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Zeca Caldeira |
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Potencial: Com a adesão de 3 milhões de aposentados,
crédito consignado já movimenta R$ 20 bilhões ao ano no
Brasil, concentrados
em pequenos bancos |
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Novas regras do Crédito consignado eliminam vantagens dos
pequenos bancos e põem os pensionistas do INSS na mira dos gigantes
Por ALINE LIMA
A princípio relutantes, os
grandes bancos enfim começam a seduzir-se por um mercado que já
movimenta R$ 20 bilhões e estão entrando na disputa pelo negócio do
crédito consignado – hoje dominado por instituições de pequeno e
médio portes. Na semana passada, a Febraban, porta-voz dos bancões
de varejo, comemorou o sucesso de seu pesado lobby pela aprovação de
novas regras para os empréstimos com desconto na folha de pagamentos
do INSS. Do ponto de vista do consumidor, o que muda é o prazo
máximo das operações, que caiu de 60 para 36 meses, e a proibição do
uso do telefone para a concessão de crédito. “Essas medidas vão
conferir maior segurança ao sistema e aos aposentados”, elogia
Márcio Cypriano, presidente da Febraban e do Bradesco. Vão também
favorecer os grandes bancos. Proibidas de conceder crédito por
telefone, as pequenas instituições, sem grandes redes de agências,
perdem sua principal arma nesta batalha.
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Zeca Caldeira |
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Carvalho, do Santander:
Aposentados ganham atendimento VIP e têm até medição de pressão |
No mesmo pacote foi criado
o sistema de crédito vinculado, que permite ao banco que paga
aposentadorias reter, ele próprio, a parcela do pagamento mensal
referente à prestação devida pelo tomador de empréstimo. Até então,
essa retenção era feita exclusivamente pelo INSS. Aqui também há um
benefício aos grandes bancos, já que as 20 maiores instituições
respondem pelo pagamento de todos os 17 milhões de aposentados do
INSS.
Dado o novo cenário, os
bancões partem para o ataque. O próprio Bradesco, de Cypriano, tem
recrutado senhoras aposentadas, de mais de 50 anos, para receber –
com biscoitos e cafezinho – a clientela da terceira idade. No
Santander, este público ganhou tratamento VIP nos primeiros cinco
dias de cada mês. Neste período, as
agências abrem até duas horas mais cedo e oferecem atendimento
especial aos mais velhos, com direito a lanche e medição de pressão.
“Da nossa carteira de R$ 860 milhões em crédito consignado, só R$ 70
milhões referem-se a beneficiários do INSS”, diz Wilson Carvalho,
superintendente do Santander. “Há muito espaço para crescer.”
Primeiro grande banco
privado a entrar no mercado de consignado para aposentados, o
Unibanco oferece crédito não só em suas agências como também nas
lojas da Fininvest e das redes Ponto Frio e Magazine Luiza. Mesmo o
Banco do Brasil, com vantagem neste ramo por concentrar contas do
funcionalismo público, não está de braços cruzados. Desde a
segunda-feira 3, o banco oferece o empréstimo consignado também a
aposentados que não mantêm conta corrente na instituição. A medida
faz parte da estratégia declarada da instituição para chegar à
liderança deste mercado – no qual já tem participação de 15%. Com o
Real ABN pronto para iniciar a oferta de crédito consignado nas
próximas semanas, o Itaú deverá ser o único dos gigantes do setor a
manter distância dos empréstimos com desconto na folha do INSS. Por
enquanto. “Os pequenos e médios bancos desbravaram este mercado”,
observa João Rabêllo, presidente da ABBC, associação que reúne os
nanicos do setor. “Quando ele ganhou volume, os grandes se
interessaram.”