Em depoimento na Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, o ex-diretor de
Marketing do Banco do Brasil (BB) Henrique Pizzolato caiu em
contradição ao afirmar que não precisou informar à Secretaria de
Comunicação do governo, ligada à Presidência da República, um
aditivo de contrato de publicidade do BB com a DNA no valor de R$ 58
milhões, assinado em 2003. À época, a secretaria era comandada por
Luiz Gushiken, hoje chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos do
Governo Lula. Pizzolato dissera à Polícia Federal que patrocínios
acima de R$ 50 mil deveriam ser comunicados ao órgão.
Ele confirmou que Luiz Gushiken, de quem era conhecido desde os
tempos de militância no movimento sindical dos bancários, se reunia
com os presidentes de fundos de pensão de órgãos públicos.
Pizzolato, no entanto, disse que não participava desses encontros.
Para os parlamentares da CPMI, ficou clara a ingerência de Gushiken
nos milionários fundos de pensão, e eles estão tentando convocar o
ex-chefe da Secom para depor na CPMI.
Visanet
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) questionou Pizzolato sobre o
depósito de R$ 35 milhões em único dia, pela Visanet (bandeira do
crédito do BB), na conta da DNA Propaganda. Essa empresa tem como
sócio o suposto operador do "mensalão", Marcos Valério de Souza.
Pizzolato respondeu que o Banco do Brasil tem conselheiros na
Visanet, mas que nunca foi informado sobre o assunto. Da área de
marketing, ele apenas passava o resumo das campanhas promocionais.
Ao explicar a compra de ingressos de um show da dupla Zezé de
Camargo e Luciano pelo Banco do Brasil, Pizzolato disse que a compra
não foi feita pelo banco, e sim pela Visa, como promoção para
incentivar a adesão a seus cartões. Ele disse não saber que o
espetáculo se destinava à arrecadação de dinheiro para a construção
de sede do PT. O ex-diretor lembrou que, em dezembro do ano passado,
o Tribunal de Contas da União (TCU) o isentou de culpa no episódio.
Pizzolato negou ainda que a empresa Multiaction, de Marcos Valério,
tenha intermediado patrocínios do Banco do Brasil.
Previ
Sobre os investimentos do Fundo de Previdência dos funcionários do
BB, a Previ, Pizzolato afirmou que, apesar de ter sido presidente do
Conselho Deliberativo da entidade, desconhecia investimentos do
fundo de pensão no Banco Rural. Pizzolato afastou-se da Previ depois
da denúncia de que teria mandado um contínuo sacar R$ 327 mil de uma
conta da DNA Propaganda no Banco Rural, em janeiro de 2004. Ele
explicou que, como presidente do conselho, só interferia em
aplicações superiores a R$ 3,5 bilhões, limite que corresponde a 5%
do total de recursos do fundo (R$ 70 bilhões). "Abaixo disso, não
tomava conhecimento", afirmou.
Banco Rural
O ex-diretor também disse que não sabia que os dois envelopes que o
contínuo do BB foi buscar no Banco Rural, a pedido do empresário e
suposto operador do "mensalão" Marcos Valério de Souza, continham
dinheiro. Ele disse que fez apenas um favor ao empresário, cuja
agência, a DNA Propaganda, prestava serviços ao Banco do Brasil.
Além disso, segundo o depoente, a forma e o peso dos envelopes não
indicavam que continham dinheiro.
Os deputados Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) e Arnaldo Faria
de Sá (PTB-SP), e a senadora Heloísa Helena (Psol-AL) não se
convenceram das explicações sobre o destino dos R$ 327 mil que o
ex-diretor do Banco do Brasil teria mandado sacar de uma conta no
Banco Rural. Pizzolato afirmou que o dinheiro foi repassado a um
"dirigente do PT", que não quis identificar.
Heloísa Helena acusou o ex-diretor do Banco do Brasil de ser
"moleque de recados" do PT. Pizzolato respondeu que apenas fez uma
"gentileza" à DNA, empresa que trabalha há 11 anos com o banco.
O deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS) afirmou que Pizzolato está
mentindo e pediu parecer da área jurídica da CPMI para tomar
providências contra o ex-diretor do Banco do Brasil. Lorenzoni
também questionou o aumento "absurdo" da publicidade do Banco do
Brasil em ano eleitoral. Os gastos na área subiram de R$ 153
milhões, em 2003; para R$ 262 milhões, em 2004. Para este ano, a
previsão é de gastos de R$ 140 milhões a R$ 160 milhões.
(©
Agência Câmara dos Deputados, 18.08.2005)
Pizzolato diz que salário de 40 mil era motivo de chacota
Funcionário concursado do Brasil há 31 anos,
Pizzolato declarou que seu salário de quase R$ 40 mil era "motivo de
chacota". Outros executivos da iniciativa privada, comparou,
ganhavam infinitamente mais do que ele. Na verdade, o salário do
ex-diretor no Banco do Brasil era de R$ 19 mil. O valor era
complementado pela atuação como conselheiro da Embraer (R$ 12,5
mil), da Previ (R$ 4,8 mil) e da Associação Nacional dos
Funcionários do Banco do Brasil - Anabb (R$ 3 mil).
Gushiken se reunia com dirigentes de fundos, diz Pizzolato
O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil (BB)
Henrique Pizzolato confirmou há pouco que o chefe do Núcleo de
Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Luiz Gushiken, se
reunia com os presidentes de fundos de pensão de órgãos públicos.
Pizzolato, no entanto, disse que não participava desses encontros.
Em depoimento na CPMI dos Correios, ele informou que conheceu
Gushiken no movimento sindical dos bancários.
Henrique Pizzolato disse aos parlamentares que já foi filiado ao PT,
mas há sete anos, em razão de uma mudança de domicílio eleitoral,
não teria feito a refiliação. Ele garantiu, contudo, que o cargo de
direção no BB não tem relação com a política. Pizzolato disse ter
sido indicado pelo ex-presidente do banco Cássio Casseb.
O depoente revelou ainda que participava do comitê financeiro da
campanha eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, ele
nunca teria arrecadado um centavo, pois somente agendava reuniões
com empresários para a exposição do programa de governo.
Cartão corporativo
Os parlamentares pediram explicações sobre gastos feitos por
Pizzolato com o cartão corporativo da Previ (fundo de pensão do BB).
Nos extratos, aparecem compras de vinhos e até a assinatura de uma
página pornográfica da internet.
Acerca dos vinhos, o ex-diretor de Marketing explicou que, em geral,
eram presentes para grandes clientes do Banco do Brasil. A
assinatura do sítio pornográfico, porém, não foi confirmada por
Pizzolato. "Não fui eu, a Previ não mandava as faturas dos gastos
para mim", disse.
(©
Agência Câmara dos Deputados, 18.08.2005)