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Homenagem a um Poeta
Na vida de um nordestino de minha
geração, a literatura surgia como algo natural. A cidade de Caruaru - onde eu nasci e vivi
até os 19 anos - tinha
três representantes na Academia Brasileira de Letras: Álvaro Lins, José
Condé e Austragésilo de Athayde. Ao mesmo tempo, bastava andar na sua
famosa feira para ouvir os versos improvisados, e maravilhosos, dos
emboladores, dos violeiros e dos poetas populares, através dos folhetos
- que depois viriam a ser chamados de "Cordel".
Assim, a prosa e o verso, verso e
reverso da mesma prática, eram atividades normais e que impregnavam a
todos nós que, na época, escrevíamos nossos textos. A maioria de nós,
certamente, foi desistindo pelo caminho, assumindo sua labuta e sua luta
pela sobrevivência, embora muitos continuem, como praticantes de um rito
secreto, a encher seus baús de textos inéditos.
Em 1976 ocorreu-me um fato que o
tempo viria a tornar marcante para mim. A publicação de um poema meu
numa revista literária de circulação nacional seria, por si só, um
momento de vitória naquela luta que todos os que escrevem - e isso com
certeza continua a acontecer ainda hoje - empreendem diuturnamente. A
publicação de um texto é certamente um momento de muita satisfação para
seu autor, principalmente quando jovem.
E naquele momento, quando a revista
literária Escrita, no seu primeiro ano de vida e no seu
número 8, publicou um poema de minha autoria, isso se deu numa seção
chamada Novos: Poemas e em um bloco de seis autores, que naquele
instante eram lançados nacionalmente. Hoje - quase trinta anos depois -
encho-me de orgulho ao perceber que fui lançado junto com um poeta que,
embora morto prematuramente, marcou forte presença na literatura
brasileira. E agora não mais vivendo no Nordeste, embora pleno de
nordestinidade, coincidentemente habito na mesma Curitiba de onde
aquele jovem poeta, quatro anos mais velho do que eu, havia enviado seus versos.
Falo de Paulo Leminski, um dos
seis novos poetas lançados naquela edição da revista Escrita. Cada um seguiu sua vida, alguns publicaram livros, outros continuam a
escrever na condição de jornalistas, mas somente um fez da poesia a
própria vida e com tamanha intensidade. Ao Leminski, portanto, dedico
esta seção deste site.
Romildo Gouveia Pinto
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Currículo Literário

Leia
Olinda, Holanda, livro de
poesias vencedor do V Prêmio Scortecci de Poesia - 1986
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