Ação de banco do país lidera
altas nas Américas
EXUBERÂNCIA NACIONAL
Papéis tiveram maior valorização do setor em 2005 comparados a
instituições da AL, dos EUA e da Espanha
GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA
As ações dos bancos brasileiros não se destacaram apenas na Bovespa.
Os quatro maiores bancos brasileiros apresentaram no ano passado as
maiores valorizações em Bolsas da América Latina, Espanha e Estados
Unidos.
Levantamento feito pela consultoria Economática mostra que as ações
dos quatro maiores bancos brasileiros (Bradesco, Unibanco, Itaú e
Banco do Brasil) foram as que mais subiram no ano passado. O
trabalho levou em consideração as ações mais rentáveis entre os 50
maiores bancos por ativos dos Estados Unidos, Espanha, Venezuela,
Colômbia, Peru, Chile, Argentina, Brasil e México.
Para ter a mesma base de comparação, a Economática fez a conversão
do resultado em dólar. O interessante é que, em moeda original, os
papéis dos bancos brasileiros também foram aqueles que mais sofreram
valorização no ano passado.
Segundo Einar Rivero, coordenador da consultoria Economática, esse
desempenho reflete o resultado dos bancos, em 2005, o maior da
história e provavelmente um dos mais elevados do planeta. Os bancos
foram os que apresentaram maior rentabilidade no ano passado em
relação a todos os setores da economia.
Entre os bancos brasileiros, o maior destaque foi o Bradesco, cujas
ações convertidas em dólar registraram altas de 164,8% (Bradesco ON,
ordinária) e de 146,7% (Bradesco PN, a preferencial). Logo atrás,
aparece a ação do Unibanco PN, com valorização de 132,5%, e do
Unibanco ON, com 127,7%. Em seguida, aparecem Itaú e Banco do
Brasil.
O Bradesco deverá ser também o banco que vai registrar em 2005 o
maior lucro já obtido por uma instituição financeira na história do
país. O segundo maior deverá ser o do banco Itaú.
Ativos
Já quando se compara os bancos por ativo, o resultado é outro. A
liderança cabe ao Citigroup, com US$ 1,4 trilhão em ativos, seguido
do Bank of America (US$ 1,2 trilhão) e do JP Morgan Chase (US$ 1,2
trilhão). Em quarto aparece o espanhol Santander, com US$ 783,7
bilhões em ativos.
O banco brasileiro mais bem colocado em ativos é o Banco do Brasil,
em 13º lugar, com US$ 110,5 bilhões. O Bradesco aparece em 21º lugar
(US$ 90,9 bilhões), o Itaú fica em 23º (US$ 65,1 bilhões) e o
Unibanco aparece em 35º (US$ 39,8 bilhões). São, ainda assim, os
maiores bancos da América Latina.
Apesar da alta valorização dos papéis dos bancos brasileiros no ano
passado, a ação que obteve maior rentabilidade na Bovespa foi a Net,
com uma oscilação de 150,3%.
Em segundo lugar vem o Bradesco PN, com
alta de 117,5%, e, em terceiro, a empresa de energia Transmissão
Paulista, com valorização de 92,9%.
O Unibanco aparece em quarto (79,8%) e o Itaúsa em quinto (67,7%). O
Banco do Brasil ficou em 21º, com uma alta de 33,9%.
Investimentos
Segundo Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Asis, a alta
lucratividade dos bancos no ano passado aumentou o interesse de
investidores externos e internos em aplicar nesses papéis, e, como
conseqüência, a alta valorização dessas ações.
Os bancos brasileiros, de acordo com Rodrigues, ganham muito não só
com operações de tesouraria (aplicação em títulos públicos) como na
cobrança de serviços.
A cobrança de serviços já corresponde a 15% da receita total dos
bancos, e existe potencial para crescimento. Rodrigues afirma ainda
que os "spreads" cobrados pelos bancos também são os maiores do
mundo.
Segundo Rodrigues, o ano de 2006 não deverá ser muito diferente. A
lucratividade dos bancos deverá continuar em alta, assim como a
valorização das ações na Bolsa de Valores.
(© Folha de S. Paulo,
29.01.2006)
Valor de mercado do Bradesco atinge US$ 36
bilhões
DO COLUNISTA DA FOLHA
O Bradesco deverá apresentar o maior lucro da história do sistema
financeiro no país ao fechar os dados de 2005. Até setembro,
acumulava lucro de R$ 4,05 bilhões. Esse resultado explica, em
parte, o fato de o banco ter sido o recordista em valorização de
ações em boa parte do planeta em 2005.
Segundo o presidente do Bradesco e da Febraban, Márcio Cypriano,
esse resultado não se deve aos juros altos, e sim à busca de
eficiência. Para ele, é um equívoco se pensar que os bancos ganham
com juros elevados. "Os bancos ganham com empréstimos", afirma.
(GB)
Folha - O que explica a alta valorização das ações dos
bancos brasileiros em relação às outras instituições no mundo?
Márcio Cypriano - Os bancos brasileiros, de um modo geral,
apresentaram grande valorização no ano passado. Isso reflete o fato
de o sistema financeiro no Brasil estar sólido e saudável. No
Bradesco, o investidor reconheceu o trabalho que foi feito nos
últimos anos. Nós segmentamos o banco em diversas áreas, o que fez
com que aumentasse a rentabilidade.
Dividimos o banco em área private, corporate, criamos o prime, para
atender aos clientes de alta renda. Para a pessoa jurídica, criamos
a área corporate para atender às empresas com faturamento superior a
R$ 180 milhões ao ano. Além disso, nos últimos dez anos fizemos
cerca de 15 aquisições de outras instituições, e sempre mantendo a
mesma marca.
Com isso, conseguimos uma economia de escala importante. Os
investidores nacionais e estrangeiros perceberam todas essas
mudanças. O índice de eficiência [despesas sobre receitas] do banco
caiu para 48%, nível internacional dos grandes bancos. O mercado viu
que o banco estava precificado de forma errada.
Folha - É isso que justifica a lucratividade recorde do
banco?
Cypriano - Claro. Só para dar uma idéia, o valor de mercado
do Bradesco na sexta atingiu US$ 36 bilhões, uma valorização
significativa. Em setembro de 2002, o banco valia US$ 2,5 bilhões. É
verdade que o dólar ajudou. Em 2002, o dólar estava bem valorizado
e, agora, acontece o contrário. Mas, mesmo assim, em reais, o valor
do banco subiu de R$ 15,9 bilhões em setembro de 2002 para R$ 66
bilhões agora. As ações ordinárias subiram 110% em 2005.
Folha - Esse cenário pode mudar com a queda dos juros?
Cypriano - Nós queremos que os juros caiam, e vão continuar
em queda. Quanto menor for a taxa, mais operações de crédito serão
feitas. Os juros precisam cair para as empresas aumentarem seus
investimentos. Os bancos ganham mais nos empréstimos. É um equívoco
pensar que os bancos ganham com os juros elevados.
Folha - Mas, no ano passado, o crédito já aumentou
bastante.
Cypriano - O crédito cresceu, mas principalmente para
pessoas físicas. É importante também que o crédito cresça para
pessoas jurídicas. O crédito está muito ligado à evolução da
economia. No ano passado, o PIB não cresceu o esperado e, por isso,
as empresas não investiram bastante. Se o PIB crescer cerca de 3,6%
a 3,8% em 2006, o crédito deve ter um crescimento de 25% a 26%.
Folha - Por que os "spreads" no Brasil são os maiores do
mundo?
Cypriano - Os "spreads" estão caindo, em razão das medidas
tomadas, como a lei de falências e de recuperação do crédito. São
medidas que fatalmente trarão segurança jurídica maior às
instituições, e, com isso, os "spreads" também vão cair. Mas é
preciso deixar claro que os "spreads" são altos porque sobre eles
incidem várias cunhas fiscais, como CPMF, IOF, PIS/Cofins e IR. A
tributação sobre o "spread" é alta. Os impostos respondem por 30% do
"spread". É isso que encarece o "spread" no Brasil. É importante
ressaltar que o "spread" da pessoa física é de 8% a 10% ao ano,
enquanto o da jurídica, de 3,5%. O problema é que quando se fala em
"spread" só se toma como referência as taxas cobradas no cheque
especial e no cartão de crédito, que são linhas especiais. Se forem
levadas em conta as taxas cobradas para financiamentos imobiliário e
de automóveis, os juros caem para menos de 1% ao mês. Mas essas
taxas não são contabilizadas no cálculo do "spread".
(© Folha de S. Paulo,
29.01.2006)
Indústria do dinheiro difícil
Financeiras crescem até 100% e movimentam R$ 190 bi, com juros
altos e apetite por crédito
Mariana Carneiro
Se o dólar fraco feriu de morte muitos exportadores e o
crescimento abaixo do esperado frustrou grande parte do
empresariado, existe um setor que não vê crise há pelo menos dois
anos: o das financeiras. Só no Rio de Janeiro, um verdadeiro
exército de distribuidores de folhetos foi formado. Segundo dados
do sindicato dos bancários, este mercado já emprega 15 mil
pessoas, mais da metade recrutadas no último biênio.
Pelas ruas, esta expansão é visível. Lojas
tradicionais do varejo deram lugar a grandes “butiques de
crédito”, como se diz no jargão do mercado, e não há quem passe
ileso por uma caminhada no Centro do Rio ou em bairros populosos,
como Tijuca ou Botafogo sem ao menos receber um folheto prometendo
“dinheiro fácil”.
Enquanto toda a economia deverá fechar o ano
passado com módica expansão de 2,5%, o crédito a pessoas físicas
expandiu-se 37,6%, segundo dados divulgados pelo Banco Central. E
a abertura de lojas não ficará para trás. Todas as redes estimam
abrir, este ano, novas lojas, na esteira de um crescimento de até
100%.
Frutos dos juros ainda elevados e do
endividamento crescente do consumidor. As financeiras ostentam as
mais altas taxas do mercado, incríveis 278,48% ao ano. Ao todo,
este mercado (incluindo os bancos) movimentou R$ 190 bilhões em
2005 e deve chegar a R$ 238,4 bilhões ao fim do ano, segundo
previsão da consultoria Austin Rating.
O “filé” para as financeiras e os chamados
promotores – os que distribuem folhetos nas ruas e tentam
conquistar clientes – são os aposentados. Isso porque eles
costumam pedir financiamentos que atingem o limite disponível no
crédito consignado, aquele com desconto direto no benefício do
INSS.
– O consignado alavancou o banco, já que
passamos a atender à população que tinha carência de crédito
oferecendo taxas menores – diz o diretor comercial do Banco
Cacique, Wanderley Vettore. – Este ano, queremos expandir a rede
para crescer além do mercado.
O negócio da Cacique é emprestar ao consumidor,
via crédito direto (CDC, para compra de bens), empréstimo pessoal
e, a jóia da coroa, o empréstimo a aposentados. Dos R$ 600 milhões
emprestados até o fim do ano passado, a maior parte era de
consignado para a terceira idade.
As operações de crédito com desconto em folha –
no caso de trabalhadores – e de aposentados cresceu 82,7% em 2005,
atingindo R$ 32 bilhões emprestados.
– Aposentado não pega R$ 500, R$ 600, sempre
consome mais. O valor também depende do ponto. Aqui na Tijuca, o
tíquete médio é R$ 10 mil a R$ 12 mil. A gente conquista menos
cliente do que em Madureira, por exemplo, mas como por aqui tem
muito funcionário público, dá para fazer consignado de valor alto
– conta um promotor.
Onde trabalha, em uma calçada de menos de 100
metros, na Rua Santo Afonso (Tijuca), há cinco lojas, praticamente
uma ao lado da outra: Banco Cédula, Servicash, Fininvest, GE Money
e Finasa. Em breve, chegará ao quarteirão uma agência do
Panamericano, que ocupará o lugar onde existia uma loja de
revelação de fotos.
– Não existe desemprego neste mercado –
constata a supervisora da loja Servicash (financeira do Banco
Arbi) da Tijuca, Eunice dos Santos. Aos 42 anos, Eunice trabalhou
por 23 na Fininvest e, desde setembro, está a serviço da
concorrência.
– Não fiquei nem um mês desempregada. Queria
até aproveitar para descansar quando saí da empresa, mas logo veio
essa proposta – conta. Entre os promotores, a história não é
diferente.
– Se eu não quiser mais trabalhar nessa
financeira, arrumo emprego em outra – conta um jovem promotor.
Para os que pensam que deve ser chato “vender o
peixe” nas ruas todos os dias, profissionais do ramo garantem:
mudar de atividade nem pensar.
– Para quê vou trabalhar numa loja? Aqui a
gente pode ficar dias sem conseguir nada, mas daí chega uma ficha
(um cliente) que compensa os dias sem trabalho – explica.
A remuneração básica dos promotores é 3% do
empréstimo feito pelo cliente conquistado, além de um fixo de
cerca de R$ 400. Não é difícil fechar o mês com R$ 1.300, mais ou
menos o que ganha um médico residente da rede pública de saúde ou
pouco menos do que recebe um doutorando do CNPq ou da Capes (cerca
de R$ 1.500).
Para o diretor do sindicato dos bancários,
Carlos Augusto Aguiar, apesar da ampla expansão do setor, a grande
maioria dos funcionários ainda é informal.
– Normalmente, em uma financeira, há dois
contratados. Os demais são terceirizados, cooperados ou
enquadrados como correspondentes bancários – denuncia. – Estamos
reivindicando que estes funcionários sejam incorporados ao
sindicato dos bancários e usufruam da mesma jornada de trabalho e
nível salarial dos demais profissionais da área.
(© Jornal do Brasil,
29.01.2006)
Oferta estimula consumo
Bancos e redes de varejo investem em financeiras e engordam
faturamento
Financeira do grupo Itaú, a Taií foi criada no segundo semestre de
2004 e, até o ano passado, havia registrado crescimento de 150%.
Ao fim de 2005, eram 133 lojas no Rio e em São Paulo. A IBI, outra
novata neste mercado - ligada à C&A - dobrou o número de lojas em
2005. Nada de moda: seu negócio é vender dinheiro à população.
Mostrando flexibilidade, as financeiras abocanham aos poucos fatia
considerável das operações de empréstimo pessoal.
- Este mercado registrou crescimento elevado
não apenas pela demanda, mas também a oferta estimulou muito o
crédito - avalia o economista-chefe da Austin Rating, Alex
Agostini. - Quando batem na sua porta uma vez, você recusa. Na
segunda ainda dá para resistir. Mas se batem três vezes, você já
começa a pensar no que pode fazer com o dinheiro.
Não à toa, o número de tomadores de crédito só
aumenta. Eunice, à frente da loja da Servicash, comprova que em
alguns dias chega a receber até 15 clientes.
É o caso da secretária escolar Rosângela
Valderato, de 47 anos. Cansada de tentar sem êxito no banco,
Rosângela procurou a financeira Banco Cédula. Quitada a dívida,
ela voltou, desta vez à Servicash.
- Aqui é muito mais fácil conseguir dinheiro -
repete o mantra do mercado.
Rosângela não pensa em pegar o dinheiro para
pagar dívidas, mas, sim, para financiar suas férias.
- Vou parcelar em até quatro meses, um
financiamento bem curtinho. Nada que me deixe endividada por muito
tempo - conta ela.
A onipresença das financeiras interfere na
decisão?
- Claro. Banco é muito cheio de burocracia. Já
tinha tentado na minha agência, mas era tudo muito difícil. Mas
antes de entrar nessa financeira, pesquisei o preço em outras três
- conta.
Para o diretor comercial do Panamericano,
Carlos Roberto Vilani, o consumidor tem a ganhar:
- A ampliação do mercado é boa para o
consumidor, que hoje encontra taxas mais baixas e um financiamento
mais longo. No passado, só existiam prazos de três ou quatro
parcelas. Hoje, se pode pegar dinheiro em até 36 vezes - defende.
(© Jornal do Brasil,
29.01.2006)
Rede para pegar cliente
O boom deste mercado começou há cerca de três anos, quando
os grandes bancos de varejo resolveram entrar no filão comprando
redes como a Losango (HSBC), Finasa (Bradesco) e Fininvest
(Unibanco). As três, além da Taií (Itaú) e Cacique (Banco Cacique)
dominam cerca de 90% do mercado.
Até 2004, a Cacique - cuja propaganda na TV é
estrelada pela atriz Nair Bello - tinha apenas sete lojas no
Brasil. No ano passado, a empresa espichou e virou gente grande:
88 novas lojas começaram a operar.
Tamanho satisfatório? Que nada, para este ano,
a expectativa é dobrar a rede, para 200 lojas. No Rio, a idéia é
sair das 13 unidades atuais (todas abertas em 2005) para 25, um
crescimento de quase 100%.
Para avançar, a Cacique se fia na criação de
produtos, como a ampliação dos cartões private e outros, os
quais o diretor comercial Wanderley Vettore guarda a sete chaves.
Em um mercado cada vez mais concorrido, qualquer estratégia conta
muitos pontos à frente do adversário.
Entre as financeiras, a capilaridade é
ponto-chave para bater à porta do cliente.
O Panamericano - do grupo Silvio Santos - abriu
37 lojas no ano passado, das quais sete só no Rio de Janeiro. Em
2006, a idéia, segundo o executivo, é sair das atuais 155 filias
para 200, uma alta de 30%.
O mote é se mostrar como alternativa à rede
bancária tradicional. Assim, já começaram o ano com o Credolé.
Segundo Carlos Roberto Vilani, diretor comercial, o mote do
produto é ''dê um olé nas taxas do seu banco''.
A carteira do banco do dono do SBT bateu R$ 4
milhões no ano passado, dos quais 61% eram de crédito para compra
de bens (incluindo veículos) e outros 17% de consignado.
(© Jornal do Brasil,
29.01.2006)
Não há renda que sustente superoferta
Voz dissonante emerge do próprio mercado. Quem já atua no segmento
sabe: não há renda que sustente a superoferta de crédito criada.
Para o presidente da Losango - a maior financeira do Brasil -,
Leonel Andrade, entre os atuantes do mercado - 48 empresas,
segundo dados do Banco Central - apenas 10 vão continuar operando
o crédito consignado.
- O excesso de confiança no país provocou essa
onda e está todo mundo indo com muita sede ao pote - avalia.
Para ele, o mercado deve assistir a uma alta de
apenas 20% este ano.
- Não há renda disponível para mais do que isso
- pondera. - E é a queda da taxa básica de juros (Selic)
que vai possibilitar esse crescimento.
Para Andrade, que atua no segmento desde os
tempos em que o mercado era composto apenas por quatro players
(Losango, Morada, Fininvest e Aymoré), o excesso de oferta e de
empresas que atuam neste setor, além de não ser sustentável, não é
positivo para o sistema:
- Isso não é bom no longo prazo. Daqui a dois,
três anos, haverá menos competidores no mercado. Afinal, o bolo a
ser dividido pelas empresas continuará o mesmo.
- O consignado já atingiu o filão inicial (cerca
de R$ 10 bilhões), mas o crédito para a aquisição de bens (CDC)
tem movimento crescente. Seja via convênio com lojas tradicionais
do varejo, seja em novos mercados, como agências de viagem -
rebate Carlos Roberto Vilani, do Panamericano. - Antes, o cliente
era só tomador de dinheiro, hoje ele pode acessar outros produtos.
Além das lojas com a bandeira própria, o setor
deve continuar a operar associações com as lojas de varejo para
crescer.
- Essa é uma forma de expansão do sistema
financeiro daqui para frente. Para a financeira, o que conta é a
capilaridade. Para a loja, ganha-se com a fidelidade do cliente -
prevê o advogado Maurício Almeida Prado, professor da Fundação
Getulio Vargas (FGV-SP) e sócio do escritório LO Baptista
Advogados.
(© Jornal do Brasil,
29.01.2006)
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