|
Fuga “heróica” ou
a história dos “bravos” fujões
Teve
início o processo eleitoral na ANABB. Como era de se esperar,
integrantes de uma banda do PT, aquela do mesmo grupo político de
Silvinho “Carrão” Pereira e Delúbio “Pt-Valerioduto” Soares, não
ousaram se candidatar.
Na realidade,
é uma atitude perfeitamente natural e compreensível, embora todos
nós lamentemos que eles não se apresentem
democraticamente perante os associados da
ANABB para explicar os dólares na cueca e os muitos milhões – até
“empréstimos” que o BB já provisionou como prejuízo, portanto
dinheiro público - que o Marcos Valério andou distribuindo tão
generosamente, inclusive a mensageiro da Previ. (Para
saber mais sobre isto, ouça Festa de Arromba, no site
www.charges.com.br.
Clique aqui)
Por outro
lado, seria uma excelente oportunidade para explicarem, também,
porque controlando a Previ não fazem aquilo que prometeram tantas
vezes, ou seja, por que não extinguem a famigerada PP-Parcela Previ
nem restauram o estatuto democrático; e, controlando a Cassi e o
BB, fiquem de braços cruzados vendo a nossa Caixa de Assistência
sangrando e esvaindo-se em plena praça pública, caminhando
celeremente em direção à morte.
Porém, não é
que em plena fuga - talvez para simular bravura,
mas na verdade tão somente por bravata, como
diria o Lula - começaram a atirar
para todos os lados? E, numa mensagem dessas que a internet é
pródiga em fazer circular – felizmente a internet tem este lado
democrático – tentam fazer parecer que a covardia é um atributo dos
heróis. E que fuga é uma ação adequada aos que se fingem de
valentões.
Temerosos de
enfrentar o julgamento implacável e inapelável das urnas, colocaram em
circulação a versão de que fogem devido a supostas suspeitas quanto
ao processo eleitoral da ANABB. Mesmo aqueles que, eleitos no
escrutínio passado, exerceram e ainda exercem lá seus mandatos. É o
cinismo se sobrepondo à coerência.
Na condição de
quem presidia o Conselho Deliberativo da ANABB quando da realização
das eleições passadas, posso garantir que o processo eleitoral foi
todo conduzido de forma absolutamente correta. E mais: com a
participação e/ou acompanhamento de representantes desse grupo,
agora fujão, no processo de elaboração dos programas e rotinas e nas
etapas de votação e apuração. Foram por eles indicados auditores, um
membro da Comissão Geral Eleitoral e vários fiscais – os quais, a
bem da verdade, cumpriram adequadamente seu papel.
Apurados os
votos e divulgado o resultado, não houve nenhum esboço de tentativa
de impugnação, mesmo que parcial. E os eleitos tomaram posse em seus
cargos e cumprem ainda seu mandato de 3 anos.
Alegar que
fogem da disputa por desconfiança no processo é tentar lançar lama
sobre a Comissão Geral Eleitoral das eleições passadas, mas é
principalmente tentar irresponsavelmente colocar sob suspeição a
atual CGE. Autônomas e independentes, compostas de associados
íntegros, dignos e capazes, as Comissões Eleitorais – tanto esta
quanto outras – merecem e têm o respeito dos associados, exceto
talvez daqueles poucos que levianamente acusam sem qualquer prova e
nenhuma evidência.
Que fujam é
compreensível, pois certamente não gostam de conviver em um espaço
democrático como o é a ANABB, que tem entre seus dirigentes eleitos
representantes de múltiplas correntes políticas e até mesmo aqueles
que, como eu, não são filiados a nenhum partido. Os fujões estão
acostumados a não tolerar o debate, a expulsar os que divergem do
pensamento “majoritário” – vide o episódio que envolveu Heloísa
Helena, Babá, Luciana Genro e João Fontes.
Os associados
da ANABB já se acostumaram a ver, por exemplo,
a sua entidade prestigiando, valorizando e apoiando todos os
funcionários do Banco do Brasil que se candidatam às eleições gerais
do País, jamais tendo feito qualquer discriminação a algum
candidato, à esquerda ou à direita, do PSTU ao mais direitista dos
partidos, passando por PT, PSDB, PPS, PSB, PMDB, PcdoB, PV, PFL etc.
Onde há um
associado concorrendo, lá está a ANABB apoiando e ajudando
efetivamente a eleger governadores, senadores, deputados federais,
estaduais e distritais, bem como prefeitos e vereadores pelo Brasil
afora. Ajudando a fortalecer a representação do funcionalismo e a
defender o próprio Banco, que é um patrimônio do Brasil.
O associado da
ANABB não aceita a intolerância, respeita a democracria e valoriza a
pluralidade. Porque sabe que todos os extraordinários resultados
concretos obtidos pela sua associação, em favor de todo o
funcionalismo do BB, são possíveis apenas pela postura de somar
visões e esforços e não pela exclusão; pelo debate livre e
democrático, e não por radicalismos arrogantes.
Compreende-se que aqueles que não gostam de confrontar suas idéias
fujam do debate, mormente na atual conjuntura, quando teriam que
explicar o inexplicável. Mas debandar atirando a esmo, fingindo-se
heróis em brava retirada, é mirar o próprio pé. Melhor fariam se em
vez de estarem redigindo “manifestos”, que estivessem trabalhando
para resolver os grandes problemas do funcionalismo que estão há
mais de dois anos exclusivamente em suas mãos, no Banco do Brasil,
na Previ e na Cassi.
Deixem a ANABB
em paz. Na ANABB se trabalha e se cumpre o que promete e os
funcionários do Banco do Brasil sabem disso. Mais respeito, senhoras
e senhores. Que fujam, mas que fujam com dignidade.
(21.09.2005)
E por falar em fraude
eleitoral, leia as notícias abaixo publicadas pela imprensa:
|
Oposição contesta vitória do Campo Majoritário
|
|
O deputado federal Dr. Rosinha
divulgou ontem nota contestando a forma com que o Campo
Majoritário venceu a eleição para a direção estadual do PT no
Paraná. No que classificou como fraude anunciada, o
parlamentar afirma que a reeleição do deputado estadual André
Vargas foi possível, porque a ala vencedora “Fez o transporte e
pagou a contribuição de milhares de filiados”.
As possíveis providências jurídicas ou internas, para contestar
o resultado final das eleições no estado devem ser definidas
hoje pela manhã, explica. O deputado, que pertence à corrente
interna Democracia Socialista, que se classifica mais à esquerda
do PT – pretende reunir-se com a sua assessoria e com
representantes de outras correntes para decidir que tipo de
recurso será utilizado.
“O Campo Majoritário obteve uma maioria virtual. Quando o PT
precisar desses militantes entre aspas, que receberam transporte
e tiveram suas contribuições pagas pelo Campo Majoritário,
nenhum deles irá para a rua defender o partido”, acusa Rosinha.
Segundo colocado na disputa pela presidência do diretório
estadual do Paraná, Dr. Rosinha afirma inclusive que cogita não
reconhecer o resultado final da disputa.
“Quando o cidadão tem sua contribuição paga por alguém que o
busca e, depois da votação, leva-o para casa, é fraude. Todo o
resultado está contaminado por essa grande farsa”, sustenta
o parlamentar. Dr. Rosinha afirma possuir provas testemunhais e
documentais, mas alega que é inútil registrar reclamações na
Comissão de Ética ou na direção do partido, porque “o Campo
Majoritário domina todas as instâncias do PT”.
Apuração
Na tarde de ontem, o Diretório Estadual divulgou os resultados
da apuração de 197 municípios com cerca de 14 mil votos. Nesse
total, já estavam contabilizados os resultados dos seis maiores
colégios eleitorais: Curitiba, Cascavel, Foz do Iguaçu,
Londrina, Ponta Grossa e Maringá. André Vargas seguia na
liderança com 53% do total. Dr. Rosinha era o segundo, com 17%;
seguido de João Ivo, com 12%, e Tadeu Veneri com 9%.
Para o deputado estadual Tadeu Veneri, o debate realizado
durante o processo de eleição reflete o desgaste da corrente que
comanda o partido. “O Campo Majoritário acabou”, disse. O grupo,
segundo ele, adotou práticas contraditórias para um partido de
centro-esquerda e fez uma política de alianças desastrosas. Além
disso, as principais irregularidades que estão sendo
investigadas em Brasília estão vinculadas a integrantes do Campo
Majoritário.
Veneri também questionou o processo de eleição no Paraná e a
pequena participação da militância. Dos 60 mil filiados, votaram
cerca de 16 mil, o que comprova, de acordo com ele, que as
filiações foram feitas apenas com o intuito de conseguir maioria
numérica. “Se esse partido cresceu tanto como o Campo
Majoritário comemora, por que sequer compareceu para votar?”,
indagou. “Algumas pessoas nem sabiam o que estavam votando”.
Para o deputado, o Campo Majoritário tem que reconhecer os
erros. As alianças partidárias sem critérios ideológicos não
podem ser repetidas. Como exemplo, citou a última eleição para
prefeito no Paraná onde o PT se juntou
com o PFL em Castro e fez coligação com o PSDB em vários
municípios.
O momento, na avaliação de Tadeu Veneri, é de uma profunda
reflexão no PT e de iniciar uma nova relação com a sociedade,
com mais transparência e prestação de contas. “O Campo
(Majoritário) fez nós
perdermos em 5 anos o que demoramos 20 anos para conquistar”.
(@ Gazeta do Povo, 21.09.2005) |
|
Denúncias de
fraude atingem eleição petista
SÃO PAULO (Reuters) - A eleição direta para a direção do
Partido dos Trabalhadores neste domingo teve incidentes e
denúncias de fraude em todo o país. Até o início da noite, a
direção nacional do partido não sabia precisar quantos eleitores
haviam comparecido às urnas para escolher os novos dirigentes,
entre seus mais de 820 mil filiados.
As manobras denunciadas por petistas e candidatos incluíam
desde o pagamento das contribuições em atraso para que o
militante pudesse votar até a falsificação de recibos de
pagamentos de mensalidades, passando pelo transporte de
eleitores, o que pode configurar abuso de poder econômico.
Na eleição interna, o PT decide os nomes e tendências que vão
compor os diretórios nacional, regionais (nos Estados) e
municipais. É um intrincado de grupos, rachas e coligações capaz
de confundir militantes de longa data.
SEGUNDO TURNO
A esquerda, que havia feito um pacto de união, para o segundo
turno, em torno do nome que saísse fortalecido para vencer o
candidato do campo majoritário, o deputado Ricardo Berzoini, já
apresenta fissuras.
Fundador do PT e apoiado pelo grupo Ação Popular Socialista
(APS) Plínio de Arruda Sampaio denuncia a campanha de outro
companheiro de esquerda, o terceiro-vice-presidente do PT,
Valter Pomar, da Articulação de Esquerda, considerado um dos
nomes mais fortes para chegar ao segundo turno.
"Corremos vários diretórios em São Paulo e houve um claro
esquema de transporte de eleitores," criticou Plínio, que vai
juntar fotografias à documentação de recurso para questionar a
eleição nas esferas partidárias.
"Fizemos fotos na Capela do Socorro e no Grajaú, por exemplo,
onde os Tatos (grupo paulistano apelidado pelo sobrenome da
família do ex-deputado Gilmar Tato) faziam o transporte para o
Valter Pomar. O apoiador do Pomar usa o mesmo método que nós
criticamos no campo majoritário," contou aos jornalistas.
Plínio se mostrou indignado ao saber que Valter Pomar
minimizou o volume de denúncias de manobras eleitorais nas
eleições deste ano. "Isso é um absurdo. A questão é muito mais
grave. Estamos levantando problemas em todo o país," afirmou,
alegando que as denúncias são contra grupos ligados tanto a
Ricardo Berzoini quanto a Pomar.
Em São Paulo, uma ex-vereadora do PT, Tita Dias, disse ter
sido agredida ao fotografar representantes do Campo Majoritário
pagando as contribuições em atraso de militantes para que esses
pudessem votar. Tita é uma das coordenadoras da campanha do
deputado José Eduardo Martins Cardozo, que concorre às eleições
municipais do PT, e é ligada também ao deputado Raul Pont,
candidato a presidente pela Democracia Socialista.
Em São Bernardo dos Campo (SP), onde era esperado o militante
mais ilustre do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que
faltou à eleição, o dia foi encerrado com troca de socos entre
militantes. Lula passou o dia em seu apartamento na cidade do
ABC paulista.
Em Salvador, o dirigente do Movimento Sem-Teto da Bahia
Pedro Cardoso ameaçava se desfiliar do PT após 20 anos de
militância ao flagrar, segundo ele, "um esquema de pagamento das
contribuições partidárias atrasadas, com bolo de dinheiro, para
que os militantes pudessem votar."
Cardoso era o responsável da APS pela fiscalização de dois
diretórios da chamada zona suburbana ferroviária de Salvador.
"Sou dirigente de um movimento que tem 26 mil famílias. É
impossível conviver com esse comportamento no partido. Estou com
completa descrença do PT," desabafou.
Em Recife, as listas com os nomes dos eleitores estavam com
problemas e um grande número de militantes ficou impossibilitado
de votar, de acordo com o deputado Fernando Ferro, do Movimento
PT, cuja candidata é a deputada gaúcha Maria do Rosário.
"Os locais de votação foram alterados, faltavam nomes e havia
informações incorretas de inadimplência," explicou. "Eu constava
como inadimplente, sendo que tenho a contribuição descontada em
folha, já que sou deputado. E o problema atingiu a todas as
tendências: o deputado Mauricio Rands, do Campo Majoritário, não
tinha seu nome na lista e quase fica impedido de votar."
Até o final da tarde, as diversas chapas de Recife
tentavam anular a eleição ou buscar uma solução para que as
pessoas que não conseguiram votar tivessem outra chance.
No Amapá, a acusação de fraude era sobre recibos frios de
quitação de débitos de militantes com os diretórios.
O Diretório Nacional do PT informou que todas as denúncias
devem ser encaminhadas aos diretórios estaduais correspondentes
e avaliadas pelas comissões eleitorais. Até sexta-feira, os
diretórios devem ter um parecer sobre cada caso e repassar o
resultado para a direção nacional do partido.
O deputado federal Ricardo Berzoini, secretário-geral do PT,
afirmou que as denúncias em dias de eleição são comuns no
partido e devem ser apuradas. "Onde houver denúncia fundamentada
o PT vai agir e tomar as providências," disse. O regulamento
petista prevê até a anulação da votação no diretório em que o
resultado seja duvidoso.
O coordenador da eleição, Francisco Campos, afirmou que as
denúncias "não comprometem a eleição nem a lisura do processo." (@
UOL Notícias, 18.09.2005) |
|
|