhes sobre como as entidades investem e os limites.

No edital de Belo Monte não poderão concorrer fundos deficitários ou com dívidas.

Lacerda afirmou ainda que a Funcef não participou do leilão da usina de Jirau, no rio Madeira, em 2009, mas mudou de ideia e está negociando a compra de metade da participação da Camargo Corrêa na usina.

Vale e Neoenergia podem disputar Belo Monte juntas

No setor privado, as construtoras Camargo Corrêa e Odebrecht já avisaram que entrarão juntas no leilão de Belo Monte.

Agentes de mercado esperam que a rival Andrade Gutierrez lidere outro grupo. Segundo fontes do setor, o processo está muito concentrado nas mãos das empreiteiras - até porque elas comandaram os estudos de viabilidade técnica e econômica - e há desconfiança dos grandes operadores do mercado.

Os atores se queixam da falta de informações, que, em última instância, consideram falta de transparência. A questão atrapalha conversas entre empresas que poderiam formar consórcio. Seria o caso do grupo Vale Energia, que estava nascendo da união de Vale e Neoenergia.

Do ponto de vista econômico, o principal desafio é o alto risco do empreendimento, pois Belo Monte é um gigante encravado na Amazônia. O investimento é estimado pela iniciativa privada em ao menos R$ 30 bilhões - o governo estima o projeto entre R$ 17 bilhões e R$ 20 bilhões.

Além disso, foram impostas condicionantes socioambientais pelo órgão licenciador.

- Este pode ser um empecilho - diz o presidente da consultoria Andrade & Canellas, João Carlos Mello, ressaltando que o orçamento será o determinante da demanda no leilão.

Fonte: O Globo

BB terá acréscimo de R$ 1,6 bi no lucro de 2009 com superavit da Previ

fevereiro 1st, 2010

SÃO PAULO - O Banco do Brasil terá um acréscimo de R$ 1,6 bilhão em seu lucro de 2009, segundo informou ao mercado hoje a instituição.

O impacto positivo no balanço, que será divulgado dia 25 de fevereiro, vem da atualização dos cálculos dos pagamentos do fundo de pensão dos funcionários do banco (Previ).

“O BB atualizou os cálculos atuariais do Plano de Benefícios I (Plano I da Previ), implicando impacto positivo, líquido de impostos e participação estatutária no lucro, de R$ 1,6 bilhão”, informou o banco.

Fonte: Vanessa Dezem | Valor Online

Maringá: projeto ’Visão de Liberdade’ é ampliado com apoio das Anabb

fevereiro 1st, 2010

Edson Pereira Filho
epereira@odiariomaringa.com.br

Foi lançada na Penitenciária Estadual de Maringá (PEM) a ampliação do projeto “Visão de Liberdade”, mantido pelo Conselho de Segurança de Maringá (Conseg). O projeto permite que presos produzam material para deficientes visuais. Para a ampliação do projeto, desenvolvido há seis anos, a Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb) repassou R$ 30 mil. Isso permitirá dobrar a produção atual de 150 livros por mês.

De acordo com Maria Angela Sierra, coordenadora do Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP), órgão que desenvolve o projeto “Visão de Liberdade” a PEM, a ampliação das atividades representa “uma inclusão de mão dupla”.

Os detentos trabalham na produção de materiais de apoio para os deficientes visuais, como livros em braile, livros falados e ilustrações em relevo e, além de ganhar uma ajuda financeira, recebem o benefício da redução de pena. Na PEM, 15 presos trabalham seis horas por dia na produção do material.

O presidente do Conseg, coronel Antônio Tadeu Rodrigues, disse que os recursos repassados pela Anabb serão investidos na compra de materiais permanentes e de consumo, equipamentos e melhorias na infraestrutura do local onde são produzidos os materiais.

Ricardo Alexandre Vieira, deficiente visual que faz o controle da produção, disse que a compra de mais equipamentos vai ajudar “muitos que, como eu, dependem deste material para ter acesso às informações e ao mundo”. Segundo Vieira, os novos equipamentos também vão garantir melhor qualidade do material produzido e distribuído pelo CAP.

Fonte: Diário do Norte do Paraná

Investimentos da Previ: “Superelétrica” terá mais de um terço do mercado brasileiro

janeiro 31st, 2010

Com apoio do Planalto, Camargo Corrêa pretende comprar o controle da Eletropaulo, da AES Sul e da Neoenergia

Governo atua para formar grandes empresas de capital nacional, tendo o BNDES como o principal financiador dessas operações no país

LEONARDO SOUZA
LEILA COIMBRA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A empreiteira Camargo Corrêa recebeu o aval do Palácio do Planalto para constituir uma superelétrica na área de distribuição de energia.

A construtora assumiu no ano passado o comando da CPFL e conta agora com o apoio do governo para comprar o controle da Eletropaulo e da AES Sul, além de adquirir da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) e do BB a sua participação no grupo Neoenergia.

Se concretizadas as duas operações, a empreiteira terá nas mãos uma gigante que abastecerá mais de um terço do mercado nacional, incluindo praticamente todo o Estado de São Paulo -o mais rico do país- e três Estados do Nordeste, região atualmente com o maior potencial de crescimento.

Segundo pessoas próximas às transações ouvidas pela Folha, o presidente da Previ, Sérgio Rosa, abriu negociação com a Camargo Corrêa por interferência direta do Planalto.

Como a Previ possui participação relevante tanto na CPFL (31% das ações ordinárias, sendo 23% delas ligadas ao bloco de controle) quanto na Neoenergia (49% do capital total), há conflito de interesses.

Hoje os representantes da Previ precisam sair das salas de decisões da CPFL quando são discutidos detalhes sobre as negociações em curso para aquisições de outras distribuidoras de energia.

A fusão com a CPFL resolveria o conflito, porém a Previ passaria a ser minoritária na nova empresa, perdendo a gestão da Neoenergia. Marcelo Corrêa, atual presidente do grupo, é indicação do fundo de pensão do BB.

Grupos nacionais

Não é a primeira vez que o governo atua para formar grandes empresas de capital nacional, tendo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como o principal financiador dessas operações.

Entre 2008 e 2009, o banco estatal injetou quase R$ 7 bilhões para viabilizar a incorporação da Brasil Telecom pela Oi. Em 2007, o BNDES comprou cerca de R$ 4 bilhões em ações (a valores de 2009) dos frigoríficos JBS e Bertin, o que possibilitou a fusão dos dois grupos no ano passado.

No caso da BrT-Oi, o presidente Lula ainda teve que editar um decreto sob medida para permitir a união das duas empresas.

O setor elétrico está na esfera de influência direta da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), candidata à sucessão presidencial. Ela comandou a pasta de Minas e Energia no primeiro mandato do presidente Lula. Todos os grandes temas da área passam por sua mesa.

Concentração

A formação da superelétrica não enfrentará impedimento legal. Em 2008, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) derrubou a última barreira regulatória contra concentrações no setor. A operação, contudo, teria de passar também pelos órgãos brasileiros de defesa da concorrência.

Até então, a legislação limitava a participação dos investidores nas concessionárias da seguinte forma: até 20% no mercado nacional e até 25% nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No Norte e no Nordeste a limitação era de 35%.

Segundo Jerson Kelmann, ex-diretor-geral da Aneel, a resolução 299, de 8 de janeiro daquele ano, extinguiu os tetos existentes.

As negociações para a fusão com a Neoenergia estão bem avançadas. O outro sócio da empresa, a espanhola Iberdrola, sofreu bastante com a crise financeira internacional e está bastante descapitalizado. Assim, dificilmente teria condições e interesse em comprar as participações da Previ e do Banco do Brasil.

No caso da Eletropaulo e da AES Sul, entretanto, a Camargo Corrêa ainda precisa superar alguns obstáculos.

As duas distribuidoras estão sob o guarda-chuva da empresa AES Brasiliana, que existe só no papel. O BNDES tem 53,85% dessa empresa, mas a operação das duas concessionárias (e também da geradora AES Tietê) é da americana AES.

Para vender sua participação na Brasiliana, o BNDES contratou o Citibank para elaborar a modelagem da operação. Pela legislação atual, o BNDES não pode negociar diretamente com nenhuma companhia interessada. A oferta das ações tem que ser feita em leilão.

Além disso, a AES tem direito de preferência na parte do banco e, neste momento, está capitalizada -a matriz recebeu uma injeção de US$ 2 bilhões do fundo soberano chinês, que adquiriu 15% da AES Corp.

Com o apoio do governo, contudo, a Camargo Corrêa espera entrar num acordo com os norte-americanos para que eles aceitem ceder o controle das duas distribuidoras. No passado, a AES chegou a anunciar que tinha a intenção de sair do país. Mas agora o discurso da empresa é o de permanecer ou mesmo de aumentar a sua presença no Brasil.

O interesse da Camargo se concentra na distribuição. No caso de uma união entre CPFL, Eletropaulo e Neoenergia, a maior sinergia estaria na ligação entre as duas primeiras, principalmente devido à proximidade geográfica, o que facilitaria o deslocamento de equipes para a manutenção das redes, por exemplo.

A CPFL está presente na grande maioria dos municípios do interior paulista. Já a Eletropaulo congrega a região metropolitana.

Fonte: Folha de S. Paulo

Aumento de capital do BB deve atingir R$ 13 bi

janeiro 29th, 2010

Cláudia Safatle e Vanessa Adachi, de Brasília e São Paulo

O aumento de capital do Banco do Brasil pode chegar a quase R$ 13 bilhões se o Banco Central autorizar a instituição a considerar como capital de nível 1 (recursos dos acionistas) a emissão de US$ 1,5 bilhão em bônus perpétuos de outubro passado. Esse reforço elevará o índice de Basileia dos atuais 13% para 15% do patrimônio líquido de referência, proporção suficiente para sustentar forte expansão no país e no exterior.

Após várias rodadas de reuniões com investidores e analistas estrangeiros, em 2009 e no início deste ano, ficou claro para a direção do banco público que os investidores e analistas internacionais demandam a reconstituição de capital e, no ambiente pós crise financeira global, querem que seja feita com dinheiro do acionista, sobretudo do controlador, o Tesouro Nacional, que detém 65,4% das ações.

O banco busca reforçar seu capital para fazer frente à maior agressividade comercial no país e no exterior. Depois de avançar na concessão de empréstimos durante a crise, que o levou a tomar mercado dos bancos privados, agora o Banco do Brasil quer ganhar musculatura na área de mercado de capitais. Para isso, faz planos para sanar três grandes deficiências: a ausência de uma corretora, uma área de análise de ações, hoje quase inexistente, e a falta de autorização para vender ações nos Estados Unidos em ofertas registradas - para negociação nas bolsas americanas.

“Isso nos tolhe e a mensagem é que vamos resolver tudo ainda no primeiro semestre”, diz o vice-presidente Ivan Monteiro. O banco negocia alternativas como a compra de uma corretora ou associação com instituição que ofereça o pacote completo que lhe falta. No ano passado, até novembro, a área de mercado de capitais proporcionou receita de R$ 192 milhões, com crescimento de 400% sobre 2008.

No exterior, a crise ajudou o banco. Antes de setembro de 2008, o BB de Nova York tinha US$ 180 milhões em “time deposit” (uma espécie de CDB) e US$ 200 milhões em linhas interbancárias. A crise produziu uma corrida de empresas brasileiras no exterior para o banco estatal, que hoje conta com US$ 4 bilhões em depósitos a prazo e US$ 2,8 bilhões no interbancário.

Fonte: Valor Online