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Banco do Brasil registra maior
lucro do setor
Instituição supera Bradesco e obtém ganho de R$ 1,44 bi no 3º
trimestre; disputa sobre tributos com a Receita infla resultado
JANAÍNA LEITE
DA REPORTAGEM LOCAL
O Banco do Brasil
registrou lucro recorde no terceiro trimestre do ano e superou o
resultado dos dois grandes bancos brasileiros -Bradesco e Itaú. O
lucro líquido do BB chegou a R$ 1,44 bilhão -72,7% a mais do que em
igual período do ano passado.
No ranking dos lucros dos
bancos no trimestre, o Bradesco vem em segundo lugar, com R$ 1,43
bilhão. Itaú foi o terceiro, com lucro de R$ 1,35 bilhão. Ambas as
instituições são privadas. O BB é uma sociedade de economia mista,
com participação do governo.
No acumulado até setembro,
o BC obteve lucro líquido de R$ 3,4 bilhões, crescimento de 51,7% na
comparação com intervalo semelhante de 2004. Naqueles meses, o lucro
ficou em R$ 2,3 bilhões.
O lucro do terceiro
trimestre teve o impacto de ganhos tributários extraordinários, os
chamados "indébitos tributários", correspondentes a R$ 565 milhões,
já descontados os impostos.
Esse dinheiro é relativo a
uma discussão judicial com a Receita Federal por cobrança de
impostos. No mês de julho, a própria Receita voltou atrás e decidiu
em favor do Banco do Brasil.
Sem considerar isso, o
lucro médio do BB no período ficou aquém das previsões dos
analistas, que apostavam num montante acima de R$ 900 milhões.
O resultado do BB foi
considerado bom pelo presidente do banco, Rossano Maranhão. "O banco
é muito maior do que as denúncias", disse ele, em entrevista
concedida ontem na sede paulistana do banco. "Sem querer minimizar a
situação, mas esse volume de ativos, o desempenho das nossas ações e
o resultado do banco são uma belíssima resposta [à crise]."
O BB é suspeito de ter
repassado recursos indevidos ao publicitário Marcos Valério
Fernandes, por conta dos contratos dele com a instituição e a
Visanet, empresa na qual o banco é acionista. O assunto está sendo
investigado pela CPI dos Correios.
De acordo com Maranhão, o
desempenho do banco no período não foi maior devido ao aumento de
risco de crédito, especialmente na carteira de agronegócios e também
devido à alta da carga tributária.
No primeiro caso, os
produtores sofreram impacto das alterações climáticas e da febre
aftosa. Quanto aos tributos, Maranhão lembrou que houve efeito da
valorização cambial sobre as operações de hedge, aquelas que os
exportadores fecham para se proteger de oscilações no câmbio.
Crédito
Até setembro, o BB
confirmou a posição de maior carteira de crédito do país. Houve
crescimento de 12,5% desde o início do ano, com um valor apurado de
R$ 94,7 bilhões em empréstimos, ante mesmo período do ano passado. O
número, consolidado, inclui operações fechadas no exterior.
A vedete do crescimento
foi o crédito consignado, com desconto em folha de pagamento. As
operações aumentaram 174% até setembro deste ano, em comparação com
setembro do ano passado - R$ 3,3 bilhões foram repassados por meio
desse tipo de financiamento no acumulado dos primeiros nove meses do
ano.
Segundo Maranhão, a
carteira de crédito total do banco deve crescer entre 15% a 20% no
acumulado dos 12 meses de 2005. Para 2006, disse esperar que o
porcentual bata na casa dos 30%.
O microcrédito ofertado
pelo BB também teve grande expansão, mas os volumes são menores.
Chegou a uma elevação de 340,8% nos volumes emprestados. No ano, até
setembro, somou R$ 551 milhões.
Os empréstimos a pessoas
físicas subiram 15% no período, para R$ 18,5 bilhões. A carteira
para as empresas cresceu 12,4% e encerrou o trimestre com R$ 36,4
bilhões. Já o total de empréstimos para o agronegócio subiu 21,7%,
para R$ 31,247 bilhão.
BB DTVM
O presidente da BBDTVM, Nelson Rocha, afirmou que o sistema de
controle dos fundos de investimentos geridos por sua empresa são "os
melhores do país" e que apenas corretoras aprovadas pelo BB são
contratadas. E isso, afirmou, fica a cargo de um conselho.
Rocha não soube informar se alguma das corretoras que tiveram o
sigilo quebrado na CPI opera com a BBDTVM. O mesmo aconteceu com o
presidente do BB, Rossano Maranhão, em relação aos contratos do
banco com as corretoras citadas na CPI.
A BBDTVM, conforme Rocha, tem apenas 15% de participação de dinheiro
público.
Questionado sobre qual é a fatia da carteira da BBDTVM pertencente
aos fundos de pensão ligados a estatais, os maiores investidores
institucionais do país, o presidente da DTVM preferiu não revelar os
valores. Mas garantiu que, de 2003 para cá, o crescimento dos
recursos tem se concentrado no varejo.
(© Folha de S. Paulo,
15.11.2005)
Lucro do Banco do Brasil sobe 72%
Devolução de tributo indevido inflou resultado
SÃO PAULO - O Banco do Brasil fechou o terceiro trimestre com
lucro líquido de R$ 1,438 bilhão, 72,7% a mais do que o verificado
em igual período de 2004. O resultado foi o maior entre os bancos
brasileiros que já divulgaram resultados. O segundo posto é do
Bradesco, que lucrou R$ 1,430 bilhão no trimestre, seguido pelo
Itaú, com R$ 1,352 bilhão.
O lucro do BB, no entanto, não agradou
analistas, já que foi influenciado por um ganho extraordinário de
R$ 565 milhões, decorrente de recuperação de uma dívida tributária
cobrada indevidamente. Sem isso, o resultado teria sido de R$ 873
milhões, abaixo dos R$ 900 milhões previstos pelo mercado.
Entre janeiro a setembro, o lucro do BB subiu
51,6%, atingindo R$ 3,417 bi. Em nove meses, o BB foi superado por
Bradesco, com lucro de R$ 4,051 bilhões, e Itaú, com R$ 3,827 bi.
A carteira de crédito do BB totalizou R$ 86,146
bilhões ao final de setembro, alta de 16,5% frente a igual período
de 2004. O crédito destinado para a pessoa física subiu 15%, para
R$ 18,510 bilhões no final do terceiro trimestre deste ano. O
Crédito Direto ao Consumidor (CDC), principal produto destinado ao
cliente pessoa física, atingiu R$ 11,9 bilhões e 8,5 milhões de
contratos.
Outro destaque foram as linhas com desconto em
folha, que subiram 174,3% no terceiro trimestre, para R$ 3,286 bi.
A carteira de crédito para a pessoa jurídica
atingiu R$ 36,4 bilhões ao final do trimestre, alta de 12,4% em
relação a igual período de 2004.
(©
JB Online, 15.11.2005)
BB teve ganho de R$ 3,41 bi no ano
Ronaldo D'Ercole
SÃO PAULO. O Banco do Brasil (BB) teve lucro líquido de R$ 3,41
bilhões nos primeiros nove meses deste ano, valor 51,6% maior que o
ganho do mesmo período de 2004. Só no terceiro trimestre, o lucro
foi de R$ 1,43 bilhão, um salto de 72,7%. Esse desempenho, porém,
incorporou uma receita extraordinária de R$ 565 milhões, decorrente
da recuperação judicial de créditos tributários. Sem isso, o ganho
de junho a setembro teria caído para R$ 873 milhões.
No ano, o resultado ficou abaixo dos registrados por Bradesco (R$
4,05 bilhões) e Itaú (R$ 3,82 bilhões). Também ficou aquém do
esperado pelos analistas, que projetavam ganho operacional superior
a R$ 900 milhões no trimestre. Ontem, as ações do BB fecharam em
queda de 3,75% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), cotadas a
R$ 42,54.
Balanço do BB foi afetado pelo crédito agrícola
Em nota do balanço, o BB justifica o desempenho com o aumento do
risco de crédito, afetado pelas linhas destinadas ao agronegócio —
houve estiagem na Região Sul, no Mato Grosso do Sul e em algumas
áreas do Sudeste, além de problemas na venda da safra e queda em
preços internacionais de commodities . O efeito do aumento
da carga tributária sobre as operações de hedge (proteção)
causado pela valorização do real também afetou o resultado, segundo
o banco.
A inadimplência cresceu, ao contrário do que ocorreu com Bradesco e
Unibanco. As operações do BB com atrasos nos pagamentos superiores a
60 dias, que eram de 3,3% da carteira em setembro do ano passado,
chegaram a 3,9%.
A carteira de créditos do BB cresceu 12,5% em relação a setembro de
2004, chegando a R$ 94,68 bilhões. Embora o BB seja dono do maior
estoque de créditos do país — o Bradesco, por exemplo, tem R$ 75,24
bilhões — a carteira evoluiu menos que a dos maiores concorrentes.
Os financiamentos do Bradesco subiram 25,5% até setembro e os do
Itaú, 24%.
— Não compramos redes alternativas de distribuição nem fizemos
acordos com redes varejistas ou compramos carteiras de outros bancos
— disse o presidente do BB, Rossano Maranhão. — Essa é uma postura
mais conservadora, mas que não compromete o crescimento a médio e
longo prazos.
(© O Globo,
15.11.2005)
Lucros dos bancos no governo Lula cresceram
11,34%, para R$ 23,56 bi

Aguinaldo Novo
SÃO PAULO. Os bancos ampliaram seus ganhos no governo Luiz Inácio
Lula da Silva. De janeiro de 2003 a junho deste ano, as dez maiores
instituições privadas do país acumularam lucro de R$ 23,561 bilhões.
Isso representa aumento de 11,34%, ou de R$ 2,399 bilhões, em
relação aos 30 primeiros meses do segundo mandato de Fernando
Henrique Cardoso (janeiro de 1999 a junho de 2001). Na primeira
gestão tucana, de 1995 a 1998, esses bancos lucraram R$ 16,217
bilhões.
O lucro médio semestral da amostra desde o início do governo Lula é
de R$ 4,712 bilhões, contra R$ 1,749 bilhão na primeira metade do
primeiro mandato de Fernando Henrique (janeiro de 1995 a junho de
1997) e R$ 4,232 bilhões no mesmo período da gestão seguinte. Os
dados foram compilados pelo economista Alberto Borges Matias, da
USP, e consideram os dez maiores bancos privados nacionais e
estrangeiros. Juntos, eles respondem por 63,5% dos ativos desse
segmento. Para possibilitar a comparação, os dados foram atualizados
pelo IPCA.
Esse crescimento do lucro foi ajudado pela manutenção de juros e
spreads (diferença entre o custo de captação do banco e o
cobrado dos clientes nos empréstimos) elevados no governo Lula. O
economista-chefe da consultoria GRC Visão, Jason Vieira, avaliou a
trajetória da Selic, referência para as demais taxas de juros, desde
janeiro de 1995. A taxa média no governo Fernando Henrique foi de
34% anuais no primeiro mandato e de 20% no segundo. No governo Lula,
a média é de 19,6% ao ano.
Empréstimo a pessoa física contribuiu para lucros
Vieira também calculou a chamada média ponderada da Selic, que
exclui os picos da série histórica. Fernando Henrique passou por
três crises internacionais: México, Rússia e Ásia. Nesse caso, os
19,6% ao ano do governo Lula se comparam a 28% no primeiro mandato
tucano e a 18,82% de janeiro de 1999 a dezembro de 2002.
Também pesa a maior solidez hoje dos bancos, que ficaram maiores e
mais eficientes após o fim do floating (o que o setor
ganhava aplicando o dinheiro “esquecido” pelo cliente na conta). Só
o Bradesco comprou ou incorporou cerca de 20 instituições desde
1995. Isso se reflete no patrimônio líquido dos bancos, que saltou
177,7% a preços correntes na última década.
— Os bancos ficaram maiores e ganharam eficiência. Bancos maiores,
lucros maiores — afirma o economista-chefe da Febraban, Roberto Luis
Troster.
Além disso, os bancos se concentraram no segmento de varejo, que
teve forte expansão, apesar dos altos spreads . Para
pessoas físicas, o spread oscila entre 42% e 43% ao ano,
contra 8% para grandes empresas e 15% para pequenas e médias.
— Juros elevados geram transferência de renda do setor
não-financeiro para os bancos — diz Matias, da USP.
Segundo seu estudo, a receita com crédito no governo Lula soma R$
95,607 bilhões, 22,4% a mais que nos primeiros dois anos e meio do
segundo mandato de Fernando Henrique. O resultado com a aplicação em
títulos públicos e derivativos passou de R$ 61,77 para R$ 84,811
bilhões com Lula.
Funcionário de carreira do BNDES e hoje trabalhando na assessoria
econômica do PSDB, o economista José Roberto Afonso também comparou
o lucro dos bancos. Sua conta considerou os balanços de mais de 50
instituições, públicas e privadas, publicados no site do Banco
Central. Atualizado pelo IPCA, o estudo mostra um ganho de R$ 79,6
bilhões desde o início do governo Lula, frente a R$ 59,9 bilhões de
junho de 2000 a dezembro de 2002.
— Nessa comparação singela, os bancos lucraram no governo Lula cerca
de R$ 19,7 bilhões a mais do que ganharam no fim do governo Fernando
Henrique — diz
(© O Globo,
15.11.2005)
Para saber mais
sobre o assunto, busque no arquivo deste site:
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